sábado, 30 de junho de 2012

Al Pacino (2)

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- E aí, Pedro?
- Opa, Sérgio! Como vai?
- Bem!
- E a Carla?
- Eu... Acho que tá bem...
- Como assim, "acha"?
- É que eu terminei com ela.
- Ué... Mas por quê?
- Ah... Sei lá...
- Ah, não vai me dizer que é por causa do Al Pacino!
- Er...
- Incrível! É por causa disso!
- Ah, quer saber? É por causa disso mesmo! Eu não conseguia nem olhar mais pra ela direito!
- Poxa!
- E é tudo culpa sua! Foi você que destruiu tudo! Por que você falou aquilo?
- Não sabia que aquilo te abalaria tanto!
- Como não? Você diz que estou namorando o Al Pacino e quer que eu não me abale?
- Nossa... Desculpa...
- Agora não adianta! Agora não adianta!

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Caminhada

Mais uma noite de sua vida.

Ele caminha sozinho por aquela rua.

Tantas e tantas vezes passou por ali.

Já chorou.

Já sorriu.

Já sonhou.

Já amou.

Já quis morrer.

Tudo ali, passo a passo naquela calçada, fria e familiar testemunha de sua caminhada um tanto errante .

Passará mais vezes por aquele chão.

Quando haverá padrão, isso ele não sabe.

Quando terá certezas, talvez nunca...

Mas caminhará.

É nisso que se baseia sua existência. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

No táxi

- Pois bem, chegamos, senhor.
- Certo, muito obrigado! Quanto saiu a corrida, mesmo?
- Pois é... O taxímetro tá quebrado... 
- Bom... Me diga o valor que você achar adequado, então.
- Ah... Não vou cobrar dinheiro. Me dá só um abraço.
- Er... Quê?
- Um abraço! Só quero um abraço!
- Er... Não, não... Melhor eu pagar em dinheiro, mesmo. Me diga quanto.
- Um abracinho. Só isso. Um abraço!
- Sério... Pode dizer quanto custou a corrida, meu senhor.
- Custa só isso! Um abraço!
- Não, não vou dar um abraço. Tem que ser em dinheiro.
- Não quer me dar um abraço?
- Melhor não...
- Bom... Custou 100 reais a corrida, então.
- Hein?
- Ué... Você não queria um valor? 100 reais!
- Hum... Ah, vem cá! Deixa eu te dar um abraço! Vem aqui, vem! Isso... Mais forte, mais forte! Isso! Que abraço gostoso! Óin! Até mais! Muito obrigado, viu?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Al Pacino

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- E aí, Pedro? O que achou da minha namorada?
- A Carla? Muito interessante.
- Viu só?
- É... Ela é muito legal. E é a cara do Al Pacino.
- Hum... Er... O quê?
- Ela é igualzinha ao Al Pacino!
- Você tá brincando, né?
- Não, não, não estou... Mas... Bom... Ela lembra o Al Pacino quando era jovem...
- Humm...
- Aliás, não é você que é super fã do Al Pacino?
- Sim... Eu sou... Mas... Ah... Pára com isso!
- Hum... Uau! Bingo! Te peguei! Claro, Sérgio! É isso!
- Isso o quê, caramba?
- Você não está namorando a Carla! Você está namorando o Al Pacino!
- Ah! Não fala besteira, Pedro!
- Sim! O seu subconsciente sente atração pelo Al Pacino! Por isso você está tão incomodado!
- Que besteira! Vou embora daqui! Você está só querendo me irritar! Mas não vai conseguir! Não vai conseguir! 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Vago

Pedro e Sérgio conversando na lancheria:

