domingo, 31 de março de 2013

Sombra liberta

Meus olhos estavam pesados enquanto minha mente absorvia as mentiras de sempre.

Estavam me dizendo como agir, e no que acreditar.

Mas fantasmas já não me seguem mais.

Ganhei a disputa contra mim mesmo, e não sou mais o que era até ontem.

Sim, eu estava muito sozinho enquanto estava acompanhado.

Mas levantei para rir um pouco de todos à minha volta.

Sou uma alma enlouquecida, sou um espírito livre!

Hoje sei a diferença entre o que se diz e o que se faz.

E quantas vezes ouvi coisas que jamais pude ver?

E quantas vezes acordei à espera do silêncio?

Engoli a seco cada instante que passou.

Pavores que me invadiram, pequenos sinais do golpe fatal que arrancaria meu coração.

E agora apenas vagarei à procura de becos escuros.

Ouça meu grito, a garganta que rasga e sangra!

Olhe para meus olhos cheios da mais insana alegria, olhos em chamas!

Sussurre farsas nas quais não acredita, apenas para ganhar tempo, em meus ouvidos que explodem a cada palavra que se desmancha com o vento!

E, somente se quiser, seja a luz que acompanha a minha sombra.

sábado, 30 de março de 2013

O jantar (parte 3)

Cristian e Gilberto apenas se olhavam, tensos e um tanto constrangidos com aquela situação inusitada. O silêncio dos irmãos somente foi rompido com a chegada de Tereza, recém saída do banho, chamando-os para a cozinha.

A senhora imediatamente começou a mexer na geladeira. Não encontrava nada que pudesse cozinhar, até que achou, mais ao fundo, um pacote de camarões.

Tereza: - Aqui, meninos! Vou preparar um camarão delicioso! Vocês gostam, né?
Cristian: - Hehe... Pois é, tia... Er... Tenho alergia a camarão...
Tereza: - Oh... Nossa... Er... Bom... Tudo bem... Er... Vou fazer alguma outra coisa! Aqui na despensa deve ter algo!
Gilberto: - Tia... Não tem problema, viu? Se quiser... Sei lá... A gente pode pedir uma pizza...
Tereza: - Não! Claro que não! Convidei vocês com muito gosto! Vou preparar algo! Olha aqui, ó... Tem comida, olha só... Aqui... Er... Ó... Arroz! Arroz é uma delícia! Não tem coisa melhor que arroz, né? Eu amo arroz! Arroz é bom! Vocês vão adorar! Não vão acreditar no arroz que eu faço!

E Tereza começou a cozinhar o arroz. O silêncio constrangedor foi o persistente companheiro daqueles momentos, enquanto Tereza dizia frases quebra-gelo sobre as propriedades do arroz, e sobre quão delicioso era aquele cereal.

Quando terminou de cozinhar, a senhora serviu fartamente os pratos dos sobrinhos. Belos pratos, cheios de arroz branco com pouquíssimo sal. E ficava dizendo e reafirmando que aquele arroz havia ficado divino, com a embaraçada concordância de Cristian e Gilberto. "Quando se tem um bom arroz, o que mais é necessário, né? Arroz é tudo de bom!", repetia ela.

Sem dúvida, foi um jantar inesquecível...

sexta-feira, 29 de março de 2013

A política e a vida

Ei, você aí, na frente do seu computador!

Você mesmo!

Não olhe para o lado, não finja que não é com você.

É com você que estou falando, sim.

Com você que enche a boca para dizer que a política não presta para nada.

Com você que canta aos quatro ventos que não se envolve com a política e quer distância dela.

Vou dar uma notícia que talvez lhe choque.

Mas, por mais que você deteste a política, a sua vida está cheia dela, em praticamente todos os momentos.

Ela está presente no pão que você come pela manhã.

Ela está presente no assédio do seu chefe no ambiente de trabalho.

Ela está presente no arroz, no feijão e no bife que você come no almoço.

Ela está presente no colégio do seu filho.

Ela está presente na espera de uma consulta no hospital.

Ela está presente no seu receio de ficar até um pouco mais tarde na rua, por não saber como e se você vai voltar para casa.

Ela está presente em cada um dos 305 centavos que você paga para ser transportado feito um animal no ônibus lotado.

