sexta-feira, 15 de março de 2013

Castelo de cartas

Comida sem gosto.

Abraços gelados.

Beijos sem ternura.

Palavras protocolares.

Rostos sem expressão.

Inutilidades úteis para satisfazer o ego.

Mais é menos.

Brilho artificial que cega os olhos.

Verdades mentirosas que para nada servem.

Aparências vãs para uma plateia imbecilizada que se deslumbra com qualquer truque barato.

Corações cheios de teias de aranha.

Carne viva que logo apodrecerá.

As paredes são a morte lenta.

A porta é a liberdade que a ninguém encoraja.

A vida se iniciaria e terminaria num instante apenas, para quem por ali se atrevesse a passar.

Por isso, todos seguem na sala de espera.

É mais cômodo tornar-se perene ao longo dos anos e séculos num holograma.

Sair às ruas, viver, queimar e se apagar num lapso de prazer exige intensidade.

Destrói o corpo.

Mata a inocência forjada.

Abala os mais entranhados e profundos paradigmas da existência.

Desloca a realidade.

Coloca abaixo, num peteleco, o castelo de cartas a tão duras penas construído.

E tira o sentido desta espera por algo que ninguém sabe se é, o que é, e que ninguém se atreve a perguntar.

Morrer lentamente tornou-se, mais do que um consolo, o objetivo de nossas vidas.

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