terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma pichação que é o triste retrato do Inter atual


Trata-se de uma pichação que, dentre outras frases, destaca o pedido de "Fora Fernandão".

A minha tristeza não é tanto pela manifestação em si.

Torcedor insatisfeito protesta mesmo, e não vou me deter aqui em condenar diretamente quem pichou o "Fora Fernandão" num muro, embora discorde frontalmente de tal comportamento.

A questão é mais profunda.

É emblemática de uma gestão desastrosa que tem se especializado em jogar grandes ídolos na fogueira.

Primeiro foi Falcão, demitido por apenas falar a verdade (que o time era insuficiente para conquistar o Brasileirão 2011), quando seu trabalho começava a apresentar resultados, ainda que tímidos.

Agora, é Fernandão, atirado ao posto de técnico de um elenco fraco, bagunçado, sem nenhum tipo de comando por parte da direção de futebol.

"A pergunta que fica é: o insuficiente executivo de futebol Fernandão poderá ser um grande treinador para o Inter? Torço fervorosamente para que sim. Poder de mobilização e conhecimento tático ele tem. Mas é uma aposta bastante arriscada. Para o Internacional e talvez principalmente para ele mesmo."

O parágrafo acima eu escrevi em 21 de julho deste ano, logo após o anúncio de Fernandão (http://dilemascotidianos.blogspot.com.br/2012/07/tchau-tchau-dorival.html).

Notem, portanto, que não estou sendo oportunista quando digo o que estou dizendo.

É verdade que Fernandão também tem grande parcela de culpa na montagem deste elenco fraco, pois ele era dirigente até pouco tempo atrás.

Mas a forma como os atuais dirigentes colorados expõem os maiores ídolos da história do clube é caso para estudo.

Isso que nem estou falando de jogadores ainda em atividade que são bandeiras históricas, como por exemplo Bolívar, capitão do Bicampeonato da América, que deveria hoje apenas figurar em pôsteres e quadros no Beira-Rio, e não se arrastando constrangedoramente dentro das quatro linhas.

A torcida age por instinto, por paixão, pelo muitas vezes irracional sentimento liberado num momento de pura raiva e insatisfação.

O que surpreende é o Internacional ter, há dois anos, dirigentes sem o mínimo preparo e responsabilidade para lidar com esse tipo de coisa.

Fernandão não é um Joel Santana, não para o Inter.

Falcão não é um Zé Mário, não para o Inter.

São mais do que meros profissionais do futebol.

São símbolos, são ícones.

Mas, sem respaldo e competência acima, e sem qualidade abaixo, nada farão a não ser manchar suas imagens num clube que deveria, acima de qualquer coisa, preservá-las.

No reino de inaptidão que se tornou o Inter, fórmulas mágicas são adotadas como solução.

O grande problema é que o pensamento mágico, por vezes, se transforma em maldição.

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