quarta-feira, 9 de maio de 2012

Gladiador

Era hora do recreio num colégio de subúrbio.

Estava fechada a roda de crianças.

Ouviam-se urros e incentivos.

"Vai lá, Yuri!", "Isso, Yuri! Mais um soco!", "Vai, Yuri! Mais um chute!", "Isso, Yuri!".

E Yuri continuava, extravasando toda a fúria contida contra o corpo do colega, como acontecia todas as semanas.

Dava mais chutes, mais socos, e cada vez mais violentos.

Tinha que ser rápido e avassalador.

Tinha que terminar antes que o guarda de meia idade, sempre distraído com as bundas das garotas de doze anos, fosse chamado para interrompê-lo.

E assim o fez.

Terminou mais uma sessão de demonstração de força, sob gritos e incentivos da garotada que o cercava.

Sob um olhar simultaneamente feroz, frio, inabalável, confiante e desconfiado, escondia a sete chaves aquilo que jamais ninguém poderia descobrir.

Não se sentia forte, tampouco vencedor.

Yuri naquele momento estava mais fraco e vulnerável do que nunca. 

2 comentários:

Rebeca Carvalho disse...

Adorei seu blog! O vi no orkut e já estou seguindo. Espero que siga o meu de volta. Beijos e fica com Deus!

http://confeteseconfeitos.blogspot.com.br/

Bruno Mello Souza disse...

Oi, Rebeca!

Muito obrigado pela visita e por seguir o DC!

Volte sempre!

Beijos!