sábado, 31 de março de 2012

Juliana Paes e a aparência

Esses dias, saiu em praticamente todas as mídias uma foto da Juliana Paes sem maquiagem. Abatida, meio "acabadinha", ela virou alvo de chacotas e de ferrenhas críticas.

Num primeiro momento, pensei: coitada da moça; não tem o direito de envelhecer, de andar sem maquiagem, de ter defeitos, de estar cansada, de pecar no visual, que a mídia cai em cima. Mas, logo em seguida, aprofundei a reflexão e cheguei a uma talvez cruel conclusão: coitada coisíssima nenhuma! 

De um jeito ou de outro, foi ela que se colocou nessa situação. Deram-lhe, em algum momento, o rótulo de sex symbol, e ela aceitou e limitou-se a ser isso, tão somente isso: uma bunda boa, com um rosto interessante.

Quando se vê a maioria dessas celebridades de apelo sexual falando em entrevistas, o assunto é só esse: malhação, glúteos, pernas durinhas... Elas se dedicam quase que em tempo integral ao corpo. SÓ ao corpo. Ora, se elas mesmas fazem disso seu "talento" principal, têm mesmo é de aceitar quietas as críticas pesadas quando embarangam. Foi uma escolha delas. E não há nada, absolutamente nada, que exclua a possibilidade de uma pessoa bonita ultrapassar o limite da aparência, qualidade humana tão fugaz. Angelina Jolie e Brad Pitt que o digam.

Se é só a aparência que a pessoa tem, se é só isso que pauta sua conduta e sua vida profissional, ora bolas, as críticas só poderão ser estabelecidas por este parâmetro. Juliana Paes, sem o visual, torna-se (pelo menos em termos de imagem pública) algo muito próximo a nada.

Talvez se esta moça tivesse se dedicado a ser mais (um pouquinho que fosse) do que uma atriz sofrível e gostosona, a repercussão daquela foto não tivesse sido tão cruel. É o preço que se paga pela escolha que se faz. Aparência, meus amigos, uma hora se vai, e não tem plástica que salve (no máximo, no máximo, disfarça mal e porcamente). O que fica é o que se é por dentro da embalagem. É isso que permanece, independentemente de rugas, de cabelos brancos, de celulites ou de nádegas flácidas.

Não digo, obviamente, que as pessoas devam se desleixar do visual. Visual também tem sua importância. Secundária, mas tem. O que não pode é hipertrofiar os músculos e atrofiar o cérebro. Há que se dar às coisas a importância relativa e proporcional que elas têm, isso sim. Uma mulher que se dedica hoje apenas a ser uma bunda gostosa está condenada a ser, amanhã, nada mais do que duas páginas grudadas de uma Playboy jogada às traças numa caixa esquecida do guarda-roupas de um homem de meia-idade. E isso, pelo menos da maneira como encaro a vida, é absolutamente deprimente.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Placas

Placas são bem-vindas para identificar qualquer estabelecimento. 

Principalmente quando o estabelecimento tem um nome. 

Se não tem nome, ora, adianta muito pouco.

Ontem, passei por um lugar que tinha mesas, cadeiras, e um buffet, cheio de comidas. 

Esse lugar tinha uma placa. 

Ela dizia assim: "Restaurante".

Pensei comigo: "Ah, vá! Sério?" 

O que poderia ser, caramba?

Será que alguém ia confundir, sei lá, com uma ferragem? 

"Por gentileza, me vê aí uma massa parafuso. Como um pouco e levo o resto pra consertar a estante da minha casa".

Se aquilo, com mesas, cadeiras e um buffet cheio de comidas não é um restaurante, ia ser o quê? 

Um parque aquático?

"Oba! Vou nadar no ensopado de peixe! Tem bronzeador, também? Mas não pode! Ah, não... É maionese".

Bem podia ser uma igreja. 

Igreja Nossa Senhora do Nhoque. 

Só não podia ter vitelo, pé-de-moleque ou um doze anos. 

O padre poderia correr o risco de pecar. 

Pecado da gula, evidentemente.  

Se tem nome, tem de ter placa.

Se tem placa, tem de ter nome.

Agora, me dêem um tempo.

Tenho de ir ali no "Restaurante" comprar uns tijolos. 

quarta-feira, 28 de março de 2012

Vai que é tua, Seiya!

Diálogo imaginário entre Saori Kido e Seiya de Pégaso:

- Pois então, Seiya... Tanta coisa se passou, né?
- Saori...
- Acho que chegou a hora da gente pensar mais em nós dois.
- Pensar em nós dois?
- Sim! Já tá mais do que claro que a gente se gosta, né?
- Você está dizendo então... Que também gosta de mim, Saori?
- Claro! 
- Saori... Athena!
- Vem cá, Seiya! Me dá um beijo logo!
- Beijar você? Você quer que eu beije você? Eu entendi bem?
- Sim!
- Saori! Devo beijar você, então?
- Vamos, Seiya!
- Saooori!
- Rápido, Seiya! Tô perdendo a paciência!
- Você... Está perdendo a paciência?
- Sim, Seiya! Essa nossa relação está muito enrolada! Beija logo!
- Mas... Saori... Você está dizendo que chegou a nossa hora? Você gosta de mim? Quer que eu te beije? É isso, Saori? É isso, Athena?
- Ah, Seiya! Vai pra pro inferno!
- Ir pro inferno? De novo? Hades ainda está vivo, Saori? Me diga logo! Saooooriiii! Athenaaaa!
- Putz...  

terça-feira, 27 de março de 2012

Que ninguém veja...

