quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O STJD e o benefício ao infrator

O STJD decidiu deixar os pontos da partida entre Inter e Palmeiras em suspenso.

O jogo, até que o julgamento do caso Barcos seja realizado, não valeu.

Os pontos conquistados pelo Colorado dentro de campo, assim, não podem ser computados.

Engraçado é que as suspensões dos jogadores do Inter continuam valendo.

Do jogo, o que "beneficiaria" o Inter não vale.

O que prejudica, vale.

É o fim da picada e o ápice absoluto da perda de vergonha e dignidade por parte da instituição Palmeiras.

Age como clubeco de fundo de quintal implorando por migalhas.

O jogo, vejam bem, pode ser suspenso tão somente por uma atitude antidesportiva e mau-caráter do camisa 9 do Verdão (ou seria Verdinho?).

Se o pirata, autor de um gol pirata, não tivesse colocado a mão naquela bola, nada do que supostamente aconteceu teria acontecido.

A suspensão do jogo e possibilidade de anulação do mesmo beneficiam o infrator.

Barcos cometeu uma irregularidade.

E o Palmeiras, despudoradamente, utiliza-se desta irregularidade para pedir uma nova partida.

O árbitro acertou ao anular o gol.

O erro de um jogador do Palmeiras e o acerto do árbitro somam-se para beneficiar o clube virtualmente rebaixado.

É surreal!

Que se puna o juiz, se for o caso, pois foi ele que fez toda esta lambança ao demorar meio século para anular um gol escandalosamente irregular.

O Inter não tem nada a ver com a incompetência do árbitro, nem com o mau-caratismo de Barcos.

Dar ao Palmeiras o direito de jogar outra vez uma partida que perdeu, porque o seu centroavante fez um gol de mão que foi corretamente invalidado, seria um insulto à ética desportiva, ao bom senso e à inteligência daqueles que possuem mais de dois neurônios.

Parece um conto kafkiano.

Mas é o futebol brasileiro.... 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Efeito dominó

Lisandra decepcionou Jéfferson, que acreditava no amor.

Jéfferson, descrente no amor, decepcionou Patrícia, que acreditava no amor.

Patrícia, descrente no amor, decepcionou Pedro, que acreditava no amor.

Pedro, descrente no amor, decepcionou Ana, que acreditava no amor.

Ana, descrente no amor, decepcionou Vitor, que acreditava no amor.

Vitor, descrente no amor, decepcionou Cecília, que acreditava no amor.

Cecília, descrente no amor, decepcionou Leandro, que acreditava no amor.

Leandro, descrente no amor, decepcionou Zuleika, que acreditava no amor.

Zuleika, descrente no amor, decepcionou Fernando, que acreditava no amor.

Fernando, descrente no amor, decepcionou Lisandra, que acreditava no amor.

Quando a descrença vence, todos, de uma forma ou de outra, saem derrotados. 

Portanto, ame.

Seja tolo.

Seja bobo.

Seja burro.

Seja um idiota.

Seja irresponsável.

Seja sonhador.

Mas não desista, não desacredite jamais.

A dúvida sobre a vitória sempre será preferível à certeza da derrota... 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Blooooorgh!

O marido vomita no banheiro, observado pela esposa:

- Bloooooorgh!
- Alguma coisa te fez mal, João!
- Bloooooooorgh!
- Acho que foi aquela lasanha...
- Blooooorgh!
- É... tenho quase certeza...
- Bloooooorgh!
- Mas você também abusou! Comeu três pedaços!
- Bloooooooooorgh!
- Tem que aprender a se controlar, João!
- Blooooorgh!
- Tá me ouvindo?
- Blooooorgh!
- Ah, te larguei de mão! 
- Blooooorgh!
- Você nunca presta atenção no que eu digo!
- Bloooooooorgh!
- Por quê, hein?
- Bloooooooorgh!
- Responda!
- Blooooooooorgh! 

domingo, 28 de outubro de 2012

O Palmeiras e a reclamação do acerto da arbitragem

O Palmeiras fez um gol ilegal, ontem, no Beira-Rio.

Até Stevie Wonder veria aquela mão do Barcos.

A arbitragem anulou, corretamente.

O alviverde reclama que um repórter avisou sobre a irregularidade.

E, por isso, quer a anulação do jogo.

Ao invés de baixar a cabeça e trabalhar, o Palmeiras prefere reclamar de um acerto da arbitragem.

Reclamação pós-moderna.

É por essas e outras que será rebaixado mais uma vez.

Não deixa de ser melancólico observar um clube tão grande se rebaixar duas vezes, na tabela e na mesquinharia extra-campo.

O Palmeiras perdeu o jogo.

