terça-feira, 31 de janeiro de 2012

19 horas

Lúcio está pedindo um café.

A moça, que está ao seu lado no balcão da lanchonete, lhe pergunta as horas.

Ele responde: "São 19 horas".

Ela agradece.

Ele pensa: "Ela quer dar pra mim".

Ela pensa: "Já passou meia hora... O Fábio não costuma se atrasar desse jeito. Será que ele tá me traindo com alguma piranha? Ah, ele vai ver só!"  

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O fico de D'ale

D'alessandro fica. Depois de muita expectativa e apreensão geradas pela proposta chinesa, ontem veio a resposta definitiva, e para muitos, até surpreendente: D'alessandro fica.

Se tanto critico a direção do Inter em tantos momentos, neste, agora, não posso deixar de elogiá-la. O esforço feito para manter D'ale é uma demonstração de grandeza. É uma demonstração de ambição. É uma demonstração de que, sim, vamos com tudo buscar o Tri da Libertadores. Se conseguiremos ou não, é outra história. 

A manutenção do argentino não é simplesmente a manutenção de um grande jogador, de uma peça fundamental de um momento específico da vida do Inter. A manutenção de D'alessandro significa muito mais do que isso. "El cabezón", até ontem, poderia facilmente ser colocado como um dos maiores craques da centenária história colorada. A partir de ontem, porém, D'ale mudou seu status. Deixou de ser apenas um grande craque da história do Inter. Passou a ser um mito da história do clube.

D'ale não é idiota. O dinheiro chinês era apenas isto, dinheiro. Na China, ele morreria para o futebol. Seria esquecido, e poderia esquecer a seleção do seu país. Aqui, no Inter, com reforço significativo no bolso, ainda que não parecido com o que ganharia dos homens dos olhos puxados, D'alessandro está num clube grande, ambicioso, disputando grandes competições bem pertinho da Argentina. Aqui, D'ale está vivo para o futebol. Aqui, D'alessandro ama e é amado. Lá, na China, ele seria tão somente uma prostituta de luxo. 

D'ale deu um "la boba" em todos nós. Ficou. E como isso é importante! E como isso dá ânimo, não só para a Libertadores, como para o ano todo de 2012! No coração de cada torcedor colorado, está latejando uma imensa alegria. No coração do tatuado D'alessandro, surge a mais importante das tatuagens, definitiva, absolutamente impossível de apagar: o S, o C e o I entrelaçados. D'alessandro é colorado.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Açougue

A modelo seminua protesta.

Ela é contra o consumo de carne.

Como forma de manifestação, ela mostra as carnes.

Não sei se o efeito pretendido foi alcançado.

A não ser que ela apenas quisesse aparecer um pouco.

Fato é que me deu a maior vontade de comer...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Crime ambiental

Derrubaram a Vanessa da Mata.

Os ambientalistas entraram em comoção.

Mobilização no Greenpeace.

Até a Marina Silva entrou na parada.

É coisa séria.

Derrubaram a da Mata.

E desmatamento é crime.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A noite de D'alessandro

A noite de futebol no Beira-Rio começava com um clamor: "Fica, D'alessandro!"

Não era um jogo qualquer. Era um jogo de Libertadores. Mas era ainda mais do que mais um jogo de Libertadores. Era o jogo de D'alessandro. 

D'alessandro foi o centro da noite. A torcida colorada fez a mais comovente demonstração de amor por um jogador que vi na vida. Foi de arrepiar. 

D'ale, em noite tão especial e emblemática, foi o capitão. Merecido capitão. Ele encarna em campo o espírito e a gana característicos do torcedor do Inter. 

E ele, D'alessandro, pequenino e gigante, entrou em campo determinado a fazer a melhor partida de sua vida. E ele, D'alessandro, pequenino e gigante, fez. Era possível sentir a intensidade com que "El Cabezón" vivia aquele momento a cada toque na bola.

Do seu pé esquerdo saiu o passe primoroso, genial, que resultou no gol absolutamente fundamental de Damião.

No primeiro tempo espetacular do Inter, D'ale foi o incendiário. Com passes precisos, preciosos e sempre desafiadores à defesa adversária, fez o Colorado criar chances e amassar o Once Caldas.

No segundo tempo instável do Inter, D'ale foi o bombeiro. Foi a válvula de escape, o homem que tranquilizava o time quando o bom Once Caldas, equipe que de boba não tem absolutamente nada, desafiava a defesa colorada.