- Sérgio, hoje aconteceu uma coisa estranha no ônibus...
- O que houve, Pedro?
- A Rafaela, aquela nossa conhecida, ex-namorada do Gilmar, estava lá. Nos cumprimentamos, e passei reto por ela, mesmo com o lugar ao lado dela estando vago. Me senti constrangido. Será que devia ter sentado com ela?
- Vocês conversaram mais de três vezes na vida?
- Não. Só duas.
- Ela estava lendo um livro?
- Não.
- Fones de ouvido?
- Sim, sim! Ela estava com fones de ouvido!
- Então é isso. Você não precisava ter sentado ao lado dela. Aliás, não devia!
- Mesmo?
- Sim!
- Tem certeza?
- Claro! É uma regra básica de convívio social!
- Ah, bom! Ufa... E eu já estava pensando que tinha sido grosseiro com ela...
- Que nada! Ela até deve ter ficado agradecida de não ter precisado falar com você!
- Poxa, ainda bem! 

domingo, 24 de junho de 2012

A desilusão de Sérgio

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- E aí, Sérgio, como é que você está? Andou meio sumido nos últimos dias!
- Ah, Pedro... Estive recolhido. Ando meio chateado...
- Poxa vida... Mas por quê?
- Sei lá...
- Sabe o que tá te faltando? Uma namorada! Acho que isso te faria muito bem!
- Não, não, Pedro... Estou bem assim, sozinho. Estou cansado de pessoas que só julgam as outras pela aparência. É muita superficialidade. Esse tipo de gente me cansou. São muito rastaqueras. Afinal, o que importa minha aparência? Quero estar ao lado de alguém que me julgue pelo meu valor humano... Estou cansado dessas mulheres patéticas, fúteis, que analisam um cara somente pela estética. Se for para namorar uma delas, prefiro permanecer assim... Antes só do que mal acompanhado.
- Ah, Sérgio, mas ainda existem moças bacanas... Nem tudo está perdido. A Fabiana, por exemplo. Ela é muito legal! Tem uma cabeça muito boa, gosta de sujeitos legais e inteligentes. Com ela não tem frescura! E digo mais: a Fabiana tá solteira! De repente, tenta ligar pra ela! Vocês poderiam marcar um encontro! Vai que dá certo! O que você acha?
- Humm... Não, não... Não dá...
- Ué... Por quê?
- Ela tem peitos pequenos...

sábado, 23 de junho de 2012

Fila para o banheiro

Certa feita eu estava numa festa, aguardando minha vez de ir ao banheiro. 

A vontade de urinar era extrema, absurda, e a fila, imensa.

Porém, eu era o próximo, depois de longa espera.

Naquela altura dos acontecimentos, estava até relativamente tranquilo.

Entretanto, um rapaz, logo atrás de mim, passou a me pressionar: "E aí? Não vai mijar?"

Eu respondi: "Sim!"

Ele retrucou: "E então?"

Meio sem entender, como quem responde a uma obviedade, eu disse: "Sim... Estou esperando desocupar as cabines e os mictórios".

Foi então que a coisa começou a ficar surreal.

O rapaz, com a maior naturalidade do mundo, indagou: "E a pia? A pia tá desocupada!"

Fiquei desorientado.

E respondi, em tom de perplexidade: "Tá brincando, né?"

O rapaz voltou a desafiar: "Se você não vai, eu vou".

Dei a vez.

E ele urinou a pia, com a maior cara de paisagem, sem o menor constrangimento, sem uma gota de pudor.

Na minha frente, na frente de todos que estavam naquela fila.

Fiquei incrédulo, estarrecido.

Ah, um detalhe que não posso deixar passar: o banheiro era unissex, ou seja, havia também moças naquela fila, assistindo àquela cena grotesca.

Aquele momento foi, de certa forma, emblemático.

Foi um momento de aprendizado psico-antropológico.

Aprendizado que, como a esmagadora maioria dos aprendizados, trouxe junto de si um bocado de desilusão e ceticismo.

