quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

(Des) controle mental

É numa fração de segundo que o mal-estar chega.

Um soco atinge o estômago, acompanhado da consequente falta de ar.

Como que enfrentando uma tonelada que esmaga o peito, os pulmões lutam com dificuldade.

O sangue sobe à cabeça.

A razão e as ideias descem e se evaporam com o calor de proporções solares que toma conta de cada célula.

Eis o instante de perda do controle mental.

Então, quando as pálpebras fecham-se num segundo posterior, o oxigênio volta a invadir com força o corpo tomado pelo incômodo.

Tudo volta ao seu lugar quando se respira fundo.

E o mau cheiro e a escuridão de uma matéria que apodrece inapelavelmente, somam-se à dor intangível daquele macabro instante, voltando ao esgoto da alma, de onde jamais deveriam ter saído.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Álbum de fotografias

Alberto estava bebendo um copo de whisky, numa tarde fria de inverno, em sua mansão.

Não sabia por qual motivo, mas sentia-se um tanto angustiado.

Por sorte, não havia ninguém com ele.

Isso evitava que transparecesse sua vulnerabilidade.

Era um homem sozinho, e aprendeu a não demonstrar suas fraquezas.

Por fraquezas, entenda-se sentimentos e afetos.

A vida ensinou-lhe que esse tipo de coisa só se desvendava para pessoas da mais absoluta confiança, e em situações excepcionais.

Por sua natureza eremita, confiava apenas em si.

Logo, se estava com o coração amolecido, tocado, nada era mais seguro do que estar consigo mesmo.

Resolveu pegar um empoeirado álbum de fotografias, e com ele, sentou-se em sua confortável poltrona.

Despertar algumas lembranças talvez pudesse lhe fazer bem.

Ao abrir aquela coleção de fotos, começou a navegar pelos mares da sua vida.

Ou, melhor dizendo, navegar não era o suficiente: Alberto mergulhara naquelas águas tão profundas de sua história.

Ali, se viu quando era um bebê.

Observou o já esquecido brilho em seus olhos, quando eles descobriam as novidades de um mundo que se descortinava diante de sua retina.

Passava as páginas, e encontrava seus pais.

Eram, a seu modo, felizes.

Seu pai era um tanto rude, mas também sabia ser gentil.

Alberto o amava, e tinha certeza de que aquele homem, às vezes exagerado em suas demonstrações de autoridade e dignidade, também o amava.

Em sua mãe, via apenas doçura.

Era dessas pessoas especiais, raras, que transbordam afeto e bem querer.

Em certo período de sua vida, durante sua juventude, aquele homem revoltara-se contra ela.

Afinal, ela o fez crer que aquele tipo de pessoa e de sentimento eram padrão.

Não eram.

E isso lhe aborreceu e frustrou de maneira estrondosa, durante um bom tempo.

Agora, ele compreendia que tudo o que ela quis em vida, era que ele fosse um ser humano melhor.

Suas intenções não eram más; eram apenas ingênuas.

Folheava mais, e se via crescendo.

Sempre fora um bom aluno, embora nunca tenha sido um aluno exemplar.

Sentia-se bem assim.

Nunca sentiu necessidade de ser o melhor.

Apenas queria ser bom o suficiente.

Acompanhava, também, naquelas fotos, alguns dos sentimentos que desenvolvera ao longo da vida.

Os amores que nunca chegaram, aqueles que partiram, aqueles que perdera, aqueles que não compreendera, aqueles que se evaporaram...

Da faculdade, os amigos inesquecíveis.

As bebedeiras, as risadas, os trocados para pagar um polígrafo qualquer que talvez nem leria.

Alberto observava até com certa admiração o quanto amadureceu, e o quanto ganhou firmeza de caráter.

Dali por diante, apenas avançou.

Consolidou sua carreira. 

Tornou-se um homem rico, quase sem perceber.

Simplesmente aconteceu.

Adquiriu poder, dinheiro e força.

No entanto, agora se questionava sobre o sentido de tudo isso, e aquele luxuoso cenário tão somente acentuava a sua inquietação.