Mas não precisava perder a dignidade. 

sábado, 27 de outubro de 2012

Carpinejar fala sobre venda de virgindade

- Amigos do DC, estamos aqui mais uma vez com o Carpinejar, que hoje vai falar um pouco sobre a brasileira que vendeu a virgindade. Carpinejar, o que você acha desse tipo de ideia?
- Vender. Venda. Castelo de areia que se desmancha. Grito que não se propaga. Chama que não se acende. Falta de ar. Ar, que é um sussurro perdido em meio à floresta.
- Sim... Não deixa de ser um leilão bastante curioso, né?
- Leilão. Leila que tomou anabolizante. Leilinha. Linha. Telefone. Chamada não atendida. Ocupado. Que é o disponível que se esqueceu de se disponibilizar. 
- Uhum... E acabou sendo um japonês o sujeito que comprou a primeira vez da moça...
- Japonês. Japão. Haja pão. Cacetinho. Que é o baguete que saiu da piscina. Fome que bate no meio da tarde. Estômago canalha. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Como uma lambida em um sorvete napolitano.
- Ok... Bom... Mais uma vez, valeu pela contribuição, Carpinejar!
- Valeu. Valer. Validade. Lasanha vencida. Dor de estômago que desperta no meio da noite. Âmago do amanhecer. Manhã, que é a noite que bateu o ponto e foi embora.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Pedido de casamento

- Renata... Te chamei pra jantar hoje por um motivo especial...
- Hum... Fale, Vitor!
- É o seguinte... Estive pensando muito... E... Bom... Eu gostaria de te pedir em casamento.
- Mesmo?
- Sim! Aceita casar comigo?
- Aiii, amor! Que aliança linda! Que gesto lindo! Eu aceito! Claro que aceito!
- Nossa! Tô muito feliz!
- Eu também!
- Te amo, sabia?
- Também te amo, meu bem!
- Bom... Agora vamos pedir alguma coisa pra comer, então...
- Isso... O que você sugere?
- Eles têm um risoto maravilhoso...
- Risoto? Você gosta de risoto?
- Gosto... Acho um prato delicioso.
- Pois é... Eu não gosto. 
- Hum...
- Você devia me conhecer melhor! Estou decepcionada!
- Atitudes como essa também me decepcionam.
- Então tá...
- Pois é!
- Melhor não nos vermos mais. Tá tudo acabado.
- Isso! É melhor assim, mesmo!
- É...
- Ai, amor... Me perdoa... Volta pra mim... Por favor...
- Será que você vai mudar de verdade? Do jeito que tava... Não dá...
- Tudo bem, querida! Vou mudar, sim! Prometo!
- Bom... Então tá... Você sabe que nunca deixei de te amar.
- Nem eu, benzinho!
- Que bom que estamos juntos de novo.
- Que ótimo...
- Hum...
- O que foi?
- Pensa que eu não tô vendo?
- Vendo o quê?
- Que você não para de olhar para a biscate da mesa ao lado!
- Nossa, que bobagem!
- Bobagem! Meus sentimentos são bobagem pra você?
- Ciúme bobo! Você me sufoca, sabia?
- Te sufoco, é?
- Sim! É difícil aguentar isso!
- Então tá!
- Tudo terminado!
- Ok! Não quero mais te ver!
- É... Bom... Ah, meu amor... Deixa de bobagem! Você é única! Volta pra mim, volta?
- Não sei se devo...
- Olha tudo o que nós já vivemos!
- Pois é... Mas você é muito mulherengo...
- Te amo, querida! Você sabe disso!
- Sim... Eu também te amo!
- Então... Vamos reconstruir nosso casamento...
- Tudo bem... Vou dar esse voto de confiança...
- Obrigado!
- O amor tem que vencer.
- Sabe, meu bem... Não leve a mal... Mas você não acha que exagerou um pouco no blush?
- Tá me achando feia?
- Não, não é isso!
- Tá me achando com cara de palhaça?
- Não, claro que não! 
- Tá sim! Seu grosso! Eu sabia que não iria dar certo! Não aguento mais suas grosserias! Pra elogiar você nunca está pronto! São só críticas, e críticas, e mais críticas! Não aguento mais! Tome a porcaria da aliança! Vou embora!
- Isso! Vai mesmo! Nossa relação foi um grande erro! Eu vou ficar aqui! E vou comer o risoto! Porque o risoto daqui é uma delícia! Uma delícia!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Breve instante de lucidez

É meio-dia em ponto.

Está infernalmente quente na rua.

João Pedro está suando em bicas.

Os raios do sol assam com crueldade a já castigada pele do seu rosto.

Corre contra o tempo.

Corre pelo pão na boca do filho.

Animais e pessoas são, neste instante turvo, a mesma coisa em sua cabeça.

Está cansado, de corpo e alma.

Mas prossegue, pelo simples fato de que tem de prosseguir.

Num instante em que ele para com o intuito de tomar um ar e apoiar a mão numa parede qualquer, no entanto, eis que surge uma crua e indigesta constatação em frente aos seus olhos. 

Observa no interior do restaurante, ao qual pertencia a parede na qual estava apoiado, cerca de cinco executivos almoçando, sentados à mesma mesa com seus ternos, gravatas, cabelos metodicamente agrisalhados e sorrisos típicos de jogadores de golfe de fim de semana.

O sangue sobe à cabeça, a visão enegrece de vez, e uma incômoda perturbação toma de assalto o seu ser.

É em reuniões amenas como aquelas que decidem sua vida, seu destino, algumas de suas maiores dores e mágoas, e quantos litros de sangue e suor terá de dar em troca de mililitros de água e algumas migalhas.

Ele é tão somente um pedacinho microscópico do gráfico na tela de um tablet.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Barbeiro

Um Corsa branco e um Golf vermelho colidem numa avenida movimentada:

- Barbeiro!- gritou o motorista do Corsa.
-Do que você me chamou?- retrucou o homem do Golf.
- Barbeiro! Você é um barbeiro!- reiterou o primeiro.

Ofendido, o homem do Golf saiu do seu carro. Caminhou em direção ao Corsa e, num ato de fúria e descontrole, assassinou o seu agressor verbal. Passando a lâmina de barbear em seu pescoço.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma pichação que é o triste retrato do Inter atual


Trata-se de uma pichação que, dentre outras frases, destaca o pedido de "Fora Fernandão".

