terça-feira, 15 de novembro de 2011

Velório

Sérgio, no velório do amigo Leandro, conversando com a mãe do falecido:

- Meus pêsames, dona Elza. Foi um trágico acidente.
- Muito obrigada, Sérgio. Meu filho era de ouro.
- Com certeza. Um grande amigo.
- Sim, eu sei que ele era. Leal, sincero, bem-humorado, honesto, pontual...
- Bom... Quanto à pontualidade... Sabe... Na verdade ele estava há dois meses me devendo um dinheiro... Duzentos reais.
- Er... O que você está querendo dizer?
- Não, não, nada! Só que ele está, ou estava, me devendo... Nada demais.
- Espera aí... Você está tendo a cara de pau de cobrar uma dívida do meu filho no velório dele?
- Claro que não! Podemos trocar os telefones, de repente acertar isso depois... Sei que o momento é de dor imensa.
- Ah! Você está me cobrando mesmo? Fora daqui! Fora daqui!   
- Mas... Mas... Não precisa gritar! Se acalme! Pelo menos deixe eu pegar seu telefone!
- Fora!
- Podemos acertar um parcelamento...
- Fora!
- Duas de cem... Três vezes de sessenta e seis com sessenta e sete, quem sabe?
- Fora daqui!!!

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