domingo, 31 de julho de 2011

Bandeira quadriculada

Está dada a largada.
Tudo está muito certo.
E você corre, corre, corre.
Atenção total a cada curva.

O asfalto queima.
Mais e mais perto da glória.
E você corre, corre, corre.
Mas há tantos querendo derrotá-lo...

Apenas luta pela sobrevivência.
Ninguém jamais entendeu.
E você corre, corre, corre.
Todos vão ficando pelo caminho.

Errar é proibido.
No retrovisor, tudo aquilo que você já passou.
E você corre, corre, corre.
Agora ninguém pode detê-lo.

A linha de chegada se aproxima.
Você venceu, garoto.
Correu, correu, correu, chegou.
A bandeira quadriculada é um sonho.
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sábado, 30 de julho de 2011

Vizinhos escandalosos

Quando se mora em apartamento, a probabilidade de se ter vizinhos escandalosos, que vivem brigando, é imensa. Algo em torno dos 90%.

As brigas dos vizinhos são momentos muito peculiares. Principalmente quando ocorrem no meio da noite, quando estamos tentando dormir.

É uma sensação estranha. É parecido com ouvir um jogo de futebol no rádio. Você fica escutando aquilo e tentando imaginar o que está acontecendo de fato. Às vezes, até escolhe um lado para torcer.

O mercado está perdendo uma grande oportunidade. As empresas de tv a cabo poderiam lançar um pay-per-view dos barracos dos vizinhos. Como um reality show. Seriam instaladas câmeras nos apartamentos deles, e poderíamos comprar os pacotes. Teria o mais básico, só com imagens da sala. E teria o pacote "master", com direito à pornografia, com câmeras no quarto, no banheiro e, por que não, na cozinha.

Para ganhar dinheiro, os vizinhos poderiam vender ingressos para as brigas. Quem quisesse, poderia ver tudinho. Atrás de um alambrado, é claro. Não se pode permitir intromissão no jogo! Podiam até lançar uma carteirinha de sócio-barraco. O sujeito paga uma mensalidade e pode acompanhar todas as brigas do ano.

É claro que tudo isso são apenas ideias. Sempre existirão aqueles que gostam das coisas à moda antiga. O radinho ainda tem os seus encantos...

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Boneca de porcelana

O circo está armado.
Você no centro do palco.
Mágicos, suas cartolas e coelhos.
Palhaços e malabaristas completam o cenário.

O mundo a te observar.
Mas a dor é a mesma.
Aplausos e mais aplausos.
Mas você ainda se sente sozinha.

Estão saqueando sonhos por aí.
Algumas preocupações são insistentes como uma peste.
Luzes se confundem com a escuridão em sua alma.
Carros, faróis, rostos angustiados.

A pequena garota teve a inocência roubada.
Infância, brincadeiras esquecidas no pátio.
Hoje ela é obrigada a ficar debaixo da chuva.
Boneca de porcelana partida ao meio, com o rosto em cacos.

Levante e diga o que sente no dia de hoje.
Arranque essa faca do seu peito.
São as mãos do seu pai, malditas mãos.
Lembranças das quais ela tenta se livrar para sempre, mas nunca consegue.

O espetáculo segue, mas ainda há muito sangue no picadeiro.
Ninguém pode salvar nossas almas errantes.
Sentimentos obscuros, medo da traição e do punhal.
Escolha outro dia para morrer, pois você ainda tem muito por sofrer.

Seu sonho mais puro agora é um pesadelo.
As canções de ninar agora são gritos de desespero.
E os retratos de família são apenas registro de dor e revolta.
Mas todos sorriem como se fossem dementes...

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Orgulho do Brasil

Não foi a final. Não foi o título. Mas o honroso terceiro lugar conquistado pelo Inter na Copa Audi representa muito. O colorado sai de um torneio em que enfrentou Barcelona e Milan sem ter sido derrotado com a bola rolando. O Inter passou a ser, sem sombra de dúvidas, ainda mais respeitado no velho continente.

A partida de ontem, contra o Milan, foi especial. Não se sabia ao certo o que esperar do time reserva do Inter, reforçado por Bolívar e Damião, que estão fora do jogo de domingo contra o Atlético Goianiense, pelo Brasileirão. Era uma garotada em campo: Dalton, Gilberto, Zé Mário, João Paulo, Lucas Roggia. Jogadores que mal tinham atuado pelos profissionais se viram no Allianz Arena, jogando contra o time titular do Milan, um time espetacular, com jogadores do peso de Gattuso, Seedorf, Ambrosini, Pato, Robinho e Ibrahimovic.

Mas a molecada do Inter fez uma partida memorável. Os jovens talentos colorados tiveram muita personalidade. Mesmo sofrendo um gol cedo, de Ibrahimovic, não se abateram. Jogaram bola com a naturalidade de um rachão no suplementar do Beira-Rio. Mandaram no primeiro tempo do jogo, tocando muito bem a bola, e arrancando aplausos do estádio. Foram premiados com o empate, pelos pés de Leandro Damião.

Na segunda etapa, o time italiano passou a dominar as ações. Pressionou o colorado, criou chances, e fez o segundo gol, com Pato. Isso significava que o Inter estava morto? Não mesmo! D'alessandro, que havia entrado no jogo, empatou mais uma vez. E levou a partida para os pênaltis. Ali, brilhou a estrela de Renan. Pode-se questionar este goleiro por vários aspectos técnicos, mas não se pode negar que é um baita pegador de pênaltis. Defendeu três, de Valotti, Cassano e Alexandre Pato. E ainda viu a cobrança de Oddo tocar a sua trave esquerda. Pelo Inter, marcaram D'alessandro e Nei, enquanto Glaydson desperdiçou sua batida.

Se por um lado o colorado não foi campeão, por outro sai com uma imagem bastante positiva da competição. Representou muito bem o futebol brasileiro. Ganhou ânimo para a sequência da temporada. E apresentou ao torcedor uma gurizada que tem muito potencial, e certamente passará a frequentar com muito mais frequência as partidas do Internacional daqui pra frente.

Dalton, que até então não havia se firmado no Inter, e há pouco tempo foi dispensado pelo Atlético Paranaense, fez partida muito segura contra o Milan. Deve ser observado mais vezes.

Zé Mário é um jogador que apresentou bom potencial: possui boa presença no meio campo, e não maltrata a bola. É um volante técnico.

Gilberto vinha muito bem ontem até se lesionar. Ainda oscila muito o rendimento, mas deve ganhar mais oportunidades.

Lucas Roggia me pareceu pouco técnico. Mas tem muita velocidade e disposição. Ainda será útil.

E o mais pronto dos garotos parece ser João Paulo. Praticamente não erra passes, é inteligente, e, o principal, mostrou muita personalidade. Passa a ser uma importante opção no elenco do Inter.

Particularmente, senti muito orgulho de ser colorado nessa Copa Audi. Cheio de desfalques, com sérios problemas internos e com treinador interino, o Internacional fez muito bonito. Fez por merecer o convite para estar em meio a grandes clubes do futebol mundial. Há problemas, ainda? É evidente que sim. O elenco do Inter, apesar de ter encontrado algumas peças que podem ser muito úteis, ainda tem lacunas importantes. Principalmente na zaga. Entretanto, as coisas parecem estar dando uma clareada. A tempestade passou, e o sol timidamente começa a aparecer no céu colorado. Mas é sempre interessante ter um bom guarda-chuva à mão.