- Ei, ei, psiu, você aí...
- Opa... Fala, parceiro.
- É você que tem aquele esquema aí, né?
- O branco?
- Sim, sim, o branco. Sem o outro até consigo me manter. Tô necessitado mesmo é do branco.
- Bom, eu tenho sim... Mas tenho que ir ali buscar... É pá e bola... Pode esperar um pouquinho?
- Posso, posso sim.
- Quanto você vai querer?
- Ah, me vê logo uns 500 gramas.
- Uau! Tem certeza que é pra consumo próprio?
- Hehehe... É que tô com uma galera hoje.
- Aaaah... Deu pra perceber, mano!
- Hehe...
- E do outro você não vai querer, mesmo?
- Não, não, obrigado. Uma hora dessas até passo aqui pra pegar um pacotinho de suco. Mas hoje vou levar só o sal, mesmo.
- Então tá...
- Se der pra ir rapidinho ali, eu agradeço, brother. Já é uma da tarde e o RU tá quase fechando.
- Fica tranquilo, parceiro. Minha sala fica logo ali no prédio das Letras.
- Ah, tá, beleza... 

domingo, 25 de março de 2012

Porto, para os íntimos

É mais um aniversário de Porto Alegre.

Porto, para os íntimos.

É difícil definir a capital gaúcha em uma frase.

Porto Alegre é um quebra-cabeças.

É uma cidade que, se definida de maneira simplista, pode adquirir uma enganosa homogeneidade para os olhos menos atentos.

Porto Alegre é única, sim.

Mas, ao mesmo tempo, Porto Alegre é muitas.

E Porto, ainda em sua heterogeneidade, não é composta apenas por lugares.

Porto Alegre é feita, acima de tudo, de momentos.

Pequeninos, grandiosos, singelos...

Porto é o chimarrão na Redenção.

É o movimento frenético de uma quarta-feira  ao meio-dia na Andradas.

Porto é shopping, é a correria de fim de ano.

E é camelô, também.

Porto é a Polar gelada nos bares da Cidade Baixa.

É o calor escaldante de janeiro, é o frio de renguear cusco de julho.

Porto é a caminhada no Marinha.

É o gasômetro, é o pôr-do-sol do Guaíba.

Porto é um simpático fim de tarde em Ipanema.

É o panfleteiro na Voluntários.

Porto é o luxo da Bela Vista.

É a luxúria profana e encardida da Farrapos.

Porto é Inter, Porto é Grêmio.

É a vibração na Goethe.

Porto é a excursão de colégio na Praça da Matriz.

É a manifestação no Largo Glênio Peres.

Porto é o passeio na Feira do Livro comendo pipoca.

É chegada, é partida, é amor, é coração partido. 

Porto Alegre é feita, acima de tudo, de momentos.

Pequeninos, grandiosos, singelos...

Por isso mesmo, ela se recria permanentemente.

Talvez seja a mais heraclitiana das cidades.

Sempre haverá uma nova Porto Alegre por conhecer.

Sempre haverá uma nova Porto Alegre por ser vivida.

240 anos.

Porto sou eu, Porto é você, Porto somos todos nós.

Parabéns, minha querida cidade.

Ainda a panqueca

Sérgio encontra Pedro na lancheria:

- Muito obrigado, Pedro!
- Opa! De nada! Mas... Pelo quê?
- Panquecas... Apresentei a Cláudia para a Fabiana, e ela não falou nada da panqueca!
- Nadinha?
- Nada. Absolutamente nada. Passei por louco. Acho que a Fabiana nunca mais vai querer me ver!
- Que coisa... Por que será que a Cláudia não quis falar da panqueca?
- Não sei! Bom, pelo menos me conta do que se trata, porque até agora não faço ideia do que seja!
- Desculpa, Sérgio. Não posso falar. Se é segredo da Cláudia, se ela não quis te contar, não sou eu que vou fazê-lo.
- Mas... Mas... A Fabiana agora acha que sou maluco por causa disso! Não é justo!
- Desculpa mesmo, Sérgio. Não seria correto com a Cláudia se eu contasse. Desculpa, de coração.
- Mas... Mas... E a Fabiana?
- Pois é... Uma pena.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Gaúxa

Ontem Xuxa protagonizou um espetáculo pra lá de patético, em rede nacional.

Teve que interpretar uma gaúcha.

Sim, interpretar.

Porque gaúcha ela não é.

No máximo, gaúxa.

Teve também que interpretar uma atriz.

Interpretação da interpretação.

Porque atriz ela nunca foi.

Nem cantora.

Xuxa deu pro Pelé e pro Senna.

São as estrelinhas do curriculum lattes dela.

Além de atriz, cantora e gaúcha, tem mais uma coisa que ela nunca foi: boba. 

Mas não dá pra levar a sério uma pessoa que nasce em Santa Rosa, vai ao Rio e começa a falar mais chiado que os próprios cariocas.

Ela, Xuxa, aliás, não é nem colorada nem gremichta.

Ela é flamenguichta.

A Xuxa gaúxa foi um desses sinais que nos levam a crer que, de repente, o mundo está mesmo por acabar.

Vergonha alheia total e absoluta.

Mais até que o sabonetinho.

Gaúxa, estranha gaúxa...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Classificação encaminhada

O Inter não seguiu exatamente os "mandamentos da altitude".

Manteve pouco a posse da bola.

Errou passes bobos.

Correu atrás do adversário a maior parte do tempo.

Saiu perdendo.

Jogando muito mal, teve de buscar a igualdade no marcador.

Tudo isso com o ar rarefeito!

Mas conseguiu.

Achou um gol.

Gol de xiripa, de Gilberto.

Gol do destino.

Jô era o ficha um como opção de ataque, até a fatídica viagem para a Bolívia.

Fosse ele no lance, como teria sido?

Talvez tivesse, de prima, mandado aquela bola para os ares.

Mas não foi assim.

Ele não estava na delegação.

Era Gilberto o cara.

