domingo, 24 de julho de 2011

A morte de Amy Winehouse

Sem dúvida nenhuma, é absolutamente lamentável a morte de Amy Winehouse. No cenário pop atual, marcado pela mediocridade e por artistas assépticos ao melhor (?) estilo Disney Channel, ela fazia a diferença. Amy era dona de um talento impressionante, e de uma voz extremamente marcante. É uma perda imensa.

Claro, é muito fácil e cômodo agora se dar um discursinho anti-drogas, raso como um pratinho de festas infantis. A sociedade é assim, nessas horas: se exime de toda a sua responsabilidade, e coloca nas costas do indivíduo todo o peso daquilo que é consequência de uma complexa trama sobre a qual nem sempre ele tem domínio.

O tratamento que se dá às celebridades é estúpido e desumano. E Amy não escapava a esta lógica. Tudo que ela fazia era notícia. Ela perdeu o direito à vida particular. É uma pressão imensa. Imaginem o desgosto que deve ser para uma pessoa jovem e talentosa dar-se conta de que está condenada a sempre estar nas capas de jornais, de que tem dinheiro e algum poder, mas não pode desfrutar de coisas simplíssimas que a vida proporciona às pessoas normais.

Por isso, não condeno pessoas como Amy Winehouse. Eu as entendo. Essas pessoas perdem o direito de existirem para si mesmas. Passam a ser objetos, vivem cercadas por um aparato absurdo, e estão permanentemente expostas aos flashes e olhares de uma plateia faminta por escândalos. Em alguns casos, de fato, morrer é uma libertação. Nós, que aqui ficamos, perdemos um talento extraordinário. Mas Amy finalmente está livre. Abaixo, reproduzo trecho de um texto que publiquei aqui no DC no início de 2009, que já tratava da pressão absurda sofrida pela cantora britânica, e sintetiza bem o que penso sobre o assunto (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2009/01/amy-bossa-nova-e-paparazzi.html):

" (...) esse mundo de celebridades é realmente cruel. Nem sempre o dinheiro paga tudo. Alguém já parou pra pensar no inferno que deve ser, de uma hora pra outra, a pessoa não possuir mais vida própria? Tá comprando um sutiã: clic! Tá comendo uma ala minuta: clic! Tá dando aquele amasso gostoso: clic! Tá na piscina tentando relaxar: clic! Brigou com o namorado e tá chorando: clic!
Realmente não me surpreende que algumas dessas pessoas entrem em parafuso. É absolutamente humano. O mundo dos paparazzi, das celebridades fugazes, da invasão da vida privada a todo custo é frenético, enlouquecedor. Tem pessoas que compram revistas pra saber da vida de pessoas que elas nunca viram pessoalmente, e provavelmente nunca verão. É de se parar pra pensar mesmo. A super-exposição é, certamente, um inferno, algo que deixa a vida das pessoas, suas intimidades, tudo, vulnerável, acessível às mãos e olhares do mundo todo. Deve ser muito difícil. E não há dinheiro no mundo que compre sossego. Simplesmente não compensa. E as pessoas não estão nem aí! Devem virar, aos olhos da celebridade, monstros infernais devoradores. Pessoas famosas são, acima de tudo, pessoas, como qualquer um de nós. E precisam viver, como qualquer um de nós! Estou lançando a campanha simbólica: deixem a Amy em paz!" (DC, 05/01/2009)

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* O DC está concorrendo ao Prêmio Top Blog 2011. A votação do primeiro turno vai até o dia 11/10/2011. O link para o voto encontra-se à direita da tela. Participe! Vote! Divulgue!

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