D'ale foi o cara. D'ale é o cara.

No apito final do árbitro, a consolidação de um resultado magro, mas importante.

E a noite de futebol no Beira-Rio se encerrava em um misto de alegria, emoção e apreensão, com colorados inquietos perguntando uns para os outros, em cada canto, enquanto se retiravam do estádio, com radinhos e fones grudados no ouvido: "D'alessandro fica?"

Jogo cascudo

Hoje à noite, o Inter começa a luta pelo sonho do Tri da Libertadores. Pela fase preliminar da competição, enfrenta o Once Caldas, às 22 horas, no Beira-Rio.

Será uma disputa dura, acirrada, ingrata. Pela primeira vez na história, a fase preliminar da Taça Libertadores coloca frente a frente dois clubes campeões da América. Por isso, não se pode esperar facilidades para o Colorado. Não é barbada. E o Inter está longe de ser franco favorito.

O time colombiano merece respeito. É um Campeão da Libertadores. O Corinthians, por exemplo, não o é. O Once Caldas, ano passado, eliminou o Cruzeiro, que era tido como o melhor time da competição. Ora, um clube destes não pode jamais ser subestimado. É uma grande ameaça.

Se o emparelhamento no qual o Inter está colocado é tão árduo, o jogo de hoje ganha, e muito, em importância. Fazer uma boa vantagem no Gigante é fundamental. Na altitude de Manizales, o Colorado enfrentará uma fumaceira, com todos os componentes de dificuldade inerentes a um grande duelo de Libertadores. A classificação, por isso, passa necessariamente pela partida de logo mais.

É jogo cascudo. É jogo difícil. É jogo para D'alessandro. É jogo para a massa colorada. Esta noite, o Beira-Rio tem que rugir.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pedra

Sérgio está andando pelo corredor de sua casa. E, quando passa pelo quarto do irmão mais novo, que estava com um colega de aula, coloca-se a ouvir a conversa por trás da porta:

- É a sua vez de colocar a pedra.
- Já vou, já vou... Deixa eu me preparar direito...
- Vai logo! Tô ansioso!
- Pronto, pronto...
- Iiiih, rapaz! Cê já vai queimar essa grandona? Assim, de cara? Tá bem louco, né?

Sérgio, então, não se contém, e, num solavanco só, invade o quarto, gritando:

- Parem! Parem! O que vocês pensam que estão fazendo? Vocês estão... Er... Vocês estão... Jogando dominó? Er... Só queria ver se vocês queriam alguma coisa... Um refrigerante... Um sanduíche, talvez...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Vendo tudo...

Acordo.

A noite foi mal dormida. 

Olho-me no espelho.

Talvez seja um pesadelo, ou fruto da mais pura imaginação.

Estou vendo tudo.

Os enganos...

A cerveja gelada...

A desculpa esfarrapada...

O golpe...

Estou vendo tudo.

Parece tão fácil.

Em minha mente é tão real!

Espera vã?

Somente os dias, os meses e os anos dirão.

Mas me martirizo e tomo minhas precauções desde já.

Protejo-me.

Sim, eu já estou vendo tudo... 

sábado, 21 de janeiro de 2012

Celular

Sérgio é abordado na rua por um estranho:

- Oi, por acaso você tem um celular aí?
- Sim, tenho!
- Posso ver?
- Claro, aqui ó!
- Uau! Última geração, hein?
- Verdade! Paguei o olho da cara nele.
- Hum... Pode me emprestar por um minutinho? Esqueci o meu celular em casa e preciso fazer uma ligação urgente. Vivo fazendo isso. Sempre esqueço o celular... 
- Olha... Estou com pouco crédito... 
- Eu ligo a cobrar! Não se preocupe! Esse meu amigo, o Tim, já está acostumado com minhas chamadas a cobrar! Ele não se incomoda.
- Mesmo? Posso confiar?
- Claro! 
- Tá bom... Mas não se demore muito, hein?
- Ok...
- Uhum... Hum... Hein? Ei! Ei! Por que você tá correndo? Volta aqui! O assunto é tão íntimo assim? Ei! Eeeeeei! Pelo menos me diga quando vai me devolver! Eeeeeeeei!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Bafo

Pedro e Sérgio, conversando na lancheria:

- Pedro, ontem saí com a Virgínia!
- Opa! Ela é bem suculenta!
- Pois é! Uma marav...
- Peraí! Peraí! Só espero que esse bafo de onça que sinto agora da sua boca não tenha se feito presente ontem! Meu Deus!
- Bafo?
- Sim!
- Mas...
- Você tem que chupar um Halls, sei lá...
- Mas eu chupei! Agorinha mesmo!
- De que sabor? Urubu?
- Não! Morango, eu acho... Mas meu bafo tá tão terrível assim?
- Tá. Se os nazistas tivessem te conhecido, teriam te colocado a discursar para os judeus nos campos de concentração. Seria o principal método de tortura deles. Mas, veja pelo lado bom: você pelo menos é um cara que sabe guardar segredos como ninguém!
- Hein? Por quê?
- Porque sua boca é um túmulo! Hahahaha!
- Poxa vida... Então... Então foi isso...
- Foi isso o quê?
- Ontem, logo depois que dei um beijo na Virgínia, ela foi correndo pro banheiro pra vomitar. Pensei que as bolinhas de queijo é que tivessem feito mal a ela...
- Não, não, não. Foram as bolinhas de bafo.
- Ai, meu Deus! Vou agora mesmo na casa dela para me desculpar.
- Isso, vai lá! Mas antes... Quer um Halls?
- É o preto?
- É.
- Quero. Me dá logo todos que você tem aí!
- Pode pegar... Boa sorte lá com a Virgínia, hein?    

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

3 pontos na largada: algumas observações

O Inter arrancou com três pontos no Gauchão 2012, graças à vitória conquistada diante do Novo Hamburgo. Mas, da partida de ontem, mais importante do que o resultado em si, é fundamental analisar a movimentação da equipe, e como as peças estão se colocando no esquema de Dorival Júnior.

Da defesa, pouco ou nada pode ser dito. Não houve maiores exigências ao setor. Os zagueiros, quando chamados ao confronto pessoal contra os atletas do Anilado, levaram vantagem sem maiores problemas. Nei, com muita raça, foi o melhor da linha dos quatro homens defensivos; Kléber, o oposto simétrico de Nei, foi o pior, com a notória displicência que o caracteriza.

No meio campo, Guiñazu foi o de sempre: determinado, correndo muito, marcando implacavelmente, e acertando todos os passes curtos. Josimar, a surpresa da escalação, jogou um feijão com arroz sem tempero. Colocá-lo à frente de Bolatti na escala de volantes colorados é crime lesa-Inter. O argentino, por sinal, ao entrar em campo, provou exatamente isso: por pior que seja o momento técnico que possa estar vivendo, é jogador de qualidade superior. Já na armação da equipe, Oscar foi o grande nome, o grande maestro. Assumiu a responsabilidade de ser o dono do meio campo colorado e não decepcionou. Fez o gol da vitória e foi o melhor em campo. João Paulo, por sua vez, esteve mal tecnicamente, e pareceu sentir o peso de substituir D'alessandro. 

No ataque, Damião pouco produziu. A bola quase não chegou ao centroavante do Inter. A ausência de D'ale contribuiu para isso, sobrecarregando Oscar. Além disso, Dagoberto, ainda desembocado, esteve discretíssimo em campo. A estes elementos pode ser atribuído o desempenho modesto do setor ofensivo colorado na noite de ontem.

A maior preocupação que ficou, pensando principalmente em termos de Libertadores da América, reside na ausência de D'alessandro. Se for confirmada a venda do meia para o gloriosíssimo Shangai Shenhua, do não menos glorioso futebol chinês, é público e notório que o Inter não tem reposição à altura no elenco. Terá que contratar. Fala-se em Dátolo. É muito bom jogador. Mas não chega nem perto de ser o craque que "El cabezón" é. Vamos esperar os desdobramentos da história. 

Ah, isso que nem mencionei o tal zagueiro de primeira linha, que não há no elenco e que, se não for buscado, terá, mais cedo ou mais tarde, sua ausência amargamente sentida.

O negócio, considerando tudo isso, é tentar confiar na capacidade da direção do Inter para buscar as peças que faltam, o meia (no caso de D'alessandro efetivamente ser negociado) e o beque. E torcer, torcer muito, torcer fervorosamente para que dê certo.

Confesso que estou seriamente preocupado com os confrontos com o Once Caldas.