Felizmente.

Gol feio também vale.

Gol tosco também é gol.

O próprio Jô é feio e tosco.

E nem sempre faz gol.

Não dá nada.

Bendita ressaca!

Ela, a ressaca, o lance mais decisivo do ex-corintiano desde que chegou ao Beira-Rio.

Hasta la vista, Jô!

Quanto ao resultado...

O empate foi bom, sim.

Importa mesmo é que o Inter sobreviveu a La Paz.

A classificação colorada está bem encaminhada. 

Que venham Santos e Juan Aurich!

Empate é bom negócio, mas ganhar não é proibido

Soaria um tanto ingênuo negar que um empate do Inter, logo mais, diante do The Strongest, em La Paz, seria um bom negócio. A despeito da ruindade do adversário, em seus domínios, graças à altitude, o time local acaba fazendo o mando de campo prevalecer contra equipes que jogam ao nível do mar. 

Em termos de tabela, um empate seria interessante por um motivo bem singelo: os demais times do grupo perderam em La Paz. Fazer um ponto lá pode ser fator decisivo para a classificação. Além disso, obviamente as circunstâncias, digamos, "naturais", tornam o empate um resultado um tanto apetecível. Para se ter uma ideia do quanto a altitude joga a favor dos locais, basta lembrar que o Santos, badalado por todos, perdeu lá. E, voltando um pouco no tempo, mais precisamente para 2009, nas Eliminatórias da Copa de 2010, podemos facilmente recordar que a Argentina levou meia dúzia da risível Seleção Boliviana. O ar rarefeito é o grande craque do The Strongest e da Bolívia, ora pois.

No entanto, considerar o empate bom resultado não significa que o Inter deva jogar para empatar. Se o The Strongest tem a altitude, o Inter tem Dátolo, Dagoberto, Damião e Oscar. O grande desafio para o Colorado é saber jogar com parcimônia. Tocar a bola no pé, não esticar jogadas, manter a posse da redonda e o controle do jogo. Não pode ceder à pressão que os locais tentarão impor, sob pena de ficar correndo atrás da bola e perder o fôlego, já diminuto, mais rapidamente ainda do que o normal. É partida para fazer prevalecer a combinação qualidade técnica/experiência. Se o Inter conseguir isso, dá pra tirar uma casquinha e sonhar com os três pontos.

A expectativa é grande para um jogo que ganha ares de decisão. Se uma derrota pode deixar o Inter em situação delicada, uma vitória ou mesmo um empate, por outro lado, lhe deixam com a classificação relativamente bem encaminhada, tendo pela frente o Santos no Beira-Rio e o Juan Aurich, eliminado, morto e sepultado, no Peru. 

Tranquilidade e sabedoria, portanto, são pré-requisitos indispensáveis para o jogo de hoje. Tais virtudes podem valer a classificação, e até mesmo a liderança, para o Colorado, ao final da fase de grupos.

terça-feira, 20 de março de 2012

DC Gourmet: sanduíche de presunto

Ingredientes:
- 1 pão francês;
- 1 fatia de presunto;
- 1 fatia de queijo lanche;
- Margarina.

Modo de preparo:
- Com uma faca, abra o pão francês;
- Passe a margarina no vão aberto do pão;
- Coloque a fatia de queijo;
- Em seguida, coloque a fatia de presunto;
- Pressione o pão, com o objetivo de compactar o sanduíche.

Observações:
- A faca utilizada para passar a margarina pode ser a mesma utilizada para abrir o pão;
- Dependendo do tamanho das fatias de presunto e queijo, as mesmas podem ser dobradas, para melhor se adequarem ao pão.
- Existem variações da receita que utilizam, ao invés de margarina, requeijão ou maionese;
- Chaves curtiu isso.

Bom apetite!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Quatro e meia

- Nossa, esse Big Mac tá espetacular, Ernesto!
- É muito bom, mesmo, Simão. Mas ainda prefiro meu Mc Nífico de bacon.
- Bacon é bom.
- Bacon é demais.
- Mas acho que o diferencial do Mc Donald's é o queijo.
- O queijo é sensacional! Acho que é o toque principal,de fato.
- E a Coca, sempre hiper-mega-gelada.
- Verdade! Nada como uma Coca-Cola beeem gelada!
- Não há refri que se chegue aos pés da Coca.
- Pois é... Mas tu acredita que esses dias fui num aniversário e só tinha Fruki?
- Fruki? Nossa, que chinelagem...
- Um horror.
- Ei, que horas são, hein?
- Deixa eu ver aqui... Quatro e meia.
- Quatro e meia já? Putz! Vamos nos agilizar! 
- Pra quê?
- Tu esqueceu? Às cinco tem a marcha contra o capitalismo e o imperialismo estadunidense! O pessoal vai se concentrar na frente da Prefeitura! 
- Putz! Verdade!
- Não podemos nos atrasar!
- Mas vamos antes pegar uma Coca-Cola pra viagem! 
- Boa ideia! Vamos levar também umas Mc Fritas pra irmos comendo no caminho!

domingo, 18 de março de 2012

Panqueca

Sérgio apresenta Cláudia e Fabiana, no restaurante:

Sérgio: - Fabiana, está é a minha amiga Cláudia; Cláudia, esta é a Fabiana.
Cláudia: - Muito Prazer!
Fabiana: - Prazer! Er... E a história da panqueca?
Cláudia: - Hein?
Fabiana: - Da panqueca! O Sérgio me falou que você iria contar a história da panqueca!
Cláudia: - Panqueca?
Sérgio: - Sim, Cláudia! Da panqueca! Lembra? Panqueca!
Cláudia: - Não faço a menor ideia do que vocês estão falando!
Sérgio: - Da panqueca! Da panqueca!
Cláudia: - Não sei de panqueca alguma! Odeio panqueca!
Sérgio: - Odeia panqueca?
Cláudia: - Odeio!
Sérgio: - Então não tem nenhuma história da panqueca?
Cláudia: - Não! Já disse que não tem nada de panqueca! Você tá louco?
Sérgio: - Ué... Poxa vida...  

sábado, 17 de março de 2012

Fim da novela (?)

