sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Privada

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- E a Daiane, Sérgio? Como é que tá aquele namoro?
- Ah... Sei lá...
- Ih... O que aconteceu?
- Sabe... Tô confuso... Ontem estive na casa dela...
- Hum... E aí, o que rolou?
- Estávamos no maior amasso. Tava muito bom mesmo... Mas como eu vi que as coisas iriam esquentar, resolvi dar uma passadinha no banheiro antes...
- Ahã...
- Bom... A tampa do vaso tava aberta...
- Ah, não tem nada demais nisso!
- Não, você não tá entendendo... Tinha um... Um cocô... 
- É... Não é muito agradável... Mas também, pode acontecer...
- Não, Pedro, você não tá entendendo! Se fosse só a descarga, tudo bem... Mas aquele cocô... Aquilo foi uma visão do inferno... E depois... Inventei uma desculpa e fui embora... Agora não consigo ligar pra Daiane... Passei a noite tendo pesadelos... 
- Hum... E como eram esses pesadelos?
- Era sempre a mesma coisa: o cocô começava a falar com uma voz horripilante: "Eu saí da Daiane pra te pegar! Você não vai escapar!", e pulava em direção ao meu rosto! E aí eu acordava! Foi horrível!
- Nossa, que nojo!
- Pois é... Acho que vou ter que terminar com ela...
- Calma, calma, Sérgio... Você tem certeza de que o cocô era dela?
- Ora, Pedro! Ela mora sozinha! De quem mais seria?
- Não sei, cara... Mas pode haver uma esperança!
- Será?
- Claro!
- Poxa... Tomara... Seria um grande alívio! Vou tentar descobrir!
- Peraí, peraí! Como você vai descobrir isso?
- Perguntando pra ela, ué!
- Calma, cara... 
- Fica tranquilo, Pedro! Eu sei como descobrir...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Overdose

- Alô.
- Alô, senhor Theodoro?
- Isso, ele mesmo!
- O senhor é filho de Leovegildo Alcântara?
- Sim, exato.
- Bom... Meu nome é Gilberto, sou médico... Temos uma má notícia...
- O que aconteceu?
- Ele... O senhor Leovegildo passou mal.
- Nossa! Infarto? AVC? O que aconteceu?
- Foi overdose, senhor.
- Overdose? De quê?
- De sertanejo. 
- Ah... Mas tem um pessoal que sofre com isso, né?
- Bom... É difícil dizer isso... Mas... É sertanejo universitário.
- Oh, meu Deus! Não sabia que o caso era tão sério!
- Calma, senhor. Ele não está bem, é verdade. O cérebro está em estado de funcionamento muito precário. Ele só fala coisas sem sentido, lê lê lê, tchu tchu tcha, tchê tchererê tchê tchê... A função da fala, acreditamos que foi perdida. Mas ainda estamos tentando reverter outras funções.
- Não, não é possível! Por que ele não avisou antes?
- É um drama grande, senhor. A sociedade julga muito. 
- Mas ele poderia ter confiado em mim!
- Agora ele vai precisar do seu apoio. Ele perdeu o dom da fala mas ainda pode dar piscadinhas e sorrir.
- E... Não tem reversão?
- Tentamos um tratamento intensivo de Metallica. Mas ele não tolerou bem. Tentamos algo mais leve, um João Gilberto, mas aí a pressão baixou e ele entrou em sono profundo... A situação é muito difícil. Mas estamos lutando pela sobrevivência das funções cerebrais mais básicas. Ainda dá.    
- Por favor, doutor... Faça o máximo que puder!
- Fique tranquilo, Theodoro. Estamos trabalhando para isso.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Pista de dança

Rogério adentrou a pista de dança.

Movimentos frenéticos cercavam-no por todos os lados.

Pegou uma cerveja.

Entre um gole e outro, via cada vez menos sentido naquele cenário.

Algumas pessoas beijavam-se sem sequer saber os respectivos nomes.

Garotos mal saídos das fraldas puxavam o braço de meninas como se fossem prostitutas.

Alguns recebiam carícias e lambidas.

Outros, eram esbofeteados.

Havia aqueles que dançavam sozinhos.

Num canto, uma menina chorava.

No outro, um rapaz de óculos fundo de garrafa admirava boquiaberto e com tímidos e desajeitados movimentos corporais, um mundo que desejava, mas ao qual não conseguia pertencer.

Lá no meio, um grupo de meninas pulava e gritava, num gesto de alegria superficial e pueril, enquanto rapazes famintos de carne e pecado requebravam em volta, numa espécie de dança de auto-adoração.

O ar faltou a Rogério.

Sentiu um mal estar indescritível.

Perdeu o senso do que fazia ali.

Percorreu seu submundo interior.

Afogava-se no mar da boçalidade alheia.

Micro-relações efêmeras faziam um cerco inelutável.

Status, amor, dinheiro, bundas, bocas, seios, sexo e banalidades misturavam-se num maldito holograma.

Tudo falso, tudo mesquinho.

Vida que não é vida.

Rogério sabia que ao clarear do dia, todos aqueles demônios seriam exorcizados.

E todos voltariam à mediocridade, vomitando suas ilusões pelas calçadas.