Iniciando o 2012 colorado

Hoje, às 19h30, a bola rolará no Estádio do Vale, em Novo Hamburgo, para a estreia do Colorado no Gauchão, contra o Anilado. 

É evidente que o Campeonato Gaúcho não empolga nem um pouco. Sequer serve de parâmetro para nada. Mas, ainda assim, a partida desta noite reveste-se de importância por se tratar do pontapé inicial de uma temporada que pode reservar para o Inter mais um título Mundial. É ano de Libertadores, amigo! E ano de Libertadores é, em potencial, ano para sonhar com a glória maior do futebol do planeta.

Por isso, fica a grande curiosidade para observar a movimentação do Colorado contra o Novo Hamburgo. Na defesa, nada mudou. A estrutura é a mesma, com as mesmíssimas virtudes e os mesmíssimos (graves) defeitos. Mas, do meio para a frente, a diferença é grande, e parece ser para melhor. Na ausência de Tinga, surpreendentemente Josimar ganha um lugar na volância, ao lado de Guiñazu. O jovem, que volta de empréstimo junto à Ponte Preta, é uma incógnita. Vamos ver do que ele é capaz. Na meia, infelizmente, D'alessandro, lesionado, está fora. Em seu lugar, deve entrar João Paulo, que com a saída de Andrezinho ganha muito espaço no elenco. Ao seu lado, estará o ótimo Oscar, que tem tudo para fazer uma temporada brilhante.

Mas é no ataque que está a grande atração da noite. Os tempos de solidão física e/ou técnica de Damião acabaram. Ao seu lado estará Dagoberto, um atacante de primeira categoria, veloz, técnico, objetivo, driblador e bom finalizador. O jogador, que no último ano fez sua melhor temporada pelo São Paulo, está voando nos treinamentos, e é o grande acréscimo do Colorado para 2012.

Logo mais, portanto, não faltam motivos para acompanhar o desempenho do Inter diante do Noia. Os jogadores que hoje estreiam no Gauchão contra o Novo Hamburgo são os mesmos que, em dezembro, poderão estar em Yokohama enfrentando um Barcelona, um Real Madrid ou um Manchester United, e fazendo história. Vale a pena conferir. 

    

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Reflexões de um velho homem

Eis o velho homem, sozinho, refletindo, sentado no banco da praça.

Sempre foi certinho. Nunca tocou em uma palha que não fosse sua. 

Politicamente correto, jamais saiu da linha.

Respeitou as mulheres, prezou os amigos.

Nunca se deixou corromper, por nada, nem por ninguém.

Nunca lambeu bolas alheias.

Confiou na vida, confiou no ser humano, confiou na verdade.

Ferrenhamente defendeu seus valores. Sempre e sempre.

Considerou, ponderou, optou sempre pela justiça de sua consciência.

Jamais patrolou, sempre ouviu e compreendeu todos os lados.

E então, eis o velho homem, sozinho, refletindo, sentado no banco da praça.

De sua reflexão nasce a mais cruel, triste e dolorosa das realidades.

Sabe o que o velho homem conquistou com tudo isso? Absolutamente nada.  


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Valor do x

- João, olhe para aquela equação no quadro, e me diga qual o valor de x.
- Certo, professora... É três e cinquenta.
- Como? Não entendi. 
- Ah, é com ovo? Aí acrescenta 30 centavos. Fica três e oitenta, daí. A senhora devia ter especificado.
- Você tá brincando, né?
- Não, professora! Vai lá perguntar no trailer da esquina! Sei que é bem barato! E digo mais, é bom! Vale a pena!
- Passe já para a diretoria, João!
- Mas... Mas... A senhora não queria saber o valor do x?
- Nem mais, nem menos! Calado, e passe já! 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pesquisa

Marcos está na parada de ônibus. E um pesquisador chega com sua prancheta:

- O senhor poderia responder rapidamente a uma pesquisa? Não vou tomar muito tempo...
- Sim, posso! Sem problemas!
- Tá certo. Muito obrigado. Bom... Qual o seu nome?
- Marcos.
- Idade?
- 33 anos.
- Ok... Para o senhor, a Biologia é uma ciência?
- Sim, sim. Com certeza.
- E a Geologia?
- Também.
- E a Psicologia?
- Certamente.
- E a Astrologia?
- Sim. Também...
- Tá certo. Muito obrigado.
- Não há de quê.

