terça-feira, 21 de agosto de 2012

Carpinejar

- Opa, e aí, Carpinejar?
- Hey, Marcelo!
- E o nosso Inter, hein?
- É uma lança... Uma ponta aguda que fere. É um doce canalha. Não cafajeste. Canalha. Deliciosamente canalha.
- Pois é... Aqueles três volantes... Sei não...
- Volantes de toque sutil. Maciez palpável. Puxão de cabelo enlouquecido. Volantes que são fúria. Veludo agressivo.
- Ahã... E a vida, como anda?
- A vida é uma chama que lambe meu rosto. Um terço e um rosário. Fé desconfiada. Esquecimento, que é a lembrança que se nega a existir. 
- Hum... E daqui a pouco ainda tem as eleições, né?
- Urna de esperança. Simples glória como a de um beijo roubado à sombra da macieira num fim de tarde de terça-feira. Paixão que se propaga. Nuvem que se dissipa.
- Bom, então tá... Qualquer dia passa lá em casa para comermos uma pizza!
- Pizza. Queijo que derrete como um homem carinhoso entregue ao calor de uma mulher ferozmente enamorada.
- Isso, isso! Tchau, cara!
- Tchau. Que não é adeus. É apenas um sussurro ao pé do ouvido. É o delicado toque de dedos que buscam na pele alheia o seu abrigo, o seu conforto. Tchau, que é o oi que se despede e se vai pelo horizonte.

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