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terça-feira, 26 de julho de 2011

Dessa vez, não deu

Nos pênaltis, o Inter foi derrotado pelo Barcelona, no Allianz Arena. A possibilidade de mais um título internacional ficou pelo caminho. De qualquer forma, logo mais tem amistoso de luxo contra o Milan. Isso é para quem pode, não para quem quer.

A partida de ontem começou com domínio absoluto do mistão do Barça, contra o mistão do Inter. Ambos os times estavam desfalcadíssimos. Mas o colorado entrou em campo com três volantes, e Damião isolado na frente. O Barcelona manteve seu estilo de jogo de toques envolventes. Na prática, o resultado foi que na primeira etapa o Inter levou um vareio constrangedor. Poder-se-ia dizer que foi um primeiro tempo para ser esquecido. Mas não. O primeiro tempo do jogo de ontem tem que ser lembrado para sempre. Para que o colorado nunca mais na sua história entre em campo do jeito que entrou: covarde, displicente e amedrontado. O Inter olhou o Barcelona jogar. E o Barcelona, claro, jogou. E abriu o placar com Alcântara.

Naquela horrorosa primeira etapa, somente Andrezinho tentou jogar. A defesa foi um caos. Rodrigo Moledo esteve lamentável. É óbvio que é difícil fazer um diagnóstico do jogador. Ele, que até então não teve oportunidades no primeiro time colorado, entrou numa fria: do lado que não é o seu, contra o Barcelona. Isso não é pouca coisa. Para um jogador que até anteontem jogava no União Rondonópolis, o peso é imenso. Mas, pela amostra, abstraindo todos os fatores emocionais e psicológicos, é um jogador precário. Os volantes, por sua vez, jogaram de bobinhos. Bolatti e Élton não viram a cor da bola. Tinga foi mal na marcação e pior ainda na armação. D'alessandro foi nulo. E Damião morreu de fome no ataque.

Já no segundo tempo, o Inter foi mais Inter. Colocou mais um jogador ofensivo, Ricardo Goulart, e passou a atuar com mais coragem. Buscou o jogo, trabalhou mais a bola, e marcou mais ofensivamente. Incomodou a frágil defesa catalã. E, explorando o ponto fraco dos espanhóis, equilibrou a partida. Empatou com Nei, que, faça-se justiça, fez muito boa partida. Levou o segundo gol. Mas buscou o empate com Leandro Damião. Nos pênaltis, perdeu, com péssimas cobranças de Damião e Zé Mário. Apesar da derrota, saiu de cabeça erguida.

Ao final do jogo, me chamou a atenção a ocorrência de foguetórios e algumas comemorações bastante entusiasmadas pelas ruas de Porto Alegre. Lembrei da raposa e das uvas: torcidas que desdenhavam um "torneio amistoso que não valia nada" encontraram-se em estado quase orgásmico pelo resultado. Foi uma vibração só! Eu até imaginava que a participação do colorado num torneio de gigantes do futebol mundial estava machucando algumas vaidades. Mas, confesso, não imaginava que era tanto...

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Em busca de mais um título internacional

No início da tarde desta terça-feira, o Inter entra em campo no Allianz Arena, em Munique, para disputar com o Barcelona uma vaga na final da Copa Audi. É um torneio de prestígio, que reúne grandes clubes do futebol mundial: três Campeões do Mundo (Inter, Barcelona e Milan), e o anfitrião Bayern.

Se por um lado é verdade que o Barcelona está desfalcado de peças importantes que estiveram na Copa América, não podemos esquecer que o Inter também estará quase com um time misto. Jogadores importantes como Guiñazu, Oscar, Juan e Zé Roberto estarão de fora. Talvez aí resida a maior dificuldade do colorado logo mais: o elenco, já limitado, estará ainda mais baleado. Como a competição se realiza em dois dias, e são permitidas onze alterações, muito provavelmente em alguma altura da partida teremos os reservas dos reservas do Inter em campo, contra os reservas do Barcelona. Talvez seja nesse momento que se dê a decisão do jogo (para o bem ou para o mal). De uma hora para outra, uma garotada se verá no Allianz Arena enfrentando o Barcelona. Só isso. Mais do que qualidade, estes garotos precisarão ter, acima de tudo, muita personalidade.

A partida também marca um reencontro muito especial com um velho freguês. Dentre as conquistas mais marcantes do Inter encontram-se um Mundial Interclubes e um Torneio Joan Gamper, duas competições nas quais o colorado passou pelos catalães. Em 1982, foi na semifinal, em pleno Camp Nou, nos pênaltis, nada menos do que na estreia de Diego Armando Maradona no Barça. E em 2006, na final do Mundial, momento mais importante da história colorada, com aquele inesquecível gol de Gabiru, sobre uma estrelada equipe que contava com nomes que recém haviam jogado a Copa do Mundo daquele ano, como Zambrotta, Puyol, Rafa Marquez, Deco, Ronaldinho, Iniesta, Xavi, entre outros.

O Inter tem feito muito bonito quando tem enfrentado gigantes europeus nos últimos anos. É uma grande oportunidade de colocar mais uma competição internacional na galeria colorada. Mesmo num momento complicado, é dever do colorado lutar muito por essa taça. Ser Campeão de Tudo é bom. Mas ser Campeão de Tudo e mais um pouco é melhor ainda...

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nascer e existir

Fácil, tão fácil quanto nascer.
Difícil, tão difícil quanto existir.
Estávamos vendo nosso passado.
Estamos perdendo nosso futuro.

Uma senhora veio e me disse: "Fácil, tão fácil quanto nascer".
Não, eu não sei como se joga.
Perdi alguns dias dormindo.
Sementes que nada germinam, verdades que não quero saber.

Na carta, apenas uma promessa: "Fácil, tão fácil quanto nascer".
Anos e anos depois, uma tela ainda em branco.
Alguém já havia avisado: "Difícil, tão difícil quanto existir".
Corações feridos e anestesiados com uma mentira na tv: felicidade em liquidação.

Rostos sorridentes pedem socorro.
Mas não somos capazes de fazer mais nada.
Limpe essa sujeira no chão, garoto!
Fácil, tão fácil quanto existir...

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domingo, 24 de julho de 2011

A morte de Amy Winehouse

Sem dúvida nenhuma, é absolutamente lamentável a morte de Amy Winehouse. No cenário pop atual, marcado pela mediocridade e por artistas assépticos ao melhor (?) estilo Disney Channel, ela fazia a diferença. Amy era dona de um talento impressionante, e de uma voz extremamente marcante. É uma perda imensa.

Claro, é muito fácil e cômodo agora se dar um discursinho anti-drogas, raso como um pratinho de festas infantis. A sociedade é assim, nessas horas: se exime de toda a sua responsabilidade, e coloca nas costas do indivíduo todo o peso daquilo que é consequência de uma complexa trama sobre a qual nem sempre ele tem domínio.

O tratamento que se dá às celebridades é estúpido e desumano. E Amy não escapava a esta lógica. Tudo que ela fazia era notícia. Ela perdeu o direito à vida particular. É uma pressão imensa. Imaginem o desgosto que deve ser para uma pessoa jovem e talentosa dar-se conta de que está condenada a sempre estar nas capas de jornais, de que tem dinheiro e algum poder, mas não pode desfrutar de coisas simplíssimas que a vida proporciona às pessoas normais.

