segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Meia-noite

É meia-noite.

Mais um ano se foi. 

Mais um ano chegou.

João Felipe olha para o céu.

Observa o espocar dos fogos.

Não há nuvens.

Ele costuma conversar consigo mesmo.

Conversa com as estrelas também.

Agradece pelas alegrias do ano que acaba de partir.

Ainda, porém, sente-se incompleto.

Faz seus pedidos para o novo ciclo.

Renova as esperanças.

Sabe que a mudança de um número não significa, nem remotamente, a mudança do mundo.

Ainda assim, enche o peito de ar, enche os olhos de lágrimas, e enche a alma de determinação.

Começará de novo.

Mais uma vez levantará e tentará corrigir os erros em sua vida.

E se, de novo as coisas derem errado, não desistirá.

Sempre haverá um novo réveillon.

domingo, 30 de dezembro de 2012

10 músicas mais emocionantes do que "Esse cara sou eu"

A polêmica envolvendo o suposto uso de colírio pelo ator Rodrigo Lombardi, para "chorar" durante a música "Esse cara sou eu", do Roberto Carlos, causou o maior alvoroço (https://www.youtube.com/watch?v=nVq4qaSyS7k). Farsa ou não, fato é que passei a pensar nesse assunto e me veio à mente uma pergunta: quais músicas conseguem a façanha de serem mais emocionantes do que a comovente nova canção de Roberto Carlos? Por isso, assumi tal desafio, e apresento abaixo 10 músicas mais emocionantes do que "Esse cara sou eu":

1. "É o Tchan no Havaí", do É o Tchan (https://www.youtube.com/watch?v=uTWZWwAJj2Q).

2. "Eguinha Pocotó", do MC Serginho (https://www.youtube.com/watch?v=IF4ssCkvKBE).

3. "Oradukapeta", do Sérgio Mallandro (https://www.youtube.com/watch?v=ykVOzZ4OCKM).

4. "Sabão crá crá", dos Mamonas Assassinas (http://www.youtube.com/watch?v=ghiylqi4WPE).


6. "Florentina", do Tiririca (https://www.youtube.com/watch?v=uiem5_bJRLM).

7. "Na manteiga", do Terra Samba (https://www.youtube.com/watch?v=KTaxioTabME).

8. "Quero te dar", da Valesca Popozuda (https://www.youtube.com/watch?v=lnbNuDjAkb4).

9. "Risca Faca", do Musical JM (https://www.youtube.com/watch?v=c1UPxhkDOZE).

10. "Gangnam style", do Psy (https://www.youtube.com/watch?v=9bZkp7q19f0).

Ufa... Encontrar músicas mais comoventes do que "Esse cara sou eu" foi uma tarefa árdua, difícil. Mas, depois de muito sangue, suor e lágrimas, consegui. Sou foda.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Heróis e monstros

O garoto brinca na varanda.

Ele sonha com heróis e monstros.

Esquece o pesadelo dentro de casa.

Seu pai, com o cinto em uma mão e a garrafa na outra, invade a cidade, destrói tudo, enquanto sua mãe grita histericamente.

Agora, resta ao menino se esconder até que a fúria desça pelo ralo.

A velha espada de plástico, que combateu e venceu as piores aberrações vindas do espaço, agora parece insuficiente defesa contra a ignorância de quem não aprendeu a sonhar.

Amanhã será mais um dia de dor e de esquecimento.

Olhará para baixo, calado, enquanto engole a comida.

Não há ninguém para salvá-lo, a não ser ele mesmo.

Levantando e correndo para longe.

Imaginando algo que seja melhor do que a realidade que vive.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bial chamando os bombeiros

- Alô, Corpo de Bombeiros, boa noite.
- Alô, aqui é o Bial. Oh, amigo bombeiro, boa noite! Boa, aliás, talvez não. Minha casa está em chamas! Lembranças, fotos, muito do que fui, muito do que guardei no coração e em minha memória, está, agora, virando cinzas! Neste mundo imenso de Deus, vejo-me tão pequeno e exposto a este ardor do fogo que consome minha residência e minha alma! Risos, lágrimas, poesias, amores, sabores... Tudo isso, cada pequeno momento, sendo agora inapelavelmente incinerado e destruído de uma só vez! Ah, meu amigo bombeiro! Venha até aqui com seus amigos bombeiros, seus uniformes, caminhões e mangueiras, e tragam gotas de esperança para este momento de dor! Gotas não: litros! E que, das cinzas, ressurja toda a alegria que agora se esconde em algum canto do meu ser! Sou, agora, uma fênix! Estou pronto para renascer! Estou pronto para minha redenção!
- Ok. Qual o endereço?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ervilhas

Pedro e Sérgio, almoçando no restaurante:

- O que você tá fazendo, Sérgio? O que tem no meu prato?
- Er... Não, nada... Só tô contando as ervilhas...
- Hein?
- No meu prato vieram 14 grãos, e no seu, 17... Mas tudo bem...
- Pois é...
- É... Mas não tá certo... Acho que vou reclamar com o gerente na saída...
- Quer um grão?
- Não... Ainda assim você vai ter um a mais...
- Então pegue dois... Daí você fica com um a mais.
- Não, esquece... Seria muito mesquinho da minha parte...
- É... Seria...
- Tá me chamando de mesquinho? Não é o problema do número de grãos... É o que está por trás disso! É a postura! É um desrespeito a mim, que sou tão cliente quanto você!
- Você acha que eles contam as ervilhas que servem no prato?
- Não contam?
- Acho que não...
- Mas deveriam!
- É... Eles são bem anormais, mesmo... Que absurdo não contar os grãos de ervilha!
- Pois é verdade! É absurdo mesmo! Vou chamar o gerente! Ei, garçom! Chame o gerente imediatamente!   
- Ai, ai, ai...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Questão de perspectiva

Alguém pode dizer que o dia está nublado.
Mas o Sol está dentro de você.

Alguém pode dizer que o fim do filme é triste.
Mas você pode torná-lo uma comédia.

Alguém pode dizer que você não pertence à realidade.
Mas você pode criar o seu próprio mundo.

Alguém pode dizer que o jogo está perdido.
Mas enquanto não acaba, você pode lutar para ganhá-lo.

Alguém pode dizer que você é um lixo.
Mas você pode sempre se reciclar.

Alguém pode dizer que a vida é um pesadelo.
Mas você pode continuar sonhando.

Alguém pode dizer que subir a montanha é impossível.
Mas você pode tentar mais uma vez.

Alguém pode dizer que você vai morrer.
Mas enquanto estiver vivo, você pode duvidar da morte.

Alguém pode dizer que é muito tarde para se libertar.
Mas você pode sair gritando pela rua o incrível dom de ser maluco.

Alguém pode dizer que o ódio prevalecerá.
Mas você pode manter o amor vivo em seu coração enquanto ele pulsar.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

?

Quantos meses escorreram pelos dedos?

Quantos dias se passaram?

Quantas horas sem sentido?

Quantas lágrimas desceram pelo meu rosto?

Quantas memórias repetidas?

Quantas tentativas vãs de compreensão?

Quantas palavras ao vento?

Quantas noites maldormidas?

Quantos sonhos se foram?

Quantos pesadelos permaneceram atormentando?

Quantas fugas?

Quantas esperanças?

Quantas decepções?

Quantas dores disfarçadas por sorrisos?

Quanta tristeza substituiu e ainda substituirá a alegria latente?

Quantas perguntas permanecerão sem respostas?

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Noite (in) feliz

Fábio, em reunião de família na noite de natal, começa a conversar com a filha Joana, de cinco anos, quando todos estão sentados à mesa:

Fábio: - E aí, filhinha? Será que o Papai Noel vai trazer muitos presentinhos?
Joana: - Hein?
Fábio: - Se comportou direitinho, né? Se não o Papai Noel não traz nada, hein?
Joana: - Pai, deixa de ser besta. Papai Noel não existe.
Fábio: - Como?
Joana: - Ora, pai... Papai Noel não existe. É uma invenção capitalista pra incentivar o consumismo.
Fábio: - Mentira!
Joana: - Verdade, pai!
Fábio: - É mentira! É mentira!
Joana: - Pai... Já tá na hora de você saber... Papai Noel não existe!
Fábio: - Não, não pode ser! Ei, mãe! Diz pra Joana que o Papai Noel existe! Diz pra ela!  
Dona Neuza: - Pois é, filho... Tentei manter a magia enquanto deu... Mas acho que agora você já está suficientemente maduro pra isso... Papai Noel não existe. A Joana tá certa.
Fábio: - Não! Nãoooo! Snif! Snif! Papai Noel existe sim! Ano passado ainda sentei no colo dele e ele me trouxe o presente que pedi! Ele existe sim!
Dona Neuza: - Não, filho... É que você tinha falado pra mim também...
Fábio: - Não pode ser! Snif! Nunca mais quero falar com vocês! Nunca mais quero comemorar o natal! Snif! Snif!
Dona Neuza: - Volta aqui, Fábio! Não vai se trancar no quarto!
Fábio: - Vou sim! E não vou sair nunca mais!
Dona Neuza: - Volta, Fábio! Se não, o Bicho Papão vai vir te buscar!
Fábio: - Er... O... O Bicho Papão?
Dona Neuza: - Sim! E ele é feio e brabo! E não vai gostar nadinha de saber que você se trancou no quarto na noite de natal!
Fábio: - Hum... Então tá bom... Vou voltar para a mesa... Não gosto do Bicho Papão...

domingo, 23 de dezembro de 2012

Valor

Rafaela teve o coração partido, mais uma vez.

