quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Andrade Gutierrez: um cafajeste na vida do Inter

Parece um conto de fadas às avessas. Estava lá o Inter, levando sua vida, reformando sua casa aos poucos, dentro de suas possibilidades, quando, então, com voz macia e sedutora surgiu a tal da Andrade Gutierrez, prometendo mundos e fundos, e um limite estupendo no cartão.

O clube ficou instantaneamente seduzido (e não posso deixar de lembrar que eu fui um dos que defenderam a parceria, aqui mesmo, no DC). Tal qual uma mocinha desvairada e apaixonada, parou tudo. Com isso, tornou-se refém.

De forma passiva, o Colorado foi estreitando as relações. E a tal Andrade Gutierrez ali, sempre fazendo a cabeça da mocinha. Os pais e alguns parentes alertavam para os perigos de paixão tão repentina. Mas a mocinha acreditou. Jogou-se de corpo e alma nos braços daquele rapaz, meio obscuro, meio misterioso.

A mocinha, crente nas palavras da Andrade Gutierrez, engravidou. Os problemas do Inter com seu estádio assemelham-se muito a uma gravidez: vão crescendo, crescendo, crescendo... E dando cada vez mais enjôos.

Aí, meus amigos, revelou-se de uma vez por todas a verdadeira face da Andrade Gutierrez. Trata-se de um cafajeste da pior espécie. 

Enquanto a moça, desesperada, descabelava-se, ele, o cafajeste, mantinha-se escondido em algum lugar. Nada era com ele. A mocinha ligava, a mocinha mandava mensagens, a mocinha buscava contatos para ao menos resolver a situação. Mas o rapaz não atendia, o rapaz não respondia. De vez em quando, mandava um e-mail evasivo que nada dizia. E nada mais.

A criança está quase nascendo. A gravidez de risco vai chegando ao fim. Talvez dê em aborto. A família toda pressiona. E a Andrade Gutierrez continua fingindo que não é com ela.

O erro da mocinha: deixar de trabalhar e de ter sua independência logo de cara, sem ter maiores certezas acerca do caráter do sujeito. Amoleceu as pernas, esqueceu-se que sempre fora uma mulher forte. Entregou-se demais a quem não merecia. Confiou demais em quem prometia casamento mas, no fim das contas, só queria uma noite de sexo.

Final feliz é praticamente impossível. O que sobra? Um final minimamente digno. E só.

Que ela dê um pé na bunda do sem-vergonha e siga sua vida criando seu bebê da maneira que der, mesmo que com dificuldades. Que faça um DNA e arranque uma pensão gorda, até mesmo para compensar tudo o que ela passou até então. E que este pesadelo acabe logo.         

Não dá mais pra AGuentar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Conserto

Dois mecânicos, conversando em frente à oficina:

Valdir: - Cara, tô pensando em colocar uma faixa aqui na frente da oficina... Pra dizer que a gente também conserta bicicletas.
Osvaldo: - Pois é... É uma boa.
Valdir: - Eu mesmo vou fazer, pra economizar mão-de-obra.
Osvaldo: - É isso aí!
Valdir: - A única dúvida que tenho é com essa palavra, "conserto". É com "s" ou com "c"?
Osvaldo: - É com "c", oras... Acha que é o quê? "Sonserto"?
Valdir: - Não, animal! Tô falando do meio da palavra!
Osvaldo: - Aaaah!
Valdir: - Será que é com "s" ou com "c"?
Osvaldo: - Eu sei que o da música, aquele dos maestros, é diferente do nosso.
Valdir: - Humm... E aí? 
Osvaldo: - Ah, acho que é com "c", mesmo.
Valdir: - Será?
Osvaldo: - Ah, a chance de acertar é de 50%, ué. E o que importa é que o pessoal entenda.     
Valdir: - Pois é...
Osvaldo: - Mas, vem cá, porque tu não pergunta pro cara que tá escrevendo isso aqui?
Valdir: - Quem?
Osvaldo: - Esse tal de Bruno... Ele é metido a escritor, deve saber isso.
Valdir: - Será?
Osvaldo: - Sim! Ele até tem um blog, esses negócios de internet.
Valdir: - Hum... E sobre o que é?
Osvaldo: - Ah, umas baboseiras, lá... 
Valdir: - Sim... Esse pessoalzinho só escreve baboseiras, mesmo...
Osvaldo: - Vai lá, pergunta logo!
Valdir: - Será que não vou incomodar? Ouvi dizer que esses caras que escrevem não gostam quando interrompem os escrevinhamentos deles...
Osvaldo: - Não dá nada! Vai lá! Pergunta!
Valdir: - Tá bom, tá bom... Eeeeei! Eeeei! Alguém aí? Eeeei! Brunooo!
Bruno: - Opa! Estou aqui!
Valdir: - Olá! É que eu e o Osvaldo aqui... A gente gostaria de fazer uma pergunta...
Bruno: - Pode dizer!
Valdir: - Assim, ó, é uma dúvida de português... Conserto, esse de carro, bicicleta, de arrumar os negócios, é com "c" ou com "s"?
Bruno: - É com "s", pessoal.
Valdir: - Ah, tá. Brigado!
Bruno: - De nada, de nada... Er... Só uma coisa... Eu ouvi o papo de baboseira, hein?
Valdir: - Hehehe, não foi nada, não... Só brincadeirinha...
Bruno: - Tá certo, tá certo...   

