segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Língua

Pedro chega à casa de sua tia Doralice, que está jantando com seu tio João.

Versão 1:

- Oi, tia Doralice!
- Olá, Pedro! Você chegou bem na hora boa! Senta aí, come com a gente!
- Hum... O que tem aí?
- Fiz língua fervida com molho de tomate. 
- Pois é, tia... Já jantei. Muito obrigado.
- Ah, não! Olha como você tá magrinho. Come, nem que seja um pouquinho.
- Não. Sério, tia. Não precisa se dar o trabalho. Ainda vai ser mais louça para a senhora lavar...
- Não tem problema! Vai, senta aí. Peraí que já vou servir.
- Tá bom, tá bom, tia... Mas não precisa colocar muito.
- Pronto, pronto, tá no prato.
- Muito obrigado.
- E aí, o que tá achando?
- Nossa, tia... Tá muito, muito bom... Parabéns.
- Eu sabia que você ia gostar!

10 minutos depois...

- Pronto, tia. Terminei.
- Põe mais um pouquinho, Pedro!
- Não precisa, tia. Estou satisfeito.
- Pega mais um pouco! Você disse que gostou! Não precisa ficar encabulado!
- Muito obrigado, tia...
- Dá o prato aqui! Vou colocar mais, já que você fica se fazendo de rogado!
- Poxa... Não precisava...
- Precisa sim! Ficou bom, né?
- Nossa... Delicioso... Hum... Gurp... Gurp... Blooorgh!
- O que aconteceu, Pedro?
- Desculpa, tia... Deixa que eu limpo esse vômito. Ai, que vergonha!
- Você tá bem?
- Sim, sim...
- Será que foi língua demais? Você devia ter falado que não queria mais!
- Pois é... Não quis fazer desfeita. Pra falar a verdade, nem gosto de língua...
- Que desfeita, que nada! Era só falar! Não precisava comer forçado! É um direito seu não gostar de língua.

Versão 2:

- Oi, tia Doralice!
- Olá, Pedro! Você chegou bem na hora boa! Senta aí, come com a gente!
- Hum... O que tem aí?
- Fiz língua fervida com molho de tomate.
- Pois é, tia... Já jantei. Muito obrigado.
- Ah, não! Olha como você tá magrinho. Come, nem que seja um pouquinho.
- Não. Sério, tia. Não precisa se dar o trabalho. Ainda vai ser mais louça para a senhora lavar...
- Não tem problema! Vai, senta aí. Peraí que já vou servir.
- Não, tia. Não quero mesmo. Não gosto de língua. É sério.
- O quê? Você não gosta de língua? Ouviu, João? O Pedro disse que não gosta de língua!
- É verdade, não gosto mesmo.
- Você não gosta é da minha comida, né?
- Não, tia... Não me entenda mal.
- Por que não fala, hein? A gente cozinha com tanto carinho, com tanto amor, e é assim que as pessoas retribuem. Mas tudo bem... Você não gosta da comida dessa gente pobre, né?
- Tia, desculpe... Não é nada disso... Desculpe mesmo...
- Ô João, faz a sala aí pra ele... Vou por quarto... Boa noite.
- Tia, volta aqui... Outro dia eu prometo que experimento sua língua com molho! Prometo! Não quis ofender a senhora!
 

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