A minha tristeza não é tanto pela manifestação em si.

Torcedor insatisfeito protesta mesmo, e não vou me deter aqui em condenar diretamente quem pichou o "Fora Fernandão" num muro, embora discorde frontalmente de tal comportamento.

A questão é mais profunda.

É emblemática de uma gestão desastrosa que tem se especializado em jogar grandes ídolos na fogueira.

Primeiro foi Falcão, demitido por apenas falar a verdade (que o time era insuficiente para conquistar o Brasileirão 2011), quando seu trabalho começava a apresentar resultados, ainda que tímidos.

Agora, é Fernandão, atirado ao posto de técnico de um elenco fraco, bagunçado, sem nenhum tipo de comando por parte da direção de futebol.

"A pergunta que fica é: o insuficiente executivo de futebol Fernandão poderá ser um grande treinador para o Inter? Torço fervorosamente para que sim. Poder de mobilização e conhecimento tático ele tem. Mas é uma aposta bastante arriscada. Para o Internacional e talvez principalmente para ele mesmo."

O parágrafo acima eu escrevi em 21 de julho deste ano, logo após o anúncio de Fernandão (http://dilemascotidianos.blogspot.com.br/2012/07/tchau-tchau-dorival.html).

Notem, portanto, que não estou sendo oportunista quando digo o que estou dizendo.

É verdade que Fernandão também tem grande parcela de culpa na montagem deste elenco fraco, pois ele era dirigente até pouco tempo atrás.

Mas a forma como os atuais dirigentes colorados expõem os maiores ídolos da história do clube é caso para estudo.

Isso que nem estou falando de jogadores ainda em atividade que são bandeiras históricas, como por exemplo Bolívar, capitão do Bicampeonato da América, que deveria hoje apenas figurar em pôsteres e quadros no Beira-Rio, e não se arrastando constrangedoramente dentro das quatro linhas.

A torcida age por instinto, por paixão, pelo muitas vezes irracional sentimento liberado num momento de pura raiva e insatisfação.

O que surpreende é o Internacional ter, há dois anos, dirigentes sem o mínimo preparo e responsabilidade para lidar com esse tipo de coisa.

Fernandão não é um Joel Santana, não para o Inter.

Falcão não é um Zé Mário, não para o Inter.

São mais do que meros profissionais do futebol.

São símbolos, são ícones.

Mas, sem respaldo e competência acima, e sem qualidade abaixo, nada farão a não ser manchar suas imagens num clube que deveria, acima de qualquer coisa, preservá-las.

No reino de inaptidão que se tornou o Inter, fórmulas mágicas são adotadas como solução.

O grande problema é que o pensamento mágico, por vezes, se transforma em maldição.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Amanhecer da saudade

O dia amanhece em minha janela.
Com ele, amanhece minha saudade.
Durante a noite, sonho com nossa proximidade.
Mas o sol chega para recordar a distância.

Não há tratamento para este aperto no peito.
O bem querer e o simplesmente querer combinam-se para me machucar.
É seu sorriso, são as coisas que você me fala, sou eu completamente perdido em frente ao espelho.
É dor que se mede em quilômetros.

A inquietação me invade.
De nada adianta chorar e sonhar.
Mas choro mesmo assim.
Mas sonho mesmo assim.

Os dias se demoram na espera de um dia que não sei qual é.
É cedo demais, mas já está ficando tarde.
O tanto que tenho a lhe dizer está guardado numa gaveta, apesar de tudo que já foi dito.
Minha linda menina, meu nome é saudade: estou, silenciosamente, beijando seus lábios neste momento. 

domingo, 21 de outubro de 2012

Pricasso

Leio no G1 notícia sobre a participação de um artista australiano que usa o pênis como pincel numa feira erótica na Alemanha (http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2012/10/artista-que-usa-penis-como-pincel-participa-de-feira-erotica-na-alemanha.html).

O nome do rapaz é Tim Patch.

Ele é conhecido como Pricasso.

Tem o pênis como objeto profissional, mais até do que atores de filmes pornôs.

Consta, inclusive, que Kid Bengala quer entrar no mesmo ramo.

Pretende bater um recorde.

Vai grafitar a muralha da China...


Esta nova profissão deve dar uma trabalheira danada.

Para o tal do Pricasso, Viagra é investimento na carreira.

O problema é que à noite, se ele é casado, deve ter sérios problemas para manter o fôlego.

Sabe como é...

O pincel vira brocha.

Coitada da esposa...

Quer dizer...

"Coitada" é o que menos ela deve ser...

