segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Miragens

Já andei por campos floridos, onde os animais passeavam alegremente. Vasculhei bosques, colhi maçãs, me perdi em meus próprios labirintos. Sonhei. Ah! Como eu sonhei! Lutei. Ah! Como eu lutei! E caminhei. Caminhei, caminhei, caminhei. E cansei.

Não mais que de repente, me dei conta de que tudo aquilo não passava de miragem. Os animais, as flores, as árvores, os lagos... Nada daquilo existia. Estava sozinho no deserto. A vida mentiu para mim. Eu mesmo menti para mim.

Hoje, depois de tantos caminhos e descaminhos, parei aqui, ando por sobre o gelo. Ainda sozinho. Neve, frio, melancolia polar. Mas algum dia foi diferente? Não, acho que não foi. Sou humano. Não vivo de miragens. Preciso de água.

Posso estar errando novamente, o que não seria exatamente novidade. No entanto, tento mudar, sim. Desisti do pote de ouro depois do arco-íris. Desisti de uma parte de mim mesmo.

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