Gostando ou não, a política permeia toda a sua vida.

E você tem todo o direito e toda a liberdade para conhecê-la melhor, buscar informações, instrumentalizar-se contra a "corja" que você tanto despreza, ou não.

Você pode manter-se distante e apático, ou sair da bolha em que vive, colocar os pés no chão e se dar conta de que o que é público é de todos, e, portanto, é seu também.

Apenas lembre-se, independentemente daquilo que decidir, de que a política jamais deixará de existir e impactar sobre cada minuto do seu dia.

E que, optar por não ter um lado, é ter um lado, mesmo que involuntariamente; e que não ter interesse pela política é uma opção que serve a interesses políticos.

Interesses estes que, muito provavelmente, não são os seus.

terça-feira, 26 de março de 2013

O jantar (parte 2)

Cristian e Gilberto tocaram a campainha de sua tia, Tereza, pontualmente às nove da noite, como havia sido combinado.

Ela demorou para atendê-los.

Quase cinco minutos.

Quando os rapazes estavam desistindo e dando meia volta, ouviram passos rápidos, um tanto desesperados,  de quem corre com alguma dificuldade, vindo de dentro da casa.

Tereza abriu a porta, de pijama, e demonstrou alguma surpresa:

Tereza: - Meninos? Oi...?
Cristian: - Oi, tia... Er... Viemos para o jantar... Er... A senhora não esqueceu, né? Porque... Tudo bem... Pode ficar pra uma próxima...
Tereza: - Esquecer? Eu?! Claro que não! Nós combinamos, sim! Óbvio que me lembro! Pfff... Acham mesmo que eu iria esquecer? Só estava arrumando umas coisinhas pra receber vocês! Imaginem se eu iria esquecer!
Gilberto: - Tá certo, então...
Tereza: - Entrem, entrem! Não reparem na bagunça! Só vou tomar um banho e já venho! Vamos jantar! Isso! Vamos jantar! Sentem-se aqui na sala! Esse cobertor aqui... Deixa que eu levo pro quarto... Fiquem à vontade! Já venho! Já venho, certo?

(Continua...)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Final Sports

A partir de hoje, estou me integrando ao timaço do Final Sports.

Escreverei no blog "À Sombra dos Eucaliptos", destinado ao público colorado.

A tônica será a mesma que sigo por aqui.

Quando tiver que elogiar, elogiarei.

Mas quando tiver que descer a lenha, também o farei.

Óbvio, espero que o primeiro caso seja esmagadoramente mais recorrente do que o segundo.

Entretanto, serei, acima de tudo, uma voz do torcedor colorado: e torcedor quer sempre mais e mais.

Priorizarei a razão, mas a emoção está inevitavelmente imbricada no processo.

Não poderia ser diferente quando se trata de um grande amor, como para mim é o Sport Club Internacional.

Maiores detalhes serão divulgados em breve.

Por enquanto, fica o agradecimento à equipe do Final Sports pela oportunidade.

Falar de Inter para o torcedor colorado, num espaço relevante como este, para mim é um grande desafio.

Desde as antigas, muitas e muitas vezes me deliciei com os textos deste blog, sempre muito bem escritos por figuras talentosas e competentes como Daniel Ricci Araújo, Andreas Müller, Marcelo Benvenutti, entre outros.

Agora, pertenço ao time.

E espero honrar a história deste espaço.

domingo, 24 de março de 2013

O jantar (parte 1)

Os irmãos Cristian e Gilberto encontram a tia, Tereza, numa rua movimentada:

Tereza: - Oh! Olá, meninos!
Cristian: - Oi, tia! Quanto tempo!
Tereza: - Pois é, né? Vocês andam muito desnaturados! Nunca mais foram me visitar!
Gilberto: - Ah, tia, sabe como é a correria, né?
Tereza: - Mas não é desculpa!
Cristian: - Com certeza vamos visitá-la, tia... Estamos devendo isso...
Tereza: - No sábado à noite vocês têm algo para fazer?
Cristian: - Olha... Eu não...
Gilberto: - Hum... É... Eu também...
Tereza: - Então tá certo! Vocês vão lá jantar! Vou preparar algo bem especial!
Gilberto: - Bom... Combinado, então, tia!
Cristian: - Ok, a que horas?
Tereza: - Pode ser umas nove horas.
Gilberto: - Certo, tia!
Tereza: - Vou esperar ansiosamente!

sábado, 23 de março de 2013

Lugar no mundo

Ele era um cara sem chão.