Pelo menos dentro de casa...

sábado, 20 de outubro de 2012

Presente de aniversário

- Cecília, meu amor, tá aqui o seu presente de aniversário!
- Ai, meu bem... Não precisava... Poxa vida, Hugo...
- Precisava sim! Abre logo!
- Já tô abrindo...
- E aí? O que achou?
- Er... Um... Um jogo de chaves de fenda...
- Olha que legal... Grandes, pequenas, philips...
- Hehehe...
- Ué, amor? Você não gostou?
- Não, nem se preocupa, meu bem...
- Não gostou, né?
- Gostei... Gostei sim...
- Tô vendo nos seus olhinhos que não gostou... Você queria outra coisa?
- Não... É que você lembra daquele dia... Na loja...
- Não, não lembro!
- Ai... Deixa pra lá!
- Fala, amor! Pode falar!
- Naquela loja... Você não lembra que eu fiquei louca por aquela... 
- Pelo quê?
- Esqueceu que fiquei fascinada por aquela... Por aquela... Por aquela furadeira?
- Poxa, meu bem! Verdade! Como é que eu não me toquei disso! Isso é imperdoável! Sou um insensível, mesmo! Me perdoa, meu bem... Por favor, me perdoa...
- Tudo bem, amor... Tudo bem... 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Carpinejar fala sobre o último capítulo de "Avenida Brasil"

- Olá, amigos do DC! Estamos mais uma vez aqui com o Carpinejar, que hoje vai falar sobre suas expectativas sobre o último capítulo de "Avenida Brasil". Carpinejar, primeiramente, a grande questão: quem você acha que matou Max?
- Max. Máximo. Que é o mínimo com fermento. Matar. Que não é morrer. É um leve vôo sobre um milharal. Doença crônica. Atitude impensada. Impensado, que é aquilo que foi pensado sem responsabilidade.
- Sim... E todas essas reviravoltas, hein? É uma novela em que todos têm um quê de mau-caratismo, você não acha?
- Novela. Novelo. Lã que me aquece. Risada inocente e desavergonhada. Anoitecer tomado de uma feminina vontade de carinho e mordidas na orelha. 
- Ahã... A Nina, por exemplo... Fez de tudo pela sua vingança... Há quem ache que ela extrapolou...
- Vingança. Erupção de orgulhos feridos. Ferida. Pele arrepiada. Lâmina que acaricia o rosto. Carícia canalha. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Como um doce gole de chocolate quente que desce queimando minha garganta.
- Certo... E a Carminha, hein? Que desfecho você acha que está reservado para ela?
- Carminha. Car. Minha. Carro. Que não é meu. Táxi. Bandeira dois. Que é a bandeira um que resolveu se valorizar, sair por aí, arrasar o que tiver pela frente. Dois. Que é o um que teve irmão gêmeo. Mas não é onze.
- Er... Ok, então... Bom... Obrigado, mais uma vez. Tchau, Carpinejar!
- Tchau. Que não é oi. Nem oi oi oi. Congele-me agora. Sou filhote de cruz-credo. Mas não me importo. E sempre falo disso porque não me importo. Sou feio. Que é o bonito que vestiu seu rosto do avesso.            

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Telefonema

O telefone toca na casa de Bernardo:

- Alô.
- Alô. É o senhor Bernardo Lima?
- Sim. É ele mesmo.
- Tudo bem com você, senhor Bernardo?
- Sim, sim. Tudo bem...
- Ah, que bom, então. Tenha um bom dia.
- Er... Tá... Bom dia...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Socorro

- Socoooorro! Socoooorroooo! Aaaaaaah! Soooocooooorro! Socorro! Pelo amor de Deus! Socoooooorrooo! Socoooorroo! Socoooooorro! Socoooorroooooo! Aaaaah! Aaaaaaaaah! Pelo amor de Deeeus! Socooooorroooo!
- Pois não, dona Valquíria?
- Socorro, meu banho de sais e pétalas de rosas já está pronto?
- Sim, senhora. Já está tudo prontinho.
- Ok, muito obrigada.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Discussão na volta para casa

Um casal discutindo no carro:

- Você acha que eu não vi, é, Gilmar?
- Não tô entendendo essa sua neura.
- Eu vi, sim! Você não parava de olhar para aquela piranha!
- É impressão sua, Virgínia!
- Não é não! Eu vi!
- Nada a ver!
- Você jura que não tava olhando aquela piranha?
- Que bobagem! Não vou jurar nada!
- Tem culpa no cartório!
- Não seja ridícula!
- Olhou sim! É só assumir! Olhou um monte para aquela piranha, sim, senhor! O que custa assumir?
- Ai, meu Deus... Dei só uma olhadinha!
- Viu só?
- Mas qual é o problema?
- Nada, nada... Você que sabe...
- Mas, amor! Aquela piranha estava empalhada! Não consigo ver nada demais nisso! Você ficou encantada com aquele tucano empalhado e eu nem falei nada!
- Vai querer desviar o foco agora, é? Já era de se esperar... É uma atitude bem típica...
- Mas... Mas... 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Carpinejar fala sobre o Dia do Professor

- Amigos do DC, estamos mais uma vez recebendo o Carpinejar, que hoje vai falar desse dia tão especial e importante: o Dia do Professor. Carpinejar, o que significa o Dia do Professor para você?
- Dia. Professor. Dia, que é a noite que resolveu acordar. Professor. Profecia. Proficiência. Paroxítona. Ave fora da gaiola. Lã que se solta com o vento. Vento, que é o sopro de um deus que faz aniversário. Velinha. Bolo. Velhinho. Que é o jovem que já viveu bastante. Bastante. Que é o pouco que se tornou fartura.
- Uhum... E quais são as lembranças que você tem dos seus professores dos tempos de colégio?
- Tempo. Relógio. Ampulheta. Bússola implacável que desorienta o ser. Pele morena que se arrepia com o roçar de um lábio carnudo. Carne. Chuleta.
- Ok... E tinha alguma aula que você preferia? 
- Aula. Preferir. Periferia. Sonho que se esvai. Português. Porto. Navio que parte no horizonte. História. Que é a ficção que decidiu acontecer. Sentimento canalha. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Como uma lambida sapeca que ouriça o corpo e a alma. Erotismo que se sente no ar. Brasileirinhas.
- Hum... Er... Bom... Muito obrigado, Carpinejar, até a próxima.
- Próxima. Proximidade. Distância que se encurtou. Doce de leite na colher. Fuga. Que é a permanência que se revoltou e saiu porta afora.

sábado, 13 de outubro de 2012

Inter sem direção

Queria muito que o título acima fosse apenas uma metáfora.

