segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Revelação

- Pai, eu estive pensando muito seriamente sobre um assunto durante a última semana. É muito delicado. Mas decidi falar...
- Hum... Bom, diga-me, filho.
- Pode ter certeza que é um momento muito difícil para mim. Por favor, peço que o senhor me compreenda.
- Vou tentar, meu filho. Mas você tem que me contar, para eu tirar uma conclusão.
- Eu espero de coração que a relação não mude. Que possamos manter a nossa amizade, enfim.
- Poxa vida... Desse jeito você está me deixando tenso. Fale logo!
- O senhor tem certeza de que está preparado, mesmo?
- Estou... Eu acho que estou. Mas isso está me angustiando. Diga de uma vez.
- Tá bom, tá bom... Ufa... Deixa eu respirar fundo... Olha só, é o seguinte... Ufa...
- Diga! Diga!
- Bom, olha só... Er... Não fique bravo, ok? Assim, ó... Acontece que eu não gosto de cebola na salada de maionese... Desculpa...
- O quê? Não gosta de cebola na maionese? É isso? Não, não, não. Poderia tolerar qualquer coisa. Se você fosse gay, drogado, assassino, tudo isso eu poderia compreender. Mas um filho que não gosta de cebola na maionese, não dá pra tolerar. Não mesmo. Vá fazendo suas malas, se despeça da sua mãe. Você morreu para mim. Suma da minha casa, suma da minha vida, e esqueça que eu existo. 
- Mas, pai...
- Não me chame de pai! E nunca mais olhe na minha cara! Fora daqui! Fora daqui!

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