A mansão estava vazia, silenciosa.

Alberto, agora, tinha tudo.

Mas, ao mesmo tempo, não tinha nada.

Talvez aí residisse sua tristeza, sua angústia.

Sentiu falta dos tempos em que tudo era mais simples.

Algumas lágrimas correram pelo rosto que já apresentava algumas marcas dos anos vividos.

Fechou o álbum num gesto abrupto, imediatamente secando o líquido salgado de sua face.

Respirou fundo com a certeza de que teria de seguir em frente, de que recuar, a esta altura, era uma bobagem sem tamanho, algo que sequer ele poderia imaginar em sã consciência.

Levantou-se da poltrona, devidamente recomposto.

Aquele tolo espasmo de sentimentalidades logo passou.

Voltou ao seu estado natural e desejável de força e firmeza de espírito.

Sem lágrimas e sem risos.

E bebeu mais um gole de whisky.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Inter elimina o Grêmio

Ontem à tarde, o Inter eliminou o Grêmio do primeiro turno do Gauchão.

O medo de Vanderlei Luxemburgo levou os tricolores a campo com equipe reserva.

O Colorado, que não tinha nada com isso, venceu com certa tranquilidade.

Dominou o jogo de forma praticamente integral.

Abriu o placar com Forlán, em precisa cobrança de pênalti.

No segundo tempo, ampliou com Rodrigo Moledo de cabeça, após extraordinária cobrança de escanteio do uruguaio.

O Grêmio só descontou quando o fraco e desequilibrado Jean Pierre inventou um pênalti.

Se ele marcar cada contato físico que ocorrer dentro da área em jogadas de bola parada, teremos uma média de 18 pênaltis por jogo.

À Federação Gaúcha, deixo um conselho: que busque assistência psicológica para esse rapaz.

Além de ser um péssimo árbitro, é completamente descontrolado, desfilando uma interminável variedade de chiliques & faniquitos ao longo das partidas em que atua.

Willian José converteu.

Mas ficou nisso.

Do ponto de vista das individualidades, na defesa, Moledo foi soberbo: não errou absolutamente nada no clássico.

Ao seu lado, Juan não comprometeu, e fez partida segura.

Gabriel, pela direita, teve outra boa atuação.

Fabrício sofreu um pouco com as investidas do adversário pelo seu lado no primeiro tempo, mas ainda assim, é uma afirmação.

No meio, Ygor e Josimar fizeram um arroz com feijão digno, enquanto D'alessandro foi o maestro de sempre.

Fred fez primeiro tempo horroroso, mas melhorou na segunda etapa.

No ataque, Forlán, o craque do jogo, atua cada vez melhor.

Damião, por sua vez, embora muito esforçado, fez partida tecnicamente deficiente.

Agora, o Inter segue para a semifinal contra o Esportivo, no Centenário.

E Luxemburgo segue sua sina de não vencer sequer um turno de Gauchão desde que assumiu o Grêmio.

Mas tudo bem: seu time seguirá treinando forte até o dia 5 de março, com o foco totalmente voltado para o duríssimo duelo contra o poderoso e temível Caracas da Venezuela, na Arena da OAS.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O medo de Luxemburgo

Um Gre-Nal serve para arrumar ou para desarrumar a casa.

É baseado na célebre frase de Ibsen Pinheiro que Vanderlei Luxemburgo escalará time reserva no clássico de logo mais, em Caxias do Sul.

Luxa tem medo.

Medo de desarrumar a casa recém organizada com a vitória do seu time sobre o Fluminense.

Uma derrota de seus titulares poderia estremecer a confiança de uma equipe que já sofreu para passar da Pré-Libertadores, e foi derrotada em plena Arena da OAS para o gloriosíssimo Huachipato.

Só o medo explica que se escale reservas num Gre-Nal eliminatório quando o próximo compromisso pela competição continental será apenas no dia 5 de março.

Só o medo explica que se deixe os titulares gremistas apenas treinando em Porto Alegre quando eles ainda precisam de cancha e entrosamento, para incorporar com cada vez mais consistência ao time os reforços recém chegados.

