quarta-feira, 1 de maio de 2013

Ciência Política: integração ou fragmentação?

As instituições são o desenho fundamental que pauta as regras do jogo democrático, e isto é inegável.

Acreditar, porém, que elas, por si só, sem um mínimo de adesão e respaldo da população, configurem uma democracia, me parece ingenuidade.

Não vislumbrar nas elites um poder fundamental neste panorama é uma postura igualmente ingênua.

Negligenciar que todo este contexto se dá num cenário internacional que exerce determinadas pressões sobre governos e regimes é, também, perigoso.

E, para se examinar tudo isso, é de suma importância a produção, o conhecimento e o reconhecimento de teorias de caráter normativo: seres humanos são seres normativos, afinal de contas.

Empiria sem teoria é nadar em piscina vazia.

Teoria sem qualquer traço de empiria, sem contato algum com a realidade prática e a história, sequer poderia existir.

Quando a Ciência Política se der conta de que suas peças e vertentes podem, apesar de discordâncias pontuais, integrar-se, ela será muito mais forte.

Quando nós, cientistas políticos, abandonarmos, ainda que parcialmente, certos conflitos, rusgas e vaidades,  e semearmos, sem preconceitos, maior diálogo entre as diferentes abordagens, nossas pesquisas serão mais ricas, completas e academicamente relevantes.

A fragmentação é contraproducente e diminui nossas capacidades críticas e analíticas.

Ela nos limita.

Discordar com conhecimento de causa faz parte do processo científico.

Divergir por ignorar, não.

Este pequeno texto não é mais do que uma modesta proposta de reflexão de um cientista político que não se pretende dono da verdade.

E não é, obviamente, um texto científico, apesar de ter como base algumas observações empíricas. 

2 comentários:

gui disse...

O problema é que quando as diferenças teóricas e epistemológicas se cristalizam e sedimentam em arranjos institucionais (como linhas de pesquisa), não estamos mais no plano da Ciência, mas sim da política e a da disputa por poder... como quebrar isso? Arcando com os custos pessoais da heterodoxia?

Guilherme Stein

Bruno Mello Souza disse...

Pois é, Guilherme, aí é que tá: a produção de conhecimento não pode, ou pelo menos não deveria, ser pautada por qualquer coisa que não seja a produção de conhecimento.

É por isso que acredito que a interlocução, o diálogo, a luta contra o isolamento e falsas excludências, devem ser permanentes.

Abraço.