Saiu chorando pelas ruas.

Não compreendia porque ninguém a valorizava.

Ela sentia sem retribuição, sempre.

Buscava explicações, e apenas encontrava dor.

O que, nela, afinal, valeria algo?

Perguntava-se até, em um lapso, encontrar a resposta.

Observou seu reflexo na vitrine de uma loja.

Tinha um belo corpo.

Desejável.

Talvez ele valesse algo.

Foi então que decidiu se valorizar.

Literalmente.

Fez do seu corpo o seu ganha-pão.

Passou a sentir-se recompensada, ao final de cada noite.

Não mais chorou.

Não mais teve o coração partido.

Agora, ela tinha valor.

200 reais por hora.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Geleira

Aqueles olhos me acompanham.

Em minha alma, em meu peito, em minha vida.

São tudo que foi e não é, tudo que é e não foi, tudo que não sei se será.

Há coisas que não morrem jamais.

Adormecem, apenas.

E quando despertam, arrebatam o que houver pela frente.

Apagam os desenhos mais elaborados do hoje.

E reforçam os rabiscos distorcidos do ontem.

Um conhecido suspiro, então, toma conta dos pulmões.

E a geleira, a tanto custo construída, derrete-se, rápida e miseravelmente.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Carpinejar comenta o suposto fim do mundo

- Amigos do DC, estamos aqui mais uma vez com o Carpinejar, que hoje vai falar sobre o suposto fim do mundo, que estaria marcado para hoje. Carpinejar, você acredita que, de fato, o mundo pode acabar hoje?
- Mundo. Suspiro profundo. Sensações do interior. Interior. Veranópolis. Fim. Que é o início envelhecido. Crença que se despede com o passar das horas. Horas, que são os minutos que ficaram com preguiça de andar mais rápido.
- Pois é... Tem toda aquela questão do calendário maia, que termina hoje...
- Maia. Tim Maia. Trago essa rosa para lhe dar. Maia. Maio. Junho. Maia. Maiô. Biquini de bolinha. Atrevido. Cavado. Atraindo os olhares do canalha. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Como uma Coca-Cola Zero escorrendo da boca para o peito peludo de um homem rusticamente maravilhoso e belo. Sensibilidade enrustida.
- Hum... E tinha ainda aquele papo dos campos magnéticos, né?
- Magnetismo. Ímã. Irmã. Madre Tereza de Calcutá. Pecado na pele. Beijo atrás da orelha. Palavra e excitação fugaz. Gás. Gases. Preciso de um remédio.
- Putz... Tá bom, muito obrigado, Carpinejar, até a próxima, e vai correndo até uma farmácia, ok?
- Farmácia. Remédios, pílulas, pastilhas. Um mundo que se desv...
- Porra, vai logo, Carpinejar!
- Ok, ok... Desculpa... Escapou...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Flagrante de um crime

O policial invade um churrasco em família:

- Parados, todos! Mãos na cabeça! Todos quietos! Qual é o nome do rapaz ali no canto?
- Calma, seu policial! Meu nome é Lúcio!
- O senhor está preso em flagrante!
- Preso?! Flagrante?!
- Sim. Recebi a denúncia de um vizinho, me coloquei atrás do portão e flagrei tudo!
- Hein?
- Não se faça de desentendido, vagabundo! Ouvi a sua piada sobre estupro!
- Er... Mas... Mas...
- O senhor está preso! Tá enquadrado na Lei WC, que vai tirar das ruas engraçadinhos como você!
- Peraí... Como assim?
- Vai resistir à prisão, é? Eu sei bem como tratar bandidos da sua laia, e... Ei, peraí, só um pouquinho... Alô, câmbio. O que foi, 43? Flagrante de estupro? Agora não posso! Não tenho como me deslocar! Estou trabalhando num flagrante mais sério. Você sabe, piada sobre estupro... Chame outro reforço. Você sabe que a corporação tem que ter prioridades, né?
- Hein?
- Tô falando contigo, vagabundo? Então fica quietinho aí! Piadista salafrário!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Espírito pobre

Imponha-se pelo grito.
Seja mais um pouco da sua própria farsa.
Fique emaranhado nas besteiras em que acredita.
Ninguém mais se importa com o que você tem a dizer.

Quebre o que não entende.
Sinta ódio por quem tem as respostas que você não encontra.
Seja o espírito mais pobre de um mundo miserável.
Correrá, cuspirá sangue e baterá a cabeça na parede.

Você não vê, você não ouve!
Está possuído enquanto carrega sua cruz.
Mergulhe no rio poluído, deixe seu orgulho por lá mesmo.
Despedaçado, no chão, sempre foi assim que tratou o que não lhe satisfaz.

