domingo, 3 de julho de 2011

Ao pé da letra

Eu tenho um amigo que entende tudo ao pé da letra. É impressionante. Ele é absolutamente incapaz de compreender qualquer sentido figurado.

Com doze anos, ele ouviu os colegas de escola dizerem que era muito bom "descascar uma banana". No outro dia, ele chegou indignado ao colégio. Disse que comprou um cacho, descascou todas e não sentiu nadica de nada. De quebra, levou uma bronca da mãe pelo desperdício.

Quando ele leu no jornal que a Cidade do México tem superpopulação, pensou que lá todo mundo colocava uma capa vermelha, a cueca por cima das calças, e saía voando. Acho que ele confundiu a Cidade do México com o Planeta Krypton.

Estes dias, numa discussão de trânsito, um cara lhe mandou à puta que pariu. Ele foi procurar a mãe num bordel.

Certa vez, eu mesmo, numa discussão com ele, disse: "Ah, vai ver se eu tô lá na esquina!" E ele foi! E ainda voltou, cheio de razão: "Não, não tá, não."

Em outra ocasião, no hospital, quando ele estava esperando um atendimento que iria atrasar, a enfermeira lhe disse para matar um tempo. Não deu outra. Ele pegou um revólver e deu um tiro no relógio da parede. Foi um alvoroço só!

Fico um tanto comovido com essas pessoas que levam tudo ao pé da letra. Mas às vezes, confesso, me irrito um pouco e até elevo o tom. Dia desses, fiz isso em público. Foi uma situação incômoda e constrangedora. Me acusaram de intolerante. E me chamaram de pedaletrofóbico...

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