segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O afastamento de Rafinha Bastos

Leio no blog de Ale Rocha, no Yahoo, que Rafinha Bastos está temporariamente afastado da bancada do CQC (http://br.omg.yahoo.com/blogs/poltrona/rafinha-bastos-calar-humoristas-%C3%A9-um-comportamento-perigoso-001505009.html). Tal decisão foi tomada porque uma piada do humorista teria sido muito mal digerida. Ao comentar o visual de Wanessa Camargo grávida, ele disse: "Comia ela e o bebê".

É óbvio que a piada não foi uma piada refinada e de bom gosto. Mas não é isso que está na pauta. O que me parece cada vez mais claramente na pauta é o policiamento absurdo que está havendo sobre a liberdade de expressão, principalmente no que se refere ao humor. Rafinha Bastos fez uma piada. PI-A-DA. Parece um raciocínio meio circular, mas que a patrulha do politicamente correto não entende: piadas não são para ser levadas a sério. Por quê? Porque são piadas, ora bolas. Repetindo, para quem não entendeu: PI-A-DAS.

Certa feita, escrevi aqui mesmo no DC o que penso sobre essa onda do politicamente correto (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2011/03/politicamente-correto.html). Hoje, não mudaria uma vírgula. Percebam o absurdo ao qual a patrulha do politicamente correto chegou: estão condenando um humorista por fazer uma piada. Reitero: se é de bom ou mau gosto, pouco importa. 

Quem não gosta do humor de Rafinha Bastos tem uma opção muito simples. Vou ensinar como se faz. Você está vendo uma coisinha retangular, que geralmente fica perto da tv? Aquilo se chama controle remoto. Nele, tem vários numerozinhos. Se você não gosta das piadas do Rafinha Bastos, ou de qualquer programa de tv que lhe ofenda grosseiramente, é só apertar numerozinhos diferentes daquele ao qual você está assistindo. Uau! Agora você pode ver "Tela Quente"! Parabéns! Se você ainda tiver dúvidas sobre este procedimento de complexidade einsteiniana, me mande um e-mail.

Eu, particularmente, me sinto muito mais agredido vendo "Zorra Total" ou "Turma do Didi", com suas piadinhas velhas, repetitivas, previsíveis, e abobalhadas. Gosto de humor imprevisível, destemido, livre de fórmulas batidas. E considero Rafinha Bastos mestre nessa arte. Mas a patrulha do politicamente correto não gosta. Para ela, qualquer coisa é ofensiva, inaceitável, e passível de severa punição. Até fazer piadas.

Essa turminha do politicamente correto tem sido extremamente nociva para o Brasil. Ela só contribui para aumentar a burrice, a paranoia, o conspiracionismo e, principalmente, para tornar o país carrancudo e cheio de não-me-toques. Não se pode mais falar nada, não se pode mais falar de ninguém. O paredão está voltando em forma de bom-mocismo. Tomemos cuidado. 

"Se liberdade significa alguma coisa, é o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir" (George Orwell).

"Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo" (Voltaire).

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* O DC está concorrendo ao Prêmio Top Blog 2011. A votação do primeiro turno vai até o dia 11/10/2011. O link para o voto encontra-se à direita da tela. Participe! Vote! Divulgue!

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