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ejaculação precoce

Para Paulo Pelaipe deve ter doído muito perder para o Boca Juniors sem grife.

Após a eliminação para o Caxias, culpou a arbitragem.

Típico.

Pelaipe não passa de um fanfarrão desequilibrado.

Troféu Renê Simões para ele.

A clássica afirmação de Fernando Carvalho mais uma vez se confirma.

O Grêmio ou ganha, ou empata, ou é roubado.

A euforia tricolor durou quatro dias.

Ejaculação precoce.

O apressado come cru.

O Tricolor vai assistir da poltrona, junto com o Colorado, à final do primeiro turno, entre Novo Hamburgo e Caxias.

E o segundo turno?

Ah, o segundo turno vai ser uma briga de foice no escuro...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Rede social

Cristiano cutucou Alice.

Alice curtiu.

Cristiano resolveu compartilhar com os amigos.

E os amigos de Cristiano curtiram isso. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Gaveta

Abre a velha gaveta.

Fazia tempo que não fazia isso.

Muito tempo...

Tinha, talvez, receio em fazê-lo.

Não queria deparar-se com aquilo que estava guardado.

Papéis empoeirados.

Coisas que ele nem lembrava mais que existiam.

Outro tempo, outra realidade.

Erros documentados.

Uma certa vergonha daquilo que um dia disse, daquilo que um dia fez, daquilo que um dia foi.

Esteve apegado àquilo tudo, ainda que em um canto esquecido da casa.

Mudou.

Rasga tudo que não lhe serve mais.

É hora da limpeza.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Palhaço triste

Sai às ruas todos os dias.
Balões coloridos, sorriso pintado.
Piadas, risadas, fazendo a alegria dos que passam.
Mas ele é apenas mais um palhaço triste.

Uma dor escondida.
Não importa a mais ninguém.
Coração despedaçado sob a fantasia.
Sim, ele é apenas mais um palhaço triste.

Das crianças, a ingenuidade.
Do céu azul, a esperança.
Da maquiagem, o consolo de quem sempre espera pelo amanhã.
Mas ele é apenas mais um palhaço triste.

À noite, rosto limpo em frente ao espelho.
Lágrimas que rolam, realidade em preto e branco.
Sabe que quando o sol se levantar, terá de tornar a sorrir.
Sim, ele é apenas mais um palhaço triste.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Ganhou quem mereceu ganhar

O Grêmio marcou forte.

O Inter, nem tanto.

O Grêmio lutou em cada dividida.

O Inter, nem tanto.

O Grêmio esteve ligado, atento.

O Inter, nem tanto.

O Grêmio buscou o gol, sempre e sempre.

O Inter, nem tanto.

O Grêmio se dedicou.

O Inter, nem tanto.
.
O Grêmio quis vencer.

O Inter, nem tanto.

O Grêmio entrou em campo para jogar um Gre-Nal.

O Inter, para jogar mais uma partida de Gauchão.

O Grêmio venceu.

Merecidamente.

O Inter perdeu.

Mais merecidamente ainda.

Noite de Gre-Nal

Esta noite teremos um dos Gre-Nais (entre titulares) mais desiguais dos últimos anos. É inegável que o momento do Inter é muito melhor do que o do Grêmio. Jogando mais da metade do primeiro turno com time reserva, o Colorado terminou na liderança do seu grupo. Já o Tricolor, com seus titulares, penou para ficar em quarto, com uma última vaga só conseguida porque o Cruzeiro perdeu pontos no tribunal.

