terça-feira, 10 de julho de 2012

Entre cervejas e dramas

No bar:

- Ei, moça, pro favor, me traga uma cerveja.
- Não, não. Não temos cerveja.
- Como não? E o que é isso que estão bebendo na mesa da frente? E ali ao lado?
- É cerveja.
- Pois então!
- Sim, mas... Para você, não.
- Como assim? Eu quero uma cerveja!
- Não posso, desculpa.
- Não tô entendendo!
- Você não está vendo sua barriga? Como anda a sua saúde? Não posso deixar você se matar desse jeito!
- Ora bolas! Minha saúde é problema meu! Quero uma cerveja! É um direito que eu tenho!
- Desculpa... Mas não dá!
- Por quê, caramba?
- É que o meu pai... O meu pai... Ele morreu quando eu tinha oito anos... De cirrose... E você se parece muito com ele... Não posso... Não posso fazer isso... Não posso lhe servir cerveja... Não posso... Você... Papai... Não, não posso...
- Nossa... Tá bom, tá bom... Esqueça a bebida... Quero só uma porção de batatas fritas, então.
- Não, não! Não posso!
- Ai, ai, ai...
- Não, pai! Não vou deixar você acabar com a sua saúde com bebida e frituras! Não vou deixar você se matar! Não, papai!
- Moça... Mocinha... Eu não sou seu pai... Você está perturbada...
- O quê? Você não é meu pai? Você e a mamãe me enganaram esse tempo todo? Vocês não tinham esse direito! Não tinham!
- Calma, calma...
- Não pode ser, papai! Não pode ser!
- Bom... Assim não dá... Vou procurar outro bar...
- É assim? Vai me renegar? Vai virar as costas para a sua filha? Mesmo que não tenhamos o mesmo sangue, você não pode fazer isso! Oh, meu Deus! Meu Deus!

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