sexta-feira, 6 de abril de 2012

Mudança de comportamento

Todos os dias de Marcos eram iguais.

Acordava sete e meia da manhã, escovava os dentes durante três minutos contados, fazia a barba, tomava um banho de quinze minutos, penteava o cabelo, passava perfume, olhava-se no espelho e saía de casa.

Passava na banca, comprava o jornal.

Tomava um café com leite na padaria da rua de sua casa.

Pegava o ônibus, sempre lotado.

Chegava ao trabalho, cumprimentava a recepcionista com um aceno, e tratava dos afazeres do dia, sempre conferindo antes a agenda.

Saía para o almoço, comia arroz com bife e ovo frito na lanchonete da esquina.

Voltava ao serviço, onde ficava até as seis da tarde.

Despedia-se da recepcionista, comprava um chiclete de menta, e pegava o ônibus das seis e dez.

Chegava em casa, tomava banho, e olhava tv até as onze horas, quando vestia o pijama azul e ia dormir.

Ontem, porém, foi diferente.

Acordou quinze para as oito, escovou os dentes por dois minutos, não fez a barba, tomou um banho de doze minutos, não penteou o cabelo, não passou perfume, e não se olhou no espelho antes de sair de casa.

Passou na banca e comprou um gibi.

Na padaria da rua de sua casa, tomou um café preto.

Ao invés do ônibus, tomou uma lotação.

Ao chegar ao trabalho, cumprimentou a recepcionista com um beijo no rosto, e começou os afazeres do dia sem conferir a agenda.

No almoço, comeu um pastel de carne.

Voltou ao serviço, onde ficou até as cinco para as seis.

Não despediu-se da recepcionista, comprou um chiclete de morango, e deixou o ônibus das seis e dez passar, esperando o das seis e meia.

Ao chegar em casa, não tomou banho e não ligou a tv, apenas sentou-se, observando, da janela, o movimento da rua.

Chegada a hora de dormir, deu-se conta de que aquela não era a sua casa, aquele não era o seu quarto, e aquela não era a sua cama.

Ao invés do pijama azul, vestia uma camisa de força branca.

Haviam lhe internado num sanatório.

Louco (?).

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