Faça-me rir, conte-me mais um pouco daquilo que não me interessa.
Feche a mente até esmagá-la.
Conte os minutos para mais uma hora medíocre.
Torne-se lúcido o suficiente para enlouquecer.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sou mais um reacionário...

Sou mais um reacionário.
Tenho horror ao Bolsa Família, mas adoro a mesada do meu pai.

Sou mais um reacionário.
Acredito unicamente no mérito individual, e por isso exijo ter as mesmas chances do filho do pedreiro no vestibular.

Sou mais um reacionário.
Detesto os privilégios da ralé, que são uma afronta ao meu direito natural de estar no topo da cadeia alimentar.

Sou mais um reacionário.
No Facebook, boto o dedo na cara de mensaleiro corrupto, mas fico puto quando o pardal escondido me flagra a 160 por hora.

Sou mais um reacionário.
Odeio o Che Guevara e amo o Diogo Mainardi.

Sou mais um reacionário.
Meu sonho é explodir a favela para acabar com a violência.

Sou mais um reacionário.
Quero que tudo volte ao seu devido lugar, porque pobre com dignidade não tem tanta graça de humilhar.

Sou mais um reacionário.
Apenas mais um, igual a tantos outros...

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Esquecimento

O céu nublado parece esmagar suas lembranças.
Mas sorria um pouco.

Esquecido numa cadeira enquanto esquece seu passado.
Sorria mais um pouco.

Filhos, netos, vida, tudo se evapora nessa solidão sem fim.
Mas sorria um pouco.

Há sempre algum desconhecido para trocar sua fralda suja.
Sorria mais um pouco.

Tapa na cara, comida sem sal.
Mas sorria um pouco.

Você está jogado num depósito fedido daqueles que já não servem pra nada.
Sorria mais um pouco.

É hora de visita, mais uma hora sem visita.
Mas sorria um pouco.

Lá fora, todos se divertem enquanto você termina de apodrecer.
Sorria mais um pouco...

domingo, 16 de dezembro de 2012

S. C. Corinthians Mundial

Ganhou o melhor.

O Chelsea pode ter mais dinheiro e alguns valores individuais diferenciados.

Mas o Corinthians, com seu futebol coletivo, solidário, de forte marcação em todos os setores do campo, foi bem mais time.

Deixou a equipe inglesa perturbada.

Méritos do excelente Tite, que montou uma equipe de personalidade e conjunto forte.

No comando do adversário, um treinador que coloca Oscar no banco do horroroso Moses, não poderia querer melhor sorte.

Rafa Benitez atentou contra o óbvio.

E foi devidamente castigado por isso.

Dentro de campo, alguns destaques individuais do Corinthians devem ser ressaltados.

Cássio foi extraordinário.

Fez defesas que beiraram o sobrenatural.

No meio, Paulinho e Émerson foram gigantescos.

O segundo, nem se saiu tecnicamente bem: mas nunca se esconde do jogo, e, assim, torna-se uma referência fundamental.

No ataque, Guerrero, camisa nove, fez o que se espera de um camisa nove: gols.

E gols decisivos.

Tornou-se, em dois jogos, um dos maiores nomes da história corintiana.

Do lado do Chelsea, o castigo para uma equipe que parece ter perdido toda a atitude e personalidade da Champions League.

Os leitores do DC sabem que não gosto do Corinthians.

E torci contra.

Mas contra fatos não há argumentos.

Os méritos corintianos saltam aos olhos.

O time paulista fez uma Libertadores impecável.

No Japão, foi o mais competente.

O clube do bando de loucos conquistou o planeta: hoje, mais do que Corinthians Paulista, é Corinthians Mundial.

Merecidamente.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Atraso

Sérgio, chamando Pedro pelo interfone:

- Pedro, Pedro, estamos atrasados pro jantar de aniversário da Cláudia!
- Ué, Sérgio, mas não tá marcado para as oito?
- Então! Já são sete e quinze! Levamos uma hora até aquele restaurante da outra vez, lembra?
- Mas estamos no horário, ainda. Vamos sair pelas oito.
- Como assim? Oito horas é o horário que tá marcado! 
- Ora, é uma regra básica: nunca se chega no horário. De preferência, deve-se chegar uma hora depois do horário marcado.
- Hein?
- Guarde isso, Sérgio: quem se atrasa, chega na hora. Sempre foi assim. Sempre vai ser.
- É... Pensando bem... Sempre que cheguei na hora, cheguei cedo. Acho que você tem razão...
- Claro que tenho razão! Sempre tenho! Sobe aí pra tomar um refrigerante!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Privada (3)