O Inter, por ter uma base, é um time maduro, seguro em suas ações. Já o Grêmio é inseguro, instável, pois montou praticamente um time novo nesse início de ano. Trocou seu treinador, mas tem seu problema fulcral  em localização muito mais profunda do que esta. O time azul, preto e branco não tem articulação no meio campo. Seus meias são insuficientes. Na zaga, os problemas continuam, tão sérios quanto no meio: a defesa gremista é um queijo suíço. A parcela de responsabilidade do treinador é pequena: falta é material humano de qualidade nesses setores. 

O favoritismo, considerando tudo isso, evidentemente é do Colorado. Tanto é assim que, amedrontado, o Grêmio, antes de entrar em campo, ameaça pedir na justiça os pontos de uma possível derrota dentro das quatro linhas, caso o Inter escale Oscar. Mais sintomático do que isso, impossível.

É claro, entretanto, que, como diria o sábio filósofo, Gre-Nal é Gre-Nal, e, principalmente em se tratando de um jogo único de mata ou morre, tudo pode acontecer. Mas no papel, antes da bola rolar, o Inter é bem mais time. Não pode, obviamente, abandonar sua raça e sua determinação. Se igualar na vontade, ganha o Gre-Nal. Se entrar de salto alto, displicente, desatento... Bom, aí o Grêmio passa a ter alguma chance.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Teoria e prática

Cláudia e Tina conversam, enquanto bebem uma cerveja do lado de fora de um bar:

- Sabe, Tina, eu ando muito decepcionada com os homens.
- Nem me fala, Cláudia.
- Não sei o que acontece. Não existe mais romantismo, sensibilidade...
- Eles não estão nem aí. São superficiais. Nos olham como pedaços de carne no açougue.
- Além disso, não têm nada na cabeça. Só pensam em aparecer, em carros, enfim, em coisas fúteis.
- Tenho verdadeiro horror dessa gente. Só pensam no corpo. E cérebro, nada?
- Será que é tão difícil achar um cara legal?
- Pois é, amiga... Tem de existir!
- Ei, peraí, olha lá aquele cara no carro!
- Nossa! Olha aquele braço! Que corpo! E que carro! É um Mitsubishi?
- Acho que é!
- Que gostoso!
- Demais!
- Ô, lá em casa!
- Uhuuu! Gatinho! Olha pra cá! Delícia! Aumenta esse 50 Cent, aí!
 - Vem cá, lindo! A gente não morde! Só se você pedir! Eeeei! 
- Uhuuu! Larga essas piriguetes aí e vem pra cá! Uhuuu!  
- Uhuuu!
- Lá se foi ele...
- Que pena...
- Fiquei até com mais calor aqui!
- Nossa...
- Bem... Onde nós tínhamos parado o assunto, mesmo? 
- Ai... Não consigo nem me lembrar...
- Vamos pedir mais uma cerveja?
- Vamos, vamos...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Entre o profissionalismo e a consciência

Terminado o julgamento de Lindemberg, condenado a 98 anos de prisão (dos quais cumprirá apenas 30, quiçá 15), a advogada do mesmo, Ana Lúcia Assad, afirmou que pedirá anulação do júri.

Não sei se é o que ela queria. Até acho que é. Mas ela "apareceu" demais no processo. Não na medida de uma advogada de defesa que cumpre seu papel. Ela extrapolou este papel. Com argumentos esdrúxulos, patéticos e risíveis, virou uma espécie de vilã, de folclore.

É impossível negar que Ana Lúcia entrou de corpo e alma na disputa. Defendeu e defende apaixonadamente o assassino Lindemberg. Se por um lado isso é sinal de profissionalismo (um profissionalismo até assustador, é bem verdade), por outro estabelece uma questão filosófica: e quando o profissionalismo entra em conflito com a consciência? O que pesa mais?

Num caso como este de Ana Lúcia e Lindemberg, é necessário, convenhamos, ter estômago. O rapaz tem todo o direito à defesa, e isso eu jamais discutirei. Discutirei, sim, quem assume o papel de defendê-lo. E o faz com tanto afinco.