Por isso, não condeno pessoas como Amy Winehouse. Eu as entendo. Essas pessoas perdem o direito de existirem para si mesmas. Passam a ser objetos, vivem cercadas por um aparato absurdo, e estão permanentemente expostas aos flashes e olhares de uma plateia faminta por escândalos. Em alguns casos, de fato, morrer é uma libertação. Nós, que aqui ficamos, perdemos um talento extraordinário. Mas Amy finalmente está livre. Abaixo, reproduzo trecho de um texto que publiquei aqui no DC no início de 2009, que já tratava da pressão absurda sofrida pela cantora britânica, e sintetiza bem o que penso sobre o assunto (http://dilemascotidianos.blogspot.com/2009/01/amy-bossa-nova-e-paparazzi.html):

" (...) esse mundo de celebridades é realmente cruel. Nem sempre o dinheiro paga tudo. Alguém já parou pra pensar no inferno que deve ser, de uma hora pra outra, a pessoa não possuir mais vida própria? Tá comprando um sutiã: clic! Tá comendo uma ala minuta: clic! Tá dando aquele amasso gostoso: clic! Tá na piscina tentando relaxar: clic! Brigou com o namorado e tá chorando: clic!
Realmente não me surpreende que algumas dessas pessoas entrem em parafuso. É absolutamente humano. O mundo dos paparazzi, das celebridades fugazes, da invasão da vida privada a todo custo é frenético, enlouquecedor. Tem pessoas que compram revistas pra saber da vida de pessoas que elas nunca viram pessoalmente, e provavelmente nunca verão. É de se parar pra pensar mesmo. A super-exposição é, certamente, um inferno, algo que deixa a vida das pessoas, suas intimidades, tudo, vulnerável, acessível às mãos e olhares do mundo todo. Deve ser muito difícil. E não há dinheiro no mundo que compre sossego. Simplesmente não compensa. E as pessoas não estão nem aí! Devem virar, aos olhos da celebridade, monstros infernais devoradores. Pessoas famosas são, acima de tudo, pessoas, como qualquer um de nós. E precisam viver, como qualquer um de nós! Estou lançando a campanha simbólica: deixem a Amy em paz!" (DC, 05/01/2009)

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sábado, 23 de julho de 2011

Os 10 momentos mais marcantes do Inter na minha vida

Em meio à atual turbulência vivida pelo Inter, e às vésperas de mais uma competição de prestígio mundial a ser disputada pelo colorado, a Copa Audi, contra os gigantes europeus Barcelona, Milan e Bayern, me peguei pensando sobre os momentos mais marcantes que vivi até hoje, no que diz respeito ao meu clube do coração.

Obviamente são muitos e muitos, os momentos. Bons e ruins. Porque não só na vida, mas no futebol, temos vitórias e derrotas. E ambas nos marcam. Por isso, decidi listar os 10 momentos do Inter que mais marcaram a minha vida, até o presente momento. Foi um desafio difícil. Alguns momentos inesquecíveis tiveram de ficar de fora. Mas é assim, mesmo. Qualquer lista que se faça, nunca vai contemplar todos os quadros de um sentimento tão amplo, grandioso, e cheio de nuances como o que tenho pelo Sport Club Internacional. De qualquer maneira, aí vai a lista:

Décima posição- São Caetano 5x0 Inter (2003): Era uma época difícil. O Inter, pelas mãos de Fernando Carvalho, e sob o comando de Muricy Ramalho, começava, aos poucos, a se reestruturar. A Libertadores era uma realidade tão distante que meu sonho nem era ganhar uma: era apenas ver o meu time voltar a jogar uma. Nas duas últimas rodadas daquele Campeonato Brasileiro, o Inter precisava de dois pontos em dois jogos para alcançar este objetivo. No primeiro, contra o time reserva do São Paulo, no Beira-Rio, apenas empatou em 1 a 1. Precisava apenas de um empate fora, contra o São Caetano de Tite, para jogar a Libertadores de 2004. Levou 5 a 0. Recordo-me que estava ouvindo o jogo no rádio, em casa. Depois do segundo gol do time da casa, meio que desisti, e deitei na cama, com o rádio ligado, é claro. Chorava em silêncio, enquanto o Inter ia levando mais gols e aumentando a humilhação (http://www.youtube.com/watch?v=A9UiWtOx5Ew).

Nona posição- Inter 0x4 Juventude (1999): O colorado, então presidido pelo falecido Paulo Rogério Amoretty, tinha montado aquela equipe que na época foi chamada de "SeleInter", cheia de jogadores de seleção brasileira, como Gonçalves, Elivélton, João Santos e Dunga, comandados por Paulo Autuori. Chegou à semifinal da Copa do Brasil numa partida heróica contra o Goiás, no Serra Dourada, fazendo o gol da classificação no último minuto, com Régis. Na primeira partida da semifinal, contra o Juventude no Jaconi, 0 a 0. Era só vencer num Beira-Rio lotado, e chegar à final da Copa do Brasil, numa época de vacas anoréxicas. Mas não venceu. Pelo contrário, levou traumatizantes 4 a 0 (http://www.youtube.com/watch?v=j6kyNCPmiXw).

Oitava posição- Grêmio 2x5 Inter (1997): Redenção colorada no Olímpico! A inteligente direção tricolor colocou uma lebre no meio do gramado antes da partida, como forma de ironizar a liderança do colorado no início daquele campeonato. Acabou levando 5, com show de Uh! Fabiano (http://www.youtube.com/watch?v=sbTspqstafM).

Sétima posição- Paysandu 0x2 Inter (2002): O time colorado, tecnicamente falando, não era dos piores. Mas era composto por uma série de bad boys que pareciam não querer nada com nada, e estavam por empréstimo no clube, ou seja, para eles faria pouquíssima diferença se o colorado viesse a disputar uma segunda divisão no ano seguinte. Mas havia ali um anjo em terra chamado Mahicon Librelato. Me parece que sua missão na vida era aquela: tirar o Inter daquela situação. Pouco tempo depois, o promissor atacante faleceu em acidente automobilístico, em Florianópolis. Era o primeiro ano da gestão Fernando Carvalho. Um susto para nunca ser esquecido (http://www.youtube.com/watch?v=phbY1AJwBzw).

Sexta posição- Inter 1x0 Grêmio (1997): Numa fase em que os gremistas tripudiavam, e recém tinham ganho uma Copa do Brasil, aquele título foi saborosíssimo. Um cafezinho com gosto de milk shake (http://www.youtube.com/watch?v=L7vfd_f2oLU).

Quinta posição- Inter 1x0 Palmeiras (1999): Num campeonato desastroso do colorado, e também marcado por muita polêmica no caso do "gato" Sandro Hiroshi, do São Paulo, pontos ganhos no tapetão pra lá, pontos perdidos no tapetão pra cá, Gama entrando na justiça comum acolá, fato é que o Inter ficou na primeira divisão graças a um golzinho salvador de Dunga, num dos jogos mais dramáticos da história do Beira-Rio. Ao final daquele jogo, desabei, aos prantos, no chão (http://www.youtube.com/watch?v=ClcpZBL9XN8).

Quarta posição- Inter 0x2 Mazembe (2010): Talvez este jogo seja o capítulo mais triste da história do Inter. Imaginávamos um Bi-Campeonato Mundial contra a Inter de Milão, numa grande e histórica final em Abu Dhabi. Mas uma pedrinha no caminho, chamada Mazembe, amputou as nossas pernas. Dolorosa frustração (http://www.youtube.com/watch?v=gdFboiqwN0s).