E haveria cancha melhor do que jogar um Gre-Nal decisivo?

O Gre-Nal de hoje poderia ser um grande jogo, desses de parar o estado.

Mas não será.

Será mais um jogo de titulares de um, contra reservas de outro.

Luxemburgo, que de burro tem apenas o jeito de falar, colocará o Inter a brigar com bêbado.

É uma decisão estratégica na mesma medida em que é uma decisão covarde.

Resta ao Inter fazer sua parte.

E eliminar o Grêmio.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Gente tacanha

Gente tacanha reclama, mas não sabe do quê.

Gente tacanha fala, mas não sabe o quê.

Gente tacanha olha para os lados e dá de cara com o poste.

Gente tacanha julga sem conhecer o processo.

Gente tacanha repete as coisas que gente tacanha adora propagar.

Gente tacanha, com sua pequenez de espírito, apequena o mundo.

Gente tacanha finge que ama, mas apenas sabe odiar.

Gente tacanha é binária, porque considera a complexificação da vida um inconveniente.

Gente tacanha pensa que pensa, mas apenas reproduz velhos pré-conceitos.

Gente tacanha, afinal, sente-se muito à vontade na sociedade falida em que vive.

Pois está confortavelmente cercada de mais gente tacanha.

Sermão

O casal, na cama, à noite:

- Ei, Fabrício! Ei!
- Zzzzzz...
- Ei, tá dormindo? Ei, Fabrício?
- O que foi, Sheila?
- Amor, você tá a fim de... Transar?
- Hum... Tô, tô sim.
- E por que não tinha me dito? Cheguei cansada hoje, sabia? Sempre sou eu que tenho de fazer tudo! Agora até de me lembrar de te perguntar se você quer fazer sexo eu tenho? Você tem que me ajudar! Tem que colaborar! Ficou sem sexo o dia inteiro! Se não sou eu falar, o que ia acontecer? Você ia explodir? Podia ter se mexido do sofá e ido no prostíbulo da esquina! Podia pelo menos ter ido ao banheiro! Tem que aprender a se virar, a se satisfazer sozinho! Você é muito imaturo! Muito dependente! E se eu estivesse viajando? Como você faria? Além disso... Ei, Fabrício...
- Zzzzzzzzzzzz...
- Ei, ei! 
- Hein?
- Acorda! 
- Que foi?
- Não queria transar?
- Não, não... Desisti...
- Isso, faz beicinho, ô bebezão! Não aceita a verdade, né? É pro bem do nosso relacionamento! Eu me canso, sabia? É uma questão de bom senso, e você tem que entender que... Ei, Fabrício...
- Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Caos e calma

O tempo fecha.

O peito aperta.

Raios parecem partir o céu.

Imagens malditas rasgam o coração.

O estrondo dos trovões intimida.

As palavras mal colocadas perturbam.

A chuva alaga as ruas.

As lágrimas inundam o espírito.

É tempestade que se eterniza durante horas.

É dor que não se apaga durante anos.

Mas chega um novo dia, e o sol volta a iluminar nossas existências.

No estalo de um momento, que perdurará para todo o sempre, o sorriso torna a brilhar, guiando lindamente o amanhã.

E, enfim, o caos de carros, almas, pedestres e sentimentos, tornar-se-á uma calma brisa batendo em nossos rostos...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Vestido

Márcia, na loja de roupas, conversando com a vendedora:

- Boa tarde, em que eu posso lhe ajudar?
- Esse vestido aqui, moça. quanto está custando?
- 150 reais.
- Lindo ele, né?
- Sim! Muito lindo! Vai ficar deslumbrante em você!
- E o preço está ótimo!
- Sim... Com certeza...
- Tá praticamente de graça!
- É... É impressionante, mesmo... Muito lindo... Muito mesmo...
- Acho que vou levá-lo.
- Hum... Tem certeza?
- Ué... Mas você não concordou que é lindo? E que o preço está ótimo?
- Sim, sim... E é o último...
- Pois então!
- Ah... Mas... Você não quer olhar outros?
- Não, não! Eu quero esse mesmo!
- É que... Bom... Talvez eu tenha me enganado... Talvez ele não caia assim tãããããão bem em você... Ele é bem justinho, e você tá com uns quilinhos a mais...
- Será? Ah, mas mesmo assim, tá valendo a pena...
- Tem certeza?
- Nossa! Mas... Você não quer vender? É isso?
- Não, não é isso... Mas acho que você deve pensar melhor...    
- Por quê?
- Talvez seja um desperdício... E se ele não ficar bem em você? Talvez ele tenha sido feito pra uma pessoa um pouco mais... Sei lá... Magrinha... Tipo... Deixa eu pensar... Tipo eu, assim...
- Hum... Entendi! Você não quer vender o vestido porque quer ele pra você! Você não tinha se dado conta de que ele era tão lindo, e que o preço era tão bom!
- Hehe... É... Você me compreende, né?
- Sim, compreendo!
- Então... Vamos dar uma olhada nos outros vestidos que temos aqui! Me dê esse aí, que já vou deixar separado.
- Não, não, não! Vou levá-lo!
- Mas... Você não disse que compreendia?
- Sim, sim, por isso mesmo! Se você quer tanto esse vestido... Ele tem que ser meu! Vou pagar à vista, ok?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Liberdade(s)

Você é livre...
Para fazer coisas com as quais eu concordo.

Você tem liberdade de expressão...
Desde que expresse aquilo que eu quero.

Você tem liberdade de opinião...
Desde que eu concorde com ela.

Você pode fazer piadas...
Desde que não mexa comigo, nem com os meus.

Você pode fazer o que quiser, eu juro...
Desde que eu, com meu apurado e inatacável senso de certo e errado, permita.

Sim, amigo, você é livre!
Eu deixo...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Conserto

Bernardo adentra a oficina de consertos:

- Senhor, boa tarde. 
- Boa tarde.
- Tenho aqui um objeto que gostaria de ver se pode ser consertado.
- Claro, vamos ver.
- Aqui, ó. É o meu coração. Ele está partido. Fiz tudo que pude pra tentar arrumá-lo em casa, mas não consegui.
- Hum... Deixe-me ver...
- E então?
- Pois é, meu rapaz... Infelizmente, acho que não tem jeito, não. Esse seu coração é daqueles de modelo antigo, muito, muito frágeis, que disparam muito fácil. Não há como consertá-lo... Permanecerá partido.
- Oh, não!
- É uma pena... 
- Poxa vida... E agora?
- Olha... Nem sei o que dizer... Talvez seja melhor jogá-lo fora, trocar por um mais moderno, mais forte, mais resistente, com sistema de auto-refrigeração que o mantém frio em todas as condições... É mais adequado às necessidades dos tempos atuais.
- Poxa... Mas eu gosto tanto desse...
- Sim, entendo essa coisa do valor afetivo... Só estou dizendo que está bem obsoleto... Um modelo novo pode vir muito a calhar, pode ser muito mais útil.
- Hum... Bom... Vou pensar...
- Tenho aqui o cartão de uma loja especializada, que tem vários modelos que andam fazendo o maior sucesso por aí.
- Ok... Realmente, ainda preciso analisar... Até mais...
- Até! 

E Bernardo foi embora. Ainda levando consigo o coração partido, mesmo sem saber ao certo o que fazer com ele.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A volta de Hermes e Renato à MTV


Excelente a notícia da volta de Hermes e Renato à MTV.

A passagem do grupo pela Record, rebatizado de Banana Mecânica, foi das coisas mais melancólicas que se podia ver.

Era relativamente previsível.

Sem a liberdade que tinha na emissora da Abril, o grupo sucumbiu na sem-gracice do péssimo Legendários.

Agora, a rapaziada está de volta.

Que voltem a exercer, a pleno, o humor escrachado e sem limites que os consagrou.

Como comemoração ao retorno de Hermes e Renato, abaixo reproduzo uma postagem de janeiro do ano passado, que reúne os 10 melhores momentos do grupo na MTV.