A advogada mostrou-se dedicada, sem dúvida. Eu diria irritantemente dedicada, pois qualquer pessoa que acompanhou minimamente o caso e tem sangue correndo nas veias deveria se incomodar com a postura de Ana Lúcia. De tão indefensável que era o caso em que ela se embrenhou, teve de recorrer aos artifícios mais lamentáveis. Deu showzinhos, terceirizou responsabilidades (até a pobre Eloá ela chegou a responsabilizar!), e fez afirmações que subestimam a inteligência de qualquer ser humano com mais de dois neurônios. Lindemberg é um menino bom? Lindemberg é ingênuo? Lindemberg amava Eloá? Ele seguiu um impulso?

Menos, né? Bem menos. Menino bom não sequestra, não atira, não mata. Uma pessoa ingênua não bate na namorada, não desafia a polícia, não passa dias mantendo outrem em cárcere privado. Uma pessoa que ama a outra não ameaça e nem pensa em matar: dê-se qualquer outro nome ao sentimento dele; amor, não. Ações por impulso não se dão em dias: se dão em minutos, em segundos. Lindemberg teve tempo suficiente para pensar no que fazia. Teve tempo suficiente para colocar a cabeça no lugar e desistir daquilo. Não o fez.

Nesse mato sem cachorro, Ana Lúcia Assad sai derrotada. Tentou defender o indefensável e não conseguiu, o que era óbvio. Deu tudo de si para safar um assassino. Utilizou até os mais rasteiros recursos que poderia utilizar, tudo dentro, evidentemente, das possibilidades apresentadas. 

E ela não desiste! Chega a ser um fenômeno! Vai até as últimas consequências por um assassino indesculpável. Lógico, não vai dar em nada.

O que me restaria dizer? Sei lá. Parabéns, então, à Ana Lúcia Assad pelo profissionalismo, até exagerado. Desejo do fundo do coração que ela consiga colocar a cabeça no travesseiro à noite e dormir em paz. Só isso.    

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Menino bom e ingênuo

O menino bom e ingênuo sequestrou.

O menino bom e ingênuo negociou com a polícia.

O menino bom e ingênuo ameaçou.

O menino bom e ingênuo agrediu.

O menino bom e ingênuo até tinha uma arma!

O menino bom e ingênuo atirou.

O menino bom e ingênuo machucou.

O menino bom e ingênuo matou.

Ainda bem que ele é um menino bom e ingênuo.

Se não fosse um menino bom e ingênuo, imaginem o que poderia ter feito!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Tarja preta

No consultório médico:

- Diga-me, meu rapaz, qual o seu problema?
- Doutor, é o seguinte: tenho sofrido muito de insônia. Não consigo dormir de jeito nenhum. São noites e noites em claro.
- E você já tentou tomar um suquinho de maracujá, ou algo assim?
- Doutor, já tentei de tudo. Já tomei suco de maracujá, água de melissa...
- Bom... Talvez tenhamos que partir para algo um pouco mais forte. Um tarja preta. Talvez um Lexotan...
- Já tentei também, doutor! Sei que é errado, mas pedi para um amigo que tinha receita... O desespero era grande.
- É, isso realmente é errado. Mas não vem ao caso agora. Temos é que resolver o seu problema. Então, nem o Lexotan adiantou? Nem um pouquinho?
- Não, doutor. Nadinha.
- Bom... Parece que o caso é sério, mesmo. Acho que precisaremos de uma medida mais drástica. Não é muito recomendável. Só faço isso em casos muito extremos. Vou te receitar algo mais pesado. Mas muito pesado mesmo.
- Isso, doutor! Preciso resolver esse problema. E logo! Não aguento mais! Fico o dia inteiro que nem zumbi!
- Tá aqui a receita. Um cd do João Gilberto. Mas é só uma vez ao dia, antes de dormir! Só isso! Superdosagem pode provocar uma queda brusca de pressão, coisa séria, mesmo.
- Certo. Obrigado, doutor... Espero que faça efeito!
- Não tem o que agradecer. Vai fazer efeito, sim. Não tem erro.    

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Olhos abertos

Está escuro lá fora. E eu estou em claro no meu quarto. Nem sempre o sono vem fácil. O corpo pede descanso. Mas a mente trabalha. Ela não para.

Remoo as lembranças. O passado engalfinha-se com meus pensamentos. Minha razão ordena: "Olhe para a frente!" Mas o pretérito se faz presente. Ainda.