Saiu, então, do recinto.

Tomou o ar de que precisava.

E foi embora.

Rindo de tristeza. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Fio dental

Joana observou cada fio dental disponível.

Demorou-se na escolha.

Usaria, na praia, o melhor de todos.

Estava determinada a isso.

E assim o fez, a seu critério.

À beira mar, comia, sensualmente, uma espiga de milho, já chamando a atenção ao seu redor.

Mas seu show particular viria depois. 

Todos os homens em volta olhavam, admirados e curiosos.

Foi quando Joana enrolou por entre os dedos o fio de multifilamento mentolado, e o deslizou entre os dentes.

A praia ficou em polvorosa.

Alguns marmanjos filmavam e fotografavam.

Outros, olhavam indiscretamente, enquanto levavam tabefes no braço e cotoveladas de suas irritadas namoradas.

Joana nem ligava.

Não haveria censura capaz de combater tamanha indiscrição.

Aquele fio dental era uma indecência!

domingo, 25 de novembro de 2012

Breve DR

Um casal, conversando na cama:

- Ô, Sandra... A cada dia que passa você está mais linda!
- Poxa... Que bom, Júlio.
- Te amo. E a cada dia te amo mais.
- Ahã.
- É... 
- Bacana.
- Bacana, né?
- Sim.
- E você?
- Eu o quê?
- Você... O que você sente? Você me ama?
- É... Gosto de você...
- E...?
- É isso. Você nunca me incomoda. Isso é bom.
- Hum...
- Por isso que gosto de você. 
- E me ama?
- Sabe, Júlio. Eu gosto de você porque você não me incomoda.
- Sim, você já disse!
- Bom... Você tá me incomodando agora!
- Tô?
- Tá!
- Certo... Desculpa...
- Tudo bem, tudo bem... Tá desculpado.

sábado, 24 de novembro de 2012

Carpinejar comenta a demissão de Mano Menezes

- Olá, amigos do DC. Estamos aqui novamente com o Carpinejar, que hoje vai falar sobre a demissão de Mano Menezes da Seleção Brasileira. Carpinejar, você achou justa a demissão do Mano?
- Mano. Irmão. Gesto que se grava na memória. Mano Menezes. Rapper. Mano Brown. Diário de um detento. Racionais. Irracionais. Como beijos roubados na beira da praia. Justa. Justiça. Justiceiro. Homem-Aranha. Homem de Ferro. Hulk, que jogou as Olimpíadas.
- Uhum... De fato, os resultados não foram muito bons, né?
- Resultado. Resultar. Resolução de ano novo. Um amor, uma carícia. Promessa canalha. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Como um pedaço de chocolate que derrete lentamente na boca. Como o roçar de uma barba masculina num pescoço feminino. Delícia que não se explica. Apenas se sente na pele arrepiada que confessa um crime sem vítimas.
- Certo... E quem seria um bom substituto? Fala-se em Felipão, Tite, Guardiola, Muricy...
- Substituto. O novo que objetiva a mudança. Mudança, que é a manutenção que se revoltou. Felipão. Feliz. Pão. Café da manhã. Tite, Guardiola, Muricy. Amanhã que não chega. Chegada, que é a partida vista do ângulo reverso.
- Ok... Muito obrigado, Carpinejar.
- Obrigado. Compulsório. Voluntário ou involuntário? Voluntários da Pátria. Prostituição. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

As meninas super-reacionárias

Duas adolescentes, conversando no banco da praça:

- Ah, Duda... Olha lá!
- Nossa! Que horror aquilo, Paulinha! O que aqueles velhos estão fazendo? Perderam a vergonha na cara! 
- Incrível como a nossa sociedade perdeu os valores da moral e da família.
- É... 
- Bom mesmo era nos tempos da ditadura.
- Com certeza! Naquela época as pessoas tinham disciplina. Havia respeito.
- Hoje você vê só... Está todo mundo numa putaria sem fim!
- Um horror!
- Olha ali, que pouca vergonha! Aquele casal de velhinhos de mãos dadas! Mãos dadas!
- O que mais falta, né? Daqui a pouco vão até dar selinho!
- Não duvido!
- É culpa dos comunistas.
- Sem dúvida! 
- Você sabe, né? Eles estão por toda parte...
- Sim, olha só a Globo!
- Chega a ser descarado o comunismo deles!
- Só não vê quem não quer!
- Eu espero que um dia a ordem possa voltar a prevalecer. E que se desça o cacete nesses subversivos todos!
- Sim! Tenho fé que um dia essa gente retrógrada suma do mapa!
- Ai, amiga, se Deus quiser!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Ofensa

Em um almoço em família, Jaime começa a falar do irmão, Moisés:

- O Moisés já vai fazer aniversário semana que vem, né? Você lembra daquele aniversário em que você vomitou em cima do bolo, Moisés?
- Hehe, lembro...
- Hahahahahaha, foi muito engraçado! Você sempre foi um perdedor! Hahahahahah!
- Hehe...
- Lembra daquela vez que cagou nas calças no colégio? Hahahahahaha! Todos os colegas riram!
- Hehe... Foi engraçado... Hehe...
- A Paulinha ficou com muito nojo! E você gostava dela! Com esses dentes tortos, como você imaginava namorar com ela? Hahahahaha!
- Hehe... Pois é... Eu era bobo... Hehe...
- Você sempre foi feio, cara! As meninas riam muito! Eu tentava te defender... Mas era impossível! Contra a sua feiura não há argumentos! Hahahahaha! Até hoje seus dentes são ridículos! Hahahahaha!
- Hehe...
- E você era um mongolão! Só andava com aqueles amigos fracassados! Era a sua cara! Hahahahaha!
- Hehe...
- Como é que a tua esposa aguenta te beijar? Ela deve encher a cara pra ter coragem! Hahahahahaha!
- Hehe... Pois é...
- Você tem menas beleza que o homem elefante! Hahahahahaha!
- Hehe... Só que não existe "menas". Se fala "menos". Hehehe!
- Ih! Não sabe brincar, cara? Qual é, Moisés? Vai querer me humilhar agora? Acha bonito isso? Só porque sou menos estudado que você? É legal ficar ofendendo o teu próprio irmão? 
- Ué...
- Nem vou mais comer essa porcaria! Vou embora daqui! Saí de casa só pra ser humilhado! Não esperava isso de ti, Moisés! Não mesmo! Não olhe mais na minha cara! Nunca mais!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cartão de crédito

- Alô, bom dia!
- Bom dia!
- É da casa do senhor Renato?
- Sim, é ele mesmo quem está falando.
- Ótimo, senhor Renato. Meu nome é Viviane e gostaria de lhe fazer uma proposta. O senhor já tem o cartão de crédito Vaza?
- Não...    
- O senhor não gostaria de tê-lo?
- Hum... Não...
- Sério?
- Sim, sério. Não quero.
- Mas... Por quê?
- Sei lá... Simplesmente não quero.
- Tá... Mas qual o motivo?
- Porque não, ué.
- "Porque não" não é resposta.
- Eu tenho que ficar me explicando agora?
- Claro! Todo mundo gosta do nosso cartão. 
- Não é questão de gostar ou não gostar, minha querida. É questão de querer ou não querer.
- Mas se o senhor gosta, por que não quer?
- Eu não disse que gosto.
- Então não gosta!
- Isso não interessa! Apenas não quero essa porcaria!
- O que a gente fez pro senhor, hein?
- Nada, moça! Vocês não fizeram nada!
- Fala pra mim! Não adianta nada deixar essas coisas guardadas! Eu sei que o senhor já teve o nosso cartão e cancelou! Sem dar nenhuma explicação!
- Deixa pra lá... O que passou, passou...
- Fala pra mim o que houve... Pelo amor de Deus!
- Ah... Deixa pra lá...
- Fala! Fala! 
- Ah... É que uma vez a fatura veio errada... Cobraram umas taxas indevidas...Foi melhor cancelar... Acredite em mim!
- Mas dessa vez nós vamos mudar! Prometo! Por favor! Dê mais uma chance pra isso dar certo!
- Não, não... Melhor não...
- Lembra daquela tv que você comprou no nosso cartão? E aquele jantar? Será que você já esqueceu de tudo isso? Será que nada disso tem valor? É isso mesmo?
- Poxa, moça... Eu sei que foi bom... Guardo essas lembranças com carinho... Mas passou...
- O senhor tem outro cartão, né?
- Hein?
- Pode dizer! Pensa que eu sou boba! Tá achando que sou alguma idiota?
- Bom... Eu... Eu tenho o Monster Card...
- Viu só? Eu sabia! Eu sabia! Cachorro! Aposto que não tinha passado nem um mês do cancelamento do nosso cartão!
- Na verdade eu tinha os dois desde antes...
- Canalha! E agora vem dizer isso!
- Mas...
- Cachorro! Vagabundo! Andou comprando muitas coisinhas, é? Tablet, geladeira, vídeo game? O que mais, hein? Com o nosso cartão era um parto pra comprar alguma coisa de mais de cem reais! Fica com a porcaria do seu Monster Card! Vou encontrar o primeiro pobre da rua e oferecer o nosso cartão! Você vai ver só!
- Bom... Faça isso!
- Eu te odeio! Te odeio! Não me procure mais!
- Mas... Foi você que me ligou...
- Canalha! Crápula! Você não merece os nossos cartões, mesmo! Meu Deus, que estúpida que eu fui de querer te oferecer os nossos planos de novo! Até nunca mais!
- Tá bom... Tchau... Boas vendas... 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A queda de Fernandão

Hoje pela manhã, o Internacional oficializou a demissão do técnico Fernandão. 

O Campeão de Tudo tornou-se uma máquina de moer ídolos. 

O Capitão Planeta chorou (http://www.youtube.com/watch?v=t28XcG2cQjo).  

Assim como Falcão, outro ídolo de máxima grandeza do clube, já havia chorado (http://www.youtube.com/watch?v=Tini4QufyPo).   

Não é mera coincidência.

Ambos foram engolidos pela gestão horrorosa de Giovanni Luigi Calvário.

Não estou, com isso, absolvendo Fernandão de suas culpas.