Vale a pena conferir!

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Os 10 melhores momentos de "Hermes e Renato"

"Hermes e Renato" foi um clássico da MTV. Um programa marcante, amado e odiado, caracterizado por um humor absolutamente anárquico, simples, livre, e, por vezes (não poucas), escatológico. Após a transferência para a Rede Record, a trupe, que passou a se chamar "Banana Mecânica", nunca mais foi a mesma, sucumbindo no péssimo "Legendários". Porém, aquilo que eles fizeram de bom na MTV nunca será apagado. E é por isso que passo a apresentar, a partir de agora, a lista dos 10 melhores momentos de "Hermes e Renato":

10ª posição: O rei do sensacionalismo, Cláudio Ricardo, presta uma comovente homenagem a Dedé Carvoeiro (http://www.youtube.com/watch?v=NoVCczjF1WM).

9ª posição: "Mataram meu passarinho! Pega eles, Tupi! Pega eles, Tupi!" (http://www.youtube.com/watch?v=lvg_-vYTGhw).

8ª posição: Dona Máxima, a megera da novela "Sinhá Boça", dá uma voadora na empregada Jaqueline, após ter sido "agredida" (http://www.youtube.com/watch?v=HEbHGK03BVs).

7ª posição: Reggae do Maconheiro: "Sou rasta, vagabundo e cachaceiro" (http://www.youtube.com/watch?v=qgvInKzjxhk).

6ª posição: Boça e sua vingança maligna na lanchonete (http://www.youtube.com/watch?v=vh6IgsrdDFA).

5ª posição: LMV- Legião da Má Vontade: "Cada um com seus problemas" (http://www.youtube.com/watch?v=fDoSF4apVY4).

4ª posição: A comovente história de Charlinho, o menino que só queria estudar (http://www.youtube.com/watch?v=B6Vyhtvpp4k).

3ª posição: Professor Gilmar, dando um esporro histórico nos seus alunos de Direito, em "Sinhá Boça" (http://www.youtube.com/watch?v=99eDWSCQRgk).

2ª posição: "Merda Acontece", com o caso de Lindomar (http://www.youtube.com/watch?v=kwnUBxGKu9Q).

1ª posição: E o grande campeão do nosso ranking é o Palhaço Gozo, com o quadro "Alô Gozo" (http://www.youtube.com/watch?v=NJnAK6PQEjE).

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Homem Elefante


A matéria acima é do ano passado, mas retrata um pouco da história de Joseph Merrick, o Homem Elefante, em alusão aos 150 anos do seu nascimento.

Tive contato com a história de Merrick há cerca de dois ou três anos, quando assisti, pela primeira vez, ao filme baseado em sua vida, de 1980 (https://www.youtube.com/watch?v=q2KEN8XBL00).

Filme este, que por sinal, é das coisas mais fantásticas que vi até hoje em termos de cinema.

Foi, de longe, aquele que mais me comoveu, aquele que mais mexeu comigo, que instigou meu lado mais humano.

O Homem Elefante era tratado como uma aberração.

No entanto, escondia dentro de si, dentro daquela anárquica constituição de peles, carnes e ossos disformes, um ser humano de beleza ímpar.

Sofreu, ao longo da vida, torturas, preconceitos e humilhações pelas quais ser vivo algum mereceria passar.

Mas, ainda assim, manteve sua pureza, sua sensiblidade, sua gentileza, sua amabilidade, seu amor para com o próximo.

Merrick foi um exemplo praticamente irreparável de ser humano muito acima da média que teve seu componente mais belo jogado a segundo plano em decorrência da superficialidade, das aparências.

É um exemplo, até hoje, de como o lado ruim, feio, da vida, pautado por parâmetros fúteis de superficialidade, prevalece sobre as mais genuínas belezas da existência.

A feiura de um rosto vende mais, e dá mais lucro, do que a beleza de um espírito.

Quantos e quantos Homens-Elefante invertidos, escondendo sob lindas faces almas absolutamente medonhas, temos andando por aí, neste exato instante?