Mas não é.

O Inter está, literalmente, sem direção.

O time que perdeu de forma ridícula ontem é reflexo de uma direção para a qual o adjetivo "lamentável" beira o elogio.

Giovanni Luigi fracassa rotundamente na função de Presidente do clube.

Não tem competência nem estofo para exercer tão importante função.

Assumiu um clube protagonista no futebol brasileiro e sul-americano e o transformou numa máquina de fazer fiascos.

O despreparado Luigi colocou despreparados no comando do futebol do clube.

O Inter tem sido pródigo, nos dois últimos anos, em ter vices de futebol que nada entendem de futebol.

Nem falo dos lamentáveis episódios da reforma do Beira-Rio, que expuseram o clube a vexames em nível nacional.

Luigi é fraco.

Fraco como o Inter que ele montou.

Não tapemos o sol com a peneira.

O elenco colorado é fraco, sim.

Coloquemos, de uma vez por todas, no lixo a farsa de que o grupo de jogadores do Internacional é forte.

Não é.

Que elenco forte é esse que tem Nei como titular e Ratinho como seu reserva?

Que elenco forte é esse que tem em Élton e Josimar alternativas das mais importantes para a sua volância?

Que elenco forte é esse que joga na fogueira zagueiros ainda jovens e tem de apelar, sim e sim, a senhores que mal conseguem andar?
  
Não há pulso no Inter.

Sem dirigentes capazes de se impor, alguns atletas mandam e desmandam.

Bolívar só fica no banco se quiser.

Trabalha quando está a fim e recebe todo final de mês um salário que não é nada baixo.

Que emprego!

Kléber, com seu inseparável chiclete, engana de vez em quando e, como prêmio por tanto desleixo, encaminha renovação de contrato.

Não há preparo físico.

Lesões musculares se acumulam de maneira constrangedora.

No comando técnico, um neófito.

Ídolo, sim.

Esforçado, sim.

Treinador, ainda não.

Não há alento nenhum para este momento.

O ano acabou de uma vez por todas para o Colorado.

Da forma mais melancólica possível.

Que chegue logo 2013.

Que o Inter se recicle, de cima a baixo.

Que Luigi volte para a rodoviária.

E que gente bem mais competente assuma este clube.

A torcida colorada não merece mais dois anos com pessoas tão incompetentes e despreparadas levando o Internacional, a galope, de volta aos anos 90.

10 coisas mais divertidas que Zorra Total

1. Cortar as unhas.

2. Assistir à grama crescendo.

3. Ouvir um cd do Ivan Lins.

4. Micose.

5. Cauterização.

6. Baile da saudade.

7. Passar margarina no pão.

8. Tirar a segunda via da carteira de identidade.

9. Montar um quebra-cabeças do Kinder Ovo.

10. Levar o lixo para a rua.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Carpinejar fala sobre o dia das crianças

- Amigos do DC, estamos aqui mais uma vez com o Carpinejar, que hoje vai falar sobre o dia das crianças. Carpinejar, o que significa o dia das crianças pra você?
- Dia. Crianças. Significado daquilo que será e ainda não foi. Agridoce busca de uma gota de chuva. Verão, primavera, outono e inverno. Inferno. Que é o céu que desabou sobre nossas cabeças.
- Quais são as principais recordações que você tem dessa época?
- Recordações. Recordar. Record. Bispo Macedo. A Fazenda. Hábito interiorano. Amostra grátis, pedaço de morango. Sim e não. Que não são talvez.
- Lembro-me vivamente dos desenhos, como "O Pimentinha", além dos seriados japoneses, Jiraiya, Jaspion, Spielvan, Jiban... O que você gostava de ver na televisão na sua infância?
- Televisão. Caixa de sonhos. Sonhos que são o oposto dos pesadelos. Carícia felpuda roçando em minhas costas. Tesão canalha. Canalha, que não é cafajeste. É canalha. Como uma mordida sutil em uma nuca cuja pele se encontra arrepiada.
- Nossa... E quais eram as suas brincadeiras favoritas?
- Brincar. Brincadeira. É a seriedade que resolveu sorrir. Sorriso, que é a carranca que resolveu se destacar.  Dentes brancos. Branco. Leite. Que é o café que levou um susto.
- Ok, Carpinejar... Muito obrigado mais uma vez, e feliz dia das crianças para todos.
- Obrigado. Que é o facultativo disciplinado. Compulsório. Pulso. Pressão alta. Coração que se arrebenta em deleite. Dia que amanhece preguiçoso. Sol tímido.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Declaração

Numa terça-feira pela manhã, Fernando aborda Catarina, sua colega de trabalho, no corredor do escritório. Queria falar de seus sentimentos:

- Catarina, estou precisando falar com você...
- Opa, pode falar, Fernando!
- Bom... É o seguinte... Não é fácil para mim dizer uma coisa dessas... Mas preciso dizer, porque não aguento mais. Parece que vou explodir... Nem sei direito por onde começar... Mas o fato é que estou gostando de você. Acho que nunca senti algo parecido por ninguém. Penso em você o tempo todo. Sinto vontade de estar sempre perto de você... E, quando eu te vejo, parece que o meu coração vai sair pela boca. Não tem sido nada fácil... Essa noite eu praticamente não dormi... Sei lá... Eu faria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, para estar contigo...
- Hum... Hahahahahahahahahahaha! Você é ótimo, mesmo! Cheguei até a pensar que iria me dizer algo sério! Você tem umas tiradas sensacionais, Fernando! É um palhaço, mesmo!
- Hehe... Sou, né?
- Hahahahahaha, demais, demais!

