sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Bial no cabeleireiro

- Boa tarde, seu Bial. Veio cortar o cabelo?
- Boa tarde, oh meu amigo cabeleireiro! Estou de volta a esta aventura do corte de cabelo. É um ciclo que se repete. Oh, e como se repete! É cabelo que se corta, é cabelo que cresce, é a vida que flui! Peço a ti, magnânimo amigo, todo o cuidado deste mundo. Um erro pode ser fatal. Confio em suas mãos as minhas madeixas. Confio em suas mãos aquilo que aparento, aquilo que externalizo e irradio no dia a dia, na telinha da tv. Oh, cabeleireiro, corte o meu cabelo. Corte, com ele, um pouco do meu passado. Apare cada canto. Apare as arestas deixadas na minha existência. Penteie em ondas que deliciosamente me afogam na esperança de uma nova e mais perfeita essência grisalha! Pegue o secador, faça evaporar de minha cabeça as gotas d'água e as preocupações deste devir interminável! Com a afiada lâmina, refaça minha suíça, oh, neutralidade que esconde o fervor das opiniões em meu rosto! Oh, amigo cabeleireiro, meu grande irmão que espia cada fiozinho que cresce muitas vezes revoltoso, corte com sutileza e afinco. Atualize, mais uma vez, o cenário que marca meu ciclo capilar, este ciclo sem fim que me guiará à dor e à emoção, pela fé e o amor!
- Certo. E o senhor vai querer o corte de sempre?
- Sim, sim. Corta na frente e pica atrás. 

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