O anúncio no site oficial do Inter da assinatura do contrato com a Andrade Gutierrez, prevista para a segunda-feira, aparentemente encerra a triste novela que se tornou a questão "reforma do Beira-Rio".

Digo "aparentemente", primeiro, porque teremos pela frente 20 anos de "parceria" com a AG. Claro, agora com contrato assinado, a situação muda de tonalidade. Porém, querendo ou não, é um casamento de 20 anos com ele, o cafajeste. Até que ponto será harmoniosa a relação Inter/AG? Só o tempo dirá.

O segundo motivo para eu ainda ter reservas quanto ao encerramento da tal novela é muito mais psicológico do que qualquer outra coisa. Depois de tantos caminhos e descaminhos, assina/não assina, aprova/desaprova, só acreditarei efetivamente que as coisas se encaminharam quando as máquinas da AG estiverem, de fato, trabalhando na reforma do Gigante.

Quantos prazos Luigi já deu? Quantos "em 20 dias" nós já ouvimos? Quantas notícias desencontradas já vieram de todos os lados? Quantas reviravoltas aconteceram no caso? Motivos há, de sobra, para estarmos com a "Síndrome de São Tomé". Que me desculpem os que já comemoram, mas eu só acredito vendo.

O processo todo foi muito traumático. Houve imenso desgaste de ambas as partes. A imagem do Inter ficou arranhada pela lentidão, pelo arrastamento, e pela inexplicável parada das obras quando ainda se tinha recursos para tocá-las um pouco mais enquanto o contrato não fosse assinado: o Colorado deixou o mato crescer, e a cada dia que se passava, colocou-se mais dramaticamente na posição de refém. E a da AG, nem se fala. Com sua postura de cafajeste e evasiva, queimou o filme com a torcida colorada, com o povo gaúcho, com a direção do clube, e com todas as esferas governamentais. Vai ter que ser muito competente e eficiente para reverter esta imagem. 

O imbróglio todo, portanto, não foi nem um pouco positivo para ninguém. E, independentemente dos desdobramentos e consequências posteriores, só o fato de se ter o contrato assinado já representará um senhor alívio. O constrangimento foi excessivo. Terminá-lo já representa uma vitória em si mesma. Mas comemorá-la me parece uma demasia. É melhor esquecê-la e tocar a vida em frente. Mais ou menos como o co-irmão deveria ter feito com a "Batalha dos Aflitos".

sexta-feira, 16 de março de 2012

Amor através do vidro

João Pedro era um garoto simples de 8 anos de idade.

Gostava de correr pelo campo, gostava de colher laranjas.

Gostava também da Glorinha.

Ela tinha 10 anos.

Quando ia à escola, a menina sempre passava em frente à janela do quarto de João Pedro.

E ele sempre tinha aquele compromisso consigo mesmo, e com aquela menina, mesmo que ela daquilo não soubesse.

Chegava da sua aula, que era pela manhã, e almoçava rápido para correr para a janela.

Uma da tarde ela passava na ida.

Cinco e quarenta, ela passava na volta.

Glorinha jamais havia visto João Pedro.

Ela nem sabia da sua existência.

A rotina seguia sempre assim.

Passaram-se cinco anos.

E o garoto João Pedro, a esta altura com seus 13 anos, permanecia vivendo aquele simples, doce e rotineiro amor platônico.

Continuava almoçando rápido e correndo para a janela.

Um dia, Glorinha, pela primeira vez talvez, viu João Pedro espiando. 

Pelo menos foi a primeira vez em que ela demonstrou ter visto.

Ao perceber que a menina o havia flagrado, o garoto, em ato reflexo, acenou.

E Glorinha sorriu.

João Pedro cristalizou aquela imagem em sua mente.

E sonhou, sonhou, sonhou.

Experimentou a mais genuína das felicidades.

No dia seguinte, tudo se repetiu. 

E assim passou a ser: todos os dias, o aceno de João Pedro era retribuído com aquele sorriso.

"Sorriso mais doce que as laranjas que eu colho", descrevia ele, bobamente, para os amigos.

Meses, meses e mais meses se desenrolaram.

Até que um dia, Glorinha passou, pontualmente, uma da tarde.

Era pra ser mais uma gostosa reprise daquela maravilhosamente pura troca de gestos.

Mas não, não foi.

Havia, então, algo diferente.

Glorinha estava de mãos dadas com o Cléber, que era um garoto mais velho, de 17 anos.

O coração de João Pedro, então, se partiu.

Ao invés do aceno, uma lágrima.

Glorinha sequer percebeu.

João Pedro deparava-se, então, com seu primeiro desencanto.

E Glorinha encantava-se por demais com seu primeiro amor, sorria, e sorria, e sorria.

Mas, para João Pedro, não era mais um sorriso comparável às laranjas que colhia.

Era amargo, era doído.

Cada risada da menina representava um soluço magoado do ainda inocente garoto.

Naquele momento, ele aprendia que a vida é feita de encantos e de desencantos.

E que o encanto de um pode ser o desencanto de outro.

Não são poucas as vezes em que o amor é um jogo de soma zero.  

