sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A dor do poeta

Aí está você novamente, meu caro poeta, mergulhado na tristeza. 

Poeta, meu amigo, por que escondeu por tanto tempo sua dor? Poeta calado, poeta escondido, poeta esquecido... Por onde você andou esse tempo todo?

Sei que a vida lhe dói. Mas, afinal, a quem ela não dói? Você que tanto amou, você que tanto sentiu, você que tanto chorou, você que às vezes até sorriu, olhe-se no espelho! Ah, meu caro poeta, permita a si mesmo o direito à fraqueza. Você, poeta, que andou dizendo que suas lágrimas haviam secado, diga-me agora: o que é isso que transborda de seus olhos neste momento?

Oh, meu amigo poeta, infelizmente não tenho as respostas que você tanto deseja. Conheço seus sonhos, sei bem do seu amor pelo amor, mas não tenho muito a lhe dizer. Apenas sugiro para o seu próprio bem: não se esconda mais, caríssimo poeta! Por mais que tente disfarçar, sei que pulsa em seu peito a pureza de um singelo sentimento juvenil, vivo, aceso, sem amarras, sem máscaras, sem hipocrisias, sem regras frias e desprezíveis impostas por um mundo que tem nojo dos sentimentos mais belos e nobres.

Ah, poeta, tolo inconfundível, bobo incorrigível, sei que a vida não é fácil. Sei o quanto ela insiste em lhe ferir. Conheço suas frustrações, tenho intimidade com suas mágoas. Poeta dos olhos vermelhos, do rosto molhado, eu sei que você merece ser feliz. Chore mais, chore tanto quanto for necessário. Mas, amigo poeta, antes de partir, permita a si mesmo mais uma chance, mais uma hora, mais um dia. 

Feche os olhos, poeta. Feche os olhos e persista. Feche os olhos e sonhe um pouco mais. Acredite em Deus, na força do amor e da vida, mesmo que por uma fração de segundo. E tenha, então, a certeza de que as lágrimas de hoje estão regando a linda árvore do amanhã.

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