segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sangue sob a luz da lua

Noite passada você acordou sem ar, eu vi.
Eu estava lá enquanto você se afogava.
Sim, eu ouvi seus gritos de socorro.
Estou mais presente do que consegue imaginar.

Olá, ainda estou bem aqui.
Sou a ferida que ainda está aberta.
Não haverá amanhã se não sobrevivermos agora.
Nossas mentes compartilham a mesma obscuridade.

Se o sol não aparecer, não se surpreenda.
Estive esperando tanto tempo por esse momento de glória!
Deliciosa angústia, engolimos nosso choro.
Recorrer a quem quando nossas almas mergulham nas trevas?

Mostre-me a luz se ainda puder.
Estou vivo aqui, estou dentro de você.
Minta um pouco para satisfazer nossas vontades mais humanas.
Ainda que doa, esta noite será a nossa redenção.

Estamos cegos, mudos e surdos.
Somos um único prazer instintivo.
Todos os seus desejos estão sob o meu domínio.
Você pensava que tinha o controle de tudo?

Olá, ainda estou aqui.
Bebendo esperanças, vomitando seu desespero.
Roteirizando cuidadosamente os sonhos que invadem todas as suas noites.
Sempre haverá lembranças, mesmo que caiamos em alguma linha de tempo paralela.

Sangramos à luz da lua.
Eis a nossa mais doce comunhão.
Nosso amor eterno por tudo o que um dia tivemos, nossa dor, nosso vinho.
Eis a singularidade de nosso gesto mais divino. 

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