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mais velho

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- Pedro, sabe aquela moça com quem eu estava saindo?
- A do Halls?
- Não, não! Essa já era faz tempo! Tô falando da Fabiana. Você me viu com ela aquele dia no supermercado.
- Ah, sim! Lembrei! Nos encontramos bem na seção dos molhos! Seus danadiiiiinhos!
- É, isso mesmo...
- E aí? Continua saindo com ela?
- Pois é... Ela terminou tudo ontem.
- Ué! Mas por quê? Vocês até já estavam comprando molhos juntos! Seus danadiiiiinhos!
- Ah, ela disse que eu era muito novo pra ela.
- Novo? Mas vocês têm a mesma idade!
- Eu sei, eu sei... Mas ela disse que gosta de homens mais velhos...
- Mas isso é uma injustiça! Você pode facilmente se passar por mais velho! Você tá um caco!
- Sim! Estou um caco! 
- Um horror!
- Sim! O mais caco dos cacos! Tentei argumentar que estou um caco, mas não adiantou... Ela quer um homem mais velho de verdade.
- De verdade?
- Sim.
- Putz... Mas é muito estranho!
- Totalmente!
- O sonho de consumo dela deve ser uma G Magazine do Cid Moreira.
- Uau... Nunca tinha pensado nisso... O Cid Moreira é um velhinho bem sensual, mesmo.
- Você acha?
- Sim, acho...
- Bom... Mesmo assim, é exótico! Pornô pra ela, só se fosse um pornô da terceira idade!
- Pornô viagra.
- "Querida, tira a dentadura! Assim fica mais gostoso! Isso! Agora tira a fralda geriátrica bem devagarinho..."
- Que coisa. 
- Acho que ela leva esse negócio de Kid Bengala muito ao pé da letra...
- Verdade.
- Bom... De repente ainda dá pra fazê-la mudar de ideia!
- Hum... Como?
- Faz ela conversar com a Cláudia. Diz que é uma grande amiga sua. E faz ela perguntar pela história da panqueca.
- Panqueca?
- Sim. Panqueca.
- Tem certeza?
- Claro! Panqueca! Quando ela perguntar da panqueca, a Cláudia vai saber na hora do que se trata. E, vai por mim, a história da panqueca pode mudar tudo!
- Mesmo?
- Mesmo! Faz isso que você vai ver! Vai por mim! 

terça-feira, 13 de março de 2012

O Inter ganhou como grande time que ele é

Sim, o The Strongest fede de ruim.

Sim, isso deve ser considerado em qualquer análise.

Mas, sim, o Inter jogou como time grande.

Sim, o Inter ganhou ao natural, impondo-se com cristalina e esperada superioridade.

Sim, o Inter colocou na mesa a sua grandeza.

Sim, o Índio, quando está em forma e está a fim, é um zagueiro extraordinário.

Sim, o meio de campo com Tinga e Guiñazu de volantes fica muito melhor, e não perde nada em poder de marcação.

Sim, Dátolo, de origem jogador de flanco, adonou-se do time como clássico armador, como maestro pelo meio.

Sim, Oscar, mantendo seu posicionamento de meia-atacante cumpriu seu papel com competência.

Sim, Dagoberto tem que ser titular sempre, mesmo que falte treino, mesmo que roube, mesmo que mate.

Sim, Damião é um grande artilheiro, mesmo não estando rendendo ainda tudo o que pode render.

Sim, lá, na volta, vai ser bem mais difícil.

Sim, lá o ar vai faltar.

Sim, a classificação ainda está a perigo.

Mas sim, com ar, sem ar, o Inter é mais time, e tem que agredir.

E não, nunca mais, pelo amor de Deus, sob circunstância nenhuma, se cogite cogitar um time com três volantes sem qualquer vocação ofensiva.

Porque sim, hoje ficou mais do que provado, esse elenco do Inter é feito para jogar, para tocar a bola e atacar o adversário, e não para se retrancar como time pequeno e admirar adversários.

E sim, esse Inter de hoje pode encarar qualquer adversário do continente sem medo, porque é um belíssimo time.

Sim, o Inter com atitude é candidato ao título.

E não, o Inter medroso da Vila Belmiro não é o verdadeiro Inter, e não pode sê-lo.

Sim, o futebol pode até perdoar um acinte à inteligência humana uma vez.

Mas não, ele não o fará por duas vezes numa Libertadores da América. 

Ganhar para não se complicar

O Inter tem uma missão fundamental na noite de hoje, diante do The Strongest, no Beira-Rio: ganhar. Jogar bem é bom, jogar bem é importantíssimo. Mas a grande urgência remete aos três pontos. Se não ganhar hoje, o Colorado verá sua classificação extremamente complicada, pois no segundo turno enfrentará dois jogos na altitude e o Santos em casa, partida dificílima por si mesma.

Eu já havia adiantado aqui mesmo no DC que este grupo não seria barbada (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2012/02/classificacao-que-da-moral.html). A vaga nas oitavas passa, sim ou sim, pelo jogo de hoje. 

Mesmo sem D'alessandro, o Inter, ao que tudo indica, terá uma escalação mais coerente, um meio campo menos engessado, mais  ofensivo, com Guiñazu e Tinga de volantes, acompanhados de Oscar e Dátolo mais à frente, e claro, Dagoberto no ataque, fazendo parceria com Damião. É assim que tem que ser. Que aquela escalação esdrúxula da Vila Belmiro fique apenas nos arquivos do clube, numa pasta chamada "Como não fazer". Aquele Inter que encarou o Santos lá, convenhamos, brigaria para não ser rebaixado no Brasileirão.