10 segundos depois, Marcos grita:
- Nããããããão! Volte aqui! Eu não disse isso! Eu não disse isso! Astrologia não é uma ciência! 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Cadê o zagueiro?

É público e notório, desde o ano passado, que o Inter precisa de um grande zagueiro com urgência. Se há Moledo em grande fase por um lado, por outro os demais zagueiros não inspiram confiança. Bolívar tem sido lamentável. Romário e Dalton têm potencial, mas seria uma temeridade compor uma dupla de zaga muito jovem para a disputa de uma Libertadores. Índio, dentre os que aí estão, parece ser a melhor solução para jogar pela esquerda. No entanto, a idade pesa. E ele não pode, por exemplo, jogar duas partidas por semana em alto nível. Seu desempenho cai dramaticamente.

A direção de futebol colorada parece ciente desta necessidade. Anápio e Fernandão tentaram o ótimo Naldo, do Werder Bremen. Não deu. E, agora, com a recusa do time alemão, parecem (estou dizendo PARECEM) meio desorientados. Os nomes cogitados não me empolgam, à exceção de Miranda. Gil, Lisandro Lopes e Matías Martinez não passam de apostas. E o Colorado precisa de um jogador que desça no Salgado Filho, vista a camisa vermelha e saia jogando em alto nível. Não há chance nem tempo para equívocos de avaliação. O zagueiro que vier tem de ser um jogador absolutamente afirmado.

O bê-a-bá do futebol diz que se deve fazer as tratativas em várias frentes. Enquanto negociavam com Naldo e Werder Bremen, os dirigentes deveriam estar também negociando com um plano b e um plano c, no mínimo. E, claro, jogadores do mesmo nível. É o mínimo que se espera. Travar uma negociação, perdê-la e começar outra, com outro jogador, do zero, seria ingenuidade. O tempo urge. Se Miranda é o plano b, eu gostaria de saber qual é o c (e é bom que haja um plano c). Não quero acreditar que sejam os nomes ora especulados. Se forem, isso denota falta de política de futebol. É como tentar namorar a Luana Piovani e, depois do fora, dar em cima da Fafy Siqueira. Se o Inter quer um grande nome, não pode abrir mão dessa política: tem que persegui-lo até o fim. Se é pra apostar, que se aposte, aí sim, nos da casa.     

Até agora, o Inter fez boas contratações, solucionando um dos dramas que o atormentaram no ano passado: a falta de um companheiro para Damião. Trouxe o excelente Dagoberto e, para a reserva, o muito bom Marcos Aurélio. A urgência da vez, e que é a maior de todas, é o tal zagueiro. Com um grande zagueiro, o Colorado fecha um time titular muito competitivo, com Muriel, Nei, Moledo, o tal zagueiro e Kléber; Guiñazu, Bolatti (ou Tinga, ou Élton), Oscar e D'alessandro; Dagoberto e Damião. 

Se estamos tão perto de ter um time confiável para buscar o Tri da Libertadores e o Bi do Mundial, resta apenas apelar mais uma vez para a direção: tragam logo este zagueiro! Trabalhem dia e noite, mas tragam este zagueiro!    

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Etiquetas

É impressão minha, ou realmente as lojas têm vendido roupas com cada vez mais etiquetas?

É etiqueta com preço, é etiqueta com cor, é etiqueta com tamanho... É etiqueta que não acaba mais!

Vira e mexe, me pego andando pela rua com uma etiqueta balançando pelas minhas roupas. É bem verdade que sou distraído por natureza, mas, ainda assim, é demais!

Etiqueta por dentro, etiqueta por fora, etiqueta no bolso, etiqueta no sovaco...

É muita etiqueta. Muita etiqueta mesmo!

Vou contratar a consultoria da Glória Kalil. Talvez ela possa dar um jeito nisso...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tocando o terror

Dois adolescentes, conversando na porta do colégio:

- E aí, Marcos? Foi à festa da Andressa?
- Fui.
- E como é que tava? No fim eu não pude ir...
- Ah, tava bem legal! E o melhor: eu toquei o terror na festa!
- Sério? O que você fez?
- Ah, Fábio, melhor deixar assim. Só te digo que toquei o terror.
- Diz aí! Como você tocou o terror na festinha da Andressa? Tô curioso...
- Tá bom, tá bom... 
- Diz logo!
- Sabe o que eu fiz? Cheguei à festa, abri minha mochila, e coloquei no som o cd da trilha sonora de "Sexta-Feira 13". Toquei o terror!
- Ah... Era isso?
- Sim!
- Nossa... Empolgante.  