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- Pedro, tenho boas novas!
- Opa, diga lá!
- Conversei com a Daiane.
- Ah, sobre... Enfim... O cocô maravilha?
- Isso!
- E aí?
- E aí que o cocô não era dela!
- Hum! E ela disse de quem era?
- Ah, era de um cara com quem ela ficou naquele dia.
- Peraí, peraí... Ela ficou com outro cara?
- Sim! Mas não é isso que importa! O cocô não era dela! 
- Então... Deixa eu ver se entendi... Se o cocô fosse dela, você romperia...
- Claro! Aquilo estava me perturbando!
- Tá... Mas... O fato de ela te trair não te perturba... A traição é perdoável... E o cocô não?
- Óbvio! 
- Sua mente é muito, muito peculiar, sabia?
- Se você tivesse visto "aquilo", tenho certeza de que pensaria diferente... Pena que não tirei uma foto.
- É... É peculiar, mesmo...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Dunga: um ótimo começo

Devo cumprimentar a direção do Inter pela contratação de Dunga para o comando técnico do time. É um grande acerto. O melhor nome disponível no mercado foi contratado. 

Depois de uma ótima passagem pela seleção brasileira (http://dilemascotidianos.blogspot.com.br/2010/07/o-que-fica-da-passagem-de-dunga-pela.html), o Capitão do Tetra volta para o clube que o projetou, para ajudar a fazer uma grande transformação. E não há nome melhor que o dele para fazer isto.

Dunga encarou corajosamente a poderosa Globo. Bancou seu trabalho, contra tudo e contra todos, com grande competência. Ao contrário de outras peças, como Mano Menezes, que permaneceu na seleção a despeito de um péssimo trabalho, e com todo o apoio e maciez de comentários da Vênus Platinada, Carlos Caetano Bledorn Verri conquistou resultados extremamente significativos. O Brasil de Dunga não tinha firula. O Brasil de Dunga não tinha badalação e dancinhas ridículas. Mas o Brasil de Dunga ganhava títulos. E ganhava da Argentina.

O novo treinador colorado tem autoridade moral e personalidade para conduzir o Inter a grandes conquistas. É um vencedor nato. Conhece as minúcias do ambiente de vestiário. Sabe lidar com cobras criadas, e, não tenho dúvida, colocará o dedo na cara de quem precisar colocar quando coisas erradas ocorrerem no futebol do clube.       

Com Dunga, só jogará quem correr e comer grama: do volante mais tosco ao mais técnico e consagrado dos meias. 

Trata-se, acima de tudo, de um cidadão. Um homem correto, de caráter, respeitado e respeitador, mas que jamais baixará a cabeça para ninguém. 

Se Dunga é um ótimo começo, outra boa notícia é a saída do desastroso Luciano Davi da vice-presidência de futebol, agora extinta, e, de alguma forma substituída nas figuras de dois diretores de futebol, Luis César Souto de Moura, e Marcelo Medeiros. Estes dirigentes, junto com Giovanni Luigi, terão a incumbência de dar o respaldo necessário para o treinador. Diálogo é importante, sim. Mas o técnico tem que ter completa autonomia para escalar o time e tomar as medidas necessárias para que o mesmo funcione dentro das quatro linhas. 

Além disso, as mudanças no elenco deverão ser grandes. Para a próxima temporada, deve permanecer apenas quem queira, realmente, vencer no Inter. Jogador acomodado, ou se desacomoda, ou vai embora. E alguns reforços de qualidade indiscutível serão necessários. No mínimo, um lateral-direito, um zagueiro, e um meia. Um volante em nível de grupo também seria bem-vindo, pois as opções de momento são Josimar e Élton, já que Bolatti, além de ter o problema do excesso de estrangeiros, ao que tudo indica, está de saída.

Desejo muita sorte a Dunga e ao Internacional. A oxigenação necessária começou a ser realizada. Porém, há muito ainda por se fazer. A palavra de ordem a partir de agora no Beira-Rio deve ser "trabalho". Competente e ágil, pois não há tempo a perder.  

2013 será um ano duríssimo, sem dúvida. Mas pode, sim, ser um ano de retomada da dignidade do clube dentro de campo, depois deste horroroso 2012.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Privada (2)

Sérgio liga para a namorada Daiane:

- Alô, Daiane.
- Alô, Sérgio...
- Seguinte... Eu quero falar contigo... É que... Estive pensando e fiquei preocupado depois daquele dia em que fui embora...
- Hum...
- Fiquei bastante, sei lá, intrigado... Preciso falar...
- O que foi?
- Er... Por acaso alguém esteve na sua casa naquele dia?
- Ai, meu Deus... Por que você tá perguntando isso?
- Alguém esteve na sua casa aquele dia?
- Tá bom, tá bom! Confesso que te traí! O Jorge esteve lá! Eu fiquei com ele aquele dia. Não sei se você chegou a ver na privada, mas ele até se esqueceu de dar descarga!
- Hum... Quer dizer que aquele cocô... Era do Jorge?
- Sim, era!
- Ufa! Que alívio! Já tava pensando o pior!
- Hein?
- O cocô não era seu! 
- Er...
- Te amo, Daiane! Te amo!
- Tudo bem, então?
- Claro! Por que não estaria?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Nissim