Ele foi mau dirigente de futebol.

Este elenco fraco que o Inter tem hoje foi formado por ele.

Como treinador, principiante, Fernandão se perdeu de vez.

Culpa dele, sim, mas culpa maior dos aventureiros que o colocaram no cargo em um ato amadorístico pautado pelo pensamento mágico. 

O Internacional hoje é refém de algumas de suas lideranças de vestiário.

Bolívar é o símbolo máximo desse tipo de relação.

Ou joga, ou nem na reserva fica.

Ele simplesmente se recusa a sentar a bundinha no banco. 

Sente-se importante demais para isso.

Nem o capitão da maior conquista da história colorada conseguiu deter os vícios do vestiário.

O Inter segue sem rumo, comandado por um Presidente fraco e dirigentes de futebol sem a menor aptidão para os desafios postos.

A limpa para o ano que vem deveria ser muito grande.

Deveria.

Dificilmente a essência mudará.

Mudarão (algumas) moscas.

Mas Luigi continuará lá.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Detalhista

Numa avenida movimentada:

- Ô, amigo, por gentileza! Você tem horas aí?
- Sim, claro! São dez horas!
- Tem certeza?
- Sim, sim!
- Redondinho? Deixa eu ver, deixa eu ver!
- Tá...
- Ah, mentira! São dez e dois.
- Bom...
- Você acha legal enganar os outros?
- Não, mas...
- E se eu me atrasasse? É muita irresponsabilidade!
- Ok... Desculpa...
- Tá certo... Mais uma informação, só... Você sabe onde fica a Rua Gilberto Rezende?
- Ah, é só seguir reto e dobrar na quinta à esquerda.
- É longe?
- Ah... Dá uns dez minutos de caminhada.
- Dez? Assim, redondinho? Não daria uns doze, talvez treze?
- Ah... Talvez...
- Viu só? Você tá louco pra que eu me atrase, né?
- Desculpa... Não sabia que faria tanta diferença!
- Bom... Obrigado por qualquer coisa... Tenho de ir lá... Tenho uma reunião marcada para as dez e trinta e dois.

domingo, 18 de novembro de 2012

A reportagem "bombástica" do Correio do Povo

Na sexta-feira, pelo Twitter, o repórter do Correio do Povo, Fabrício Falkowski, anunciava para o dia seguinte, em seu jornal, uma reportagem bombástica.

Finalmente, mostraria como dirigentes do Inter teriam comprado quatro jogadores do Paysandu, antes da partida que livrou o Colorado do rebaixamento em 2002.

Criou um alvoroço tremendo.

Qual seria, afinal, o conteúdo da tal reportagem?

Quais provas irrefutáveis viriam à tona?

Quem seriam os envolvidos?

Que natureza de consequências teria um escândalo de tal porte?

Pois bem...

Chegou o sábado.

Curioso, fui ler a tal reportagem que abalaria as estruturas do futebol brasileiro.

E veio à tona a realidade de uma imprensa irresponsável e leviana.

A tal "reportagem bombástica" era uma historinha contada pelo ex-Presidente do clube paraense.

Sem nomes.

Sem qualquer prova.

Sensacionalismo rasteiro e barato.

Nada de aproveitável.

Realmente, de 2002 para cá, muita coisa mudou.

O Inter, de clube em crise e quase rebaixado, tornou-se um dos times mais vencedores do futebol mundial

E o Correio do Povo, de jornal histórico, respeitável e de grande credibilidade, tornou-se um jornaleco sensacionalista, de qualidade e confiabilidade absolutamente duvidosos.

Nem o Diário Gaúcho faria pior...

sábado, 17 de novembro de 2012

Barulhos no meio da noite

Um casal, na cama:

- Ei, Vitor, acorda!
- O que foi, Cristina?
- Você tá ouvindo esse barulho?
- Não...
- Então ouça...
- Hum...
- Acho que é lá embaixo... Vai lá ver!
- Não, não vou...
- E se for um assaltante?
- Se for um assaltante, provavelmente estará armado... E estaremos fritos de qualquer forma...
- Mas pelo menos vá lá!
- Se eles quiserem, eles que venham... Roubem o que quiserem, e me deixem dormir...
- Vai lá ver!
- Tá bom, tá bom, já tô indo!

Dez minutos depois...

- E aí? Era alguma coisa?
- Não, nada de assaltantes, tudo em ordem. Eram só uns ETs colocando um chip no Totó.
- Ah, bom... Ufa...  
- Aproveitei pra pegar um sanduíche na geladeira. Quer um pedaço?
- É de frango?
- Não, não... Mas tem lá um de presunto! Quer que eu volte pra pegar?
- Não, amor... Eu mesma pego... 
- E já veja se os ETs não querem uma água, um refri, algo pra comer, sei lá... Esqueci de oferecer algo pra eles.
- Que feio não oferecer nada! O que eles vão sair dizendo da gente pelo universo afora? Pode deixar que eu ofereço alguma coisa...
- E tem o quarto de hóspedes... Se eles quiserem pousar por aí...
- Certo, eu aviso...
- Pena que o disco voador não cabe na garagem, nem no quintal... Tomara que não roubem na rua...
- Ah, eles devem ter seguro... 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Revelação de pai para filho

