sábado, 17 de março de 2012

Fim da novela (?)

O anúncio no site oficial do Inter da assinatura do contrato com a Andrade Gutierrez, prevista para a segunda-feira, aparentemente encerra a triste novela que se tornou a questão "reforma do Beira-Rio".

Digo "aparentemente", primeiro, porque teremos pela frente 20 anos de "parceria" com a AG. Claro, agora com contrato assinado, a situação muda de tonalidade. Porém, querendo ou não, é um casamento de 20 anos com ele, o cafajeste. Até que ponto será harmoniosa a relação Inter/AG? Só o tempo dirá.

O segundo motivo para eu ainda ter reservas quanto ao encerramento da tal novela é muito mais psicológico do que qualquer outra coisa. Depois de tantos caminhos e descaminhos, assina/não assina, aprova/desaprova, só acreditarei efetivamente que as coisas se encaminharam quando as máquinas da AG estiverem, de fato, trabalhando na reforma do Gigante.

Quantos prazos Luigi já deu? Quantos "em 20 dias" nós já ouvimos? Quantas notícias desencontradas já vieram de todos os lados? Quantas reviravoltas aconteceram no caso? Motivos há, de sobra, para estarmos com a "Síndrome de São Tomé". Que me desculpem os que já comemoram, mas eu só acredito vendo.

O processo todo foi muito traumático. Houve imenso desgaste de ambas as partes. A imagem do Inter ficou arranhada pela lentidão, pelo arrastamento, e pela inexplicável parada das obras quando ainda se tinha recursos para tocá-las um pouco mais enquanto o contrato não fosse assinado: o Colorado deixou o mato crescer, e a cada dia que se passava, colocou-se mais dramaticamente na posição de refém. E a da AG, nem se fala. Com sua postura de cafajeste e evasiva, queimou o filme com a torcida colorada, com o povo gaúcho, com a direção do clube, e com todas as esferas governamentais. Vai ter que ser muito competente e eficiente para reverter esta imagem. 

O imbróglio todo, portanto, não foi nem um pouco positivo para ninguém. E, independentemente dos desdobramentos e consequências posteriores, só o fato de se ter o contrato assinado já representará um senhor alívio. O constrangimento foi excessivo. Terminá-lo já representa uma vitória em si mesma. Mas comemorá-la me parece uma demasia. É melhor esquecê-la e tocar a vida em frente. Mais ou menos como o co-irmão deveria ter feito com a "Batalha dos Aflitos".

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