sábado, 7 de julho de 2012

Forlán: uma contratação histórica

Não vou entrar no mérito de avaliar se Diego Forlán é a maior contratação da história do futebol gaúcho, embora acredite nisso. Cada contexto possui especificidades e subjetividades que tornam difícil fazer tal mensuração. Mas uma coisa não pode ser negada: Forlán é uma contratação histórica, diria eu, espetacular.

Em termos de vulto, Ronaldo no Corinthians e Ronaldinho no Flamengo foram contratações de maior impacto. Porém, ambos vieram da Europa após longos períodos de decadência técnica constante, pelo menos quatro anos cada um.

Forlán, por sua vez, chega ao Beira-Rio com o cartaz de craque da última Copa do Mundo, ocorrida há dois anos. Nesta Copa, lembremos, ele foi melhor que jogadores como Messi, Xavi, Iniesta, Sneijder, Casillas, Cristiano Ronaldo, Ribery, Lampard, Rooney... 

Além disso, há um ano, liderou a Celeste Olímpica na conquista da Copa América. É um jogador que, se não chega no seu auge, chega num momento imediatamente posterior ao mesmo, podendo, portanto, atuar ainda em altíssimo nível.

Se não bastassem todos os méritos e feitos de Diego Forlán dentro de campo, fora de campo o Colorado contrata mais do que um jogador de futebol: contrata um cidadão. O capitão da Seleção Uruguaia é um profissional de primeira grandeza, um sujeito esclarecido, com boa formação e boa cabeça. É uma liderança positiva, que só fará bem ao conturbado vestiário do Inter.

Eu, que tanto critico a direção colorada, tenho a obrigação de, agora, elogiá-la. A contratação de Forlán foi um lance de ousadia e de grandeza do Sport Club Internacional. Falta ainda, no mínimo dos mínimos, e com o máximo de benevolência possível, um grande zagueiro. Mas Diego Forlán, por si só, pela sua imagem, pela sua capacidade técnica inquestionável e pela retomada de ânimo que representa, é um reforço extraordinário.

Cabe agora a Dorival Júnior encontrar o melhor espaço para que Forlán atue. Não duvido que o treinador o mantenha longe do gol, assim como já faz com Dagoberto. Não é esta a posição do uruguaio. Ele é o típico ponta-de-lança, podendo ser ou o quarto homem de meio, ou o segundo atacante, preferencialmente. Se D'alessandro permanecer (pela questão do número de bons estrangeiros do elenco, tenho o sentimento de que dessa vez El Cabezón se vai à China), o ficha um para sair da equipe é Dagoberto, que viraria uma opção de luxo. Sem D'ale, acredito numa composição de Forlán com Oscar, municiando Dagoberto e Damião (ou quem vier para o seu lugar) mais à frente.    

Seja na posição que for, ficam duas certezas: (1) o Inter ganha, e muito, com a contratação de Forlán; e (2) preparem-se, porque a cada janela de transferências a nossa querida imprensa esportiva dará "furos" de interesses do São Paulo, do Boca, do Real Madrid, do futebol da China, dos Emirados Árabes e do raio que o parta pelo uruguaio. É assim que as coisas caminham por estas bandas... 

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