Tinha muitas dúvidas sobre a vida, sobre aqueles que o cercavam, e sobre ele mesmo.

Não conseguia existir sem ter respostas.

E a falta delas o incomodava.

Buscou seu chão sem sucesso.

Resolveu, então, desaparecer sem ninguém notar.

Não achou o seu lugar no mundo.

E não se deu conta de que o mundo era o seu lugar.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Câncer

Telmo, no consultório:

- Então, doutor? Qual o meu diagnóstico?
- Câncer.
- Hein? Como?
- Sim, isso mesmo... Câncer.
- Meu Deus! Como assim?
- O seu problema é... Câncer.
- Nossa! E agora? Vou ter que fazer quimioterapia? Não é possível!
- Não, não... Você apenas terá que fazer uma descancerianização.
- Hein?
- Os seus problemas emocionais... São provocados pelo seu signo... Então vamos lhe descancerianizar. Vamos torná-lo mais calmo, mais racional, mais frio. Você será menos sensível, menos emotivo. E assim, vamos curá-lo. O tratamento não é simples, vai levar tempo. Mas tenha fé, que vai dar certo.
- Hum... Ok, doutor... Assim espero...

terça-feira, 19 de março de 2013

E-mail

Recebi um e-mail hoje à tarde:

"Ola Bruno!

É o ceguinte: 

Tenhu um çonho muito grandi. Qero cer univercitário. Mais acho qui podi cer meio compricado. Defícel di verdadi. 

Mi diseram qui o meu portugueis é como se dis defissiente.

Cei qui num poço perde as esperanssa. Mais to muinto confuzo.

Vosse sabi se consigu?

Torsse por mim!

Abrasso, 
Cleonício"

Consegue, sim, Cleonício. Tenta o ENEM. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Caderno da vida

Linhas tortas de coisas que ainda não sei.

Escrevo, escrevo, escrevo.

Tento, com novas ideias, criar uma história interessante.

Risco, rabisco, recorto.

É aprendizado e redescoberta diária.

Processo de tentativa e erro com caligrafia peculiar.

Às vezes, muito clara e legível.

E outras tantas, de complicada leitura, que nem eu mesmo consigo compreender em minhas revisões.

Algumas folhas, mantenho intactas, com carinho.

Revisar algumas lições me faz bem.

É bom folheá-las de vez em quando.

E recordar significados, sensações, cheiros e sabores.

Outras folhas, arranco.

Sempre é dolorido.

Ninguém escreve algo para jogar fora.

Por vezes, lindas frases se vão, sacrificadas, solitárias e deslocadas em um contexto pobre demais para a sua rara e singela beleza.

Elas morrem como uma flor que já não consegue persistir no deserto.   

Mas palavras errôneas e frases mal construídas também ensinam.

Ainda errarei muito.

Sei que ainda arrancarei, amassarei e rasgarei outras folhas.

É o tipo de desperdício inerente ao simples fato de se manter vivo.

Mas continuarei, acima de tudo, aprendendo.

É para isso, afinal de contas, que serve o caderno da vida.

Ainda restam muitas páginas em branco para escrever.

E tentar encontrar uma frase, um parágrafo ou um texto que expresse com exatidão aquilo que sou, aquilo que sinto, e aquilo que quero ser e sentir, independentemente da caneta, do lápis, da letra, do tipo de papel ou da norma culta que sufoca minha liberdade de criação...

domingo, 17 de março de 2013

(Im) Perfeição

As pessoas perdem muito tempo em busca da perfeição.

É uma busca boba, inútil.

Não digo que devamos ser desleixados, ou que não tentemos fazer o melhor possível, claro que não.

Digo, isso sim, que o melhor possível jamais será perfeito.

Digo, isso sim, que devemos viver mais, e nos atormentarmos menos.

Experimente, por um momento que seja, cobrar-se menos.

Fale uma bobagem sem nexo.

Ria um pouco de você e do mundo.

Seja mais livre.

A perfeição não é um dom humano.

Deixe-a de lado.

