terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Olhos abertos

Está escuro lá fora. E eu estou em claro no meu quarto. Nem sempre o sono vem fácil. O corpo pede descanso. Mas a mente trabalha. Ela não para.

Remoo as lembranças. O passado engalfinha-se com meus pensamentos. Minha razão ordena: "Olhe para a frente!" Mas o pretérito se faz presente. Ainda.

O que passou não existe mais. Simples. A rigor, nunca existiu. Meu vazio, no entanto, não reside no passado, pelo menos não nele isoladamente. Reside muito mais no futuro. Um futuro que não chegou. E haverá, para um ser humano, qualquer que seja, vazio maior do que este?

Lembro-me dos dias em que eu sonhava. Sim, um dia eu já sonhei! E acordei. E sonhei de novo. E acordei novamente. E tornei a sonhar. E acordei de novo. E de novo. E de novo. Água gelada no rosto. Sempre.

Hoje, não sonho mais. Sequer fecho os olhos. Tornei-me mais prático. Talvez isso faça de mim um ser humano pior, não sei. Só sei que quero apenas viver. Sem dor. Sonhar machuca. Por isso, sigo de olhos abertos. Arregalados.

A noite? Ela se vai logo. O sono? Este não vem, e acho que não virá. É melhor assim. 

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