Terceira posição- Inter 3x2 Chivas (2010): O Bi da Libertadores era uma grande sonho. Se na primeira conquista continental o Inter passava confiança, e só perdeu um jogo, na segunda vez foi bem diferente. Aos trancos e barrancos, na base da raça, o colorado levantou a taça (http://www.youtube.com/watch?v=IX1W8kbpi-I).

Segunda posição- São Paulo 1x2 Inter (2006): Quando me lembro do grande título da Libertadores de 2006, a primeira coisa que me vem à cabeça é a imagem de Sóbis comemorando o segundo gol no Morumbi. Para mim, aquela partida foi mais marcante do que a finalíssima, no Beira-Rio. Foi lá, naquele Morumbi lotado, onde o São Paulo moía os seus adversários, que o Inter verdadeiramente conquistou a Libertadores, em uma atuação memorável (http://www.youtube.com/watch?v=HPe7QdsqHWA).

Primeira posição- Inter 1x0 Barcelona (2006): Foi uma manhã inesquecível. Muita angústia e expectativa. Quando Gabiru fez o gol, fiquei cego, fiquei surdo, apenas saí correndo enlouquecidamente pela casa. Um dia de sonho. Inter Campeão do Mundo (http://www.youtube.com/watch?v=xxAZe2FonsU).

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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Que coisa triste!

- Ô, tio, compra uma balinha aí, pra ajudar?
- Poxa, claro, claro. Vou comprar umas cinco.
- Nossa! Muito obrigado, mesmo! O senhor não sabe como as vendas estão ruins, hoje, e a situação tá muito ruim lá em casa.
- Não tem o que agradecer. É sempre muito bom poder ajudar.
- Cada pacotinho é 50 centavos. Então, vai dar R$ 2,50.
- Tá ok. Bom, tá aqui o cartão de crédito. Cadê a maquininha?
- O quê?
- A maquininha do cartão, ora bolas! Para eu comprar as balas!
- Poxa, tio, não tenho maquininha!
- Como assim, não tem maquininha? Tem que ter! Você está excluído da tecnologia! Dinheiro... Pff... Só o que me faltava...
- O senhor só pode estar de gozação...
- Quem está de gozação é você, ô moleque malcriado!
- Como é que eu vou ter uma maquininha de cartão, porra? O senhor está vendo alguma maquininha aqui, cacete?
- Aaah, está cheio do palavreado, então, é, pirralhinho? Não posso comprar se você não tem a maquininha!
- Ah, tio, vai à merda, então!
- Seu mal-educado! Vê se pode uma coisa dessas, a gente tenta ajudar e esses fedelhos ainda agem assim! Da próxima vez não adianta vir nem com a maquininha, que eu não compro! Bem feito pra mim! É nisso que dá ser um humanitário...

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Foto em preto e branco

Vejo a chuva pela janela, e dentro de mim os pensamentos estão escuros.
Procurei andar de cabeça erguida, é algo que ainda busco.
Alguns momentos de fraqueza marcam aquilo que realmente sou, e isso é difícil de encarar.
Mas já não temo mostrar o que acontece comigo.

Dias de esperança ainda se intercalam com as dores de uma multidão ferida.
Tento entender a fuga, e algumas coisas estranhas que acontecem.
Já não sei em que plano estou, e se já posso olhar para a frente.
Talvez eu seja meu maior problema, há sentimentos se escondendo pelos becos.

A cada dia fica mais difícil decifrar alguns gestos.
Nossos caminhos não mudaram, mas permanecemos parados.
Estamos tomados por preocupações e angústias.
Tudo foi mudado, mas ainda somos tão iguais!

Andei por tantas ruas, vivi tantas coisas enquanto estive longe.
Mas eu sempre volto, eu sempre estarei bem aqui.
E daqueles que permanecem, já não sei em quem acreditar.
Anjos tocam nossos rostos, mas acho que eles querem nos assassinar.

Sempre foi assim, brincamos de ser fortes.
A doença está espalhada, buscamos algo para crer.
Visitamos um passado injusto.
Veneno em nossas veias, será que alguém está mentindo aqui?

Estamos ressurgindo do caos.
Olhamos para o céu, alguém olha por nós?
A paisagem está vazia, uma foto em preto e branco.
Somente nós poderemos dar vida a tudo isso.

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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Antes do fim

Há muito sangue no chão essa noite.
Estamos purificando nossas almas.
É necessário levantar antes que o sol nasça.
Ainda estamos vivos, apesar de tudo.

Os olhos não vêem, os ouvidos não escutam.
Vozes dizem para eu explodir isso tudo.
Mas ainda há muita luta pela frente.
Persistimos como vermes que não abandonam um corpo putrefato.

O aviso foi dado desde o início.
Sabíamos que seria assim.
Aqueles que nos amam estão chegando.
Mas agora são apenas fotografias distantes...

Do fundo da alma vem a força.
Um amor nos une por nossa causa perdida.
Podemos estar errados, mas vamos até o fim.
Ninguém nos ensinou a perder.

Estamos condenados a viver até que tudo isso se esgote.
Sacrificamos nossa juventude.
Mudamos nossos rostos, mantivemos nossos corações intactos.
Nossas lembranças permanecem guardadas.

Está amanhecendo, e as respostas continuam escondidas.
Não importa mais se o mundo vai acabar.
Todo aquele sangue no chão era meu.
E todas as memórias de um dia que nunca chegou sobem pelo céu.

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terça-feira, 19 de julho de 2011

Até logo, Falcão!

A demissão de Falcão do comando técnico do Internacional é absurda, inexplicável e injustificável. Sempre defendi, aqui no DC, o trabalho de Falcão. E ele estava conseguindo, quando tinhas as opções, montar um time com mecânica de jogo. Mas, no primeiro escorregão, num jogo contra o forte São Paulo, em que teve que apelar para jóias do futebol como Alex, Ricardo Goulart, e o ex Índio, e, como opções no banco tinha jogadores como Fabrício e Élton, Luigi cortou sua cabeça.

Paulo Roberto Falcão não foi culpado nesse processo todo. Foi vítima. Vítima de um presidente omisso desarticulado com seu vice de futebol. Vítima da falta de respaldo sobre o seu trabalho. Vítima da ruindade de algumas perebas que sobraram como únicas opções quando os desfalques, sempre inevitáveis, ocorreram. Falcão tinha tudo para dar certo. Quando disse que não tinha elenco para ser campeão brasileiro, aquilo era mais do que uma constatação: era quase um pedido de socorro. Mas não o ouviram. Ou fingiram que não o ouviram.

Não adianta ter um treinador com boas ideias de futebol se você não dá aval ao seu trabalho e, pior ainda, não lhe dá sequer as peças para montar um time confiável. Todo mundo está dizendo, HÁ HORAS, que Nei não dá, que Bolívar e Índio não têm mais condições de serem titulares, que faltam opções de banco, principalmente no setor ofensivo, e que o elenco tem limitações sérias. Não adiantou nada. Luigi deixou a maionese desandar a adotou a prática mais simplista, e no caso específico, covarde, que poderia tomar: demitiu o treinador.

O Inter está uma bagunça, como há muito tempo não se via. A situação está rachada. E cada vez mais desagregada, em diferentes posições. É o que se pode perceber muito claramente não só agora, com as fortes declarações de Roberto Siegmann, mas desde a polêmica das obras do Beira-Rio, e, antes ainda, nas eleições.

