sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Entre o profissionalismo e a consciência

Terminado o julgamento de Lindemberg, condenado a 98 anos de prisão (dos quais cumprirá apenas 30, quiçá 15), a advogada do mesmo, Ana Lúcia Assad, afirmou que pedirá anulação do júri.

Não sei se é o que ela queria. Até acho que é. Mas ela "apareceu" demais no processo. Não na medida de uma advogada de defesa que cumpre seu papel. Ela extrapolou este papel. Com argumentos esdrúxulos, patéticos e risíveis, virou uma espécie de vilã, de folclore.

É impossível negar que Ana Lúcia entrou de corpo e alma na disputa. Defendeu e defende apaixonadamente o assassino Lindemberg. Se por um lado isso é sinal de profissionalismo (um profissionalismo até assustador, é bem verdade), por outro estabelece uma questão filosófica: e quando o profissionalismo entra em conflito com a consciência? O que pesa mais?

Num caso como este de Ana Lúcia e Lindemberg, é necessário, convenhamos, ter estômago. O rapaz tem todo o direito à defesa, e isso eu jamais discutirei. Discutirei, sim, quem assume o papel de defendê-lo. E o faz com tanto afinco.

A advogada mostrou-se dedicada, sem dúvida. Eu diria irritantemente dedicada, pois qualquer pessoa que acompanhou minimamente o caso e tem sangue correndo nas veias deveria se incomodar com a postura de Ana Lúcia. De tão indefensável que era o caso em que ela se embrenhou, teve de recorrer aos artifícios mais lamentáveis. Deu showzinhos, terceirizou responsabilidades (até a pobre Eloá ela chegou a responsabilizar!), e fez afirmações que subestimam a inteligência de qualquer ser humano com mais de dois neurônios. Lindemberg é um menino bom? Lindemberg é ingênuo? Lindemberg amava Eloá? Ele seguiu um impulso?

Menos, né? Bem menos. Menino bom não sequestra, não atira, não mata. Uma pessoa ingênua não bate na namorada, não desafia a polícia, não passa dias mantendo outrem em cárcere privado. Uma pessoa que ama a outra não ameaça e nem pensa em matar: dê-se qualquer outro nome ao sentimento dele; amor, não. Ações por impulso não se dão em dias: se dão em minutos, em segundos. Lindemberg teve tempo suficiente para pensar no que fazia. Teve tempo suficiente para colocar a cabeça no lugar e desistir daquilo. Não o fez.

Nesse mato sem cachorro, Ana Lúcia Assad sai derrotada. Tentou defender o indefensável e não conseguiu, o que era óbvio. Deu tudo de si para safar um assassino. Utilizou até os mais rasteiros recursos que poderia utilizar, tudo dentro, evidentemente, das possibilidades apresentadas. 

E ela não desiste! Chega a ser um fenômeno! Vai até as últimas consequências por um assassino indesculpável. Lógico, não vai dar em nada.

O que me restaria dizer? Sei lá. Parabéns, então, à Ana Lúcia Assad pelo profissionalismo, até exagerado. Desejo do fundo do coração que ela consiga colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir em paz. Só isso.    

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