Ali, naquele momento, eu me dei conta de que a vida civilizada não passa de uma utopia.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Briga ao telefone

- Alô?
- Alô, Alice! Sua sem-vergonha! Te vi ontem na rua de agarramento com o Fábio! Que vergonha, Alice! Que vergonha! Você pensa o que da vida? Fiz tudo por você, sempre fui um bom namorado e é assim que você retribui? Você me dá nojo! Você me dá muito nojo! Pessoas como você sujam a sociedade! Pessoas como você estão liquidando o mundo! Você me enganou! Você jogou sujo! Eu nunca, nunca vou te perdoar! Eu até andava desconfiado. Mas não queria acreditar. Meu Deus, eu não queria acreditar! Você não podia ter feito isso comigo. Não podia! O que vai ser da minha vida agora? Você destruiu tudo! Ah, mas você não se importa! Você só se importa com o seu rabinho bonito, né, vadiazinha? Tô com muito nojo! Tô com muita raiva! Você não presta! Você é uma pistoleira de quinta categoria! Nunca mais apareça na minha frente! Nunca mais!!!
- Senhor... Aqui é da Farmácia Drogaboa...
- Er... Farmácia? Er... Hehe... Bem... Desculpe...
- Não por isso. O senhor deseja mais alguma coisa?
- Er... Vocês têm calmante aí?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Negociação

- E aí, trouxe o que combinamos?
- Sim, tá aqui... Mas por que você marcou esse local? E esse horário?
- Achei que seria mais conveniente... Para nós dois. Não seria bom sermos vistos juntos.
- Você por acaso está com algum dos seus homens por aqui?
- O que você acha?
- Não acho nada. Vivo de certezas.
- Pois bem... Onde está?
- Nessa pasta aqui. E o dinheiro?
- Aqui, ó...
- Você me garante que não está me passando a perna?
- Sim, garanto. 
- Aqui está, então.
- E aqui, o dinheiro.
- Fechado, então...
- Finalmente. Foi bom negociar com você. É bom pra ti. E pra mim, também. A figurinha 142 era a última que me faltava pra completar o álbum da Eurocopa.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Carreira artística

Pedro e Leandro, conversando na lancheria:

- Sabe, Pedro, estou pensando em retomar minha carreira de ator..
- Retomar? Algum dia você teve uma?
- Claro que sim! Eu era bem promissor.
- Nossa... E por que você nunca contou?
- Ah, não gosto de me gabar. E também não gosto de me lembrar. Os holofotes me fizeram muito mal na época. Eu não estava maduro o suficiente para aquilo. Mas agora estou pronto para voltar a dar atenção ao meu verdadeiro dom, reabrir o livro da minha vida artística, e seguir atuando!
- E onde você atuou?
- No teatro.
- Uau!
- Na peça "Alice no País das Maravilhas". Eu ainda era criança.
- Bacana! E que papel você fez?
- Atuei como cogumelo.
- Ah... Tá... Boa sorte, então...
- Rumo ao sucesso, Pedro! Fama, dinheiro, glamour, mulheres e Oscar!
- Ô...
- E não vou me esquecer dos amigos, hein?
- Ah, disso eu não tenho dúvida... 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Páginas em branco

Mais um nome escurece minha alma.
Tantos sorrisos foram desperdiçados nas últimas 24 horas.
Estou comigo mesmo, remoendo um passado remoído.
Não haverá alento que nos salve.

Eu lutei muito, lutei além das forças.
Mas agora estou cansado, sou um fantasma que vaga sem rumo.
Minhas lembranças e seu esquecimento, eis a fórmula que me despedaça.
Então fecho os olhos, busco um pouco de paz em vão.

Não há nada pior do que o vazio das páginas em branco.
Lembro-me da foto que nunca tiramos, da viagem que nunca fizemos.
Lembro-me até da briga que nunca tivemos.
E assim vão se passando dias nulos que jamais serão compensados.

O mundo gira, contrastando com minha maldita inércia.
Vivemos uma revolta conformada, observando nossa auto-destruição.
Estamos ausentes de nossas próprias vidas.
E mesmo que tudo se acabe, permanecerei sentindo dor.   

domingo, 17 de junho de 2012

Sanduíche

Sérgio, numa famosa lancheria:

- Olá! Eu quero um sanduíche.
- Pão italiano branco, integral, parmesão e orégano, três queijos ou integral de aveia e mel, senhor?
- Er... Hum...
- De 15 ou 30 centímetros, senhor?
- Hum...
- Presunto, peito de peru, rosbife, peito de frango, atum ou carne, senhor?
- Hum... Deixa eu ver... Er...
- Queijo suíço, prato ou cheddar, senhor?
- Er...
- Adicional de bacon, tomate seco ou cream cheese, senhor?
- Hum...
- Quente ou frio, senhor?
- Er...
- Alface, tomate, pepino, cebola, pimentão ou rúcula, senhor?
- Hum... Deixa eu pensar...
- Molho de mostarda e mel, maionese, mostarda, barbecue ou parmesão, senhor?
- Er...
- Sal, vinagre, azeite de oliva ou pimenta, senhor?
- Hum...
- Bebida, senhor?
- Er... Uma Coca- Cola...
- Lata ou garrafa, senhor?
- Hum...
- Gelada ou temperatura ambiente, senhor?
- Er...
- Com canudo ou sem canudo, senhor?
- Sim, sim, com canudo...
- Quantos canudos, senhor?
- Er... Dois...
- Vermelho, amarelo, branco ou verde, senhor?
- Hum...
- Abro aqui mesmo, ou você abre, senhor?
- Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! Chega! Cheeeeegaaa!!! Cheeeega, por favor... Eu só quero um sanduíche. Só isso. Pelo amor de Deus...
- Pão italiano branco, integral, parmesão e orégano, três queijos ou integral de aveia e mel, senhor?      

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Um pequeno engano...

Pedro e Sérgio, tomando café da manhã em Quito, no Equador:

- E aí, Pedro? Viu só a loirinha com quem eu fiquei na festa de ontem?
- É... Vi...
- Linda, né?
- Bem...
- Não achou?
- Er... Na verdade você não estava ficando exatamente com uma loira linda...
- O quê? Ela era feia?
- Hum... Como é que eu posso dizer isso? Você ficou com o Aguinaga.
- Hein?
- O ex-jogador da seleção equatoriana.
- Ah, pára de palhaçada!
- Não, não... É sério. Você estava beijando o Aguinaga.
- Ha ha ha... Boa... Mas já chega. Vamos falar sério.
- Mas eu tô falando sério! Até tirei umas fotos de vocês! Olha aqui ó!
- Er... Deixa eu ver isso...
- Tá vendo?
- Não... Não é possível... Não... Nãããããããããããããããããããããããããããããããããão!
- Viu só?
- Meu Deus! Como isso aconteceu?
- É... Você bebeu um pouquinho além da conta...
- Não, não... Não pode ser... Não pode ser!
- Calma, cara. Acontece. Uma vez eu fui à Bolívia e fiquei com o Etcheverry.
- Sério?
- Não, não é. 
- Ha ha ha... Engraçadinho...
- Me diz só uma coisa: como é ser um "José Chuteira", hein?
- Ah, vai te catar, Pedro!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Relaxado

Pedro e Sérgio, no avião:

- Olha lá, Pedro! Estão servindo vinho! 
- Opa! Maravilha!
- Certo que vou tomar!
- Eu também... Mas cuidado, Sérgio... Não vai te passar. Bebe só pra ficar relaxado.
- Sim, com certeza!

2 horas depois:

- Poxa, Sérgio! Eu te avisei! Agora você vai ficar aí todo vomitado até o fim da viagem! Que relaxado!
- Ué... Não foi você que disse pra eu beber só pra ficar relaxado? Quer um sujeito mais relaxado que um sujeito com a camisa cheia de vomito? 
- É... Mas não precisava tanto, né? Tá todo mundo te olhando!
- Droga!
- Que vexame... 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Quebrando o tabu

Todos os dias milhões de pessoas padecem desse mal pelo mundo.

Às vezes, elas não sabem.

E, o pior de tudo: o tabu ainda é muito grande.

Evita-se falar no assunto.

Olhares tortos, cara feia, recriminação velada.

É um problema de todos.

Uma ferida aberta na qual ninguém se atreve a tocar.

Falta prevenção, falta alerta.

Falta, acima de tudo, abrir a mente.

Ninguém é melhor ou pior por causa disso.

É com diálogo e tolerância que resolveremos a situação, e não fingindo que ela não existe.