Talvez pouco ou nada importe.

É algo típico de uma sociedade que come a casca para jogar a maçã no lixo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Barbárie


É absurdo ler, em pleno século XXI, notícias sobre barbáries desse tipo.

Um bando de imbecis apedrejou o ônibus do Inter na volta de Caxias do Sul.

O que passa na cabeça de um idiota destes?

Juntam-se em gangues, travestem-se de machos, e saem agredindo pessoas por pertencerem ao outro lado.

São, acima de tudo, covardes.

E este comentário, esta indignação, não parte do meu lado colorado.

Ter imbecis em sua torcida não é exclusividade de nenhuma agremiação específica.

Retardados existem na torcida do Grêmio, do Inter, do Juventude, do Corinthians, do Palmeiras, do Flamengo, do Vasco, do Cruzeiro, do Atlético...

É triste que, por causa desta meia dúzia de debilóides, tanta gente boa (e conheço uma penca) se afaste do futebol, e se mantenha longe dos nossos estádios.

Futebol é diversão, é alegria, não guerra.

Não é questão de vida e de morte.

É rivalidade, sim.

É a brincadeira saudável entre amigos.

É o riso na vitória, a tristeza na derrota.

É cornetear e ser corneteado.

Mas não pode ser terreno de inimizade.

Futebol é lazer, e não pode ser levado tão a sério, a ponto de colocar vidas em risco.

Só um imbecil pode ter em sua mente a ideia de sair à rua, de ir a um evento, para sair no braço com pessoas que simplesmente torcem para um time que não é o dele.

Que clubes, autoridades, e os próprios torcedores se mobilizem e tratem de extirpar estes verdadeiros cânceres da nossa convivência esportiva.

Pelo bem do futebol.

Pelo bem da civilização.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ego

Bunda grande.

Bunda pequena.

Bunda dura.

Bunda flácida.

Bunda musculosa.

Peitos grandes.

Peitos pequenos.

Peitos siliconados.

Abdômen definido.

Barriguinha.

Corpo malhado.

Corpo fora de forma.

Gordurinhas aqui e acolá.

E cérebros?

Quando entrarão na pauta?

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Papa

Pedro e Leandro, conversando na lancheria:

- Pedro, você viu essa história da demissão do Papa? 
- Vi, sim... Que coisa...
- Acho que ele podia ficar... Mas, se ele quer assim... Vou sentir falta dele...
- Ué... Por quê?
- Ora, porque é o Papa! Ele fez muitas coisas boas!
- É mesmo? Tipo o quê?
- Ah... Teve aquela vez que... Er... E também aquela que... E uma vez ele... Hum... Er... E aquela atitude... Er... Enfim... Não lembro agora, mas algo de bom ele deve ter feito!
- Uhum...
- Uma pena isso... 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Rita odeia o carnaval

Pedro e Rita, conversando na lancheria:

- E esse carnaval, hein, Rita? Tem visto alguma coisa dos desfiles?
- Ah, não, Pedro! Odeio o carnaval!
- Hum...
- É uma putaria só! Aquelas mulheres peladas em cima de carros alegóricos... É um atentado, um convite ao turismo sexual!
- Pois é...
- E não sei como elas se submetem àquilo! Só podem ser pessoas sem qualquer tipo de crepúsculo!
- Hum... Pois é... Vai ver que é por isso que a Kristen Stewart se recusou a desfilar...
- Hein?
- Nada, nada... Deixa pra lá... 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Pesadelo

Com a noite, chego ao encontro de minha subconsciência.

É sonho, é pesadelo.

É sorriso, é choro.

É amor, é raiva.

É nascimento, é morte.

Com a manhã, despeço-me dos meus fantasmas.

Os monstros da escuridão não existem.

O que vejo com os olhos fechados jamais me perseguirá de verdade.