E Fernando, assim, ficou ali, estático. Sorrindo por fora. Sangrando por dentro.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Assalto à banca

- Mãos ao alto, tiazinha, isso aqui é um assalto, ok?
- Calma, calma, rapazinho... Já vou pegar o dinheiro aqui... Calma...
- Que dinheiro o que, dona? Vai pegando os envelopes das figurinhas do Brasileirão!
- Hein?
- Tá surda, é, dona? Tá a fim de levar pipoco, é? Os envelopes, pode ir abrindo!
- Tá bom, tá bom!
- Dá aqui, dá aqui... Gladiador eu já tenho... Neymar eu já tenho... Luan eu já tenho... Ei, a senhora tá de palhaçada, é, tia? Olha que eu resolvo agora mesmo, hein?
- Calma, moço! Não posso adivinhar o que tem dentro dos envelopes!
- Dátolo... Esse eu não tenho. Souza do Bahia... É... Também não tenho... Porra! Emerson Sheik? Já tenho trocentos desses! E ninguém nunca quer trocar! Todo mundo já tem essa porcaria!
- Calma, moço!
- Vai abrindo mais rápido, não tenho o dia inteiro!
- Tô abrindo, tô abrindo!
- Ah, o símbolo do São Paulo! A-do-ro!
- Ui.
- Ei, qual é que é? Tá tirando onda? É que ainda não tenho! E sou corinthiano! Aqui é Curintia!
- Desculpa, desculpa...
- Porra! Outro Neymar? A senhora não tem medo de morrer, não?
- Calma, moço! Eu já disse que não posso adivinhar.
- E esse pacote aqui? Por que só tem uma? 
- Não sei, moço... Calma!
- Ah, é o Adriano Imperador... Só cabe ele...
- Pois é! 
- Alecsandro... Beleza, não tenho... Juninho Pern... Ih... Sujou, polícia! Ó, pega aqui essa folha que tem anotadas todas as figurinhas que estão me faltando. Amanhã eu volto pra buscar. E bico calado, hein? Bico calado!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cena do crime

Lá estava a vitrine da loja, cheia de sangue.

Em sua frente, um homem morto, baleado na cabeça.

Uma multidão de curiosos se amontoava para ter a melhor visão daquele cenário macabro.

Márcia, que passava pela rua, parou.

Semicerrou os olhos, atônita.

Não acreditava estar vendo aquilo.

O raciocínio falhava, e ela apenas empurrava quem houvesse à sua frente.

Ensanduichava-se por entre as pessoas.

Espremia-se para se aproximar.

À medida que chegava perto, seus olhos enchiam-se de lágrimas.

A dúvida, agora, era certeza.

O par de sapatos que ela desejava há meses estava em promoção...

domingo, 7 de outubro de 2012

DC extra: Vitória de Fortunati: reflexo da mediocridade de um cenário desolador

Fortunati fez uma gestão não mais do que medíocre.

Levou a eleição com mais de 60% dos votos.

A pergunta que me faço é: a Porto Alegre que outrora se gabou de sua politização diferenciada mergulhou em tal mediocridade, direcionando, assim, as campanhas a uma pobreza franciscana do ponto de vista do conteúdo e do debate político?

Ou foi, pelo contrário, a campanha um imenso mar de mediocridade que não ofereceu opções programáticas decentes e viáveis para a população?

Qual a relação de causa e efeito estabelecida neste cenário?

Minha tendência pessoal é de acreditar na segunda opção, embora deva ressalvar que não seja daqueles que se iludem com uma politização diferenciada dos porto-alegrenses que beira à mitologia.

Nesse sentido, atrevo-me a dizer que o resultado de hoje configurou-se, sim, como reflexo de uma campanha que foi, o tempo todo, incolor, insípida e inodora por parte das candidaturas mais estruturadas e melhor posicionadas nos levantamentos de opinião pública.

Apenas o PSOL e o PSTU politizaram a campanha.

Por um viés de direita, há de se ressaltar, Wambert também trouxe conteúdo político ao cenário.

Jocelin Azambuja não passava de um candidato folclórico, um tiozinho porra-louca apaixonado por frases de impacto.

Os demais, que tinham uma responsabilidade eleitoral mais efetiva, em nenhum momento conseguiram traduzir um viés programático e ideológico em suas campanhas.

A candidatura de Villaverde, pelo PT, serviu apenas para demarcar território.

E o fez muito mal, diga-se de passagem.

O PT foi raquítico e melancólico neste pleito.

Deixava na cara que o próprio partido não acreditava em seu candidato.

Sobrou, então, Manuela D'ávila.

Até pelo modelo de alianças adotado, capaz de abraçar sem sequer um ensaio de rubor facial a conservadoríssima Ana Amélia Lemos, a candidatura do PC do B foi absurdamente despolitizada.

