sexta-feira, 1 de julho de 2011

De encher os olhos

A atuação colorada ontem à noite, contra o Atlético Mineiro, na Arena do Jacaré, foi dessas coisas de encher os olhos e lembrar por muito e muito tempo. O time esteve magnífico taticamente e, com isso, diversas individualidades tiveram destaque.

É bem verdade que devemos estar vacinados. Até semana passada, praticamente ninguém acreditava no time do Inter para este Brasileirão. Nem eu. E os problemas técnicos obviamente permanecem. A diferença é que nos últimos dois jogos, essas deficiências saíram "na urina", graças a atuações coletivas muito consistentes, e ao crescimento visível das peças mais talentosas da equipe. Porém, Nei continua extremamente fraco, principalmente na marcação. Pelo seu lado, os adversários passam como se ninguém ali houvesse. Bolívar também continua lento, mal, se arrastando em campo. O que melhorou o sistema defensivo foi a presença de Juan, que com sua velocidade e vitalidade tem compensado a lentidão do companheiro de zaga.

Importante mesmo é que Falcão tem conseguido, nos últimos jogos, ao mesmo tempo dar ênfase ao que a equipe tem de melhor, seu sistema ofensivo, e tornar as fragilidades do time mais discretas. É um outro Inter. Apresenta mecânica de jogo, troca envolvente de passes, marcação intensa de todos os setores. Até D'alessandro tá marcando feito Guiñazu!

Outro ponto que tem sido extremamente positivo, e para mim uma grata surpresa, é Muriel. Ao contrário do titubeante Renan, o ex-goleiro do Caxias e da Portuguesa tem passado muita segurança. Com Muriel, não sentimos mais calafrios. Acredito que isso também contribua para uma maior desenvoltura do time, e maior organização na marcação: já não há mais o desespero de não deixar os adversários chutarem de longe, que muitas vezes pode desestruturar o posicionamento defensivo do time.

O quarteto ofensivo, por sua vez, tem sido esplendoroso. D'alessandro voltou a ter fome de bola. Está com garra, vontade de vencer, ânsia por fazer jogadas objetivas e de qualidade. Oscar é um projeto de fora-de-série. Joga muito, o garoto. Tem muita velocidade, não tem medo de partir pra cima dos zagueiros adversários e tem uma categoria incrível. Deu o passe para o terceiro gol, de D'alessandro, e fez o quarto e último tento do jogo, colocando a bola ao mesmo tempo fora do alcance do goleiro e do zagueiro que fechava o canto oposto. No ataque, Zé Roberto vive grande momento. Arisco, veloz, inferniza as defesas adversárias. Fez o segundo gol do Inter, de cabeça. E Damião é Damião. Marcou mais um, é artilheiro nato. Pena que logo, logo, será vendido.

De maneira geral, o que fica do jogo de ontem é que há, sim, um caminho promissor a ser trilhado pelo Internacional. Existem deficiências na equipe para as quais a diretoria tem de estar atenta, é bem verdade. Principalmente na zaga, que ficará desfalcada de Juan, a serviço da seleção sub-20. Oscar também ficará longo período de fora, pelo mesmo motivo. Tomara que Falcão mantenha a ideia tática dos dois meias, e não invente de, novamente, colocar Tinga naquele setor.

Acredito que mantendo este formato de time, mesmo desfalcado de uma ou outra peça, o colorado se alinha bem para a continuidade do Brasileirão. Mas não dá pra se precipitar e nem tapar o sol com a peneira. Nei não virou Carlos Alberto Torres. Tinga continua mal. Bolívar continua lerdo. Seria importantíssimo a direção contratar, no mínimo, um bom zagueiro. Encaixando as poucas peças que faltam, dá até pra, quem sabe, o colorado sonhar com vôos mais altos no Campeonato Brasileiro e, a partir disso, realizar a tão necessária renovação da equipe para a próxima temporada.

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