segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Bial passando na roleta do ônibus

- A passagem é dois reais e oitenta cinco, senhor.
- Oh, querido cobrador... Dois e oitenta e cinco! Eis o número cabalístico! É este o número que me levará aos recôncavos da cidade! Irei ao centro! Sim, o centro! Lá, onde tantas almas passeiam perdidas! Lá, onde buscamos nossa mais verdadeira redenção! Lá, onde as pastas, mochilas e bolsas dançam uma dança doce e amarga, com seus objetos, com suas histórias tão ricas e peculiares! Oh, amigo cobrador... Este ônibus, pra lá e pra cá, me levará ao mais lindo dos paraísos. Não há espíritos obscuros nesta condução! Oh, não há! Mesmo os que de pé estão, ajoelham-se em suas mentes, sedentos por mais, sedentos por lugares, sedentos por encontrar um coração que transborde da mais viva vontade de seguir! Ah, meu amigo... Quantas coisas presenciamos por aqui! O bêbado que regurgita ao final da noite! A criança com a passagem escolar logo cedo... Meia passagem, alegria completa de encontrar os coleguinhas, os amiguinhos que fazem essa construção tão maravilhosa e indescritível de uma personalidade humana! Oh, cobrador... Meu coração está aberto! Meu coração neste ônibus se coloca como um inefáv...
- Er, com licença, senhor... O pessoal tá esperando aí atrás pra passar também...
- Er... Tá... Certo... Tá aqui o dinheiro...

2 comentários:

Musica Arte disse...

kkkkk....ri muito da história...a mais pura verdade....

Bruno Mello Souza disse...

Olá!

Obrigado pelo comentário!

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Abraços!