domingo, 19 de junho de 2011

Medo abstrato

Coração arrancado, apenas um zumbi.
Seria mais fácil ficar escondido.
Agora está exposto, e a plateia ri.
Aberração exausta, atração principal.

Construíram edifícios, mas destruíram tantas almas!
Espíritos vagos, gritos em becos vazios.
Naquele canto alguém pediu socorro há muitos anos.
Cada palavra dita ainda se faz presente.

Ele caminha como se tivesse algo para encontrar.
Conseguiu fugir, mas ainda não está livre.
Bares, esquinas, rostos sorridentes, corações entristecidos.
Todos estão sendo consumidos por um medo abstrato.

Por alguns segundos, tudo teve sentido.
Mas não se pode recolher isto num vidro.
As portas estão fechadas.
Os dias já estão contados.

Compraram cápsulas de felicidade.
Agora vomitam no chão, eis o destino.
Vão queimando até os ossos.
Estão sobrevivendo num mundo que os expele a toda hora.

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