A plataforma de Manuela limitou-se a um viés, ao mesmo tempo, personalista e tecnocrático.

Fortunati, com isso, como apenas necessitava manter uma condição que já lhe era favorável, e sem ter de enfrentar um combate minimamente ríspido, só fez crescer sua campanha junto ao eleitorado.

Em nenhum momento, mesmo com a derrocada iminente, Manuela partiu para o enfrentamento direto.

Criou-se na política gaúcha, após principalmente a vitória de Rigotto para o governo estadual em 2002, uma lenda de que a política não deve se pautar por enfrentamentos.

Estabelecer embate político é feio e papai do céu não gosta.

Desde então, é coraçãozinho pra lá, bonequinha pra cá, mãozinhas dadas acolá, e nada, absolutamente nada, de conteúdo político.

Neste jogo de vazio político, Fortunati levou ampla vantagem.

Manuela se viu perdendo este jogo e, ainda assim, não o mudou, muito pelo modelo de alianças absolutamente comprometedoras do ponto de vista programático.

Embretada, teve de agradar a todo mundo sem conseguir, efetivamente, agradar a ninguém.

A politização da campanha, talvez, custasse um preço que a candidata do PC do B não estivesse disposta a pagar.

Fortunati venceu com maioria constrangedora para seus adversários.

A tática da bundamolice não se presta a ser transformadora.

Se a esquerda quiser ressurgir na capital gaúcha, terá que voltar a jogar o jogo que sabe jogar: o jogo programático, político, e não o do marketing vazio que lhe dissolve no mar da mesmice.

É um diagnóstico duro, mas, creio eu, realista.

Às vezes é necessário colocar o dedo na ferida para que o pus saia.        

Mesmo que doa um tanto...

A eleição de hoje é um plebiscito sobre Fortunati

A eleição de hoje ganhou status de plebiscito.

É um plebiscito acerca de José Fortunati, o atual prefeito de Porto Alegre.

Você aprova ou não aprova Fortunati?

Faça a si mesmo esta pergunta.

Eu já fiz.

Por isso, votei para evitar sua vitória em primeiro turno.

E votarei para evitar sua vitória num eventual segundo turno.

Tenho inúmeros questionamentos e inquietações acerca da candidatura na qual votei, reconheço.

Critico a política de alianças, o discurso receoso de quem não quer desagradar a ninguém, e a forma um tanto personalista e desprovida de conteúdo propriamente político de conduzir a campanha.

Mas, entre milhões de dúvidas e a certeza daquilo que NÃO quero, fiz a minha escolha.

Sugiro, humildemente, que você, que ainda não votou, pense bem e reflita.

Você está satisfeito com a tomada privada de espaços públicos em Porto Alegre?

Está feliz com o transporte público de lucros altos e qualidade baixa, com as filas nos postos de saúde, com uma política repressiva que criminaliza a liberdade de expressão e manifestação e decide, à força, a hora em que você deve parar de dançar e se divertir, numa espécie de toque de recolher pautado pelo medo e por uma concepção higienista e autoritária de cidade que agride seus cidadãos para defender um tatu inflável da Coca-Cola?

Se você está satisfeito com o estado atual de coisas em Porto Alegre, vá em frente, vote em Fortunati e ajude-o a ganhar no primeiro turno.

Caso contrário, dê uma chance para a dúvida, se for este o caso, e prorrogue a sua decisão.

Pense muito se for necessário.

E vote consciente de que os próximos quatro anos estarão em jogo nas próximas horas.

Boa sorte, e bom voto.

sábado, 6 de outubro de 2012

Fralda

- Ai, gatinha, você é demais!
- Sou mesmo?
- Maravilhosa! Tira a roupa, tira! Quero te ver melhor!
- Ui... Tô tirando, tô tirando...
- Isso! Isso!
- Gostoso!
- Hum... Que marav... Er...
- O que houve?
- Er... O que é isso aí?
- Ah, é uma fralda para adultos.
- Fralda?
- Sim! É que eu sofro de incontinência urinária.
- Hum...
- Mas é muito confortável, tem boa absorção... Ó, olha aqui, ó! Já tá até urinada, olha só! E eu nem percebi!
- Hehe...
- Deve ter sido naquela hora em que estávamos dando aqueles amassos no bar... Bom... Vou ali jogar no lixo e já venho aqui pra gente fazer algo bem gostoso, tá? Acho que pelo menos na próxima hora não vou fazer xixi. Temos tempo!
- Hum... Er... Me desculpa, mas tenho que ir pra casa...
- Ué... Por quê?
- Ah... Esqueci de regar as plantas... Vê só! Hehe...
- Deixa isso pra lá! Fica aqui comigo!
- Desculpa... Desculpa mesmo... Mas aquelas plantas são tudo pra mim... Tenho que ir, mesmo...
- Poxa... Que pena...

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O tatu da discórdia

De um lado, o tatu-bola inflável de uma empresa privada invadindo o espaço público.

Do outro, o público.

O poder público interveio.

Mas não em defesa do público.

O poder público, de cacetete na mão, postou-se como barreira para defender o invasor privado no espaço público.

Contra o público que ocupava o espaço, ora (tatu) bolas, que é seu!

Isaiah Berlin pira.

O poder público, atualmente, só serve para intervir em favor do espaço do privado.

Mesmo que este invada o público.

Tire-se sangue de seres humanos.

Mas que ninguém se atreva a tirar o ar de um tatu-bola da Coca-Cola.