Casquinha de feijão no dente.

Até quando faremos de conta que não estamos vendo?

domingo, 3 de junho de 2012

Xanadu

Pedro, Sérgio e Cláudia, ao final do espetáculo "Xanadu":

Sérgio: - Ué, mas já acabou?
Pedro: - Sim... É o que parece...
Sérgio: - Mas... Que absurdo!
Cláudia: - Absurdo por quê? Eu gostei bastante!
Pedro: - É... Até que achei legalzinho...
Sérgio: - Mas vocês estão de brincadeira né? Faltou a principal cena!
Cláudia: - Tá louco, Sérgio? Não faltou nada!
Sérgio: - Faltou sim! Faltou a cena da queda! Estou me sentindo um trouxa!
Pedro: - Aaah! É verdade, Sérgio! Faltou a cena da queda! Absurdo!
Sérgio: - Pois não é? Vou agora mesmo reaver o meu dinheiro! Fui enganado! Comprei um produto e não me entregaram!
Pedro: - É isso mesmo! Está apoiado! Também vou lá reclamar!
Sérgio: - Claro que sim! A gente não pode aceitar esse tipo de coisa! Os caras tiraram a parte mais esperada!  Vim ver a peça só por causa dessa cena! Temos nossos direitos! Vamos lá!
Pedro: - Isso! Vamos!
Sérgio: - E você, Cláudia, não vai também?
Cláudia: - Vocês não podem estar falando sério... Claro que não vou...
Sérgio: - Então vamos lá, Pedro. A Cláudia é alienada, mesmo. Não luta pelos seus direitos. Você é uma má cidadã, sabia, mocinha? Por causa de gente como você que o consumidor é cada vez menos respeitado no Brasil. Lamentável! 

sábado, 2 de junho de 2012

A infeliz declaração de Lula

"Não vou permitir que um tucano volte a ser Presidente."

Esta foi a declaração mais forte de Lula em entrevista ao Programa do Ratinho.

Todos sabem as restrições que tenho ao PSDB e à direita em geral, do ponto de vista de alguns dos seus pressupostos básicos.

E todos sabem que considero que Lula, apesar dos pesares, cumpriu bons mandatos que fizeram o Brasil avançar bastante no terreno social, calcanhar de Aquiles da construção do país.

Porém, não posso concordar com esta declaração arrogante que flerta com um messianismo que não tem absolutamente nenhuma contribuição positiva a oferecer para o regime democrático brasileiro.

Talvez Lula tenha se expressado mal.

Não vejo no ex-Presidente, um negociador por excelência, traços de golpista.

Mas ele tem que tomar mais cuidado com as palavras, que, de fato, nunca foram exatamente suas amigas.

O que está nas manchetes da semana não é o contexto ou a real intenção daquilo que Lula disse.

O que está nas manchetes é o que Lula disse.

E Lula disse: "Não vou permitir que um tucano volte a ser Presidente." 

Não é ele que tem que deixar ou não que um tucano volte ao poder.

Quem tem que fazer isso é o eleitor, se assim ele julgar necessário.

Nem Lula, nem qualquer ator envolvido na cena política brasileira, está acima do sistema democrático que a rege. 

E, se por algum acaso o eleitor decidir que, sim, eventualmente um tucano deva assumir a presidência, a soberania das urnas deverá ser respeitada. 

É para isso que serve o jogo democrático.

Ou não?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Amarga queda

Acorda-se do sonho.

Depara-se novamente com o pesadelo da existência.

E tudo parece ter ficado pelo caminho.

E tudo parecia ser tão bom...

Más notícias, ele se olha no espelho.

Levitou, sim.

Mas já caiu.

E cairá de novo.

E de novo...

E de novo...

Agora ele sangra no chão.

Não sabe o que fazer.

Ele nunca sabe...

Ele nunca sabe...

Vai se apagando...

Se apagando...

Tranca o coração numa gaveta.

Mas as rachaduras permanecerão ali.

Esse menino travesso e desobediente não deveria ter ficado por lá aquele dia...