Diogo e Fernando, conversando no ônibus:

- Diogo, esses dias eu tava puxando pela memória... Você lembra daquele carinha... Nissim alguma coisa?
- Hein?
- Pois é... Não consigo lembrar...
- Nossa... Não faço ideia...
- Nissim... Caramba! Aquele da baleia!
- Baleia?
- É! Do Bar Mitzvah!
- Peraí... Hum... Ah... Não é o tal do Nissim Ourfali?
- Isso! Exato!
- Nossa! Mas você desenterrou, hein? Quanta nostalgia! Isso aí faz o quê? Uns quatro meses?
- Pois é... Faz um tempão, mas eu tava lembrando, esses dias...
- Isso que eu chamo de memória de elefante!

domingo, 9 de dezembro de 2012

Por respeito à verdade: Goebbels e o Mundial de Clubes

"Uma mentira repetida mil vezes torna-se uma verdade".

O propagandista do Nazismo, Joseph Goebbels, foi o autor de uma frase assustadoramente real.

O "Mundial" que não era da FIFA e nem era Mundial, é insistentemente assim definido no Brasil.

Não tenho nada contra quem o interpreta como um Campeonato Mundial.

Mas há  sérias controvérsias.

Hoje, ao ler matéria no Globo.com, deparei-me com a seguinte afirmação: "Disputada entre 1960 e 2004, a Copa Intercontinental foi vencida duas vezes por Santos e São Paulo, além de contar ainda com conquistas de Flamengo e Grêmio. Assim como todos os outros 21 campeões, o quarteto brasileiro ostenta o troféu como Mundial de Clubes, mas a Fifa reluta em validar tal condição" (http://globoesporte.globo.com/futebol/mundial-de-clubes/noticia/2012/12/mundiais-do-passado-sao-ignorados-pela-fifa-e-ate-por-seu-palco-principal.html). 

A afirmação em destaque é uma típica verdade Goebbeliana.

Mas aqui não vai colar.

Trata-se de uma mentira.

E vou provar agora:


Peñarol: Copa Intercontinental (http://www.xn--pearol-xwa.org/uc_100_1.html).

Inter de Milão: Copa Intercontinental (http://www.inter.it/aas/palmares/index?L=es).

Racing Club: Copa Intercontinental (http://www.racingclub.com.ar/palmares/).

Estudiantes de La Plata: Copa Intercontinental (http://www.edelpoficial.com.ar/portal/club/titulos.mfw).

Milan: Copa Intercontinental, diferenciada na lista de títulos da Copa do Mundo de Clubes da FIFA (http://www.acmilan.com/pt/club/palmares).

Nacional de Montevidéu: Copa Intercontinental (http://www.nacional.com.uy/mvdcms/uc_95_1.html).

Independiente: Copa Intercontinental (http://www.independiente.com/paginas/swf_htm/home.htm).

Atlético de Madri: Copa Intercontinental (http://www.clubatleticodemadrid.com/Web/gestion/museo/trofeos.htm).

Bayern de Munique: Copa Intercontinental (http://www.fcbayern.telekom.de/es/company/club/history/00266.php).

Boca Juniors: Copa Intercontinental (http://www.bocajuniors.com.ar/el-club/titulos).

Olimpia: Copa Intercontinental (http://www.clubolimpia.com.py/contenido/12).

Juventus: Copa Intercontinental (http://www.juventus.com/juve/it/club/trofei).

River Plate: Copa Europeu- Sulamericana (http://www.cariverplate.com/el-club/historia).


Vélez Sarsfield: Copa Europeu- Sulamericana (http://www.velezsarsfield.com.ar/futbol/titulos/).

Manchester United: Nem sequer considera o título de 1999 em sua galeria de títulos; consta apenas o Mundial FIFA de 2008 (http://www.espanol.manutd.com/es-ES/Club/TrophyRoom.aspx).

Dos clubes de fora do Brasil, somente Ajax (http://spanish.ajax.nl/El-Club/Lista-de-Honor.htm) e Borussia Dortmund (http://www.bvb.de/?%9E%5E%1B%E4%F4%9D) consideram as Copas Intercontinentais como títulos mundiais. 

Os sites de Feyenord (http://www.feyenoord.com/) e Estrela Vermelha (http://www.redstarbelgrade.info/) não apresentaram referências ao torneio.

Portanto, no mínimo 17 dos 21 campeões não brasileiros da Copa Intercontinental não a consideram como título mundial.

