domingo, 22 de abril de 2012

Conflito interior

Sonhei com o dia em que me libertaria das amarras.
Acordei no mesmo pesadelo de sempre.
Relógios e calendários são uma existência artificial.
Estamos sempre, mas não somos nunca.

A ausência ensina, o vazio nos amadurece.
Sem sorrir e sem chorar, vamos endurecendo os nossos corações.
A brisa que nos atravessa nos torna mais gelados.
Em algum momento, pensei que isso acabaria.

Segundos, minutos, horas, dias, meses, anos...
A vida escorre pelos dedos.
Ainda é cedo para partir, mas é tarde demais para recomeçar.
As folhas caem, anunciando a chegada de um novo tempo.

O mundo é tomado de falsa homogeneidade.
É um amontoado de eus, mas não estou em lugar algum.
O perfume que exala das flores me recorda um lindo tempo que jamais chegou.
Cada dia é uma nova chance desperdiçada.

Amanhã deixaremos tudo para depois de amanhã.
Contemplamos nossa própria miséria, bela e melancólica obra de arte.
Mudamos tanto, mas permanecemos tão iguais!
Heráclito habita as palavras, mas Parmênides persiste na alma. 

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