Como forma de amenizar o ambiente pesadíssimo, para diretor executivo está chegando Fernandão. É um cara identificado com o Inter, inteligente, e com boas ideias sobre futebol. Porém, se o caos permanecer, ele será, logo, logo, engolido pela crise e pelos desmandos administrativos, como Falcão o foi.

Para treinador, cogita-se o gremista Cuca. Nunca ganhou nada de importante. Não me parece um bom nome. Cuca tem o DNA da derrota correndo em suas veias. Não digo que seja um incompetente. Mas é muito menos do que o Inter precisaria. Não tem bom currículo, não tem carisma, e não tem identificação nenhuma junto à torcida colorada. Muito antes pelo contrário: ele é execrado pela massa vermelha.

No fim das contas, o fato é que o Inter está mergulhado em uma crise das mais violentas dos últimos anos. Não tem direção. Não tem perspectivas. E, nesse monte de barbaridades que têm sido feitas, vemos um grande ídolo ser sobrepujado absurdamente por um contexto marcado, acima de tudo, pela incompetência dos atuais dirigentes colorados, "liderados" por Giovanni Luigi.

Não existe "adeus" ao Falcão. Amores como o deste homem para com o Sport Club Internacional, nada, nem ninguém, pode apagar. Eles podem ter idas, vindas, acasos, acidentes de percurso, intrigas, equívocos de concepção. Às vezes eles envolvem dor, paciência, meditação, persistência. Mas não se apagam. Sempre ficam, em algum canto, acesos, vivos, marcados no coração de cada parte envolvida. E, em um momento ou outro, voltam à tona. Assim são os grandes amores.

Falcão voltará. Isso não quer dizer que em algum momento ele tenha ido. Porque a aura do Rei de Roma sempre estará no Beira-Rio. Porque Falcão é eterno. E esse sentimento de vazio, numa hora mais oportuna, com gente mais competente no comando colorado, sumirá. Porque lá estará de novo Paulo Roberto, o menino de cabelos cacheados que levava tijolos para construir o Gigante, sorrindo, adentrando, sob aplausos, a porta de sua casa, pronto para fazer o clube que ele ajudou a tornar grande, maior ainda.

Até logo, Falcão!

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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Receita de um bolo indigesto

Ingredientes:
- 1 lateral direito medíocre;
- 2 zagueiros que precisam pegar um táxi para buscar os atacantes adversários na corrida;
- 2 desfalques de jovens com potencial para uma seleção sub-qualquer coisa;
- 1 primeiro volante em crise técnica;
- 2 desfalques de meio-campistas que poderiam ser opções para uma partida complicada;
- 1 desfalque de um bom atacante que dá vida ao setor ofensivo do seu time;
- 1 banco de reservas sem opções decentes para mudar a história de um jogo;
- 1 diretoria que não reforça o time em posições claramente problemáticas.

Modo de preparo:
- Nosso bolo começa com uma diretoria que parece viver num mundo paralelo. Ela se recusa a ver problemas óbvios de uma equipe que tem potencial, mas precisa de reforços. Com isso, você vai tirando a consistência de seu time ainda mais, conforme os problemas vão surgindo. O segredo é deixar a massa desandar sem fazer nada!

- Acrescente dois desfalques, de um zagueiro de velocidade, e de um meia que está em ótima fase, que estarão a serviço de uma seleção de base enquanto a equipe profissional que paga os seus salários fica chupando o dedo.

- Tenha em campo uma zaga velha e lenta.

- Na frente dessa zaga lenta, coloque um ótimo primeiro volante em inexplicável má fase técnica, que erra absolutamente tudo o que tenta fazer em campo.

- Some a isso outros três desfalques, de dois jogadores que poderiam ser opções de certo peso para o meio-campo, e de um atacante titular de velocidade e aguerrido.

- Assim, nessa imensa falta de opções, tenha um banco de reservas precário para mudar até uma partida de segunda divisão estadual.

- O gostinho especial do nosso bolo vem de um lateral direito que, para ser ruim, ainda tem que melhorar muito.

- Agora, é só esperar 90 minutinhos e levar 3 a 0 em casa, ao natural. O bolo está pronto! E a indigestão é certa...

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domingo, 17 de julho de 2011

170711

Estivemos lamentando tanto o que já não volta mais.
Olhamos para a frente, talvez o destino ainda reserve algo mais do que o que temos hoje.
Sim, lá no fim eu ainda estarei lutando.
Estarei escrevendo minha própria história.

O mundo está vazio de sentimentos, e isso está nos corroendo.
Pegue minha mão e me leve para longe disso tudo.
Que a dor passe de uma vez, que esta noite acabe logo.
Estou novo, estou muito mais velho.

Podemos ser mais do que somos.
Podemos fazer nossa vida chegar aonde queremos.
Perdemos tanto tempo, mas ainda estamos aqui.
Todo o sangue que escorreu deve ter algum sentido.

Nos olhamos sem saber o que dizer.
Talvez nada deva ser dito.
Talvez ainda sejamos cegos, e assim permaneceremos.
Estamos aguentando um peso absurdo demais.

Agora me conte o que você está pensando e sentindo.
Ainda há algum desconforto, ou um caminho errado?
Não sei se é tarde demais.
Mas estou disposto a continuar caminhando.

Lentamente vamos esvanecendo.
Vemos aquelas crianças brincando na rua.
Elas cresceram, elas casaram.
E tiveram outras crianças, felizes para sempre.

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sábado, 16 de julho de 2011

Theobaldo, o enólogo

Theobaldo era um enólogo conhecido no seu meio profissional. Não tanto pela sua competência. Mas sim por sua postura. Sempre que era chamado para analisar vinhos, era um alvoroço.

Ele era dono de uma empáfia sem igual. Seu visual característico, alto cabelos longos, óculos de fundo de garrafa e permanente cara de nojo tornavam sua figura ainda mais odiosa. Muitos duvidavam da qualidade de suas análises. Principalmente porque ele era dono de uma obscura fábrica de vinhos, pouquíssimo conhecida.

Suas opiniões eram sempre estupidamente corrosivas. Nunca elogiava os vinhos que degustava. "Esse vinho é uma porcaria!"; "Com todo o respeito, mas isso aqui é um suco de uva vagabundo!"; "Nunca bebi nada tão horrível!" Era sempre assim. Sempre a mesma arrogância.

Exatamente por isso, entre os enólogos, pouquíssimos gostavam dele (à exceção de dois amigos, Theodoro e Dênis). Certa feita, ele foi convidado para um evento de grande porte. Iria analisar, às cegas, uma série de vinhos. O que ele não sabia é que, dentre aquele tanto de vinhos que ele provaria, estava o de sua própria fábrica.

O auditório estava lotado. E ele começou seu "show" particular. Ia "descascando", sempre com suas frases grosseiras, os vinhos, um a um. Até que chegou a hora de degustar o seu próprio vinho. O ambiente ficou, ao mesmo tempo, tenso e cheio de expectativa.

"Nossa... Mas que vinho ruim!", exclamou. Não deu outra: a plateia caiu na gargalhada. Tiraram-lhe a venda do rosto, e o constrangimento parecia saltar de seus olhos. Saiu de cantinho, cabisbaixo, absolutamente desmoralizado.