Mesmo que apenas hoje, mesmo que apenas agora, busque a imperfeição.

Ame a imperfeição.

Humanize-se.

A perfeição, além de utópica, é chata pra caramba!

A imperfeição nos diferencia.

Nossos pequenos erros, falhas, defeitos e contradições, nos tornam verdadeiramente interessantes.

A perfeição é uma velha mal amada que só faz atazanar a nossa vida.

A imperfeição é uma criança que sorri inocentemente, com a boca lambuzada de chocolate, olhando para o mundo com simplicidade e pureza.

Ela é, ao fim e ao cabo, a nossa característica mais perfeita...

sábado, 16 de março de 2013

Solidão

Solidão é silêncio forçado.

É escuridão na alma.

Solidão é a imagem distorcida no espelho.

É a espera sem esperança.

Solidão é grito sufocado.

É sonho não sonhado.

Solidão é angústia.

É nó na garganta que não se desfaz.

Solidão é a vontade de voar sem ter asas.

É a incapacidade de respirar sem um terrível peso sobre o peito.

Solidão é conversar consigo mesmo.

E não encontrar soluções e respostas.

Há quem não compreenda a solidão.

Confundem-na com pura e simples falta de companhia.

E não se trata necessariamente disso.

Podemos estar rodeados de gente, e ainda assim, estarmos completamente sozinhos.

Solidão é vazio, é falta.

É o coração que transborda uma ternura não acolhida, que seca no chão e é devorada pelas baratas.

Solidão é a poesia que não chega ao endereço.

É dor que nos obriga a disfarçar.

Solidão é o choro que engolimos todas as noites antes de dormir.

É a oração protocolar de quem já não possui expectativa alguma sobre o amanhã.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Castelo de cartas

Comida sem gosto.

Abraços gelados.

Beijos sem ternura.

Palavras protocolares.

Rostos sem expressão.

Inutilidades úteis para satisfazer o ego.

Mais é menos.

Brilho artificial que cega os olhos.

Verdades mentirosas que para nada servem.

Aparências vãs para uma plateia imbecilizada que se deslumbra com qualquer truque barato.

Corações cheios de teias de aranha.

Carne viva que logo apodrecerá.

As paredes são a morte lenta.

A porta é a liberdade que a ninguém encoraja.

A vida se iniciaria e terminaria num instante apenas, para quem por ali se atrevesse a passar.

Por isso, todos seguem na sala de espera.

É mais cômodo tornar-se perene ao longo dos anos e séculos num holograma.

Sair às ruas, viver, queimar e se apagar num lapso de prazer exige intensidade.

Destrói o corpo.

Mata a inocência forjada.

Abala os mais entranhados e profundos paradigmas da existência.

Desloca a realidade.

Coloca abaixo, num peteleco, o castelo de cartas a tão duras penas construído.

E tira o sentido desta espera por algo que ninguém sabe se é, o que é, e que ninguém se atreve a perguntar.

Morrer lentamente tornou-se, mais do que um consolo, o objetivo de nossas vidas.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Um domingo de sol

É domingo de sol.

Leandro joga bola no areião.

Miriam prova seu vestido novo.

Celso bebe cerveja e assiste ao seu filme favorito.

Breno e Giovanna passeiam de mãos dadas no parque.

Julieta ri de uma piada.

Mateus, Diogo e Pedro divertem-se, relembrando velhas histórias.

E Cecília, trancada em seu quarto, chora, porque o telefone não tocou.

terça-feira, 12 de março de 2013

Despertar alucinógeno

Acordo com a visão embaçada.

Coloco-me em frente ao espelho, e esfrego os olhos.

O tempo passou, e enxergo uma figura pálida e envelhecida, revelando-se assustadoramente.

Foram anos que escorreram pelos dedos.

Sou, então, engolido pelos meus pensamentos.

Sensações em ciclos intermináveis, páginas diferentes que insistem em contar a mesma história.

Resguardo-me no silêncio e na escuridão.

Agarro-me à esperança de que isso tudo seja um efeito alucinógeno proporcionado por um sonho maluco.

Que este despertar seja apenas uma ilusão desagradável.