- Filho... O papai quer conversar com você...
- O que foi, papai?
- É o seguinte... Acho que agora você já tá bem grandinho pra saber...
- Hum...
- São onze anos, afinal...
- O que é, papai?
- Não é fácil dizer... Mas... Sabe a imortalidade?
- Sim, claro, papai! Eu amo a imortalidade! É tão linda, né? 
- Pois é, filho... Ela... A imortalidade... Ela... Não existe...
- O quê? Ela... Não existe? A imortalidade não existe, papai?
- Não, filho! Mas não chora! Sei que é difícil! Mas eu tinha que dizer a verdade! Você tá virando homenzinho...
- Mas... Você mentiu pra mim esse tempo todo? E aquela vez que eu a vi no shopping? E depois aqui em casa? Lembra?
- Ah, filho! Era só um dvd... Mas não era a imortalidade de verdade... Ela é só fruto da imaginação... Lembra quando você ficava acordado até tarde esperando a imortalidade e ela não aparecia? Pois é... Desculpe, não queria te decepcionar... É que faz parte da inocência! Tudo tem seu tempo... De qualquer forma, o que vale é tê-la sempre em nossos corações... Não, filho! Não chora, por favor!
- Buááááááááááá!
- Assim... Assim eu vou chorar também... Buááááááááá!
- Buáááááááááá!
- Buááááááááá!
- Buááááááááá!
- Buáááááááááá!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Flagrante

Osvaldo chega mais cedo do trabalho e encontra o filho, Marcelo, no sofá da sala:

- Olá, filho! Hoje cheguei mais... Filho?!
- Calma, pai! Eu posso explicar!
- O que você tá fazendo com essa revista no meu sofá?
- Calma, pai! Eu nem sabia que o senhor chegaria cedo...
- Meu Deus! Que nojo! Que nojo! Que horror!
- Desculpa, pai! Essa revista nem é minha! É de um amigo!
- Que tipo de amigo é esse? Que tipo de amizade você anda fazendo na rua? Que horror! Que nojo! Largue isso! E, por favor, saia da minha frente! Nunca esperaria uma coisa dessas de um filho meu!
- Mas... Pai...
- Saia daqui! Olha que nojo! Tire essa revista Veja da minha frente! E lave bem essas mãos! Por favor!
- Tá bom, pai... Desculpa...
- Que decepção... Onde foi que eu errei? 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O bêbado e a bola

O morador de rua bêbado jogava o seu próprio basquete no terminal de ônibus.

Driblava os transeuntes, driblava as pessoas nas filas.

Gritava, vibrava, ria e sorria.

Vivia um mundinho um tanto particular.

A bola, de borracha, daquelas que crianças de cinco anos chutam, ia para lá e para cá.

Passava, por vezes, por entre pernas e pés.

Algumas pessoas se olhavam, compartilhando seus incômodos.

Observavam o bêbado com o olhar da reprovação.

Outras, riam e achavam engraçado.

Ao driblar um homem engravatado de meia-idade na fila, o bêbado teve a bola tomada.

O engravatado não titubeou: jogou a bola para o meio da rua.

O bêbado, desesperado, e com as mãos na cabeça, tentou, em vão, correr.

A bola foi estourada por um ônibus que passava, cujo motorista não teve tempo e talvez nem intenção de parar.

O bêbado, então, gritou, a pulmões plenos: "Nãããããããão!!! Minha boooooola!"

Sentou-se no meio fio, baixou a cabeça e começou a chorar copiosamente.

O engravatado, do alto de sua arrogância, apenas olhou de cima.

Uma moça, somente ela, manifestou indignação.

Indagou: "Por que você fez isso?"

Prontamente o engravatado respondeu: "Por que ele estava perturbando".

Os outros da fila, concordaram com a cabeça, e olhavam, um tanto admirados, para o homem.

Há pessoas que desaprenderam a sonhar.

E se incomodam com os sonhos alheios.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Amargo e divertido

Cantando a canção.
Seguindo em frente.
Nossa vida está tão amarga.
Mas ela está tão divertida!

Respirando o ar que nos mata.
Sorrindo para nossos inimigos.
Esse dia está tão tristonho.
Mas ele está tão promissor!

Ela passa com seu perfume de sempre.
Ela odeia existir.
Mas ela segue sendo doce.
E permanece chorando em silêncio.

Estamos contando nossas velhas histórias inventadas.
Lembrando a areia da praia e a nossa irresponsabilidade.
A noite é uma mentira.
Ela é a revelação das nossas profundezas.

