sexta-feira, 9 de março de 2012

Amarga maçã

Nascidos do útero de um mundo sujo, somos apenas dúvidas.
Eles nos ensinam a manter estruturas falidas.
Não, estes valores não são meus.
Se vou morrer igual, que seja pensando por mim mesmo.

Normas e regras nos aprisionam a uma vida que não escolhemos.
Eu lutarei, eu gritarei, não me entregarei tão fácil.
Viro as costas, tenho meus próprios filtros.
Verdades enfeitadas no fundo são mentiras.

A noite cai, e lá fora todos encenam uma maldita peça teatral.
Estou fora do espetáculo, rasgo todas as minhas falas.
Já presenciei muitas farsas, e hoje sei bem aquilo que não quero.
Sobrevivo municiado de uma lucidez insana e explosiva.

O perigo está próximo, minas estão escondidas sob nossos pés.
Não adiantará temer nem fugir.
Mate ou morra, estamos todos em estado de natureza.
Somos seres anacrônicos lutando por mais um dia de vida.

O céu desaba em fúria.
Prestamos nossas contas.
Não há saída possível.
O velho implora por piedade.

Não somos mais nada, meu amigo.
Choramos sangue, amarga maçã atravessada em nossa garganta.
Não há mais luz, não há mais poder.
É tarde demais para nascer de novo...    

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