E que eu ainda possa acordar de verdade, num dia de sol que me permita recomeçar do zero o meu anseio de viver.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Inter passou por cima do São Luiz

Confesso que esperava um confronto mais equilibrado entre Inter e São Luiz.

Óbvio que não se pode comparar estruturas e poderio técnico e financeiro.

Ainda assim, num jogo como esse, com o time de Ijuí jogando sua Copa do Mundo particular, em casa, em seu gramado horroroso e com o apoio da sua torcida, seria de se esperar que a partida fosse mais cascuda.

Mas não foi.

E não foi porque o Inter a tornou fácil.

O Colorado se impôs em campo.

Dominou as ações, controlou o jogo.

Marcou forte, criou chances, e marcou gols em profusão.

Passou por cima.

5 a 0 ficou até barato.

O Internacional merecia mais, tamanha a superioridade apresentada em campo.

A defesa foi soberba.

Chama a atenção a afinidade entre Moledo e Juan, este último que tem, por sinal, recuperado o futebol de seus melhores momentos de Seleção Brasileira.

Na lateral direita, Gabriel é uma belíssima afirmação: tomou conta do setor, não comprometendo na defesa, e atacando impetuosamente (ontem marcou um gol, inclusive).

No meio de campo, Josimar foi a imagem da eficiência enquanto D'alessandro, para variar um pouco, foi o maestro de sempre, deixando o seu tento com muita categoria.

E no ataque, Damião voltou a ser o grande artilheiro.

Marcou dois gols, participou ativamente das ações ofensivas, e conquistou uma parcial reabilitação.

Reabilitação que, torçamos, também pode ser um traço de Rafa Moura.

O centroavante reserva marcou um golaço por cobertura, o quinto do jogo.

Em plenas condições físicas e técnicas, pode ser peça fundamental do elenco colorado para esta temporada.

Cabe, também e principalmente, ressaltar o excelente trabalho da comissão técnica até agora.

O Inter está correndo muito (efeito Paixão) e correndo bem (efeito Dunga).

O treinador está conseguindo montar um time de alta dedicação tática.

Um time no qual mesmo as estrelas se entregam de corpo e alma para o jogo.

A equipe colorada ainda tem carências bastante sérias.

Entretanto, para Dunga, isso não é desculpa ou subterfúgio.

Ele está conseguindo tirar o máximo de cada jogador.

Eis um mérito irreparável do técnico do Inter.

Vemos em campo uma equipe limitada, mas que apresenta capacidade de superação, que mostra dedicação exemplar.

Algo muito longe do time vergonhosamente modorrento, desanimado, depressivo e preguiçoso do enfadonho 2012 colorado.

Com praticamente os mesmos jogadores.

Agora, é seguir trabalhando e evoluindo.

Se Gauchão não é parâmetro suficiente, e não é, meio Gauchão é menos ainda.

Mas, a despeito da fragilidade dos competidores, cabe ressaltar que, sim, o Inter evolui a olhos vistos, e tende a evoluir ainda mais, com a sequência de jogos.

Para isso, é fundamental, como bem argumentou Dunga após o jogo, "manter a corda esticada".

domingo, 10 de março de 2013

Decidindo o primeiro turno

Logo mais, o Inter enfrenta o São Luiz, em Ijuí, para decidir a Taça Piratini.

Evidentemente, o Colorado é o dono do favoritismo para a partida. 

Não dá para sequer se pensar em comparar estruturas e investimentos dos dois clubes.

Entretanto, esta final é mais perigosa do que parece.

A vida do Internacional não será nada fácil.

Do outro lado, estará uma equipe muito bem montada, que conta com o ótimo trabalho de Paulo Porto, que há alguns anos faz belas campanhas no interior gaúcho, e já faz por merecer um salto na carreira.

Além disso, o São Luiz jogará no 19 de Outubro, que é um verdadeiro alçapão, com o apoio da sua torcida, e contando com um campo de jogo de dimensões bastante reduzidas.

O time de Ijuí jogará uma final de Copa do Mundo particular.

O Inter terá que jogar muito bem para passar por este desafio.

Uma vitória significará uma boa dose de tranquilidade para a sequência do trabalho.

Dará, também, maior respaldo ao ótimo trabalho que Dunga desenvolve até agora no comando da equipe.

É importante garantir logo uma vaga para a final do Gauchão.

