sexta-feira, 8 de março de 2013

Revolução hospitalar

Na cama de hospital, esperando o fim reservado, não encontro mais soluções.
Então, desfaço-me dos tubos e canos.
Morrerei vivendo, enquanto observo a dor e a doença.
Ninguém vai me convencer a parar agora.

Os outros me olham e se levantam.
Agora somos a anarquia que perturba.
Dançando, gritando, implorando por mais um dia.
É a liberdade que contamina o nosso sangue, causando uma epidemia que os saudáveis jamais entenderão.

Sim, somos a doença que cura.
Sim, somos o lixo hospitalar que escreverá as páginas do amanhã com tinta vermelha.
Eis o caos e o fogo que queima tudo o que nos aprisiona.
Desfibrilador no peito, explodindo corações de vontade de seguir e vencer.

Expulsamos a morte deste quarto.
Somos mais fortes do que a dor das agulhas.
Somos ressurreição e esperança.
E a melancolia dessa prisão vai embora em forma de fumaça, subindo ao céu, e misturando-se com as nuvens negras do meio da tarde.

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