Somos melodia que não se acaba.
Somos o vento que bate na janela daqueles que não sabem amar.
Nada poderá nos parar agora.
E já não importam os espinhos que nos fazem sangrar.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Carpinejar fala sobre o título brasileiro do Fluminense

- Amigos do DC, estamos aqui mais uma vez recebendo o Carpinejar, que hoje vai falar sobre o título brasileiro conquistado ontem pelo Fluminense. Carpinejar, foi uma bela campanha a que o Flu fez em 2012, não?
- Campanha. Champanhe. Doce alegria festejada com a alma. Flu. Tamiflu. Gripe suína. Espirro, que é um furacão em escala micro.
- O trabalho do Abelão foi excelente, né?
- Abel. Caim. Cair. Subir. Pecado bíblico que nos afaga nas horas tristes. Lábios que se beijam em intenso fervor. Ebulição, condensação, congelamento. Pele arrepiada por um beijo ao pé do ouvido. Lâmina cortante em pulsos brancos. Corte canalha. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Como uma canção mentirosa que ilude um coração carente.
- Ahã... E o Fred foi decisivo! Você acha que ele merece uma chance na seleção?
- Chance. Calmante. Chanceler. Chocolate. Chama que não se apaga. Fred. Freud. Édipo. Seio materno. Boca, mamilo, leite. Parmalat. Cão que late. E nos avisa dos assombros da noite.
- Uma polêmica deste campeonato foi o nível das arbitragens. O que você achou dos juízes do Brasileirão 2012?
- Brasileirão. Brasil. Brasileiro. Mulato inzoneiro. Juiz. Julgamento. Martelo que bate. Pregos. Parafusos. Chaves de fenda.
- Certo... Bom, Carpinejar, muito obrigado mais uma vez pela participação aqui no DC!
- Participação. Participar. Deliberação. Habermas. Habemus Papa. E mama. Mãe. Que é o pai de sexo oposto.

domingo, 11 de novembro de 2012

Mar revolto

Dias nascem, dias morrem.

Navego pela saudade e pelo querer.

O mar revolto por vezes muda minha direção.

Quase naufrago, mas retomo as coordenadas.

Busco a terra firme.

Não sei quando vou encontrá-la.

Mas continuo enfrentando o mau tempo.

Sei que quando vê-la novamente, tudo terá valido a pena.

sábado, 10 de novembro de 2012

O ________ gato

É mendigo gato.

É prefeito gato (do PSDB).

Daqui a pouco terá o esquartejador gato.

O padre gato.

O estuprador gato.

O motorista de ônibus gato.

O ditador gato.

O blogueiro gato.

O presidente gato.

E depois querem falar das moçoilas de calcinhas molhadas que votaram no Collor...

Quanta hipocrisia!

Quanta superficialidade!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Luigi: eleição legítima, mas não democrática

Giovanni Luigi foi reeleito em primeiro turno.

O conselho deliberativo colorado virou as costas para a opinião do associado.

Não questiono a legitimidade da eleição de Luigi.

Mas ela não é exatamente o que se possa chamar de democrática.

A vitória da situação obedeceu às regras do jogo.

O que se pode, e deve, questionar, é o uso que se fez da mesma.

Houve movimentos migratórios de conselheiros outrora oposicionistas para a situação que podem ser considerados, no mínimo, "curiosos".

Mais ainda: a própria regra do jogo entra para a agenda dos próximos anos do Inter.

A eleição que renovará 50% do conselho em dezembro será fundamental para isso.

Será o momento do sócio lembrar-se bem de quem o esqueceu.

Será o momento de votar em quem se importa com a opinião do torcedor.

Desejo, a partir de agora, sorte e muito, mas muito mais competência e agilidade para Luigi.

Ao associado, que não foi ouvido nas urnas, caberá cobrar muito e permanentemente.

Agora, mais do que nunca.

O Internacional é muito maior do que qualquer movimento ou indivíduo.

Por isso, espero, do fundo do coração, que cada um dos conselheiros que votaram em Luigi e abortaram o segundo turno tenham conseguido dormir com a consciência tranquila de que fizeram o melhor PARA O CLUBE.  

O processo eleitoral não acabou.

Dia 15 de dezembro o sócio vai às urnas.

Será o dia da retomada da democracia no Sport Club Internacional.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Salada de cebola

O casal está conversando no restaurante, e a esposa começa a cochichar:

- Olha lá, olha lá, Inácio!
- O que foi, Rebeca?
- Ali, ó, naquela mesa!
- Hum... Não tô vendo nada...
- Olha para o prato da mulher...
- Ok... Continuo sem ver nada demais...
- Ela tá comendo salada de cebola...
- E daí?
- Isso não é certo! Todo mundo deve odiá-la.
- Porque ela come salada de cebola?
- Sim!
- Não entendo...
- Você gosta de pessoas que gostam de salada de cebola?
- Pô... Sei lá... Pra mim não é determinante... E eu gosto de cebola... Só não pego porque tem outras saladas melhores.
- Já parou pra pensar no caos que vai virar o mundo se todos começarem a comer salada de cebola?
- Hein?
- Não adianta... Você não consegue entender... Tem a mente limitada, mesmo!
- Ué...
- Como pode gostar de pessoas que gostam de cebola?
- Não gosto nem desgosto! Pra mim simplesmente não faz diferença!
- Que absurdo! Como pode falar uma heresia dessas?
- É... Devo ter a mente muito limitada, mesmo...

