quinta-feira, 2 de maio de 2013

Memórias, vinho e solidão

Hoje ele é apenas uma sombra do que um dia já foi.

Sentado num canto, bebendo um copo de vinho, apreciando a solidão.

Desistiu dos quereres que tanto já lhe remoeram.

É olhar que desvia, é sono que não sonha, é desinteresse interessado, é silêncio que grita.

Vai secando como uma folha no chão.

Adormecido, inerte, isolado e sem expectativas.

Permanece vivo por uma memória, uma sensação, um olhar doce de um dia já distante.

Entrega-se à lembrança do cheiro de uma flor, cheiro de felicidade.

Em pensamento, mergulha num oceano que se evaporou muito rapidamente.

A borboleta não bateu suas asas.

E tudo permaneceu exatamente igual...

6 comentários:

Diego D' Avila disse...

Aqui sim enxergo Nietzsche mais facilmente. Parabéns às lembranças, antes o cheiro da flor que outras coisas. A inércia geralmente é ruim, mas no mundo em que vivemos, quem não tiver disposição para mudar as engrenagenzinhas sacanas do sistema, ou ao menos enxergá-las, que já é um começo, ficar inerte e se sentirá marginalizado. Pois teve "tudo" (ou seria nada?). Mas não soube admirar o perfume de uma flor. Então, de nada valeu. Abraços camarada Bruno.

Aline disse...

Parece com o que eu sinto agora. Mas começo a pensar se o melhor não é olhar para frente e tentar fazer as coisas de um jeito diferente, animador. Viver sob a sombra do que um dia foi não nos acresce, devemos dar ao mundo o que esperamos em troca. Cheguei até a escrever um texto sobre isso, se puder dá um checada...

Bruno Mello Souza disse...

Valeu, Diegão! Abraços!

Bruno Mello Souza disse...

Oi, Aline!

Muito obrigado pela visita e pelo comentário. Espero que voltes mais vezes.

Darei uma olhada no teu texto.

Beijos.

B. disse...

As vezes as teias do passado, nos envolvem tão fortemente, que não conseguimos seguir em frente. Mas as vezes, este mesmo passado, contém o que nós tivemos de melhor em nossa vida. E aí o que fazer? Simplesmente esquecer? Enquanto estivermos vivendo de passado, não há projeção para o futuro e é impossível aproveitar o presente. Necessitamos guardar o que foi bom, lá no fundo. E que ele venha à tona, quando quisermos evoca-lo.
Ótimo texto. Marcante e sensível.

Bruno Mello Souza disse...

Oi, B.!

Muito obrigado pelo comentário!

Beijos.