sexta-feira, 29 de julho de 2011

Boneca de porcelana

O circo está armado.
Você no centro do palco.
Mágicos, suas cartolas e coelhos.
Palhaços e malabaristas completam o cenário.

O mundo a te observar.
Mas a dor é a mesma.
Aplausos e mais aplausos.
Mas você ainda se sente sozinha.

Estão saqueando sonhos por aí.
Algumas preocupações são insistentes como uma peste.
Luzes se confundem com a escuridão em sua alma.
Carros, faróis, rostos angustiados.

A pequena garota teve a inocência roubada.
Infância, brincadeiras esquecidas no pátio.
Hoje ela é obrigada a ficar debaixo da chuva.
Boneca de porcelana partida ao meio, com o rosto em cacos.

Levante e diga o que sente no dia de hoje.
Arranque essa faca do seu peito.
São as mãos do seu pai, malditas mãos.
Lembranças das quais ela tenta se livrar para sempre, mas nunca consegue.

O espetáculo segue, mas ainda há muito sangue no picadeiro.
Ninguém pode salvar nossas almas errantes.
Sentimentos obscuros, medo da traição e do punhal.
Escolha outro dia para morrer, pois você ainda tem muito por sofrer.

Seu sonho mais puro agora é um pesadelo.
As canções de ninar agora são gritos de desespero.
E os retratos de família são apenas registro de dor e revolta.
Mas todos sorriem como se fossem dementes...

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2 comentários:

Netinho disse...

Muito bom mesmo, voltarei aqui mais vezes, me chamou muito a atenção e você escreve muiito bem, Parabéns !

PS:Estou voltando a escrever, postarei todos os meus textos de pouco a pouco.
Ficaria muito feliz se você pudesse ler, comentar, e principalmente seguir, se você gostar do conteúdo, que lhe seguirei de volta.
Obrigado !

http://sorteeacaso.blogspot.com/

Bruno Mello Souza disse...

Olá, Netinho!

Muito obrigado pelas palavras! Estás convidadíssimo a seguir, frequentar e comentar sempre que quiseres, aqui no DC.

Um grande abraço!