sábado, 31 de março de 2012

Juliana Paes e a aparência

Esses dias, saiu em praticamente todas as mídias uma foto da Juliana Paes sem maquiagem. Abatida, meio "acabadinha", ela virou alvo de chacotas e de ferrenhas críticas.

Num primeiro momento, pensei: coitada da moça; não tem o direito de envelhecer, de andar sem maquiagem, de ter defeitos, de estar cansada, de pecar no visual, que a mídia cai em cima. Mas, logo em seguida, aprofundei a reflexão e cheguei a uma talvez cruel conclusão: coitada coisíssima nenhuma! 

De um jeito ou de outro, foi ela que se colocou nessa situação. Deram-lhe, em algum momento, o rótulo de sex symbol, e ela aceitou e limitou-se a ser isso, tão somente isso: uma bunda boa, com um rosto interessante.

Quando se vê a maioria dessas celebridades de apelo sexual falando em entrevistas, o assunto é só esse: malhação, glúteos, pernas durinhas... Elas se dedicam quase que em tempo integral ao corpo. SÓ ao corpo. Ora, se elas mesmas fazem disso seu "talento" principal, têm mesmo é de aceitar quietas as críticas pesadas quando embarangam. Foi uma escolha delas. E não há nada, absolutamente nada, que exclua a possibilidade de uma pessoa bonita ultrapassar o limite da aparência, qualidade humana tão fugaz. Angelina Jolie e Brad Pitt que o digam.

Se é só a aparência que a pessoa tem, se é só isso que pauta sua conduta e sua vida profissional, ora bolas, as críticas só poderão ser estabelecidas por este parâmetro. Juliana Paes, sem o visual, torna-se (pelo menos em termos de imagem pública) algo muito próximo a nada.

Talvez se esta moça tivesse se dedicado a ser mais (um pouquinho que fosse) do que uma atriz sofrível e gostosona, a repercussão daquela foto não tivesse sido tão cruel. É o preço que se paga pela escolha que se faz. Aparência, meus amigos, uma hora se vai, e não tem plástica que salve (no máximo, no máximo, disfarça mal e porcamente). O que fica é o que se é por dentro da embalagem. É isso que permanece, independentemente de rugas, de cabelos brancos, de celulites ou de nádegas flácidas.

Não digo, obviamente, que as pessoas devam se desleixar do visual. Visual também tem sua importância. Secundária, mas tem. O que não pode é hipertrofiar os músculos e atrofiar o cérebro. Há que se dar às coisas a importância relativa e proporcional que elas têm, isso sim. Uma mulher que se dedica hoje apenas a ser uma bunda gostosa está condenada a ser, amanhã, nada mais do que duas páginas grudadas de uma Playboy jogada às traças numa caixa esquecida do guarda-roupas de um homem de meia-idade. E isso, pelo menos da maneira como encaro a vida, é absolutamente deprimente.

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