domingo, 26 de junho de 2011

Gravadores

Quando uma pessoa coloca um gravador na mesa de um palestrante, não tem meio-termo. Isso só pode querer dizer duas coisas. Duas coisas extremas, opostas.

Num primeiro momento, penso que é uma declaração de desprestígio. Algo como: "Olha aqui, você me desculpa, mas não vou prestar atenção agora. O que você vai dizer até pode ser legal. Mas agora não tô a fim. Em casa, quando tiver tempo, quem sabe eu escuto. Agora não. Não vou ouvir, não vou prestar atenção, e nem tô com vontade de anotar nada."

Porém, pode ser o contrário. Pode ser um sinal de prestígio extremo. Como dizer: "Seguinte: vou me arrebentar de prestar atenção. Vou anotar tudo, ficar fixado até na sua respiração. Mas é tão bom e tão interessante que vou gravar. Certamente vou perder detalhes. E cada detalhe é fun-da-men-tal! Não quero perdê-los. Não posso perdê-los!"

Quem fica no meio-termo não usa gravador. Nunca. Simplesmente pega um papel e uma caneta. E anota as coisas interessantes. Se houver coisas interessantes para anotar. Às vezes me sinto até meio culpado. Não consigo me interessar nem me desinteressar o suficiente por uma palestra, a ponto de pensar em usar gravadores. Estou me tornando blasé. Isso me preocupa. Mas não me preocupa o suficiente...

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