segunda-feira, 13 de maio de 2013

Obra pós-moderna

Hoje acordei disposto a derreter todas as minhas moedas.

Queria queimar meu corpo para poder descansar um pouco.

E depois, construir mais um castelo de areia para que o mar pudesse levar.

Mas acabei debaixo da chuva, bebendo água com fumaça de ônibus.

Sem fome, sem dor e sem sono.

Andando como um morto-vivo.

Removendo meus órgãos e observando-os de fora do meu corpo, como uma obra de arte pós-moderna.

"Olhe ali, mamãe, um pulmão!"

Alguém está violando meu espírito.

E rindo, rindo, rindo.

Alguém está rindo, rindo, rindo.

E violando meu espírito sem qualquer tipo de pudor...

2 comentários:

Diego D' Avila disse...

Sinistro e bem criativo. Com a poluição que o homem insiste em não resolver, por conta dos lucros que ela gera, acabamos assim, sem alguns órgãos (arrancados pelo maquiavélico sistema) e principalmente os pulmões já que estamos "bebendo água com fumaça de ônibus".

Bom texto Brunão, abraços.

Bruno Mello Souza disse...

Valeu, Diegão!

Abraços!