segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Perseguição

Eram umas onze e meia da noite, no centro de Porto Alegre, mais precisamente nas proximidades da Cidade Baixa. Eu caminhava pela André da Rocha. Logo à minha frente, havia um rapaz de mochila. Estávamos só nós dois por ali.

Me vendo, ou ouvindo meus passos, ele começou a andar mais e mais rápido. E eu acelerei junto. Por sua vez, ele olhava de soslaio para trás. Estava visivelmente tenso, incomodado.

Diminuiu o ritmo, talvez na esperança de que eu lhe ultrapassasse. Mas eu diminuí o ritmo também. Me mantive sempre atrás, aparecendo apenas na sua visão periférica, para que ele sentisse minha presença.

Entramos na João Pessoa, e a situação permanecia. Se ele acelerava, eu acelerava. Se ele freava, eu freava. Sempre como uma sombra.

Assim continuamos até a Salgado Filho, onde ele adentrou um prédio. Deve ter ido trocar de cueca. E eu segui meu caminho, rindo por dentro. Ganhei o dia.

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2 comentários:

lollyoliver disse...

Gostei do texto. Muito bom.
http://lollyoliver.wordpress.com

Bruno Mello Souza disse...

Oi, Lolly!

Muito obrigado pelo comentário!

Abraços!