O que passou não existe mais. Simples. A rigor, nunca existiu. Meu vazio, no entanto, não reside no passado, pelo menos não nele isoladamente. Reside muito mais no futuro. Um futuro que não chegou. E haverá, para um ser humano, qualquer que seja, vazio maior do que este?

Lembro-me dos dias em que eu sonhava. Sim, um dia eu já sonhei! E acordei. E sonhei de novo. E acordei novamente. E tornei a sonhar. E acordei de novo. E de novo. E de novo. Água gelada no rosto. Sempre.

Hoje, não sonho mais. Sequer fecho os olhos. Tornei-me mais prático. Talvez isso faça de mim um ser humano pior, não sei. Só sei que quero apenas viver. Sem dor. Sonhar machuca. Por isso, sigo de olhos abertos. Arregalados.

A noite? Ela se vai logo. O sono? Este não vem, e acho que não virá. É melhor assim. 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Chaves politicamente incorreto

Hoje resolvi fazer um exercício mental um tanto curioso e instigante: decidi encarnar o espírito da patrulha do politicamente correto e, por meio deste tipo de olhar, analisar um episódio do Chaves ("Vamos a Acapulco"). Sim, do Chaves! É uma questão de justiça, correção e honestidade intelectual. A patota politicamente correta não pode (ou pelo menos não deveria) poupar ninguém de suas severas e carrancudas análises. Como não vi ninguém da dita patrulha fazer isso até hoje, faço eu. Vou, assim, provar que qualquer coisa, se vista com o combustível da má vontade, da ranzinzice e da paranoia, pode ser vista como prática de humor agressivo à cidadania. Inclusive Chaves, considerado por todos como um programa "do bem", inocente e recomendável para toda a família. Quem quiser tirar a teima, pode procurar o referido episódio no Youtube. Vamos apurar, então, as "irregularidades"? 

1. Dona Florinda diz que Chaves chegou tarde na distribuição de cérebros: apologia à prática de bullying, e violência psicológica contra uma criança.

2. Chaves dá uma bolada na cabeça do Seu Madruga: apologia à violência.

3. Seu Madruga leva a bola do Quico para casa: apologia à prática de furto.

4. Dona Florinda dá um tapa na cara do Seu Madruga: apologia à violência.

5. Quico agride fisicamente o Seu Madruga, chamando-o de gentalha: apologia à violência e ao ódio de classe.

6. Seu Madruga dá um soco na cabeça do Chaves: apologia à violência.

7. Dona Florinda refere-se ao Seu Madruga e à Chiquinha como "gentalha": apologia ao ódio de classe.

8. Chiquinha debocha de Quico, por causa de seu traje de banho: apologia à prática de bullying.

9. Quico puxa o cabelo de Chiquinha: apologia à violência contra a mulher.

10. Quico dá um soco na cara do Chaves: apologia à violência.

11. Chaves tenta dar um soco no Quico, e acaba acertando o Seu Madruga: apologia à violência.

12. Dona Florinda dá um tapa na cara do Seu Madruga: apologia à violência.

13. Dona Florinda refere-se ao Seu Madruga como gentalha: apologia ao ódio de classe.

14. Quico bate no peito do Seu Madruga e o chama de gentalha: apologia à violência e ao ódio de classe, no mesmo gesto.

15. Quico dá um soco na cara do Chaves: apologia à violência.

16. Chaves dá três socos na cara do Quico: apologia à violência.

17. Chaves compara o ronco do Seu Barriga ao som de uma descarga desarranjada: apologia à prática de bullying.

18. Chiquinha chama Dona Clotilde de bruxa: apologia à prática de bullying, e desrespeito para com os mais velhos.

19. Quico empurra Chiquinha na piscina: apologia à violência contra a mulher.

20. Seu Madruga empurra Quico na piscina: apologia à violência infantil.

21. Dona Florinda dá um tapa na cara do Seu Madruga: apologia à violência.

22. Dona Clotilde empurra Dona Florinda na piscina: apologia à violência.

E agora? Será que deu pra entender que humor não deve ser levado tão a sério, e ao pé da letra? Será que deu pra compreender que piadas e esquetes são tão somente isso, piadas e esquetes? OU VÃO QUERER CENSURAR O CHAVES TAMBÉM?