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os 10 melhores momentos de "Hermes e Renato"

"Hermes e Renato" foi um clássico da MTV. Um programa marcante, amado e odiado, caracterizado por um humor absolutamente anárquico, simples, livre, e, por vezes (não poucas), escatológico. Após a transferência para a Rede Record, a trupe, que passou a se chamar "Banana Mecânica", nunca mais foi a mesma, sucumbindo no péssimo "Legendários". Porém, aquilo que eles fizeram de bom na MTV nunca será apagado. E é por isso que passo a apresentar, a partir de agora, a lista dos 10 melhores momentos de "Hermes e Renato":

10ª posição: O rei do sensacionalismo, Cláudio Ricardo, presta uma comovente homenagem a Dedé Carvoeiro (http://www.youtube.com/watch?v=NoVCczjF1WM).

9ª posição: "Mataram meu passarinho! Pega eles, Tupi! Pega eles, Tupi!" (http://www.youtube.com/watch?v=lvg_-vYTGhw).

8ª posição: Dona Máxima, a megera da novela "Sinhá Boça", dá uma voadora na empregada Jaqueline, após ter sido "agredida" (http://www.youtube.com/watch?v=HEbHGK03BVs).

7ª posição: Reggae do Maconheiro: "Sou rasta, vagabundo e cachaceiro" (http://www.youtube.com/watch?v=qgvInKzjxhk).

6ª posição: Boça e sua vingança maligna na lanchonete (http://www.youtube.com/watch?v=vh6IgsrdDFA).

5ª posição: LMV- Legião da Má Vontade: "Cada um com seus problemas" (http://www.youtube.com/watch?v=fDoSF4apVY4).

4ª posição: A comovente história de Charlinho, o menino que só queria estudar (http://www.youtube.com/watch?v=B6Vyhtvpp4k).

3ª posição: Professor Gilmar, dando um esporro histórico nos seus alunos de Direito, em "Sinhá Boça" (http://www.youtube.com/watch?v=99eDWSCQRgk).

2ª posição: "Merda Acontece", com o caso de Lindomar (http://www.youtube.com/watch?v=kwnUBxGKu9Q).

1ª posição: E o grande campeão do nosso ranking é o Palhaço Gozo, com o quadro "Alô Gozo" (http://www.youtube.com/watch?v=NJnAK6PQEjE).  

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Casmurro


"A pergunta era imprudente, na ocasião em que eu cuidava de transferir o embarque. Equivalia a
confessar que o motivo principal ou único da minha repulsa ao seminário era Capitu, e fazer crer
Improvável a viagem. Compreendi isto depois que falei; quis emendar-me, mas nem soube como,
nem ele me deu tempo. 

-Tem andado alegre, como sempre; é uma tontinha. Aquilo enquanto não pegar algum peralta da
vizinhança, que case com ela... 

Estou que empalideci; pelo menos, senti correr um frio pelo corpo todo. A notícia de que ela vivia
alegre, quando eu chorava todas as noites, produziu-me aquele efeito, acompanhado de um bater de
coração, tão violento, que ainda agora cuido ouvi-lo. Há alguma exageração nisto; mas o discurso
humano é assim mesmo, um composto de partes excessivas e partes diminutas, que se compensam,
ajustando-se. Por outro lado, se entendermos que a audiência aqui não é das orelhas, senão da
memória, chegaremos à exata verdade. A minha memória ouve ainda agora as pancadas do coração
naquele instante. Não esqueças que era a emoção do primeiro amor. Estive quase a perguntar a José
Dias que me explicasse a alegria de Capitu, o que é que ela fazia, se vivia rindo, cantando ou
pulando, mas retive-me a tempo, e depois outra idéia... 