Assim, logo mais o Colorado terá que se impor, porque o The Strongest, sem altitude, é um Sansão sem os seus cabelos. Longe de La Paz, o The Strongest vira The Weakest, com todo o respeito. Então o Inter tem que buscar pressionar o adversário ao longo dos 90 minutos, ter postura de time grande, como não teve na semana passada, e, se der, fazer uma boa diferença de gols. O saldo pode acabar definindo este grupo (hoje mesmo o alvirrubro estaria eliminado precisamente por este critério).   

segunda-feira, 12 de março de 2012

Entre San Juan e Mendoza

Pedro e Cláudia, conversando na lancheria:

- Pedro, ontem saí com o Jeremias.
- Aquele senhor de terceira idade de quem você tinha falado?
- Ah, não exagera também, né? Ele só tem 61 anos.
- É... Bem novinho... Mas, me conta... Como foi?
- Pois é... Er...
- Iiiih...
- É que não foi bem como eu esperava...
- O que aconteceu?
- Bom... Ele... Ficou entre San Juan e Mendoza...
- Hein? Como assim?
- Sabe... Ele não chegou ao ápice...
- Não "terminou o serviço"?
- Não! Se fosse isso, até não seria tão grave, não seria tão ruim assim...
- Continuo não entendendo...
- Ele... Ficou numa "situação intermediária", se é que você me entende...
- Ah! Ficou à meia bomba!
- Isso...
- Nossa...
- E ele quis "fazer" mesmo assim... Foi horrível... Era como ter uma panqueca "entrando ali".
- Uau... Isso é terrível... Perturbadora essa analogia...
- Nunca mais quero vê-lo! Foi traumatizante!
- Ah, tente compreendê-lo... Talvez ele estivesse de luto.
- De luto?
- Sim... Por isso ficou a meio mastro...
- Ah, muito, muito engraçado. Ha ha ha...
- Desculpa... Foi mais forte que eu... 

domingo, 11 de março de 2012

Casamento em crise

- E aí, meu bem? O que vai ter no almoço?
- Frango grelhado, salada de beterraba,  e arroz à grega.
- Aaargh... Por que você não faz algo menos... Sei lá...
- Já vai começar a reclamar? Não basta tudo que eu já faço nessa casa enquanto você fica o fim de semana inteiro na frente da tv, arrotando, peidando, tomando cerveja e olhando futebol? Nunca tem uma palavra de carinho, vive me criticando, fala das minhas roupas... Não aguento mais isso! 
- Ah, não reclama! Que mania de encher o saco por qualquer coisinha que eu falo! 
- Nossa, que grosseria! Quando nos conhecemos você não era assim. Aí eram flores, carinho, me levava aos melhores restaurantes, até abria a porta do carro pra mim!
- Ai, ai, ai... Já vai começar o mimimi?
- Não é mimimi! Eu tenho sentimentos, sabia?
- Tá, chega, chega.
- Não, não e não. Não dá mais. Não pode continuar assim. Temos que conversar. Acho que tá na hora da gente discutir a nossa relação, Estela.
- Não, Renato, agora não. Deixa eu ver o jogo do Milan, tá?   
- Ai, meu Deus, não aguento mais isso... Bem que a mamãe tinha me avisado... 

sábado, 10 de março de 2012

Voltando para casa

João estava se divertindo com os amigos.

Mas teve de voltar cedo, lá pelas nove.

Sabe como é, a noite...

Ao chegar em casa, abre o primeiro portão.

Tranca o primeiro portão.

Abre a grade que protege a porta de madeira.

Abre a porta de madeira.

Tranca a grade que protege a porta de madeira.

Tranca a porta de madeira.

Assim, e só assim, poderá dormir com alguma paz.

Não possui dívida alguma para com a sociedade.

É um cidadão livre...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Amarga maçã

Nascidos do útero de um mundo sujo, somos apenas dúvidas.
Eles nos ensinam a manter estruturas falidas.
Não, estes valores não são meus.
Se vou morrer igual, que seja pensando por mim mesmo.

Normas e regras nos aprisionam a uma vida que não escolhemos.
Eu lutarei, eu gritarei, não me entregarei tão fácil.
Viro as costas, tenho meus próprios filtros.
Verdades enfeitadas no fundo são mentiras.

A noite cai, e lá fora todos encenam uma maldita peça teatral.
Estou fora do espetáculo, rasgo todas as minhas falas.
Já presenciei muitas farsas, e hoje sei bem aquilo que não quero.
Sobrevivo municiado de uma lucidez insana e explosiva.

O perigo está próximo, minas estão escondidas sob nossos pés.
Não adiantará temer nem fugir.
Mate ou morra, estamos todos em estado de natureza.
Somos seres anacrônicos lutando por mais um dia de vida.

O céu desaba em fúria.
Prestamos nossas contas.
Não há saída possível.
O velho implora por piedade.

Não somos mais nada, meu amigo.
Choramos sangue, amarga maçã atravessada em nossa garganta.
Não há mais luz, não há mais poder.
É tarde demais para nascer de novo...    

quarta-feira, 7 de março de 2012

O Inter perdeu como timeco que ele não é

Perder para o Santos na Vila é aceitável, e até certo ponto normal. O que não é aceitável e tampouco normal é perder da maneira fiasquenta e covarde como o Internacional perdeu ontem. Dorival escalou o Inter como se o Inter fosse um timeco. Como timeco o Inter jogou a maior parte do jogo. Como timeco o Inter perdeu o jogo.

Era previsível que o esquema com três volantes não funcionaria. O efeito esperado foi o efeito observado. O Inter chamou o Santos para o seu campo. Ficou embretado. O primeiro tempo foi algo constrangedor. O Colorado não viu a cor da bola, levou um gol, e merecia ter levado pelo menos mais uns dois. Damião, isolado, nada fazia. D'ale e Oscar, sem vislumbrarem movimentação ofensiva, pelo simples fato de não haver setor ofensivo para se movimentar, sucumbiram à marcação santista. E os volantes... Bem, os volantes foram solenemente esmagados, e limitaram-se a assistir, abobalhadamente, ao movediço meio de campo do Peixe criar oportunidades em cima de oportunidades.