Desde então, nunca mais exerceu a profissão de enólogo. Sua fábrica foi à falência. Sumiu do mapa. As últimas notícias davam conta de que Theobaldo andava animando festinhas infantis, fantasiado de dinossauro Barney. Se não trabalhava mais com vinho, pelo menos no novo ofício usava uniforme com cor de. Essa era a única coisa que ainda o consolava...

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Trecos

No meu bairro tem uma loja chamada "Tarekos e Trekos". Esses dias, quando passei por ela, fiquei pensando: o cara que deu o nome a essa loja não deve entender muito de marketing.

Por mais que uma loja venda trecos, ela nunca pode assumir que o faz. Quem é que passa na frente de uma loja e diz: "Oba! Ali tem trecos! Vamos entrar? Estou precisando de uns trecos."?

Ninguém compra trecos conscientemente. As pessoas só descobrem que os trecos são trecos depois que os compram e não encontram nenhuma utilidade. Só um idiota compraria um treco sabendo que é um treco.

Por isso, não entendo o nome da loja. É auto-depreciativo. É como se um açougue se chamasse "Pelanca". Ou como se uma pizzaria se chamasse "Borracha". Ou ainda como se um prostíbulo se chamasse "Baranga's Drink Bar". Fico até imaginando os caras combinando: "E aí, vamos sair hoje e pagar para fazer sexo com umas barangas?". Não, obrigado...

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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Senhor Óbvio entrevista Juninho Gaúcho

- Olá, Juninho Gaúcho. Desde já agradeço a entrevista.
- Olá, Senhor Óbvio. Eu que agradeço a oportunidade de poder falar com os admiradores do meu belíssimo futebol.
- Juninho, conte-me como foi o início da sua carreira.
- Ah, eu sempre gostei muito de jogar bola. Desde moleque sonhava em ser atacante...
- Então, você queria ser atacante?
- Isso mesmo. E graças a Deus, consegui.
- Você gosta de fazer gols, então...
- Sim. É um momento muito bom. Inigualável.
- E você fica feliz quando marca um gol?
- Lógico, muito feliz.
- E aí você comemora muito?
- Sim, é o momento de extravasar.
- Então você sempre quis ser atacante?
- Sempre.
- Nunca quis ser meia, ou zagueiro?
- Não, não. Sempre gostei de jogar no ataque.
- E agora que foi contratado para jogar no THFC (Tio Hugo Futebol Clube), o que você espera?
- Ah, graças a Deus eu estou tendo a felicidade de ser contratado por esse grande clube, e o torcedor pode ter certeza que vou fazer de tudo para trazer muitas alegrias.
- Você pretende, então, deixar o torcedor feliz?
- Sim, quero muito fazer muitos gols.
- E, fazendo muitos gols, aumenta muito a possibilidade de o time ganhar as partidas, desde que sofra menos gols, não é verdade?
- Sim, com certeza. Por isso a defesa também é muito importante.
- Você acha que, se a defesa levar muitos gols, fica difícil ganhar os jogos?
- Sem dúvida, o futebol é coletivo. Todos devem lutar muito pela equipe.
- Então, se uma parte da equipe não funcionar, as coisas podem se complicar?
- Sem dúvida nenhuma.
- E aí, ganhar jogos pode ser difícil.
- Com certeza.
- E pro futuro? O que você almeja para sua carreira?
- Ah, graças a Deus eu almejo muitas coisas. Quero ajudar minha família, jogar na seleção...
- Humm... Então você quer jogar na seleção?
- Se Deus quiser.
- Você ficaria contente se fosse convocado?
- Poxa, seria uma honra.
- E aí, você ia querer fazer sucesso na seleção...
- Lógico. Iria agarrar a chance com as duas mãos.
- Então você se esforçaria muito por isso?
- Claro! É uma oportunidade de ouro na carreira de qualquer jogador.
- Indo para a seleção, então, você acha que a carreira tem uma grande chance de deslanchar...
- Evidente que sim.
- Por fim, deixe uma mensagem para os milhões de torcedores do THFC.
- Só queria dizer que pra mim é uma honra vestir essa camisa que já foi vestida por tantos jogadores importantes, e que vou dar o meu melhor, se Deus quiser.
- Bom, então tá, Juninho Gaúcho. Agradeço muito a sua entrevista.
- De nada, Senhor Óbvio. Estou sempre à disposição. Precisando, é só conversar com meu assessor de imprensa.

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terça-feira, 12 de julho de 2011

Acertar

Tudo que vivi...
Tudo o que senti...
Os dias continuam frios.
Mas tantas e tantas vezes tentei acertar...

Cada segundo em que lutei hoje me cobra uma dívida.
Estamos mais velhos, mas nossos espíritos continuam pobres.
Não somos vítimas nem culpados, apenas cometemos erros.
Mas eu juro que tentei acertar...

As ondas sempre voltam, mas já não são a mesma coisa.
Estivemos à procura de nós mesmos, todo esse tempo.
Já não há nada que se possa fazer.
Eu apenas sei que sempre tentei acertar...

E todas as esperanças agora são rochas.
Nossos melhores momentos viraram fósseis.
Não soubemos lidar com nossos medos e fragilidades.
Mas você sabe que em cada gesto eu apenas tentei acertar...

Sinto alguma vida persistindo em mim.
Talvez ainda não seja tarde demais.
Mais um dia ensolarado há de surgir no horizonte.
E, então eu te prometo que continuarei tentando acertar...

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

A Festa do Amendoim

- Pedro, sabe aquele cara que conheci outro dia enquanto comprava sofá na loja de móveis?
- Sim, Eliza, você me falou dele. É aquele que tem a coleção completa de lps do José Augusto, né?
- É... Mas, apesar disso, acho que ele é bacana. Ele ligou hoje de manhã me convidando para ir à Festa do Amendoim, hoje à noite.
- O quê? A Festa do Amendoim? Você sabe o que isso significa, né?
- Hã... Não... Do que você está falando?
- Ora, me poupe "senhora ingenuidade". Amendoim pra lá, amendoim pra cá, amendoim torrado, amendoim doce, amendoim salgado, rapadura de amendoim, paçoca de amendoim, licor de amendoim, pé-de-moleque encrustado de amendoins. Dizem que lá tem até colares feitos de amendoim!
- Tá... E daí?
- "E daí"? Como "e daí"? Não vê que é um antro de perdição? Quem come tanto amendoim? E com que intenção?
- Ah, Pedro, deixa de bobagem. Famílias inteiras vão lá...
- Bando de pervertidos... Além de fazerem seu festival de promiscuidades, ainda envolvem crianças inocentes! Não acredito que você vai à Festa do Amendoim! Isso é loucura!
- Sinceramente, não vejo nada demais.
- Então, tá. Vai lá. Só que já te digo o que vai acontecer. Ele vai se entupir de amendoim, ficar excitado como um vira-latas no cio, cheirar o seu traseiro, e vai querer transar como se não houvesse amanhã!
- Hum... Será mesmo?
- Mas é claro!
- Bom... Pois é... Pensando bem, realmente não é má ideia. Irei, sim, à Festa do Amendoim. E amanhã te conto como foi. Tchau, tchau!

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domingo, 10 de julho de 2011

1000 anos

Tenho o hábito de, pela manhã, enquanto escovo os dentes, faço a barba e tomo banho, deixar a tv ligada, ouvindo o "Bom Dia, Brasil". Dia desses, ouvi uma notícia deveras interessante. Um biomédico inglês, chamado Aubrey de Grey, estimou que, dentro de algumas décadas, os seres humanos poderão viver até mil anos. Mil anos!