Outra idéia, não,-um sentimento cruel e desconhecido, o pulo ciúme, leitor das minhas entranhas.
Tal foi o que me mordeu, ao repetir comigo as palavras de José Dias: "Algum peralta da
vizinhança." Em verdade, nunca pensara em tal desastre. Vivia tão nela, dela e para ela, que a
intervenção de um peralta era como uma noção sem realidade; nunca me acudiu que havia peraltas
na vizinhança, vária idade e feitio, grandes passeadores das tardes. Agora lembrava-me que alguns olhavam para Capitu,-e tão senhor me sentia dela que era como se olhassem para mim, um simples
dever de admiração e de inveja. Separados um do outro pelo espaço e pelo destino, o mal aparecia-me agora, não só possível mas certo. E a alegria de Capitu confirmava a suspeita; se ela vivia alegre
é que já namorava a outro, acompanhá-lo-ia com os olhos na rua, falar-lhe-ia à janela, às avemarias, trocariam flores e... 

E... quê? Sabes o que é que trocariam mais- se o não achas por ti mesmo, escusado é ler o resto do
Capítulo e do livro, não acharás mais nada, ainda que eu o diga com todas as letras da etimologia.
Mas se o achaste, compreenderás que eu, depois de estremecer, tivesse um ímpeto de atirar-me pelo
portão fora, descer o resto dai ladeira, correr, chegar à casa do Pádua, agarrar Capitu e intimar-lhe
que me confessasse quantos, quantos, quantos já lhe dera o peralta da vizinhança. Não fiz nada. Os
mesmos sonhos que ora conto não tiveram, naqueles três ou quatro minutos, esta lógica de
movimentos e pensamentos. Eram soltos, emendados e mal emendados, com o desenho truncado e
torto, uma confusão, um turbilhão, que me cegava e ensurdecia." (Machado de Assis. Dom Casmurro. 1900).

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Cardápio

- Garçom, por gentileza, me veja aí o cardápio.
- Aqui está, senhor.
- Maravilha. Deixa eu ver aqui... Onde estão as pizzas?
- Bem aqui, ó.
- Certo. Hum... Calabresa? Não, não... Muito óbvio... Quatro queijos... Er... Não, não, também não... Portuguesa... Hum... Até gosto, mas... Não... Tomate seco com rúcula? Não, não... Estrogonofe, talvez? Não, não, não... Coração? É bom... Mas, não, também não... Fricassê... Não... Milho... Hum... Isso! Taí! É isso que eu quero! Me veja uma pizza de milho, por favor!
- É pra já, meu senhor.
- Muito obrigado!  

domingo, 8 de janeiro de 2012

Nova era

Uma nova era, os mesmos velhos homens.
Antigos vícios, as mudanças cortam como o vento frio no rosto.
Barbárie do novo milênio, mortos e doentes caem pelas ruas.
Sentimos dor, não nos importamos mais.

Estamos conectados ou acorrentados?
Tudo e nada são a mesma coisa.
Navegamos por mares traiçoeiros.
Realidade ou ficção, imaginação ou crueldade?

Os segundos passam, as angústias aumentam.
Alto mar, suor frio, mãos geladas, medo...
Leve-me à terra firme, garota.
Fujamos do naufrágio iminente.

Teclas e lâminas, espera por um devir desesperador.
Palavras mal ditas são então palavras malditas.
O amanhã está aqui, o amanhã machuca mesmo que nunca venha a existir.
Sensações anárquicas, golpes sutis.

Fantasmas na tela, almas que se perdem.
Sorria para a melhor foto, chore sob os lençóis.
Bombardeio de imagens, banquete de pílulas.
Quanto mais você aparece, mais você se apaga...
  

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Amor materno

Eis a mãe e todo o seu amor.
No silêncio da noite, ela canta.
São velhas canções de ninar.
Recordações do devir da mais linda infância.

Eis a mãe e todo o seu amor.
Doce melodia desafinada.
Projetando o futuro.
Cheia de ternura, olhando para os olhinhos fechados.

Eis a mãe e todo o seu amor.
Suas dificuldades, tudo o que passou.
Os anseios, ansiedades e ânsias da gravidez.
Embala o berço, e nunca deixará de embalá-lo.

Eis a mãe e todo o seu amor.
No quarto perfeitamente pensado, nas cores planejadas.
Ali está o colorido do início de uma vida, da vida que não chegará.
Seu bebê não mais acordará: ela apenas deseja que durma com os anjos, para sempre. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Hoje

Dois amigos conversando na parada de ônibus:

- Você viu o Jornal Hoje?
- Hoje?
- Sim. 
- Não.
- Tinha uma reportagem interessante sobre os flanelinhas.
- Mas o Jornal Hoje ontem também teve isso...
- É... Mas tô falando do Jornal Hoje de hoje.
- Bom... O Jornal Hoje de hoje eu realmente não vi. Vi só o Jornal Hoje de ontem.
- Pena...
- Mas vou me esforçar para ver o Jornal Hoje amanhã. Prometo.
- Boa ideia. Ficamos combinados de ver o Jornal Hoje de amanhã, então. Mas os dois tem de ver!
- Tá certo!
- Não vai esquecer, hein?
- Ok, ok! Não vou me esquecer de ver o Jornal Hoje amanhã! Vou até deixar anotado no celular.
- Acho bom, mesmo...

