sexta-feira, 20 de abril de 2012

Máquina

Acorda para matar mais um leão.
Todos os seus dias são assim.
Jogado na arena, luta para sobreviver.
Ele não pode parar.

Um mundo que não é dele se apresenta.
Não passa de um objeto estranho.
Deslocado no tempo e no espaço, ele subsiste.
E lhe resta apenas seguir.

Nada pode doer, nada pode lhe cansar.
Seus direitos diluem-se em seus deveres.
Ele sofre, mas aguenta na carne.
"Um dia tudo fará sentido", espera.

Evita mentir para si mesmo.
Tratado como máquina, como máquina deve permanecer nas mesmas condições.
O abatimento tem de ficar em algum canto escondido.
O sol brilha lá fora, e ainda há tanto por fazer!

Recusa a derrota.
Não está vivo por acaso.
Entrega a última gota de suor e de sangue.
Sim, passou-se mais um dia, e ele venceu mais uma vez.

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