segunda-feira, 28 de maio de 2012

Doce levitação

Já eram quase duas da manhã.

Não haveria mais nada para o restante daquela noite.

Mas ele foi deliciosamente surpreendido.

A garota estava em seus braços, dançando, ao apagar das luzes.

Foram poucos minutos, mas minutos absolutamente preciosos.

Naquele momento, ele tocava o céu.

A dança virara doce levitação.

Guardou aquele olhar e aquele sorriso para não mais esquecê-los.

Tantos pensamentos, tantas intenções, confidências as mais íntimas, compartilhadas pelos movimentos daqueles dois seres humanos, tão próximos, tão um do outro durante aqueles instantes.

Da última nota da música, a dor agridoce da despedida.

Ele tinha, ali, a certeza de que viver ainda valia a pena.

O corpo teve de ir embora, obedecendo a razão, esta senhora chata que parece sentir prazer ao nos acordar de nossos sonhos.

Mas o coração...

Ah, o coração, este menino bobo, serelepe, travesso e desobediente, ficou por lá mesmo.

Até o fim da noite.

Até agora. 

2 comentários:

Anônimo disse...

que pena !

Bruno Mello Souza disse...

Obrigado pelo comentário, Anônimo!

Abraço.