Pelo menos, tento acreditar nisso...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Sapateiro

Pedro adentra a oficina do sapateiro:

- Boa tarde...
- Boa tarde...
- Senhor, eu trouxe esse par de sapatos aqui... Quanto custa pra consertar?
- Ah, desculpa, mas eu não quero.
- Hein?
- Não quero consertar... Desculpe-me.
- Mas... Por quê?
- Sei lá... Não tô a fim.
- Ué... Mas então por que isso aqui tá aberto?
- Ah... Quando alguém vier e me bater a vontade... Aí eu conserto.
- Mas eu tô aqui!
- Sim, tô vendo... Mas não quero consertar os seus sapatos.
- E... Tem algum outro sapateiro aqui por perto? Algum que esteja a fim de consertar sapatos?
- Hum... Não, não... Acho que não...
- Ok, então.
- Pena... Mas volte um outro dia... Se eu estiver com vontade, conserto pra você.
- Ah, pode crer...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Falsa polêmica

Na capa do Clicrbs, a manchete estampada diz: "Bolatti volta à Argentina e destaca: 'Sempre quis jogar em um grande clube'" (http://3.bp.blogspot.com/-SxEjwMAcjso/UROt-843y6I/AAAAAAAAAJ8/0tB7GOBcsK4/s1600/clicrbs.JPG).

Ao abrir a matéria, o esclarecimento, já na manchete: "Bolatti deixa o Inter e destaca: 'Sempre quis jogar em um grande da Argentina'" (http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/inter/noticia/2013/02/bolatti-deixa-o-inter-e-destaca-sempre-quis-jogar-em-um-grande-da-argentina-4037099.html).

A manchete de capa pode não ser mentirosa, se considerarmos ipsis litteris a declaração do ex-volante do Inter.

Mas é um tanto maldosa, beirando à desonestidade, pois, como é possível notar na matéria, está descontextualizada, dando uma conotação completamente diferente ao que foi dito pelo argentino.

É exemplo de jornalismo rasteiro, do naipe que leva ao anúncio entusiástico do furo de reportagem acerca da contratação de Enrico Cabrito pelo Grêmio.

O Clicrbs já é um site bastante acessado e bem-sucedido.

Não precisa de falsas polêmicas para ganhar mais visitas em suas matérias.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Zorrilho

O ônibus está praticamente vazio.

Muitos e muitos lugares, inclusive na janela, estão disponíveis.

Adentra a condução um sujeito que fede à base de uma mistura de zorrilho e cachaça daquelas bem brabas.

Preste atenção no que eu disse anteriormente: havia todos os lugares do mundo para que ele se acomodasse.

Ele caminha, caminha, e senta... Ao meu lado.

Obrigado, vida!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O Inter cumpriu o seu dever

O favoritismo era público e notório.

E, diante deste cenário, o Inter cumpriu o seu dever diante do Grêmio, no Colosso da Lagoa.

Jogou melhor durante a maior parte do tempo.

Criou chances, partiu pra cima, comandou o meio campo com muito toque de bola.

Da zaga, pouco exigida, pouco pode-se falar ainda.

Os laterais Gabriel e Fabrício foram muito presentes e constantes no apoio.

Willians é uma afirmação soberba: marca muito, se movimenta com bastante vivacidade e eficiência em seu setor, e ontem até se atreveu a arriscar alguns bons lançamentos.

Fred ainda se adapta à volância, mas mostra que tem qualidade para cumprir a missão.

Dátolo já conseguiu se movimentar bem melhor do que havia feito contra o Novo Hamburgo, e começa a conciliar bem seus espaços no campo com os de D'alessandro.

El cabezón, por sinal, foi o dono do jogo.

Em Gre-Nais, ele inferniza.

Mais uma vez foi assim.

Outra boa notícia para o Inter foi a boa atuação da dupla de ataque.

Damião esteve ligadíssimo e fez um gol.

E Forlán se movimentou mais, marcou o seu também, e foi muito menos burocrático do que vinha sendo.

A parte do Colorado foi feita.

Ganhou de um Grêmio que só conseguiu ameaçar na base dos chutes de média e longa distância.

O Tricolor, por sinal, caiu para a zona da degola.

Se o Gauchão terminasse hoje, o Grêmio estaria rebaixado para a Segundona Gaúcha.