Sem mais, meritíssimo.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sadomasoquismo

- Viviane, por que você me amarrou na cama?
- Ué, Marcelo... Você não disse que gosta de brincadeirinhas sadomasoquistas?
- Sim, gosto... Mas tô curioso...
- Hummm... Peraí só um pouquinho... Surpresa!
- Er... Hein? Não, né? Você tá brincando...
- Ai, amor! Prometo que não vai machucar!
- Não, Vivi... Pelo amor de Deus... Não! Isso não!
- Calma, amor... Vou inserir bem devagarinho... Prometo!
- Não, Viviane! Não! Por favor, não! Me desamarra! Não faz isso!
- Tô abrindo aqui... Hummm... Agora vou colocar...
- Não, amor, por favor! Pega um vibrador, brinca de chuva negra, enfia uma furadeira na minha bunda, sei lá... Mas, por favor, isso não!
- Ah... Agora já entrou... Hummm...
- Nãããããããããããoooooo! Dvd do Zorra Total nããããããããããããããããããããããããããããoooooooooooo!!! Desliga issooooo!!! Nããããããããããããããããããooooo!!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Amar vale a pena?

Às vezes me pergunto se amar vale a pena.

É uma dúvida recorrente.

Recorrente e estúpida, é bem verdade.

Tentar controlar o que se sente é uma tolice.

Já tentei acreditar nisso.

Já tentei praticar isso.

Mas vi que era uma estupidez.

Quando a porcaria da flecha lhe atinge, não há o que fazer.

Mesmo sabendo, porém, das inevitabilidades inerentes, ainda me pergunto: vale a pena?

Quero dizer: se tivéssemos alguma autonomia sobre os nossos sentimentos, amar valeria a pena?

Amores correspondidos valem por si só.

Isso me parece uma obviedade.

Mas, convenhamos, dentre todas as combinações matemáticas possíveis, AMORES correspondidos são um tanto improváveis.

Abstraindo os amores correspondidos, mantenho e refino a pergunta: e os amores não correspondidos?

Eles valem a pena?

Há uma série de inconvenientes.

Eles tiram o sono, fazem-nos revirar uma noite inteira pela cama.

Às vezes, tiram a fome e até fazem vomitar.

Eles nos levam a cometer atos tolos.

Lindamente tolos, eu diria.

Mas, ainda assim, tolos.

Amores não correspondidos machucam, é bem verdade.

Entretanto, há também as coisas boas.

O sorriso que se abre, iluminando o coração que ama.

A alegria incontida de cada pequeno momento em que a pessoa amada se lembra de você, e em que você existe para ela.

A inspiração que invade a alma no meio da noite, no trajeto do ônibus, ou ouvindo uma música qualquer.

A capacidade de sonhar, que se recusa a adormecer.

O desatino de nos atrevermos a sermos humanos.

A delícia de, em algum momento, termos a certeza de que não estamos no controle de tudo que se passa em nós mesmos, e, assim, nos entregarmos para algo que não explicamos, apenas sentimos.

E aí, você, amigo leitor, já um tanto curioso, talvez impaciente, perguntará: "Afinal de contas, vale a pena?"

E eu responderei com outra pergunta: "Te arrepia?"

Se te arrepia, amigo, então vale a pena.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Olhos, pele, boca...

Olhos que se abrem.
Olhos que seduzem.
Olhos que fogem.
Olhos que brilham.


Pele que me chama.
Pele que se toca.
Pele que se arrepia.
Pele que conduz minha alma para outra dimensão, sonhando acordado.


Boca que sorri.
Boca que fala.
Boca que sussurra.
Boca que beija lentamente.

Olhos nos olhos, pele na pele, boca na boca...
Vontade, delírio, sensações que não se explicam.
Os caminhos e descaminhos que percorrem meu espírito formam um complexo labirinto.
É dor doce, angústia sem solução, resposta escondida nas entrelinhas...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

PC Siqueira ensina a abrir uma porta

Oi, como vai você?

Hoje resolvi mostrar como se abre uma porta. Portas são aqueles bagulhos pelos quais a gente entra e sai de lugares. Minha casa tem várias portas. Tem no banheiro, no quarto, na entrada da casa... A porta para entrar em casa eu  deixo chaveada. Por isso, é importante saber como a gente faz pra abrir esse bagulho. 

Bom, o negócio é o seguinte. O primeiro passo é pegar um bagulho chamado chaveiro. São umas argolas com algum negócio pendurado. Esse negócio pode ser um enfeite, um símbolo de time, uma caveira, uma miniatura do Pikachu ou uma propaganda de farmácia. Nele, você pendura suas chaves. Algumas pessoas não usam chaveiros. Elas usam a chave sozinha, sem argola nenhuma. Mas eu uso chaveiro. As chaves são uns bagulhos que vem tipo com uns dentes, um troço meio serrilhado.

Então, uma coisa importante é, quando você pega o chaveiro, saber qual a chave da porta que você vai abrir. Se você não souber, vai ter que testar uma chave de cada vez, até acertar. Isso é uma merda. 

Assim que você souber qual é a chave, você tem que colocá-la num buraquinho que tem na porta. Você insere ela ali. O louco é que a porta tem um bagulho que tranca e destranca, e pra isso, com a chave inserida, basta você girá-la. 