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Uma noite

No meio das trevas, ele caminha.
Está pronto para sangrar.
Maldita anestesia, curtíssima duração.
Sonora inconsequência, como se o amanhã não existisse.

Entrega a alma por migalhas.
Perde o pouco que ainda tem.
Mas nada parece lhe importar esta noite.
Luta contra seus demônios interiores, busca algum motivo nas ruas vazias.

Satisfação na carne e no copo de whisky.
A besta sorri e brinda, escuridão e disfarces. 
Ela dança, e dança, e dança.
Nada que ultrapasse o próximo segundo parece importar.

Um corpo violado, agressão à frente de seus olhos.
O sangue ferve, o sangue borbulha.
Soma-se à maldade reinante, agora ele é mais do mesmo.
Cegueira total, e nada mais pode lhe segurar.

Vislumbra alguma luz, agora está livre e pode libertá-la.
Deixa vazar toda a sujeira do seu coração.
O amanhã abre-se então, agora ele existe.
Estende a mão, ainda há salvação nesse território de ninguém.  

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

No avião

Pedro e Sérgio, no avião, em viagem pela América Latina:

- Nossa, que cansaço... Essas poltronas são muito apertadas.
- É verdade, Sérgio. Minhas pernas estão espremidas.
- Deviam investir mais no conforto.
- Com certeza...
- Opa! O que é isso? Por que o avião tá descendo tão rápido?
- Olha... Não sei...
- E no meio da cidade? 
- Acho que é um pouso forçado...
- Ih, o que é isso? Tá ouvindo?
- Sim! Estão metralhando nosso avião!
- Ai, meu Deus! Socorro!
- Uau!
- Mamãe! Socorro! Eu não quero morrer!
- E eles não param!
- Pelo amor de Deus, nós vamos morrer!
- Olha, Sérgio... Não sei quem está lá fora... Mas acho que é um pessoal que não gosta muito da gente... 
- Ai, meu Deus! Ai, meu Deus!
- Pelo menos é um jeito estiloso de morrer, hehehehe.
- Socorro! Socorro! Sou muito novo pra morrer! Socorro!

Sérgio, então, acorda gritando em sua cama. E com o lençol molhado.   

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Essência

Dias e dias se passaram.
Lágrimas e sorrisos, presenças e ausências.
Tanta e tanta estrada pela frente...
Sei que já existi, sei que ainda estou vivo.

Me doei por inteiro.
Destruí meu mundo mais uma vez.
Respirei, mergulhei, afundei, emergi.
Sei que já vivi, sei que ainda existo.

Do olhar vivo que se foi, guardei a essência.
É por isso que a cada dia me ergo novamente.
Só o meu fim pode me parar.
Não sei se já vivi, mas sei que já existi.

Encaro o amanhã sem medo.
Renasço dentro de mim mesmo.
E mesmo que nada mude, ainda me doarei por inteiro.
Insistirei em existir, insistirei em viver.

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012

E chegou 2012!

Gostaria de aproveitar aqui este espaço para desejar um ano cheio de paz, alegrias, saúde, sucesso e realizações para os leitores do DC.

Eu, particularmente, estou cheio de expectativas positivas para este ano. 2011 já foi um ano fora de série para mim. Conquistei muitas coisas, aprendi muito, cresci e amadureci demais. Pouco é o que tenho para reclamar do ano que se findou ontem. 

Porém, eu quero mais, muito mais. É este tesão pela vida que nos move. E é exatamente por isso que me sinto muito forte e otimista para este 2012. Estou motivado e forte para manter o que consegui até agora, e para conquistar o que ainda me falta conquistar.

Espero que você, amigo leitor do DC, também esteja se sentindo assim, e construa em 2012 o melhor ano de sua vida. 

A peleia vai ser grande. Mas nós vamos vencer.

Feliz ano novo!