Até porque na Taça Farroupilha, o Grêmio tende a disputar a competição com maior ênfase.

E, nesse caso, o segundo turno se tornaria uma briga de foice no escuro.

sábado, 9 de março de 2013

A família e a margarina

A família está reunida no café da manhã de domingo:

Pai: - Bom dia, amor! Que dia lindo!
Mãe: - Bom dia, amor! É um dia lindo, mesmo! Lindo como a vida! Que felicidade!
Pai e mãe, juntos: - Bom dia, filho!
Filho: - Bom dia, papai e mamãe!
Pai: - Amor, me passa a margarina?
Mãe: - Claro, meu bem! Tá aqui!
Pai: - Obrigado, amor!
Mãe: - De nada, querido!
Pai: - Er... Você comprou de novo essa margarina, amor?
Mãe: - Sim, meu bem!
Pai: - Mas eu detesto essa porcaria de margarina, querida!
Mãe: - Ah, deixa de ser imbecil, amor! Seu gosto é uma merda, meu bem!
Pai: - O seu gosto que é um lixo, amorzinho! Você puxou bem àquela jararaca da sua mãe, querida!
Mãe: - Pelo menos não sou prostituta que nem a sua mãe, meu amor! Ela dá mais do que chuchu na cerca, meu fofucho!
Pai: - Deve ser parecida com você, que ontem tava de papinho com o vizinho, querida! Só faltou esfregar na cara do coitado... Você tava louquinha pra dar pra ele, né, docinho?
Mãe: - Vai ver eu tava mesmo, querido! Faz tempo que isso que você tem no meio das pernas só presta pra enfeite, né, amor?
Pai: - Cale a boca, querida! Como é que vou sentir alguma atração se você virou esse bagaço, meu bem?
Filho: -Cheeeega! Cheeega! Eu odeio vocês, papai e mamãe queridos! Vou sair de casa!
Pai: - Volte aqui, filhinho! Se não, vou ter que socar os seus beiços, filhote!
Mãe: - Vem cá, vem cá! Volta aqui, ou eu transformo a sua vida num inferno, e vou ligar pros seus amiguinhos dizendo que te vi batendo bronha na cama ontem, meu pequeno! Eles vão rir muito da sua cara, meu príncipe! Volte já, ou vai acabar se lamentando por seu avô ter me proibido de fazer aquele aborto, docinho cremoso de coco!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Revolução hospitalar

Na cama de hospital, esperando o fim reservado, não encontro mais soluções.
Então, desfaço-me dos tubos e canos.
Morrerei vivendo, enquanto observo a dor e a doença.
Ninguém vai me convencer a parar agora.

Os outros me olham e se levantam.
Agora somos a anarquia que perturba.
Dançando, gritando, implorando por mais um dia.
É a liberdade que contamina o nosso sangue, causando uma epidemia que os saudáveis jamais entenderão.

Sim, somos a doença que cura.
Sim, somos o lixo hospitalar que escreverá as páginas do amanhã com tinta vermelha.
Eis o caos e o fogo que queima tudo o que nos aprisiona.
Desfibrilador no peito, explodindo corações de vontade de seguir e vencer.

Expulsamos a morte deste quarto.
Somos mais fortes do que a dor das agulhas.
Somos ressurreição e esperança.
E a melancolia dessa prisão vai embora em forma de fumaça, subindo ao céu, e misturando-se com as nuvens negras do meio da tarde.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Minhas 10 músicas favoritas do Charlie Brown Jr.

Não vou entrar nos exageros provocados pelo luto relacionado à morte de Chorão. Me recuso a cair em hipérboles como "gênio", "voz de uma geração", ou "grande poeta", porque não acredito nelas. Porém, não posso negar que Charlie Brown Jr. fez parte da minha adolescência, e da minha iniciação no gosto pelo rock. Por isso mesmo, tenho uma certa consideração pela banda. A seguir, listo minhas dez músicas favoritas do Charlie Brown Jr.

10ª posição: Zóio de lula (http://www.youtube.com/watch?v=zKScdTZyJgo).

9ª posição: Não é sério (http://www.youtube.com/watch?v=w_HUCmMnB5o).

8ª posição: Quinta-feira (http://www.youtube.com/watch?v=9KIxkyQ5vEM).