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Carpinejar fala sobre a dispensa de Adriano Imperador

- Amigos do DC, estamos aqui mais uma vez com o Carpinejar, que hoje vai conversar conosco sobre a atitude do Flamengo em dispensar Adriano Imperador. Carpinejar, o que você acha que passa pela cabeça do Imperador, que não consegue ter uma atitude minimamente disciplinada para retornar aos gramados?
- Imperador. Império. Imperioso. Dom Pedro. Dom divino de renascer. Bebê no ventre. Cheiro de talco. Alegria incontida.
- Hum... Nem no seu clube do coração o Adriano conseguiu se reencontrar, né?
- Flamengo. Flâmula. Flamejante. Fuga de um quarto escuro que nos assombra. Luz discreta que se esconde. Mãos, dedos, unhas. Pele macia no toque másculo que hipnotiza os poros. Tato erótico e alucinógeno. Boca que toca o pescoço no beijo típico do mais sedutor dos canalhas. Canalha, que não é cafajeste. É canalha.Copo cheio de leite, deleite de cada pedaço do ser.
- Sim, sim... Então você acha que a atitude do Zinho foi correta?
- Zinho. Que é o Zão que encolheu. É folha que cai da árvore. Sapato que pisa macio. Macio, que é o duro que ganhou um afago. Fagocitose.
- Uhum... E você acha que o Imperador ainda voltará ao futebol?
- Voltar. Volta. Ida que se reverteu. Despedida que se arrependeu. Partida. Ainda inteira. Futebol. Jogo de bola. Pés. Que são as mãos que caminham. Patas, talvez. Animalesca mordida na ponta do nariz. Respiração. Veloz e lenta. Equilíbrio. Que é o descontrole que mudou de vida.
- Ok... Bom, Carpinejar, muito obrigado mais uma vez pela participação!
- Obrigado. Que é o voluntário que compulsório se tornou. Janela que se abre. Vento no rosto. Frescor de uma nova era. Era, que ontem ou anteontem foi mais um é. Pretérito imperfeito, perfeito, mais-que-perfeito. Futuro que se despediu sem nos dar um abraço.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Medo da morte

Osvaldo estava desesperado.

Sentia fortes dores no peito.

Tinha medo de morrer.

Temia partir desta para uma melhor.

Ou pior.

Não ia para o médico, temendo o diagnóstico.

Se fosse para morrer, que assim fosse sem o sofrimento de uma triste constatação da medicina.

Passou anos e anos esperando pelo pior.

Não morria.

A cada dia de dor em que terminava respirando, sentia-se aliviado.

Era invariavelmente assim: acordava tenso e adormecia um tanto mais calmo.

Seus amigos e familiares, num belo dia, convenceram-no, a muito custo, a procurar um médico, fazer os exames, esfacelar as dúvidas que, ao fim e ao cabo, eram mais incômodas do que a enfermidade em si.

Osvaldo, então, foi ao hospital procurar um cardiologista. 

Após uma longa bateria de exames, o médico lhe disse que não havia nada de preocupante no seu caso.

Seu coração e sua saúde como um todo estavam em perfeito estado.

As dores eram psicológicas.

Osvaldo, então, sentindo-se um idiota, parou para pensar em tudo o que perdeu enquanto estava reticente e receoso quanto à sua saúde.

Saiu do hospital refletindo. 

Pensou na viagem que não fez.

No beijo que não deu.

Nos churrascos que não comeu.

Na cerveja que não bebeu.

Na montanha russa que apenas observou de longe.

Nas risadas que não deu, enquanto todos riam.

Estava pensativo.

Distraiu-se, imerso nessas lamentações.

Foi atropelado, assim que colocou os pés para fora do hospital.

Morreu ali mesmo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Carta aberta aos conselheiros do Sport Club Internacional

Prezado conselheiro do Sport Club Internacional,

Esta semana reserva em seu calendário uma data decisiva para a história do Inter. Não tenho dúvidas de que o futuro do clube estará em jogo no primeiro turno das eleições presidenciais do clube. A responsabilidade que cabe ao senhor é enorme. E decisiva.

Por isso, peço-lhe, encarecidamente: pense muito antes de votar. Reflita à exaustão. Pense se você acha, realmente, que a continuidade de Giovanni Luigi é o melhor caminho para o Internacional.

Tenho, particularmente, muitos e muitos questionamentos à atual gestão. No futebol, tem sido um desastre. A cada rodada, o despreparo, a falta de planejamento e a incompetência aparecem de maneira mais gritante. É medalhão que se recusa a ficar no banco pra cá, treinador que não é treinador pra lá, estrangeiro com salário altíssimo impossibilitado de jogar acolá... Tudo isso graças a um Departamento de Futebol composto por neófitos que nada demonstram entender do riscado. O Inter de Luigi faz uma campanha que até poderia ser considerada boa... Se estivéssemos tratando da Ponte Preta ou do Coritiba. Não é campanha de Inter. Não é desempenho de Inter. 

Temos, hoje, um elenco recheado de jogadores que não têm mais nada a ganhar no clube. Jogadores que tiveram o seu ciclo encerrado. Além disso, há deficiências gravíssimas: como se explicar que os dois laterais direitos do clube sejam os horrorosos Nei e Edson Ratinho? Como aceitar que jogadores limitadíssimos como Élton e Josimar sejam opções sérias num grupo de jogadores considerado por muitos como um dos melhores do país? Há bons jogadores? Há, em algumas posições. Em outras, há carências absurdas e inaceitáveis para um clube que investe no futebol o tanto que o Inter investe. Um elenco tão mal montado não pode ser considerado um grande elenco. E isso é uma falha miserável da direção liderada por Luigi.