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Árvores

- João, por favor.
- Sim, professora!
- Pode me responder de onde vem a laranja?
- Da laranjeira.
- Certo. E a maçã?
- Da macieira, professora.
- E a manga?
- Da mangueira.
- E a pera?
- Da pereira.
- Uhum. E a babosa?
- Hum... Er... Da baboseira?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Lição de casa bem feita

O Inter tinha uma obrigação única na noite de ontem: vencer.

E cumpriu bem a lição de casa.

Oscar, em meio ao imbróglio, fez um belo gol, em combinação com Damião.

O Colorado pressionou bastante.

Ainda fez o segundo, com Dátolo.

Que estrela tem o Dátolo!

Assim, o Internacional superou a retranca do Juan Aurich.

Três pontos na conta.

Que venha o Santos!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Obrigação de vencer

Hoje à noite, o Inter estreia na fase de grupos da Libertadores, diante do Juan Aurich, no Beira-Rio. E tem a obrigação de vencer.

Com todo o respeito que o time peruano possa merecer, é fato que, jogando no Gigante, com o apoio da torcida, o Colorado não pode pensar em qualquer coisa diferente de vitória. São três pontos que têm de estar na conta sim ou sim. Time que pretende ganhar a Libertadores tem que ganhar esse tipo de jogo. 

Acho que é exatamente isso que vai acontecer. Os peruanos, não tenho dúvidas, montarão um ferrolho. Mas, associando a qualidade do setor ofensivo colorado à esperável fragilidade técnica do Juan Aurich, uma hora, naturalmente, esse retrancão vai fazer água. E, a partir daí, com o adversário se abrindo, a tendência é que os tentos se multipliquem até com certa facilidade.

Uma preocupação extra que surgiu ontem foi a vitória do São Paulo nos tribunais, obtendo novamente o vínculo contratual com Oscar, que havia sido perdido anteirormente pelo Tricolor Paulista. O Inter acena com a escalação do meia. Não sou um expert em justiça trabalhista e desportiva, mas não arriscaria a escalar o jogador nessa situação. Minha modestíssima opinião é que o Colorado deve esperar tudo estar plenamente resolvido, decidido e esclarecido para só então colocar Oscar em campo. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Correr o risco de perder no tapetão pontos (fundamentais) de um jogo contra o gloriosíssimo Juan Aurich seria de uma estupidez absurda.

No fim das contas, fica combinado que os três pontos hoje são obrigatórios. Fácil ou difícil. Com Oscar ou sem Oscar. Ganhar é obrigação. Pouco importa como. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ai, se eu te pego no Beira-Rio

25 de janeiro de 2012.

Intervalo de Inter x Once Caldas, num Beira-Rio lotado.

Dos alto-falantes do estádio, surge no som ambiente o mega-hit "Ai, se eu te pego", do Michel Teló.

Michel Teló, para quem não sabe, além de cantar músicas de gosto duvidoso, é gremista assumido. E fanático.

O Gigante não perdoou.

Transformou-se numa vaia só.

Nem o adversário foi tão vaiado naquela noite.

E a música, que mal havia começado a tocar, foi imediatamente retirada.

Algo me diz que o dj do Beira-Rio deve ter dado uma passada no departamento pessoal no dia seguinte...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um casal, uma mesa, e o mal-estar

O clima era tenso naquela mesa.

Cristiano e Estela apenas se entreolhavam.

Nada direto.

O mal-estar era imenso.

Ela ainda tentava dissimular.

Mas ele não conseguia.

Seus olhos um tanto transtornados apresentavam da maneira mais clara e crua o que estava sentindo.

A agonia e a angústia transbordavam.

Não havia como digerir aquilo, não mesmo.

O limite estava ali, havia chegado certeiro, inapelável.

Aquela falta de palavras sepulcral apenas fazia o ambiente pesar mais.

Já não era mais suportável.

Cristiano, então, rendeu-se.

Aquela dor aguda que vinha de seu âmago o fez romper o silêncio.

Era a atitude certa a ser tomada.

"Vou ali na farmácia comprar um sal de frutas. Você quer um, também?", perguntou.

"Quero sim. Comi demais. Essa lasanha era muito grande", respondeu a moça.

E ele rapidamente recolheu a carteira e saiu porta afora.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Rolinho empata

O Rolinho do Inter arrancou um empate no Olímpico. Com time reserva e camiseta de camelô, o Colorado saiu de campo com um 2 a 2 docinho, docinho.