O Inter jogou no lixo 45 minutos. Na volta, Dátolo poderia melhorar um pouco as coisas, embora o principal problema persistisse: Damião continuava ilhado em meio aos zagueiros da equipe paulista. Neymar, então, fez um golaço. Só a partir de então Dorival Júnior resolveu fazer o óbvio. Colocou Dagoberto, deu um parceiro ao centroavante do Internacional. E só a partir daí o Inter efetivamente entrou em campo, e deixou de ser aquele amontoado de jogadores que batiam cabeça enquanto o Santos jogava. Só a partir daí o Inter passou a agredir o adversário.

Aí, a partida deu uma emparelhada. Aí, o Inter teve ao menos um pingo de dignidade em um confronto absolutamente deprimente. Fez seu gol com Damião, mas logo em seguida levou outro de Neymar, o dono do jogo. A partir de então, o Colorado, mesmo com maior presença no campo adversário, viu a vaquinha rumar ao brejo, mandando beijinho e tudo. Nada mais poderia ser feito.

O Inter perdeu tempo dentro do jogo, atuando de maneira covarde e patética. Dorival só foi mexer no time quando tudo estava praticamente perdido, quando o fator psicológico era completamente desfavorável para a sua equipe. Não sejamos hipócritas: o Colorado levou uma surra daquelas que não se esquece fácil. Mereceu levá-la. Foi punido por pensar pequeno. Terá, agora, necessariamente que mudar rumos e rever alguns conceitos (Bolatti, por exemplo... O que acontece com esse rapaz, que todos sabemos que é bom jogador, mas tem, dia após dia, acumulado atuações cada vez mais lamentáveis?).

Fato é que o Internacional vai ter que jogar muito mais do que vem jogando, se sonha em se classificar para a próxima fase da Libertadores. Deverá ter muito mais arrojo e ousadia. Não há mais espaço para pensamento derrotista e erros estratégicos bisonhos. Se quiser se classificar, o Inter terá que ser grande como ontem, infelizmente, não foi.        

Dorival e os três volantes

Me parece absolutamente equivocada a estratégia de Dorival Júnior para a partida desta noite, diante do Santos, na Vila Belmiro, pela Taça Libertadores da América. O treinador colorado anuncia uma equipe com três volantes no meio (Bolatti, Élton e Guiñazu) e apenas Damião no ataque, colocando Dagoberto no banco.

Chega até a ser uma ironia o fato de, no momento mais importante do ano até agora, o Colorado retomar uma formatação no 4-5-1, esquema do qual absolutamente todos se queixavam no ano passado, pelo isolamento do centroavante. A maior virtude adquirida pela equipe em 2012, qual seja, um maior poder de fogo, é atirada pela janela pelo seu treinador num momento crucial da temporada, em nome de uma estratégia covarde.

Com os três homens de marcação no meio, o próprio Inter se coloca num brete. D'alessandro e Oscar terão apenas uma opção de armação de jogadas à sua frente: Damião. Uma possível solução seria dar maior liberdade aos laterais, transformando-os em alas. Mas duvido que Nei terá papel ofensivo significativo hoje à noite, pelo simples fato de que pelo seu setor cairá Neymar. É até instintivo que o lateral direito se coloque numa posição de maior resguardo defensivo. Assim, a única válvula de escape do time será Kléber. E nunca se sabe em que "lua" Kléber estará.

As equipes que mais notoriamente superaram o Santos até agora foram aquelas que adotaram postura ofensiva. Nem vou falar do Barcelona, que está num patamar absolutamente diferenciado. Vou falar do Flamengo, que ano passado venceu o Peixe na Vila com uma postura absolutamente agressiva, trocando golpes naquele épico 5 a 4. Será que aquele Flamengo de Ronaldinho, Thiago Neves e Deivid era assim tão melhor que um Inter com D'alessandro, Oscar, Dagoberto e Damião? 

A estratégia do Flamengo foi relativamente simples. A equipe rubro-negra sabia que levaria gols do Santos, porque o Santos tem um ataque muito bom: é difícil segurar a pressão. Ora, já que sabia que tomaria gols, Luxemburgo, à época, optou por agredir o adversário e tentar fazer mais gols. E sua equipe assim o fez.

Já Dorival adota postura contrária. Ao invés de explorar a maior fraqueza do Santos, sua defesa, chamará para o seu campo o setor mais qualificado do Peixe, o seu ataque. Ao invés de tentar dividir o protagonismo com a equipe paulista, o Inter parece conformado a fazer papel de coadjuvante, retrancado e buscando uma ou outra estocada lotérica para ganhar o jogo, por inteira, absoluta e intransferível responsabilidade do seu treinador. Tomara que dê certo. Mas é pouco, muito pouco para um clube Bicampeão da América e Campeão do Mundo. O Inter pode mais. Só falta o próprio Inter se convencer disso.  

terça-feira, 6 de março de 2012

Pisão

Gilmar caminhava distraído pela rua. 

De tão distraído, pisou na perna de um cão que estava deitado na calçada. 

O cachorro imediatamente soltou o gemido característico. 

"Desculpa! Desculpa!", exclamou Gilmar, em ato reflexo.  

O cachorro não o desculpou...

segunda-feira, 5 de março de 2012

Chiclete

A moça adentrou o ônibus.

Era bem bonita.

Loira, olhos verdes, corpo bem torneado.

Postou-se de pé, um pouco à frente do banco no qual eu estava sentado.

Tirou o chiclete da bolsa, e passou a mascá-lo.

Mas não bastava mastigá-lo.

Ela começou a fazer bola.

E fazia muito bem.

Eis uma das maiores frustrações de minha infância.

Nunca aprendi a fazer bola com o chiclete.

Tentava, tentava, tentava, e não conseguia, de jeito nenhum.

