sábado, 14 de abril de 2012

Adeus, Mestre Cabral

O jornalismo esportivo gaúcho perdeu hoje um dos seus mais brilhantes nomes. Vítima de um ataque cardíaco, faleceu o Mestre Cláudio Cabral. 

Filho do jornalista Cid Pinheiro Cabral, Cláudio formou-se em Ciências Políticas e Econômicas, e fez parte de um grupo de jovens dirigentes que revolucionaram a política de futebol do Sport Club Internacional: os Mandarins. Ao final de uma década derrotada do clube, os anos 1960, estes jovens resolveram adentrar o Inter com uma então nova forma de pensar futebol. À época, o Colorado jogava bonito. Mas não ganhava. Estava anacrônico na maneira de jogar.

Aqueles rapazes, coloradíssimos, pretendiam reverter este panorama. A força deveria ser incluída no cardápio de virtudes de um time de futebol. A partir daí, instituiu-se uma filosofia que postulava condições simples, básicas, mas indispensáveis e à época relativamente novas no planejamento do futebol: qualquer jogador, para pertencer ao elenco do Inter, deveria ter, no mínimo, duas dentre três grandes virtudes centrais: força, velocidade e técnica. Jogador que tivesse apenas uma delas não servia.

Foram, assim, os Mandarins que sedimentaram o caminho percorrido pelo grande time dos anos 1970. Ali foi plantada a semente da equipe que mandou e desmandou no futebol brasileiro naquela década. Ali nascia, de alguma forma, o Inter Tri-Campeão Brasileiro, do qual Cabral participou ativamente como homem de futebol.

Após esta importante passagem como dirigente, Cláudio Cabral partiu para o jornalismo esportivo, como comentarista. Brilhante comentarista, diga-se de passagem. Era um show à parte. Seus comentários prendiam a atenção, porque sempre eram extremamente objetivos, e, sabíamos, de sua boca sempre sairia alguma frase inteligente, instigante, espirituosa, ao mesmo tempo mal-humorada e engraçada. Cabral não era convencional. Falava o que lhe vinha à cabeça. Não tinha papas na língua. Não tinha frescuras para dizer a verdade. Quando um jogador era ruim, ele não titubeava em dizer: "Olha aqui, ó... Esse jogador é muito ruim". Simples assim.

O Mestre Cabral era um adorável ranzinza. Tinha um humor ácido. Era autor de tiradas sensacionais. "Anelka é um Adão francês"; "Rooney é o Badico inglês"; "Se a bola tivesse vontade própria, ia até a delegacia e denunciava o Edinho por maus tratos", são apenas algumas das corrosivas e sempre interessantes observações do Mestre.

Aprendi muito com os, mais do que comentários, ensinamentos, de Cláudio Cabral. O jornalismo esportivo gaúcho perde uma figura ímpar. E o fim de semana começa um tanto triste. 

Siga em paz, Mestre Cabral. E, de repente, comente daí de cima o Tri da América e o Bi Mundial do seu Inter neste 2012.          

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