sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Rompimento

Prezada Alessandra Gouveia,

Primeiramente, vou tomar a liberdade de abreviar seu nome. AG fica bom. Pois então, AG... Talvez tenhamos que repensar a nossa relação. Eu estava muito bem, levando a minha vida sozinho, tranquilo. Mas sempre há pressões da família, e a insegurança em relação ao futuro. Foi aí que começamos a nos relacionar. Você, AG, seria a panaceia de minha existência, a solução dos meus problemas.

Passamos a planejar um casamento. Teria de ser coisa longa, duradoura. Tipo, uns 20 anos, no mínimo. Parei tudo que eu estava fazendo por esta relação. Tinha a certeza deste casamento. Por sinal, que seca que estou passando! Nada de sexo, nada de nada! Você sempre exigiu papel passado, querida. Eu, Sílvio Correia Inácio, ou SCI, como quiser, fiel como um cãozinho, segui tudo o que você dizia.

Fato é que o tempo está passando, e me sinto estagnado, angustiado. Começo a achar, sinceramente, que você está me enrolando nessa relação. Sinto que estou vivendo de ilusões. Sempre tem um probleminha, um impeditivo para este casamento. A lista de exigências só aumenta a cada dia. Você desliga o telefone, não responde meus e-mails e mensagens. Não sei, AG, se você está indecisa, ou se está arrependida de algo. Mas a cobrança de minha família está bem grande. Na última semana, perdi um festão porque no convite era exigido um par. Alguns parentes me pressionaram. "Vai lá, Sílvio! Faz alguma coisa! Não deixa essa mulher te enrolar desse jeito! Pressiona antes de perder essa festa!" Porém, eu, esperançoso de seu retorno a tempo, me mantive quietinho, esperando pelo telefone que não tocou. Perdi a festa. Tudo pelo nosso casamento.

Entretanto, paciência tem limite. Acreditei em suas doces palavras. Já tive convicção absoluta de que você era o melhor caminho que eu poderia seguir. Mas a fila anda. Estou repensando muito seriamente isso tudo. Cada vez mais as pessoas me dizem que devo seguir sozinho, com minhas próprias forças. E, quer saber? Estou cada vez mais convencido disso. Talvez seja o melhor. O que foi aquele e-mail frio e distante que você me mandou hoje pela manhã? Era melhor nem ter mandado nada, como você vinha fazendo até então. Até agora, este casamento, mesmo sem ainda ter se concretizado, só fez trazer atribulações e stress. Talvez seja melhor para mim e para você que acabemos logo com esse martírio. Ou será que suportaríamos a convivência de longo prazo, depois de todo esse desgaste? Minhas pequenas manias lhe incomodariam, tenha certeza. E sua megalomania também seria bem incômoda a mim e à minha família, gente simples, sem frescuras.

Quem sabe então, AG, não seguimos nossos caminhos assim mesmo, fingindo que nada disso jamais aconteceu? Você, AG, vai achar vários parceiros capazes de lhe satisfazer, não tenho dúvidas. E eu, SCI, vou seguir sozinho, ainda com minhas incertezas, mas com todo o carinho e apoio dos meus, certo de não ter feito a maior burrada da minha vida. 

Espero, do fundo do coração, que você compreenda os meus motivos.

Cordialmente,
Sílvio Correia Inácio 

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