7ª posição: Não uso sapato (http://www.youtube.com/watch?v=Rdfeiquv1UE).

6ª posição: Sou quem eu sou (http://www.youtube.com/watch?v=7LIg_lpEdC4).

5ª posição: Vícios e virtudes (http://www.youtube.com/watch?v=VpwuLBYmzFM).

4ª posição: Papo reto (http://www.youtube.com/watch?v=tZqRfuGpUOA).

3ª posição: Samba makossa- versão da música de Chico Science & Nação Zumbi (http://www.youtube.com/watch?v=q8lvPRt1C10).

2ª posição: Não fure os olhos da verdade (http://www.youtube.com/watch?v=LxQyLOqsiIQ).

1ª posição: Só por uma noite (http://www.youtube.com/watch?v=oXBWG4owmvE).

quarta-feira, 6 de março de 2013

Chávez: mais um personagem para a história

A morte de Chávez desperta paixões de todos os lados.

De um lado, a consternação da perda de um pai, um homem que era todo bondade, um ser humano superior, um mártir.

De outro, o ódio a um déspota, maluco, sem noção, ditador, assassino da democracia.

Não fico nem de um lado, nem de outro.

Hugo Chávez tinha inúmeros defeitos.

Era um canastrão.

Falava o que pensava, ou o que fingia que pensava.

Sabe-se bem que, em política, falar em demasia é um pecado capital no trato de sua essência, das relações de poder intrínsecas.

Sabe-se, porém, ao mesmo tempo, que essa mesma característica, se bem utilizada, é capaz de ganhar multidões.

Hugo Chávez foi bastante hábil nesse sentido.

Com sua capacidade de se colocar como uma figura ímpar, folclórica, estabeleceu forte liderança, conquistando a população do seu país.

E captou, simultaneamente, incontáveis desconfianças e olhares tortos de fora dele.

Chávez era um líder personalista que cultuava sua imagem.

Figura típica de um estereótipo bastante aclamado no continente.

Latino-americanos têm uma carência afetiva de Che Guevaras.

Sabendo disso, o presidente venezuelano colocou-se como salvador da pátria.

Particularmente, não me agradam as lideranças messiânicas.

Quando se transforma política em religião, em culto a uma personalidade, perde-se a capacidade de pensar racionalmente.

Não acredito em salvadores da pátria.

Prefiro crer em pátrias que tenham capacidade de se salvarem sozinhas.

A despeito, entretanto, deste legado personalista, não se pode negar as conquistas sociais de Chávez.

Foi um presidente que mudou para melhor o panorama das parcelas mais pobres da Venezuela.

Conferiu dignidade ao seu povo.

Diminuiu a miséria, elevou a educação.

Por incrível que pareça, democratizou a esfera governamental com seu modelo plebiscitário.

Sim, pode-se questionar o uso desenfreado do aparelho estatal nestes processos em seu favor.

Não se pode afirmar, além disso, que a imprensa venezuelana seja exatamente o que possamos chamar de livre.

Mas, mesmo com estes problemas, sinalizou avanços em um sistema que, se encarado de um ponto de vista democrático, pode ser aperfeiçoado.

Exigiu, ainda, respeito, e reafirmou a soberania do seu país.

Por vezes, até exacerbou esta questão, passando das medidas, dando razão àqueles que lhe chamavam de lunático.

Mas seus méritos, tanto quanto seus defeitos, são inegáveis.

A morte de Chávez não é a morte nem de Cristo, nem de Satanás.

É a morte de um homem, que errou e acertou.

Mais um, dentre tantos e tantos personagens que escreveram seus nomes na história.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Não se duvida de craque

No ano passado, muitos se precipitaram.

Após algumas más atuações de Forlán, todo o tipo de julgamento sumário foi feito.

Decretou-se que o uruguaio era ex-jogador.

Que não se esforçava.

Que só queria tirar dinheiro do Inter.

Que não tinha espírito de grupo.

Em suma: para os mais aferventados, Forlán não servia.

Ontem, porém, numa temporada que já começa de maneira muito positiva, ele deu um ponto final em qualquer tipo de contestação que pudesse restar.

Marcou dois golaços de fora da área.

Chutes precisos e preciosos.