No início, até achei interessante. De repente, dá tempo de eu entrar na onda. Mas, pensando melhor, comecei a achar esquisito. Não, o mundo não vai ser melhor. Vai ser estranho pra caramba, isso sim.

Fico imaginando um velhinho falando com o filho: "Garoto, você não sabe o que eu aprontava na flor da idade! Eu pegava cada brotinho de 300 anos que vou te contar! Mas você ainda é um bebê. Tem só 150 anos."

Sexualmente, seria bizarro. Transar com uma senhora de 80 anos seria pedofilia! Os sites de sacanagem seriam totalmente diferentes. O pessoal ia baixar vídeos e fotos da Hebe e da Palmirinha! "Vai, Palmirinha, corta essa cenoura!" Fap, fap, fap. "Ai, ai, aaai!" Fap, fap, fap. "Mexe esse refogado, mexe! Ah, ah, aaaah!"

E as ruas, como seriam? Acho que tomadas por mesinhas de dama. Em cada esquina, velhinhos jogando dominó. Os ônibus teriam assentos preferenciais para menores de 65 anos! O mesmo valeria para as filas em bancos.

No futebol, nas categorias de base, ao invés das categorias "fraldinha" e "dente-de-leite", teríamos as categorias "fralda geriátrica" e "dentadura".

As baladas seriam um capítulo à parte. A festa do Corega seria o ápice da perversão. Regada a muita catuaba com Viagra e amendoim!

De fato, é melhor o nosso amigo pesquisador pensar bem antes de cogitar estender a vida humana por mil anos. O mundo seria muito, muito, muito exótico mesmo. E os danos seriam irreversíveis!

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sábado, 9 de julho de 2011

Sacolas

O processo de fazer compras no supermercado tem muito mais partes chatas do que legais. Comprar arroz, papel higiênico, escolher frutas e verduras, "dirigir" o carrinho no meio da multidão, descarregar as sacolas em casa, tudo isso é bem desagradável.

Mas a parte mais horrorosa, disparadamente, é a hora de ensacolar as compras. É terrível. É apavorante. Alguns supermercados economizam em empacotadores. Deixam tudo por conta do cliente. "Vai lá! Empacota direitinho! E não reclama, que nós já damos a sacola!"

A hora de ensacolar é angustiante. A moça do caixa começa a passar as coisas, e você tem que se virar com as sacolas, tirá-las do saco maior, de pano, abri-las, e ir guardando as coisas. Nesse meio tempo, tem que procurar o que combina com o que, tipo, coisas de limpeza, comidas secas e comidas congeladas. Quando os produtos são mais pesados, tem que colocar em duas sacolas. Quando são grandes ou largos, tem que se virar para entrar na minúscula sacola. E tudo isso em tempo recorde!

Na hora de ensacolar, me sinto numa daquelas gincanas idiotas de programas do Celso Portioli. Falta só alguém gritar "Valendo!", um reloginho com contador regressivo e, claro, um prêmio, chumbrega que seja, no final. Brabo é que no final das contas, sempre termino com a ajuda da moça do caixa que me olha com cara de "Tá bom, tá bom, vou ajudar esse coitado". Sempre acabo me sentindo um perdedor...

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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Marcha dos Portugueses

Os portugueses estão organizando uma grande marcha. A Marcha dos Portugueses. Vão se concentrar na frente do estádio do Vasco da Gama e caminhar até Lisboa. A pé.

São anos e anos de preconceito contra os portugueses. Uma infinidade de piadas lusofóbicas são contadas todos os dias no Brasil. Isso tem que parar.

O líder do Movimento do Orgulho Português, Seu Manuel, esclarece que a marcha tem o objetivo de abrir os olhos da sociedade brasileira: "Nós, portugueses, não aguentamos mais este preconceito. Queremos que os parlamentares do Brasil regulamentem uma lei que criminalize as piadas de português. Queremos ter o direito de cantar nossos fados e dançar o vira-vira livremente, sem sermos humilhados".

A Marcha dos Portugueses contará com um trio elétrico do cantor Roberto Leal. Além disso, haverá um telão com mensagens de Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Seu Joaquim da padaria.

"Sem dúvida nenhuma, é um imenso passo dado pelo movimento dos portugueses. Há muitos anos a lusofobia tem contribuído para uma sociedade intolerante e cheia de ódio. Diga não à lusofobia!", complementa Seu Manuel.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Olhos fugidios

Era uma manhã fria de junho. No ônibus, uma moça, que devia ter uns vinte anos, sentou-se de frente para mim. Ela era singularmente bonita. Mas não era escandalosamente bonita. Sua beleza não era óbvia. Era uma beleza imperfeita. E é este o tipo de beleza que mais me atrai. Belezas gritantes são avessas à contemplação. Belezas discretas exigem sensibilidade, sincronização do espírito do observador junto ao que é observado. Seus cabelos dourados configuravam impressionante harmonia com os olhos verdes, o nariz fino e a boca bem avermelhada e, ao mesmo tempo, delicada.

Mas o que mais me chamou a atenção foram os seus olhos. Eram bonitos e tristes. Eram fugidios. Fugiam de mim. Fugiam de todos. Fugiam do mundo. Fugiam de tudo. Seus olhos estavam em outra sintonia em relação àquilo tudo que a cercava. Talvez fosse esse o fator que a tornava mais bonita. Naquele cenário frenético, atordoante, um tanto alucinado, ela era diferente, uma figura que fora recortada de outra foto e colada ali. Naquele amontoado de piscinas rasas, seus olhos verdes eram reflexo do mais profundo dos oceanos.

Aquela moça não parecia estar triste. Ela parecia ser triste. Portadora da mais genuína das tristezas. Tristeza sem remédio, sem comprimido. Tristeza sem diagnóstico. Tristeza sem objeto ou motivo. Simplesmente tristeza. Cheguei a sentir vontade de roubar um pouquinho daquela tristeza para mim. Porque ela era verdadeira. E tudo que é verdadeiro é de alguma forma bom, grandioso, nobre, mesmo que seja doloroso.

Enquanto eu devaneava, a moça levantava. Desceria na próxima parada. E assim o fez. Seguiu sua vida, seguiu seu caminho. Provavelmente eu nunca mais torne a ver aqueles olhos tão reais e expressivos em um mundo tão falso e frio. Mas, mesmo sabendo que não voltarei a vê-los, não posso negar que eles me marcaram. E, de alguma maneira, mudaram alguma coisa na minha vida, para sempre...

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Top Blog 2011

Pelo segundo ano consecutivo, o DC foi indicado ao Prêmio Top Blog, na categoria "Variedades". De alguma forma, isso é sintoma do crescimento que o blog vem tendo durante sua existência, com cada vez mais acessos e comentários.

Particularmente, tudo isso me deixa bastante satisfeito. E devo muito disso aos leitores, que, além de acessar o blog, comentam, elogiam, dão sugestões, e criticam, quando assim entendem necessário. Essa interatividade contribui, e muito, para que o DC tenha um conteúdo sempre de relativa qualidade.

O Top Blog 2011 será realizado em dois turnos. No primeiro, via Júri Popular, 100 blogs de cada categoria se classificam para o segundo turno. No segundo turno, os votos são zerados, e estes 100 blogs disputam o Top 3, por duas vias: Júri Popular e Júri Acadêmico.