O Grêmio pressionou mais, principalmente no primeiro tempo. E não fez mais do que a sua obrigação. O Inter, no entanto, quando atacou foi mais eficiente. Dátolo abriu o placar para o Internacional num chute de longe que desviou na zaga adversária. O argentino, aliás, foi o melhor em campo pelo lado vermelho. Se movimentou muito, centralizou as ações do meio campo e errou pouquíssimos passes. É jogador de qualidade e personalidade.

O Tricolor virou o jogo, ainda na primeira etapa, com dois gols de bola parada: o primeiro de Marquinhos, de falta, em falha de Muriel; e o segundo do muito bom Marcelo Moreno, em pênalti ridículo cometido pelo patético Josimar, o pior colorado em campo.

No segundo tempo, o Inter se reorganizou. Não sofreu grandes ameaças defensivas e passou a controlar o jogo, ainda que sem objetividade. Ainda assim, conseguiu o empate com Bolívar, de cabeça. Nem o abafa gremista ao final da partida serviu para mexer no placar.

Agora, o Inter volta todas as suas atenções para o jogo da próxima quinta-feira, diante do Juan Aurich, pela Libertadores, aí sim, com o time titular. Jogando no Beira-Rio, o Colorado deve vencer o time peruano sem maiores problemas, apesar da já previsível retranca adversária. E tem que ser assim, mesmo. Os titulares, agora fardados de Nike, têm a obrigação de fazer a sua parte bem feita. Assim como os reservas, fardados de "Centro Popular de Compras", fizeram ontem.    

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Vale mais para o Grêmio

O Gre-Nal desta noite é inegavelmente um Gre-Nal de desiguais. O cenário é completamente diferente entre os dois clubes.

O Grêmio joga em sua casa. Joga com sua força máxima. Passa por um período de sérias instabilidades. Possui um treinador que ainda não se afirmou no cargo. E ainda não se consolidou como equipe na temporada, até pela grande mudança ocorrida em sua fotografia. O Grêmio joga pressionado.

Já o Inter, ao que consta, entrará em campo com time reserva ou, no máximo, misto. D'alessandro, já está confirmado, não joga. O Colorado tem seu foco na Libertadores. O Gre-Nal tem sua importância limitada ao fato de ser um Gre-Nal. O Internacional será franco-atirador. Se ganhar, terá a satisfação de, à meia-boca, superar seu maior rival. Se perder, praticamente nada se alterará no que diz respeito ao andamento do restante da temporada.

O clássico de logo mais é o confronto do sangue doce com o sangue quente. Um revés para o Tricolor pode representar uma crise de proporções no mínimo razoáveis. Por isso mesmo, o peso sobre as costas dos jogadores do Grêmio será muito maior. Para o Inter, é apenas a oportunidade de aprontar na casa alheia. De qualquer modo, ainda que seja um jogo caracterizado pela desigualdade em termos de importância atribuída, o Gre-Nal de hoje será, sim, uma partida interessante. Gre-Nal sempre guarda suas peculiaridades, sempre tem histórias muito próprias. Quais serão as deste? 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Sob controle

Em cada esquina, em cada canto.
Você já não consegue respirar.
Você já não pode falar.
Passe pelo crivo, seja mais do mesmo.

Eles querem decidir por você.
Eles lhe dão a corrente, movimente-se por onde conseguir.
Eles são a mentira, a farsa, a manipulação.
Eles querem determinar o que você come, o que você lê, o que você ouve, o que você vê, o que você consome. 

É proibido pensar!
É proibido se expressar!
Até quando vai baixar a cabeça?
Até quando você será conivente com esse absurdo?

Eles querem lhe manter sob controle.
Eles querem matar a sua individualidade.
Eles são a dor, o mal de fala mansa, o preto tingido de sangue.
Eles querem determinar o que você come, o que você lê, o que você ouve, o que você vê, o que você consome.

O que você come?  
O que você lê?

O que você ouve?
O que você vê?

O que você consome?

No que eles querem lhe transformar?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Rafinha Bastos facts

Rafinha Bastos chegou ao restaurante e disse que queria comer uma galinha. Foi acusado de machismo e zoofilia.

Rafinha Bastos disse que prefere chocolate branco a chocolate ao leite. Foi acusado de racismo.

