sábado, 19 de maio de 2012

Lei do mais forte

Chegara a hora de Marcos passar as suas compras no caixa do mercado do bairro. Não era um rancho, mas também não era pouca coisa.

Enquanto ele passava os produtos, o homem da frente, que já havia passado suas compras, de camisa bege, aparentando cerca de 40 anos, permanecia ali. E, à medida que a moça do caixa liberava, uma a uma, as compras de Marcos, ele ia empacotando-as. Marcos estranhou a atitude, mas permitiu, afinal.

Quando Marcos terminara de pagar, o homem pegou as sacolas. Não só as dele, mas as de Marcos também. O rapaz, surpreso, então, tocou no braço do homem e alertou: "Meu senhor, essas compras são minhas".

Prontamente, o homem de camisa bege respondeu: "Não, não. São minhas". Imediatamente levantou a camisa bege sutilmente, e apresentou a Marcos seu melhor amigo: um 38, irascível, instável, pronto para tornar aquele mercadinho um caos. A moça do caixa, de soslaio, também viu. Optou pelo silêncio, o que era absolutamente compreensível. 

O homem de bege então complementou, enquanto Marcos, ainda meio atordoado, processava em sua cabeça o que acontecia ali: "E aí? Vai querer encrencar?"

Marcos não quis. Deu meia volta, disfarçou, e voltou ao mercado para fazer suas compras novamente, enquanto o homem de bege ia calmamente embora com as sacolas.

É o dialeto da bala. O Estado de natureza. A lei do mais forte.

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