É o triste resumo da Porto Alegre dos últimos anos.

Uma privada pública.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Reencontro

Numa rua do centro da cidade:

- Rapazinho! Você por aqui? Quanto tempo!
- Oi, Tatiana! Verdade! Tempão que não nos vemos, hein? E o restaurante, como vai? 
- Ótimo! O número de clientes só cresce a cada dia! Você tem que ir lá almoçar um dia desses!
- Legal! Vou sim!
- E os filhos? Vão bem?
- Er... Filhos?
- Ué... Você não tem filhos?
- Hum... Não...
- Ora... Você não é o Caio?
- Não, não! Sou o George!
- Ah... Que pena que você não é o Caio... Ficaria muito feliz de ver o Caio... Gosto muito dele... Poxa vida...
- Er... Bom ver você também, Tatiana! Hehehe...
- Tá, tá...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Bial sendo assaltado

- Parado aí, seu Bial! Isso é um assalto!
- Oh, amigo assaltante! Já é noite, descansaremos abraçados a nossos sonhos. Sonhos de uma vida melhor, de um inocente sorriso de criança. Sonhos que se vão, mas voltam, ainda mais fortes. Oh, amigo que agora aponta este revólver para mim, estendo para você minha mão, num gesto fraterno. Sonhemos juntos, pois então! Somos força, mas somos, acima de tudo, doçura. Oh, meu amigo assaltante, não façamos disso um pesadelo! Estaremos fadados à tormenta! Precisamos, isso sim, de mais sol, de mais luz! Sim, mais luz! Melhor iluminação nesta rua que, à noite, constitui-se em trevas! Ah, meu amigo! Estamos em nossa plenitude! Abra os olhos, observe atentamente o bailar dos ratos em busca de alimento e abrigo! Abrigue-se, então, em meu abraço! E, de mãos dadas, construamos um novo mundo!
- Que abraço, que mãos dadas o que, seu? Tá maluco? Passa logo a carteira e o celular se não quer levar uns pipocos! Rápido, rápido!
- Tá bom, tá bom! Tá aqui!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Plano frustrado

Álvaro estava completamente apaixonado por Priscila. Após muito tempo pensando, hesitando, pesando prós e contras, resolveu convidá-la para sair. Já tinha, em sua mente, pronto o diálogo que travaria com a moça quando a encontrasse. Seria assim:

- Oi, Priscila! Que sol, hein?
- Olá, Álvaro! Pois é! Um lindo dia!
- Está muito convidativo pra sair à noite, não acha?
- Verdade!
- O que você acha de sairmos hoje para jantar, então?
- Ah, claro! Vamos sim! A que horas?
- Oito da noite fica bom pra você?
- Ótimo!
- Nos encontramos no Restaurante Bistrô? Você já foi lá?
- Não... Nunca fui... Mas adoraria ir!
- Perfeito! Então até lá!
- Até!

Eis que, então, alguns dias depois, com todos os passos traçados, reforçados e ensaiados em sua cabeça, Álvaro encontra Priscila na rua, disposto a colocar seu cuidadoso plano em prática:

- Oi, Priscila! Que sol, hein?
- Olá, Álvaro! Pois é! Um lindo dia! Pena que parece que vai chover...

Álvaro, então, desistiu. Despediu-se de Priscila e foi embora. Frustrado.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Carpinejar fala sobre cinema

- Amigos do DC, estamos aqui novamente com o Carpinejar, que hoje vai falar conosco sobre cinema. Carpinejar, para iniciar a nossa conversa: qual seu filme favorito?
- Filme. Que não é novela. Duas horas. Às vezes mais. Sussurro longo. Almas reunidas. Ideias partidas num dia de chuva. Mais do que pouco. Menos do que tudo.
- Hum... Bom, e tem algum gênero que você prefira?
- Gênero. Preferência. Escolha guardada numa gaveta de memórias. Pássaros que voam. Vôo, que é a caminhada que se libertou pelo céu.
- Pois é... Eu, particularmente, gosto bastante de drama e também de filmes inteligentes, que façam pensar. Mas uma comédia também é uma boa pedida de vez em quando, para dar uma descontraída, não?
- Comédia. Riso. Que não é choro. É boca que se move na horizontal. Mel amargo. Amargura adocicada. "Hahaha". Que não é "hehehe". Assim como o canalha. Que não é cafajeste. É canalha. Palavra que se degusta lentamente através da boca de uma mulher enlouquecida de paixão. Drama. Que não é para rir. Faz chorar. É a comédia que se esqueceu de fazer graça. 
- Certo... Particularmente sou muito fã da trilogia "O Poderoso Chefão". O que você acha da saga da família Corleone?
- Poderoso. Que é o homem ordinário com poder. Chefão. Que é o subordinado que esqueceu de se subordinar. Família. Junção de pessoas de mesmo sangue. Mesma alma? Nem sempre. Laranjas numa caixa. Caixa de madeira.
- A atuação de Al Pacino é genial, né? Isso sem contar o fantástico Marlon Brando...
- Al Pacino. Al. Al al. Que não é latido. Pacino. Capuccino. Leite. Café. Sabor. Marlon Brando. Ditabranda. Sol que se pôs. Lágrima e loucura. 
- Ok... Bom, muito obrigado mais uma vez, Carpinejar. Até mais!
- Mais. Que é o menos que resolveu mudar. Soma. Amos. Servidos por gênios da lâmpada. Lâmpada, que não é vela. É lâmpada.