Rafinha Bastos disse que gosta de uma loira gelada. Foi acusado de necrofilia.

Rafinha Bastos disse que ouve Calypso. Foi acusado de apologia às drogas.  

Rafinha Bastos estava cantando "Ai, se eu te pego". Foi acusado de ameaça.

Rafinha Bastos, na churrascaria, disse que não curte carne gorda. Foi chamado de obesofóbico.

Rafinha Bastos roubou um beijo da esposa. Foi acusado de furto.

Rafinha Bastos jogou no lixo uma fita VHS velha do Bambi. Foi acusado de homofobia.

Rafinha Bastos disse que costuma matar um tempo. Foi indiciado por assassinato.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Classificação que dá moral

Já se esperava que não seria fácil. E realmente não foi. O Inter teve que lutar muito para se classificar para a fase de grupos da Libertadores. E se classificou.

O bom Once Caldas começou o jogo em ritmo alucinante. Logo com um minuto de jogo teve pênalti a seu favor, convertido por Nuñez. Até os dez minutos, o Colorado inexistiu em campo. Acuado, jogou de maneira ridícula. Mas achou um pênalti, num passe brilhante de D'alessandro (ele faz a diferença, e como faz!) para Oscar, que foi derrubado. "El cabezón" deslocou o goleiro e igualou o marcador. 

A partir daí, as ações se equilibraram, e o Inter passou a exercer leve domínio. O bom toque de bola colorado foi o ponto forte. E, assim, tocando a bola, o alvirrubro marcou o segundo: em linda construção ofensiva, Tinga virou a partida. Logo em seguida, porém, o time da Colômbia voltou a empatar com González, que passou pelo hoje horroroso Nei da maneira que quis.

Depois disso, o jogo ficou absolutamente franco. O Inter não se apequenou. Trocou golpes com o Once Caldas. Criou muito mais chances claras, inclusive. E desperdiçou todas. Ao final da partida, a justa classificação estava conquistada. E não é uma classificação qualquer. O Colorado passou por um Campeão da América. Chega com moral a uma fase de grupos que pode ser traiçoeira. Se o Santos é o grande rival, os demais times, a princípio coadjuvantes, podem incomodar como mandantes, tirando pontos preciosos dos brasileiros. Tanto Juan Aurich quanto The Strongest jogam na altitude. É sempre complicado. É sempre perigoso.

Mas a vida é assim mesmo. Quem quer ser Campeão da América tem que passar por cima de todo e qualquer obstáculo. O Inter tem experiência, força e qualidade para encarar os desafios que vêm pela frente. Provou isso ontem à noite. E entra, sim, como sério candidato à Libertadores 2012.  

Jogo que vale o semestre

Hoje à noite, o Inter joga o seu semestre em Manizales, no Estádio Palogrande, diante do Once Caldas. Em uma partida extremamente complicada, o Colorado precisa ter sangue frio, exatamente pelo significado da peleia. 

A classificação para a fase de grupos da Libertadores assegura um semestre de expectativas grandiosas, de Beira-Rio lotado, do sonho do Tri invadindo as ruas de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. De cara, o Colorado pegaria um grupo com o atual campeão, o badalado Santos de Neymar, Ganso e cia. Que loucura seriam estes dois jogos! Que atmosfera teríamos pelas ruas, com a já costumeira invasão de camisetas vermelhas e de bandeiras nas janelas dos prédios!

Já uma eliminação, apesar de não ser exatamente um absurdo, significaria um balde de água fria em nossas cabeças. Ficaríamos apenas com o Gauchão para disputar nestes primeiros meses do ano. A sensação seria mais ou menos a mesma de perder a churrascada do meio dia, com cerveja, salsichão, coraçãozinho, vazio e picanha para ficar com uma bacia verde cheia de costela gelada e gordurenta, acompanhada de um copo de Coca-Cola sem gás.

Todas as expectativas dos próximos meses colorados, portanto, repousam sobre a partida de logo mais. Os atletas têm de estar plenamente conscientes do tanto que vale a partida. Não acredito que vá ser um jogo fácil. O adversário é forte, estará em casa, com o apoio da torcida e com o auxílio da altitude. O Inter terá de se superar. Deverá jogar com sabedoria, atacando nos momentos precisos, marcando com força e atenção, e utilizando da cadência e da experiência quando assim tiver de ser. Qualquer descuido pode custar caro.