sábado, 23 de junho de 2012

Fila para o banheiro

Certa feita eu estava numa festa, aguardando minha vez de ir ao banheiro. 

A vontade de urinar era extrema, absurda, e a fila, imensa.

Porém, eu era o próximo, depois de longa espera.

Naquela altura dos acontecimentos, estava até relativamente tranquilo.

Entretanto, um rapaz, logo atrás de mim, passou a me pressionar: "E aí? Não vai mijar?"

Eu respondi: "Sim!"

Ele retrucou: "E então?"

Meio sem entender, como quem responde a uma obviedade, eu disse: "Sim... Estou esperando desocupar as cabines e os mictórios".

Foi então que a coisa começou a ficar surreal.

O rapaz, com a maior naturalidade do mundo, indagou: "E a pia? A pia tá desocupada!"

Fiquei desorientado.

E respondi, em tom de perplexidade: "Tá brincando, né?"

O rapaz voltou a desafiar: "Se você não vai, eu vou".

Dei a vez.

E ele urinou a pia, com a maior cara de paisagem, sem o menor constrangimento, sem uma gota de pudor.

Na minha frente, na frente de todos que estavam naquela fila.

Fiquei incrédulo, estarrecido.

Ah, um detalhe que não posso deixar passar: o banheiro era unissex, ou seja, havia também moças naquela fila, assistindo àquela cena grotesca.

Aquele momento foi, de certa forma, emblemático.

Foi um momento de aprendizado psico-antropológico.

Aprendizado que, como a esmagadora maioria dos aprendizados, trouxe junto de si um bocado de desilusão e ceticismo.

Ali, naquele momento, eu me dei conta de que a vida civilizada não passa de uma utopia.

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