Geralmente, ao lado da porta, tem um outro buraco, que é onde se encaixa um bagulho que é tipo uma língua da porta. É essa língua da porta que você vai mexer ao girar a chave. Quando você gira para um lado, ela abre. Isso quer dizer que a língua se desencaixa do buraco do lado da porta e é engolida por um negócio que é tipo uma boca da porta. Quando você gira para o outro, ela fecha. Ou seja, a língua sai da boca da porta, e entra no buraco do lado da porta. É um bagulho como se a porta beijasse o negócio aquele que fica do lado dela. Ou tipo como se ela transasse com o bagulho que fica do lado dela.

Quando você tira a língua da porta do buraco do lado dela, geralmente ainda tem a maçaneta, um bagulho em cima, que a gente mexe manualmente. Aí, é como se a mão fosse a chave. A mão é um bagulho que a gente tem na ponta do braço, que tem uns bagulhinhos que se mexem, e são muito articulados, chamados dedos. Quando você os utiliza, pode abrir portas, e fazer mais um monte de coisas, como mudar o canal na tv, digitar um número no celular ou se masturbar. 

Enfim, assim que você girou a chave e a maçaneta, a porta se abre. Quando você faz isso pro lado contrário, ela fecha. Isso te permite sair para a rua, comer cachorro quente, pizza, jogar fliperama. É muito, muito legal! É uma puta de uma invenção, pra falar a verdade, vocês não acham?

Bom, agora que você aprendeu a abrir uma porta, vou indo embora. Vou jogar videogame e brincar um pouco com a Lola. Até mais!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Bial na barraquinha de cachorro quente

- Boa noite, seu Bial.
- Boa noite.
- Cachorro quente completo, senhor?
- Oh, amigo, faça desse cachorro quente um delicioso pedaço da minha vida! Do molho de tomate, o bailar das minhas pupilas gustativas! Do milho, da ervilha, peças que se encaixam numa combinação única de sabor! Ah, amigo do cachorro quente, coloque a maionese com requinte, junto com o catchup e a mostarda. Oh, excelentíssimo maestro do sabor, preencha de queijo o vão que sobrar no pão e na minha alma, alegrando ainda mais esse dia, que bem poderia ter sido de amargura. Oh, batata palha divina, crocante, agressiva, desafiadora! Que venham também a pimenta, o alho e o óleo, no convite a uma viagem de texturas e sensações de um maravilhoso hot dog. Ah, meu estimado amigo, e tem ainda ela, o astro principal, a estrela da companhia, bendita salsicha, pela qual tanto peço e à qual tanto agradeço!
- Certo. São 4 reais, seu Bial.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Heróis

Imagine um time em absurda crise, destinado a jogar um clássico histórico.

O adversário vive momento gritantemente melhor.

A festa estava toda armada.

Despedida de estádio antigo, expectativa de estádio novo...

Na pauta, um momento épico.

Quando a bola rola, entretanto, tudo muda de figura.

Mais do que o bom ou mau momento, entram em campo a história, a camisa, a rivalidade.

Se o primeiro tempo é truncado, o segundo começa em alta rotação.

O goleiro do time em baixa é expulso.

Logo em seguida, o centroavante de seleção também o é, deixando o time em crise em situação ainda mais delicada.

Mas é aí que entra, mais do que nunca, a camisa.

É aí que entra o sangue, mais vermelho do que nunca, que corre nas veias de cada homem que está ali destinado a escrever um capítulo único da história.

Foram heróis.

Até o insosso treinador interino foi, de alguma forma, heróico, ao mostrar que tem sangue correndo nas veias e ser agredido por um moleque medíocre da equipe rival.

Até mesmo o preparador físico de péssimo trabalho foi, de um jeito ou de outro, emblemático ao cair no chão após covarde agressão em forma de foguete vindo das arquibancadas.

Até o goleiro reserva, questionadíssimo, entrou com o coração pulsando nas luvas.

Heróis inusitados tornam o enredo ainda mais sedutor.

O time em festa martelou, martelou e martelou.

Mas o time em crise multiplicou-se, desdobrando-se comoventemente em campo.

Não saiu gol.

Nove camisas vermelhas dentro das quatro linhas foram suficientes para conter 30 mil almas.

Não combinaram a festa com os guerreiros que as vestiam.

Estamos tratando de um time que não é imortal.

Mas sempre será um Gigante.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Dia de chuva

É dia de chuva.

Amanhecer sem respostas.

Mantemo-nos calados.

Não há solução, apenas espera.

A dor é recolhida.

A distância agride mais.

A linha entre o sim e o não é tênue, quase invisível.

O silêncio que impera talvez seja a resposta em si.

Mais um dia nos abandonará no escuro.

E continuará chovendo...