A votação do primeiro turno se encerra no dia 11/10/2011. A divulgação do Top 100 se dará no dia 22/10/2011. Já o período de votação do segundo turno, e a avaliação do Júri Acadêmico, ocorrerão entre os dias 22/10/2011 e 22/11/2011.
Então, se você gosta do DC, e entende que ele merece se classificar para o segundo turno, vote através do link do Top Blog 2011, à direita do site, e divulgue da maneira que achar mais conveniente.

Para mais detalhes sobre o Top Blog 2011, acesse: http://www.topblog.com.br/2011/.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A fera

A fera está à solta.
Desespero nas ruas.
Escondam as crianças.
Protejam os velhos.

Tantos tiros, tantos aparatos constituídos.
Nada pode pará-la.
Em busca de mais, e mais, e mais.
Existe um conflito inerente a esta existência.

Cenas atordoantes, colapso de nossos motivos mais nobres.
Ninguém aprendeu a lição, estamos miseravelmente derrotados.
Só agora percebemos que não éramos tão fortes.
Súplicas no vazio, piedade esquecida.

Gritos pelos becos.
Em qualquer canto você pode ser a presa.
Olhos desconfiados em uma fuga angustiante.
O tempo não passa, e a tv alardeia o fim dos sonhos mais fugazes.

Amanhã será um dia de redenção.
Mas, mesmo que o sol nasça, estaremos marcados para sempre.
Estaremos vivos, estaremos mortos, e ainda estaremos fugindo.
Não, nossa mente nunca mais descansará.

domingo, 3 de julho de 2011

Ao pé da letra

Eu tenho um amigo que entende tudo ao pé da letra. É impressionante. Ele é absolutamente incapaz de compreender qualquer sentido figurado.

Com doze anos, ele ouviu os colegas de escola dizerem que era muito bom "descascar uma banana". No outro dia, ele chegou indignado ao colégio. Disse que comprou um cacho, descascou todas e não sentiu nadica de nada. De quebra, levou uma bronca da mãe pelo desperdício.

Quando ele leu no jornal que a Cidade do México tem superpopulação, pensou que lá todo mundo colocava uma capa vermelha, a cueca por cima das calças, e saía voando. Acho que ele confundiu a Cidade do México com o Planeta Krypton.

Estes dias, numa discussão de trânsito, um cara lhe mandou à puta que pariu. Ele foi procurar a mãe num bordel.

Certa vez, eu mesmo, numa discussão com ele, disse: "Ah, vai ver se eu tô lá na esquina!" E ele foi! E ainda voltou, cheio de razão: "Não, não tá, não."

Em outra ocasião, no hospital, quando ele estava esperando um atendimento que iria atrasar, a enfermeira lhe disse para matar um tempo. Não deu outra. Ele pegou um revólver e deu um tiro no relógio da parede. Foi um alvoroço só!

Fico um tanto comovido com essas pessoas que levam tudo ao pé da letra. Mas às vezes, confesso, me irrito um pouco e até elevo o tom. Dia desses, fiz isso em público. Foi uma situação incômoda e constrangedora. Me acusaram de intolerante. E me chamaram de pedaletrofóbico...

sábado, 2 de julho de 2011

Festival Mundial da Hipocrisia

O político faz promessas.

Mulheres pedem homens românticos e sensíveis.

Comunistas pedem democracia.

Reacionários clamam por igualdade social.

Cafetões pedem respeito.

Prostitutas protestam contra o mercado.

Pobres dizem que não querem ser ricos.

Ricos dizem que se importam com os pobres.

Os americanos querem levar a democracia para o mundo.

Dizemos que nos preocupamos com o futuro de nossos netos.

E a plateia ri.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

De encher os olhos

A atuação colorada ontem à noite, contra o Atlético Mineiro, na Arena do Jacaré, foi dessas coisas de encher os olhos e lembrar por muito e muito tempo. O time esteve magnífico taticamente e, com isso, diversas individualidades tiveram destaque.

É bem verdade que devemos estar vacinados. Até semana passada, praticamente ninguém acreditava no time do Inter para este Brasileirão. Nem eu. E os problemas técnicos obviamente permanecem. A diferença é que nos últimos dois jogos, essas deficiências saíram "na urina", graças a atuações coletivas muito consistentes, e ao crescimento visível das peças mais talentosas da equipe. Porém, Nei continua extremamente fraco, principalmente na marcação. Pelo seu lado, os adversários passam como se ninguém ali houvesse. Bolívar também continua lento, mal, se arrastando em campo. O que melhorou o sistema defensivo foi a presença de Juan, que com sua velocidade e vitalidade tem compensado a lentidão do companheiro de zaga.

Importante mesmo é que Falcão tem conseguido, nos últimos jogos, ao mesmo tempo dar ênfase ao que a equipe tem de melhor, seu sistema ofensivo, e tornar as fragilidades do time mais discretas. É um outro Inter. Apresenta mecânica de jogo, troca envolvente de passes, marcação intensa de todos os setores. Até D'alessandro tá marcando feito Guiñazu!

Outro ponto que tem sido extremamente positivo, e para mim uma grata surpresa, é Muriel. Ao contrário do titubeante Renan, o ex-goleiro do Caxias e da Portuguesa tem passado muita segurança. Com Muriel, não sentimos mais calafrios. Acredito que isso também contribua para uma maior desenvoltura do time, e maior organização na marcação: já não há mais o desespero de não deixar os adversários chutarem de longe, que muitas vezes pode desestruturar o posicionamento defensivo do time.

O quarteto ofensivo, por sua vez, tem sido esplendoroso. D'alessandro voltou a ter fome de bola. Está com garra, vontade de vencer, ânsia por fazer jogadas objetivas e de qualidade. Oscar é um projeto de fora-de-série. Joga muito, o garoto. Tem muita velocidade, não tem medo de partir pra cima dos zagueiros adversários e tem uma categoria incrível. Deu o passe para o terceiro gol, de D'alessandro, e fez o quarto e último tento do jogo, colocando a bola ao mesmo tempo fora do alcance do goleiro e do zagueiro que fechava o canto oposto. No ataque, Zé Roberto vive grande momento. Arisco, veloz, inferniza as defesas adversárias. Fez o segundo gol do Inter, de cabeça. E Damião é Damião. Marcou mais um, é artilheiro nato. Pena que logo, logo, será vendido.

De maneira geral, o que fica do jogo de ontem é que há, sim, um caminho promissor a ser trilhado pelo Internacional. Existem deficiências na equipe para as quais a diretoria tem de estar atenta, é bem verdade. Principalmente na zaga, que ficará desfalcada de Juan, a serviço da seleção sub-20. Oscar também ficará longo período de fora, pelo mesmo motivo. Tomara que Falcão mantenha a ideia tática dos dois meias, e não invente de, novamente, colocar Tinga naquele setor.

Acredito que mantendo este formato de time, mesmo desfalcado de uma ou outra peça, o colorado se alinha bem para a continuidade do Brasileirão. Mas não dá pra se precipitar e nem tapar o sol com a peneira. Nei não virou Carlos Alberto Torres. Tinga continua mal. Bolívar continua lerdo. Seria importantíssimo a direção contratar, no mínimo, um bom zagueiro. Encaixando as poucas peças que faltam, dá até pra, quem sabe, o colorado sonhar com vôos mais altos no Campeonato Brasileiro e, a partir disso, realizar a tão necessária renovação da equipe para a próxima temporada.