Até hoje não aprendi.

É necessário uma língua muito habilidosa, especificamente habilidosa.

Minha língua possui habilidades apenas as mais básicas.

Só o suficiente para viver bem.

Mas aquela moça...

Como aquela moça era habilidosa com sua língua!

Não era uma habilidade ordinária.

Era um tanto artístico, quase circense.

Fazia ali seu showzinho particular, despretensioso e pseudo-inocente.

Na verdade, era uma devassa.

Certamente era.

Podia até não se dar conta disso.

Mas que era, era.

Aquele chiclete azul denunciou tudo...

domingo, 4 de março de 2012

Ex-cabeleireiro

Pedro e seu ex-cabeleireiro, Sidnei, encontram-se casualmente na rua:

- Oi, Pedro...
- Oi...
- Pois é... Quanto tempo, né?
- É...
- E a vida, como anda?
- Er... Bem... Bem...
- Hehe... Que bom...
- É...
- Seu cabelo tá com um corte muito bom...
- Pois é... Hehehe...
- Sedoso, com bastante vida... Seu cabeleireiro deve estar bem feliz, né?
- Sim, sim...
- Bom... É isso então, né?
- É...
- Hehehe...
- Bom... Vou indo lá, então...
- Uhum...
- Tchau...
- Tchau... Nos vemos por aí...  

sábado, 3 de março de 2012

Ainda o cafajeste...

Toda a família da moça grávida continuava a pressionar.

O cafajeste continuava fazendo de conta que nada era com ele.

A mãe, então, resolveu falar grosso.

É a única língua que os cafajestes entendem.

E ele se amansou.

Ficou pianinho, pianinho...

Agora, diz que vai assumir o bebê.

Óbvio, isso não o torna menos cafajeste.

Ele apenas está preservando sua própria saúde...

P.S.: Parabéns, Presidente Dilma, por acabar com a palhaçada. E aos paladinos da lisura e da transparência, que não lançam mão de nada além de suposições e insinuações, saibam que o exercício da pressão é inerente ao jogo político. Não foi a primeira vez e não será a última. Aproveitem e mandem um abraço para o Odone e o Danrlei, que sempre estiveram alheios ao assunto e nunca fizeram pressão nenhuma durante o desenvolvimento desse desgastante processo.  

sexta-feira, 2 de março de 2012

Imagem macabra

Ela está num hospital imundo.
Mente confusa, imagens distorcidas.
O namorado estava a seu lado.
Mas agora ele sumiu.

Ambiente estranho pelos corredores.
Ela corre, ela precisa de explicações.
Junto a uma poça de sangue, depara-se com a cabeça do jovem rapaz.
Agora só resta fugir.

Eles estão por todos os lados.
Perseguição alucinante.
Homens, pombos, olhando para o nada.
Carnívoros, sanguinários, famintos...

A pobre garota luta pela própria vida.
Consegue sair, mas algo ficou pelo caminho.
Depara-se com a grande organização.
Eles seguem seu líder, eles farão tudo por seus dogmas.

Em pânico, ela grita.
Em pânico, ela acorda.
Era tão somente um pesadelo.
Aliviada, levanta do leito e segue pelo corredor para ir ao banheiro.

E lá está a poça de sangue, junto à macabra imagem, refletindo o mais puro desespero humano...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Confissões no quarto

Leandro se acorda no meio da noite com o choro de Anita, sua namorada:

- Ô, meu bem, o que aconteceu? Por que você tá chorando?
- Ai, amor... Deixa pra lá...
- Pode falar, Anita... Pode se abrir.
- Será que você não vai ficar bravo?
- Claro que não! Pode dizer!
- É que eu tenho uma coisa pra te confessar...
- O que foi? Pode falar!
- Eu... Eu te traí.
- Ai, meu bem... Tá... Tudo bem... Como é que foi?
- Qual das vezes?
- Foi mais de uma, então?
- Foi... Foi...
- Er... Com quem foi?
- Teve uma com um amigo de longa data...
- Hum... O Pedro?
- Sim, ele... Me perdoa?
- Tudo bem, tudo bem...
- Também fiquei com o teu amigo, o Jéfferson...
- Ah, não! Ah, não! Ele era o meu melhor amigo! Que sacana! Nunca mais olho na cara daquele crápula!
- Não fica assim... Me perdoa?
- Tá... Perdôo...
- E teve também o meu primo...
- O Breno? 
- Sim, ele...
- Porra! Eu odeio o Breno! Podia me trair com qualquer um... Mas... Com o Breno?
- Desculpa... Por favor, me perdoa!
- Tá... Tudo bem...
- É... E teve o teu irmão, também...
- Hein? O Vander? Mas que filho da puta!  
- Pois é... Aconteceu...
- Mas... Mas... 
- Ai, amor... Por favor... Não fica assim... Me perdoa?
- Ô, meu bem... Te perdôo... Tá tudo bem...
- Bom... Sabe o seu pai?
- Er... Não... Você não...
- Sim! Mas aconteceu! Não foi culpa minha! E nem dele! Rolou! Coisa de momento!
- Meu Deus do céu!
- Ai, amor... Pára com esse ciuminho besta!
- Pombas...
- Me perdoa?
- Tá... Tá... Eu perdôo. Como é que eu poderia não te perdoar? 
- Ai, que bom!
- Er... Tem mais alguém?
- Não, não, Lê... Eram só esses.
- Ah, menos mal.
- Tudo bem, então?
- Sim... 
- Você sabe que eu te amo, né? 
- Óin... Também te amo.
- E quero que você saiba que, aconteça o que acontecer, você sempre vai ser único pra mim. 
- Sim, eu sei que sou único. Por isso que confio tanto em ti, meu bem.
- Ai, você é um fofo!