O Inter, por sua vez, se mantém firme sob o comando de Dunga.

O time tem uma cara, e começa a apresentar traços interessantes de padrão de jogo.

Há muito por fazer ainda (contratar um zagueiro, por exemplo), e a temporada será duríssima.

Mas fato é que, até agora, o Colorado parece estar no caminho certo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Gre-Nal de desiguais

Seria ingenuidade afirmar que o Gre-Nal de logo mais, em Erechim, não tem favorito.

Tem favorito, sim.

Num jogo entre titulares do Inter contra reservas do Grêmio, o favoritismo é todo colorado.

E o Internacional não pode se esconder desta responsabilidade.

O peso da partida está todo do lado vermelho.

O Grêmio é franco-atirador.

Para ele, o que vier é lucro.

Se perder, não será surpresa.

Se ganhar, será um feito épico, coisa para dvd (se uma vitória contra o Náutico valeu dvd, imaginem uma vitória num jogo como o de hoje!).

Do lado do Inter, temos quase que uma obrigação de vitória.

As individualidades coloradas terão uma chance de ouro para brilhar e começar a se firmar na temporada.

Mas também serão muito cobradas caso o desempenho não seja bom, ainda que estejamos apenas no segundo jogo do ano.

São aspectos inerentes a um Gre-Nal de desiguais.

Um Gre-Nal que, em tese, é todo do Inter.

Um Gre-Nal que o Inter, na prática, terá de provar que é realmente todo seu. 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Visita inesperada

Era mais uma tarde nublada.

Fernando estava sozinho em casa, cochilando no sofá.

A campainha tocou.

Ao abrir a porta, a surpresa.

Era Dona Felicidade.

Os olhos do rapaz brilharam.

Pediu que ela não reparasse a bagunça.

Serviu café com biscoitos.

Conversaram sobre amenidades por algumas horas.

Lembraram alguns momentos do passado, falaram sobre cinema, livros, planos, sobre a vida, enfim.

Ficaram de mãos dadas, abraçaram-se, entregando-se um ao outro, por inteiro.

Era um momento sublime.

Fernando estava com muita saudade da Dona Felicidade.

Tentou aproveitar ao máximo cada segundo ao lado dela.

Baixou o sol, chegou o horário de Dona Felicidade partir.

Despediram-se com um forte abraço, que bem poderia ter durado para toda a eternidade.

Mas não durou.

Ela tinha de ir, e assim o fez

Sem que Fernando fizesse ideia de quando ela voltaria, Dona Felicidade foi embora.

Como sempre...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

No casamento...

O casal Marcos e Kátia, conversando durante o casamento de Catarina, irmã de Marcos:

- Oh, Marcos... Essa sua família é bem... Legal, hein?
- Sim, Kátia... O pessoal é bem... Divertido.
- Olha lá o seu irmão Fábio! Hahahaha! Tá vomitando embaixo da mesa!
- Hehehe...
- E a Catarina, então? Tá empolgadíssima dançando funk! Olha lá! Olha lá!
- Pois é... O Cléber vai ter bastante trabalho pela frente...
- E a sua mãe tá dançando junto!
- Sim, tô vendo...
- Hahahaha! O pessoal é sempre tão espirituoso assim? Quero dizer... Ah, você me entende...
- Olha, Kátia... É assim, mesmo...
- Hum...
- Vou te contar uma história... Sobre o meu pai...
- Ele parece ser um amor!
- Pois é... Uma vez... Faz uns oito anos... Estávamos todos numa grande festa de formatura... O João Fontes, afilhado dele, tinha se formado em medicina... Bom... E papai resolveu fazer uma homenagem bem humorada, na frente de todas aquelas pessoas da alta sociedade que estavam por lá... Pois bem... Ele... Propôs um brinde... Começou a imitar o Sílvio Santos... E quando serviram o pavê... Ele fez a piada do pavê ou pacumê... Depois, presenteou o João com um box de dvds do Zorra Total...
- Oh... Nossa...
- Essa é a minha família, Kátia... Não sou eu.