quarta-feira, 1 de junho de 2011

Onde está a polêmica?

Ainda repercutem as declarações do treinador colorado Paulo Roberto Falcão, de que o Inter não teria qualidade o suficiente para ser campeão brasileiro em 2011. É uma repercussão necessária, sim, mas não vejo polêmica alguma em tal declaração. É, mais do que opinião, uma constatação.

Roberto Siegmann logo tratou de dizer que o elenco do Inter é qualificadíssimo. Citou os nomes de sempre. Bolívar, Guiñazu, D'alessandro, Kléber... Há um ano, essa análise poderia ser considerada mais a sério. Hoje, não. Isso não quer dizer que os atletas não possam reverter as expectativas. Ninguém duvida da raça de Guiñazu, do talento de D'alessandro, da qualidade de Kléber, da liderança de Bolívar. Porém, o futebol é dinâmico e feito de fatos. E o fato é que se contam nos dedos as boas atuações do Inter, principalmente destes jogadores, desde a Libertadores do ano passado.

E, ainda que considerássemos que estes atletas estivessem no auge de sua performance, o Inter, mesmo assim, não deixaria de ter carências evidentes no seu elenco. A lateral direita é um horror. O reserva Daniel é tão fraco que faz a torcida sentir saudade do titular e limitadíssimo Nei. A zaga é lenta, e Juan, o zagueiro de velocidade, além de não ter oportunidades efetivas, servirá a gloriosíssima seleção sub-20. O meio campo carece de objetividade, já que Oscar tem sido relegado ao banco. E no ataque falta um companheiro para Damião.

É bem verdade que aí estão diluídos equívocos de Falcão e da diretoria. Com Oscar e Juan no time, por exemplo, o rendimento tenderia a aumentar. Ambos, porém, são, ainda, apostas. Apostas não deveriam ser soluções para um time que almeja título brasileiro. Elas devem ser complementos, com o devido suporte dos mais experientes (suporte esse que não tem sido dado). Não pode cair sobre estes atletas a responsabilidade de resolver todos os problemas do time.

Achar que está tudo certo com o elenco colorado é viver num mundo paralelo. Já elogiei muito o elenco. Mas a dinâmica do futebol exigiu que eu revisse alguns conceitos. Tem gente com o prazo de validade vencendo. O Inter não pode ser refém dos veteranos, mas também não pode juvenilizar drasticamente sua equipe. Resta, então, reforçar o grupo, oferecer opções ao treinador.

Falcão tem deixado a desejar? Sim. O time poderia estar rendendo mais? Evidentemente. É aceitável que com este elenco se empate com os reservas do Santos e se perca em casa para o Ceará? Óbvio que não. O momento, então, é de cada setor assumir sua parcela de responsabilidade. Aos jogadores, cabe se dedicarem mais: o colorado tem atuado em ritmo de bossa nova. Ao treinador, cabe escalar os melhores, e fazer esse time mesmo render o que pode, que é mais do que vem rendendo. À direção, cabe trazer reforços, preencher as posições carentes, tornar o elenco mais consistente e adequado para a disputa do Brasileirão, e, só então, fazer uma cobrança mais efetiva sobre Falcão. Pode parecer complexo, mas é extremamente simples.

Com cada um fazendo a sua, as coisas podem melhorar. O campeonato recém começou. Mas tem que se mexer.

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