Lances do mais puro talento de um craque.

Jogador top do futebol mundial tem de ter lugar cativo no time, porque pode desequilibrar a qualquer momento.

Um jogador que foi craque da Copa do Mundo de 2010 e duas vezes Chuteira de Ouro da UEFA (2004-05 e 2008-09) não poderia ter desaprendido a jogar bola em dois anos.

Não se duvida de craque.

Craque não se questiona.

Questione-se Josimar, Élton, Vitor Júnior e Gilberto.

Forlán, não.

Trata-se de um jogador de nível superior.

Dentro e fora de campo.

sábado, 2 de março de 2013

Reino da Livre Moeda

Acordo com a doce sensação de que vivo uma era auspiciosa, aqui no Reino da Livre Moeda.

Somos plenos de liberdade por essas terras.

Só se é livre quando se é átomo.

E como aprendemos bem o dom de sermos átomos!

O todo é bobagem.

Aqui, o Fiat 147 é livre para vencer a Ferrari num emocionante duelo de velocidade.

O garoto pobre da periferia é livre para vencer o bem-nascido no vestibular.

E o mendigo que come lixo é tão livre quanto o Eike Batista para desfrutar os benefícios da existência.

Basta empreender.

Sair da vagabundagem típica da ralé.

Pobre é vagabundo.

Rico é bon vivant.

Que se ganhe, pois, o sagrado símbolo da liberdade: a nota ainda quentinha que sai da miraculosa máquina que abençoa o esforço do indivíduo.

Às vezes, o esforço é herdado, é bem verdade.

Mas qual seria a graça da vida sem a dádiva da acumulação hereditária?

Imenso presente de Deu$.

É só então que, ao esfregar os olhos, acordo de verdade, observando o catador de lixo na rua em pleno domingo de manhã.

Ele não é livre... 

Mas não é livre porque não teve méritos.

E isso, em si, não é um problema.

Afinal de contas, no Reino da Livre Moeda, liberdade e mérito individual também são bens de consumo.

Por vezes, bastante caros...

40%

João Pedro, na loja, observando uma vitrine:

- Boa tarde, senhor.
- Boa tarde... Tô só dando uma olhadinha...
- Ok... Mas temos esse iPhone com uma promoção ótima... 40% de desconto, e com parcelamento em até 6 vezes!
- Obrigado, obrigado... Já tenho um celular... Tô só olhando de curioso, mesmo...
- Qual é o seu telefone?
- Esse aqui, ó...
- Ah, mas tá velho! E não chega nem perto de ser um iPhone!
- Mas não tem problema... Tá funcionando direitinho...
- E os recursos? E a tecnologia? O senhor vai perder um iPhone com 40% de desconto? 
- É um bom desconto... Mas tô satisfeito com o meu... Ele supre as minhas necessidades...
- Não acredito que o senhor tá dizendo isso! Tá blefando, né? Não posso dar um desconto maior, o senhor me desculpe!
- Não, não... É sério... Não tô interessado em comprar!
- O senhor... Tá louco?
- Hein?
- Louco! Só pode estar louco! Um iPhone com 40% de desconto! Acho que o senhor não entendeu direito... IPhone... I-Pho-ne com qua-ren-ta por-cen-to de des-con-to.
- Eu entendi sim... Mas não que-ro, não es-tou in-te-res-sa-do, es-tou sa-tis-fei-to com o meu te-le-fo-ne.
- Nossa... Inacreditável...
- O que foi?
- Aqui, ó... É o número do meu psiquiatra... O senhor tem sérios problemas... Ninguém em sã consciência recusa um iPhone com 40% de desconto, parcelado em até seis vezes...
- Bom, obrigado... Mas não sei se ele é muito bom... 
- Ele é, sim! Olhe para mim!
- Pois é... Por isso mesmo... Se é pra ser louco, que eu seja louco do meu jeito, que gasta menos...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Heraclitiano

O tempo corre.

O amanhã sempre foge.

Ele vira ontem sem ter sido hoje.

O futuro vira passado sem ter sido presente.

É espera que se torna desesperança.

É sorriso que se desfaz lentamente.

É vida que se esvai.

E as águas do rio em constante mutação percorrem as curvas do rosto solitário que passeia sem respostas no meio da multidão.