Na parte administrativa, passamos de maneira constrangedora pelo episódio Andrade Gutierrez, no qual o clube foi feito de bobo, parou inexplicavelmente as obras, e teve como prêmio a perda da Copa das Confederações. A assinatura do contrato, depois de tudo que se passou, não foi vitória. Foi um mal menor. Nada capaz de apagar a exposição negativa em nível nacional pela qual o Internacional passou.

Estes são apenas alguns dos motivos, amigo conselheiro, pelo qual peço que pense muito antes de votar. Esqueça a vaidade, o status, os interesses rasteiros que passam à margem dos interesses que realmente importam, que são os interesses da instituição. Vote pelo melhor para o Sport Club Internacional. 

São dois anos duros e fundamentais os que estão por vir. Você tem certeza absoluta, considerando o histórico da atual gestão, de que Giovanni Luigi é realmente o melhor nome para conduzir o clube na próxima gestão? Você, enquanto colorado, tem a certeza de que esta gestão merece continuar à frente do Internacional nos próximos 24 meses?

Se você tem essas certezas, siga em frente, vote em Luigi, e sepulte o segundo turno. Caso contrário, dê ao sócio a chance de decidir o destino da instituição da qual é o verdadeiro dono.

Peço-lhe, amigo conselheiro, que pense menos em movimentos, em picuinhas e em possíveis benefícios para o ego, e pense mais no Inter. Peço-lhe, enfim, que no dia 8 você seja menos vaidoso e mais COLORADO.

Um grande abraço, e saudações coloradas.

domingo, 4 de novembro de 2012

Licença poética

Preciso de uma licença poética.
Uma licença poética que me permita dizer que te amo sem machucar meu coração.
Uma licença poética que seja capaz de vencer o rubor em minha face.
Uma licença poética que me dê segurança para voar.

Preciso de uma licença poética.
Uma licença poética que me permita falar dos teus olhos sem me transformar em pedra.
Uma licença poética que toque os teus lábios sem te assustar.
Uma licença poética que me deixe caminhar com meus dedos por cada poro da tua pele.

Preciso de uma licença poética.
Uma licença poética que me permita descrever o teu sorriso sem parecer piegas.
Uma licença poética que toque a tua alma com poderosa sutileza.
Uma licença poética que me faça mergulhar neste sentimento sem me afogar.

Preciso de uma licença poética.
Uma licença poética que me permita superar a timidez para te dizer o quanto és linda.
Uma licença poética que nos junte sem nos prender, que nos tire o ar sem nos sufocar.
Uma licença poética que me deixe sonhar sem precisar despertar, e que una nossas vidas também quando o Sol brilha lá fora.

Preciso de uma licença poética...

sábado, 3 de novembro de 2012

Libertação

Trancou-se no banheiro.

Era mais um dia de solidão.

Pensara muito, pensara até quase enlouquecer.

Agora, estava decidido.

Aquele seria um ato de libertação.

Muitos haviam argumentado para que não fizesse aquilo.

Mas já não haveria possibilidade de reversão.

A ideia estava fixa em sua cabeça.

Pegou a lâmina.

Observou-a por alguns minutos.

Olhou-se no espelho, fixamente.

E começou a fazer a barba.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O estuprador e o estepe

Um homem foi flagrado estuprando uma criança.

Por sorte, um vizinho viu o abuso pela janela de sua casa.

Imediatamente, ligou para a polícia.

Rapidamente, os policiais chegaram ao local, e prenderam o estuprador em flagrante.

Agora, o advogado do criminoso pede a liberação do mesmo.

Alega que a viatura que levou os policiais até o local do crime estava sem estepe.

Ridículo?

Absurdo?

Deixo aos leitores a proposta de reflexão.

Tenho de ir, pelo adiantado da hora.

Ainda não jantei.

E bateu uma baita vontade de comer carne de porco.

Com uma saladinha verde, é claro...

Viva

Beatriz estava triste.

O namorado rompera a relação.

A moça havia passado a noite anterior inteira chorando.

Sair de casa naquele dia, por este motivo, era especialmente difícil.

Era como se sua alma tivesse levado uma surra.

Mas ela tinha que trabalhar.

Adentrou o ônibus.

Um rapaz bem apessoado a ficou olhando.

Havia poucos lugares disponíveis e ela, estrategicamente, sentou-se ao lado dele.

Entreolharam-se várias e várias vezes durante a viagem.

Até o momento em que ele, sorrindo, pediu licença para passar ao corredor, pois sua parada estava por chegar.

A tristeza, mesmo que instantaneamente, passou.

Ela não sabia o nome do sujeito.

Talvez nunca mais tornasse a vê-lo.

Mas, a partir daquele instante, aquele dia, de alguma forma, mudara.

Passou do cinza para um tímido colorido.

Beatriz percebeu que ainda estava viva.